Notas iniciais
Então, nesse cap teremos a revelação de um segredo, talvez não tão segredado assim.
Mas não pensem que com isso nossos meio-sangues ficarão sem nenhum problema, na verdade é o oposto.
Agora que os problemas começam.
=X=
Alexia Oliveira de
Gih Castro deixou
Milena Corrêa deixou


Lizandra



Aquela noite foi algo impossível de nomear.



Mesmo depois de muito tempo eu soube assim que as coisas começaram que nunca me esqueceria dela ou do que aconteceria depois daquele momento.



Assim que eu e Lilli saímos do banho deitamos cada uma de um lado da cama aonde Gray já havia se acomodado.



Nós duas havíamos concordado em torturar o pobre com aquilo, embora no meu caso fosse diversão eu sabia que Lilliel estava nervosa com a ideia.



Então assim que deitamos abraçamos Gray que virou uma pedra antes de dar altos gritos.



Nós duas rimos, claro.



Mas depois nos acomodamos de verdade e eu dormi o mais rápido que pude.



Só não esperava repetir a visita.



==========X==========



Eu estava no mesmo lugar escuro e frio em que meu sonho da noite anterior acontecerá.



E na parede a minha frente o corpo esquartejado ainda parecia me atrair, mas dessa vez eu sabia que não devia toca-lo.



Olhei para os lados mais estava sozinha. Nem Lilli e nem Gray estavam lá feridos hoje.



A mesma voz ancestral da noite anterior retumbou dentro da minha alma e me vez virar assustada para o corpo na parede.



–Hoje não preciso te mostrar o futuro “Linhagem”, mas você também não foi chamada acidentalmente como ontem. O que quer dizer que ou um de nós te fez chegar aqui ou você deveria estar aqui.



Novamente fiquei paralisada ao olhar para ele.



Tão belo e impotente ainda que esquartejado, capaz de me atrair como algo único e ainda assim eu sabia que devia todo o respeito a ele.



–Como devo chama-lo?



–Como você acha apropriado?


–Rei.

–Ainda não sabe meu nome?

–Estou pensando nisso, mas francamente, se você quisesse ser chamado pelo nome me diria.


Ele riu profundamente daquilo ao ponto de fazer minha alma tremer.



–Isso é verdade. Mas como não quero não digo.


–Então, quer me dizer algo ou eu é quem devo perguntar Rei?

–Você está buscando os Arcos Gêmeos de Apolo e Ártemis não é?

–Sim. Sabe onde estão?

–Claro. Estão comigo.

Estremeci de raiva.

–VOCÊ OS ROUBOU?!

Todo o lugar tremeu e quando ele voltou a falar pensei que morreria pulverizada.


Por que sua voz ressoou tão fundo na minha alma que eu entendi como deveria ser ver um deus em sua verdadeira forma.



–Não seja atrevida! Eu jamais mexeria nessas miudezas Olimpianas! Quem quer que tenha sido o ladrãozinho impertinente que fez esse jogo deixou essas coisas em meio aos meus pedaços e agora nem ao menos posso me livrar dessas porcarias.



Enquanto me recuperava da sensação de quase morrer tentei assimilar aquelas palavras.



Ele havia chamado os objetos de poder dos deuses de miudezas e porcarias.



Mas até os titãs tinham objetos de poder para poderem agir.



–Sim, continue assim e logo saberá meu nome criança. Você e outra descendente logo terão uma bela surpresa, mas para isso precisarão me achar e pegar essas coisas.



Com aquelas palavras minha mente deu um nó cego triplo.



Olhei para os pedaços até localizar os dois arcos em extremidades opostas.



–Eu posso pega-los agora se quiser.



O lugar tremeu, mas nenhum efeito pulverizador veio do Rei quando ele falou:



–Criança tola. -Sua voz era como se falasse com uma criança pequena que tenta por o dedo na tomada. -Sem seu corpo você é milhares de vezes mais frágil a minha energia. Por ser você, por ter o poder que tem, por ser “Linhagem” seu corpo físico ainda poderá resistir se meu filho ajudar. Porém sem seu corpo e alguém para te ajudar, sem outra “Linhagem” nunca sobreviverá ao contato com meu corpo.



–Se eu te achar e retirar os arcos saberei as respostas?



–Sim.


Refleti sobre aquilo e uma ideia idiota me passou pela cabeça, mas ignorei e fiz mesmo assim.


Me virei para o corpo esquartejado e dei um passo a frente. Depois me ajoelhei sobre uma perna e me curvei.



–Irei te achar Grande Rei. Irei tirar os Arcos daqui. Vou descobrir seu nome e sei que a Lilli vai me ajudar.



Sua risada ecoou fundo na minha alma, mas dessa vez de uma forma diferente, quase carinhosa.



–É o que espero menina.



Um calor envolveu meu corpo e fui lançada na escuridão rumo a uma luz ofuscante e nada agradável.



Desejei por um instante insano antes de ver o que era quase ser pulverizada pela fúria do Rei novamente e acabou que teria realmente sido uma boa ideia.



==========X==========



Assim que abri meus olhos soube que algo não estava certo.



E isso não foi pelo fato que o lugar todo tremia ou que Gray tentava desesperadamente acordar Lilli, mas por que ela estava preta.



Quando digo preta sendo que ela já tem a pele morena pode parecer estranho, mas ela estava cor de piche. Isso sem contar as marcar brancas como linhas que se contorciam por seu corpo aonde eu podia ver.



Era como o corpo do Rei.



Pensar naquilo me fez ter a ideia mais retardada do mundo.


–Gray, se afasta dela.

Ele me olhou e deve ter tido um daqueles momentos de iluminação ao me ver prendendo o cabelo.


–Liz, que besteira você vai fazer?



–Nenhuma que seja da sua conta. Se afasta dela e não toque em nenhuma de nós duas.



–Por que em você também?



–Por que vou atrás dela agora.


Toquei na mão de Lilli tentando segura-la com toda a força. Mas não posso dizer que consegui, pois no minuto seguinte fui puxada com tanta força para dentro de um turbilhão negro que me perdi dentro do que deveria estar fazendo ou pensando.


Quando consegui firmar algo como referência era Lilliel que parecia igualmente perdida. O que pessoalmente é bem idiota, mas me pareceu bom na hora.



–Ei Liz! O que faz aqui?



–Vim atrás de você. Por que quando acordei você tava cor de piche.


Ela me olhou surpresa.

–Eu estava indo na direção de uma luz desagradável e dai parei aqui.

–Como?

–Não vou repetir, você ouviu.

–Tá eu sei, mas eu também estava na mesmo situação. Por alguma razão eu acordei e você não acordava de jeito nenhum enquanto Gray te chamava.


–Será que eu cheguei antes e fechei sua entrada direta?



–Talvez, mas que lugar é esse afinal?


–Se espera que eu te responda pode esquecer que também não sei.

Pensei em despejar uma dúzia de xingamentos sobre ela, mas desisti na mesmo hora em que vi algo se mover pelo céu na direção da terra.


Era um homem magnifico.



A pele preta como piche mudava as vezes para um azul claro como o o céu ensolarado. Sua pele também estava cheia de desenhos brancos como nuvens que as vezes ficavam cinza escuro.



Assim que reconheci ele tentei alcança-lo voando pelo céu daquela lembrança, o que apesar de difícil no inicio ficou muito familiar depois.



Me aproximei dele mas então notei algo errado: ele não me reconheceu, não me viu.



Era uma lembrança do Rei.



Lilli veio ao meu encontro um pouco confusa e eu sabia que era pela mesma razão que me causou o mesmo sentimento ao me mover nesse lugar: era familiar.



–Quem é ele? É muito bonito.



–É o Grande Rei.


–Quem?

–O corpo esquartejado dos meus sonhos. Chamo ele de grande Rei.

–Desde quando?

–Alguns minutos atrás enquanto falava com ele.

–Você jurou lealdade a ele?

–Não falei isso, só achei que seria certo chama-lo assim.

Lilli me olhou surpresa e nem pude responder, por que me aproximei mais do Rei e ele realmente era incrível.


Tinha uma barba curta e bem aparada que mudava do branco para o cinza assim como as marcas pelo corpo. Fixei minha atenção em seus olhos e me assustei com a beleza e familiaridade.



Seus olhos ficavam mudando de cor a toda hora. Verde, vermelho, preto, branco, cinza, laranja, e tantas outras cores que nem podia acompanhar. Como os olhos da Lilli e da minha mãe.



–Os olhos dele são como os do Luti.



–Quem?


–O tal deus do Tempo. Me encontrei com ele e ele me disse para arrumar um nome pra chama-lo até descobrir o verdadeiro.


–Nossa. Mas eu tava pensando que o Rei tem olhos como os da minha mãe e os seus.



Lilliel me encarou e eu sabia que nada de bom viria daquela ideia que nos percorreu, então ficamos caladas mesmo.



O Rei se aproximou de uma montanha aonde uma mulher sentada em um trono de terra o olhava fixamente com um certo ódio. Me lembrei dos Giagantes e de Gaia, algo que eu não gostei mesmo.



–O que você quer Gaia? Me chamou como se sua existência não fosse possível sem a minha presença aqui. -Aquela voz, mesmo em uma lembrança retumbou tão fundo na minha alma que quase perdi a consciência.



–Por que você acha que te chamei meu marido?



–Se é sobre nossos filhos não vou liberta-los. Você os jogou contra mim. Como posso confiar neles desse jeito se o gêmeo mais velho é o único que me apoia?



A mulher tremeu de raiva e a montanha, junto com toda a terra tremeram.



–Kaíros não merece a confiança de ninguém. Nunca me ouviu ou me deu atenção.



–Graças a isso ele está livre diferente dos irmãos e se tornará meu herdeiro por direito quando eu me cansar de reinar.



–Por que daria esse direito a ele ao invés de Cronos? Cronos é mais forte e poderoso que Kaíros e não teme nada.



–Mas ele não me respeita, nem ao menos demonstra que quer fazer isso como os irmãos dele também fazem. Se você não o escondesse de mim, com certeza eu já o teria aprisionado junto dos demais Titãs.



–Eles são seus filhos! Indepêndente do que ou como eles sejam você deveria deixa-los fazer e ponto final.



–Se você não queria que eu fosse o Rei Supremo era só ter ficado com Pontos e não comigo.



–Diga o que quiser, eu já terminei o que queria dizer.



Em seguida Gaia desapareceu em um redemoinho para o interior da terra.



Eu achei que nada me surpreenderia mais, até ver um homem se aproximar do Rei.



Ele era enorme, sua pele dourada era marcada por linha negras com textos de diversos idiomas, e os seus olhos eram multi coloridos. Seus cabelos eram prateados e todos o espaço ao seu redor tremeluzia com pedaços do tempo. Passado, presente e futuro.



–Tudo bem com você pai? -A voz dele retumbou quase tão fundo quanto a do Rei quando eu ouvi.



O Rei se virou e sorriu de uma forma estranhamente amorosa.


–Sim, estou ótimo Kaíros. Apenas vamos voltar para nosso lar meu filho.

Kaíros se curvou diante do Rei.

Seus cabelos se tornaram negros como piche.


–Como quiser Lord Urano.



O Rei sorriu e ambos subiram o mais alto possível no céu até uma especie de templo feito de nuvens aonde de acomodaram em tronos e ficaram admirando o mundo abaixo deles por muito tempo.



Eu não tinha certeza, mas ao que tudo indicava o tempo passava bem rápido ali. Muito embora isso se baseasse nas mudanças na amplitude da aura de Kaíros que parecia cada vez maior.



Então Urano levantou com uma expressão cansada.



–Tenho que descer, sua mãe quer me ver. Apenas fique de olho, mas não se aproxime.



–Tem certeza. Sei que ela me odeia, mas com Cronos a solta seria melhor que eu fique por perto para te proteger dele e das armações da mamãe.



–Por favor, sei que Gaia é complicada mas preciso que você tente se entender com ela ou tudo só irá piorar.



–Ok. Vou me esforçar. Pelo nosso bem.



Kaíros se curvou e Urano riu.


O Rei se inclinou e começou a descer para a terra em uma coluna de nuvens brancas.


Eu comecei a segui-lo o mais rápido possível até notar que ele estava indo para a mesmo montanha em que se encontrará com Gaia antes.



Um calafrio percorreu minha espinha ao ver a deusa da Terra sentada em seu trono com um sorriso gentil no rosto. Urano pareceu estranhar aquilo, mas continuou firme até ficar frente a frente com ela, ainda que continuase flutuando.



–O que quer Gaia? Eu sei que está brava, por isso estava pensando em ver o que posso fazer sobre os Titãs e os Ecatônios. Eu tenho problemas com isso, mas francamente, brigar com você não é nada bom.



–Querido, você é um amor por considerar isso. Mas acha que só isso serve?



–Como?



No segundo que Urano levou para processar aquele comentário um homem parecido com Kaíros, mas com pele prateada e olhos dourados, saltou por trás do Rei com uma foice em mãos e partiu seu corpo em dois pela cintura, depois continuou cortando tudo que pode.



Os pedaços começaram a cair na direção da terra, mas antes mesmo de toca-la foram rejeitados e arremessados ao mar de onde uma espuma densa começou a se formar lenta e constantemente.



–Cronos, quando terminar com seu pai, liberte seus irmãos. Eu volto mais tarde.



–Sim mãe.



Cronos ainda segurava a cabeça de Urano com uma parte do tronco. Ele olhou para os restos do pai e os arremessou para o alto se preparando para partir a cabeça ao meio, mas o que sobrou do Rei não caiu.



Kaíros agarrou o que restou do corpo do pai chorando icor.



–Por que Cronos? Se você tivesse ouvido ele, papai teria te dado tudo. Por que fazer isso com ele?



–Mamãe pediu irmão.



–Ela não ama ninguém Cronos, nem mesmo você. Tudo que Gaia quer é manipular o destino.



–E o que tem isso? Enquanto eu sair ganhando não ligo.



Kaíros deixou seu poder explodir ao seus redor em um clarão de luz intenso.



Cronos recuou tentando fugir da onda de choque temporal.



Eu podia ver Kaíros fugindo para o alto do céu e sai atrás dele.


Não sei dizer por quanto tempo voei atrás dos dois até que Kaíros parasse com o corpo mutilado de Urano nos braços.


–O que vamos fazer pai?



Para minha surpresa Urano ainda estava vivo e consciente.


–Atraia um meteoro para a terra. O maior que puder e lance-o no meio do deserto aonde o poder da sua mãe é menor.


–Certo, mas os seus pedaços? Como vamos recupera-los?



–Não vamos pensar nisso agora, quando a hora chegar vamos acha-los. Por último corte minha cabeça do resto do meu corpo e espalhe o sangue ao redor de toda a área em que lançar o meteoro. Molde um templo para nós e lacre-o até Cronos cair.



–Cair?



–Sim. Guarde minhas palavras. Cronos não irá reinar eternamente, um dos filhos dele irá destrona-lo e dará a ele um destino milhares de vezes pior que o nosso.



–Tem certeza?



–Sim, por que nós ainda iremos voltar ao mundo e Cronos não.


–Espero que esteja certo pai.

Em seguida tudo correu rápido demais.

Um meteoro atingiu uma terra deserta. Vi Kaíros moldando a rocha até se tornar uma caixa negra enterrada no solo e entrando dentro dele com a cabeça adormecida de Urano nos braços.


Senti alguém tocar meu ombro quando tentei seguir Kaíros e Urano.



Olhei pra trás e vi Lilliel. Ela estava tão abalada quanto eu e não sei dizer por qual dos motivo era exatamente.



Um redemoinho negro nos envolveu e fomos jogadas na direção de uma luz suave.



Continua...



Notas finais
Bom, era isso.
Comentem crianças, comentem.
Não sejam timidas.
Falem que eu quero ler e responder.