The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
14 Lutando Contra Um Inimigo Invisível
Notas iniciais
Lilliel
Assim que terminamos de comer entramos no carro e saímos o mais rápido que pudemos.
Nós simplesmente esquecemos que levaria cinco horas até Evansville, então quando notamos que eram duas da tarde entramos no carro correndo e eu sai dirigindo o mais rápido que pude.
Apesar de tudo eu agia por instinto sobre o por que de não querer ficar dirigindo a noite. Também decidimos seguir um pouco mais para o sul a fim de fugir do frio a menos durante o dia, por isso a Interestadual 71 foi a nossa melhor opção.
Quase bati em dois carros na rodovia rumo a Cincinnati e mais três dentro da cidade tentando sair de lá.
Entramos em Louisville e eu realmente pretendia seguir feito um furacão por mais duas horas, isso até sentir Gray segurar minha mão.
–Precisamos parar, ou a gasolina vai acabar Li.
Olhei para o indicador de combustível que já estava na reserva.
–A quanto tempo está assim?
–Alguns quilometros Lilli. -Lizandra respondeu do banco de trás.
–Droga. Não estava nos meus planos fazer uma parada agora. -Gray me encarou e posso jurar que senti minhas bochechas esquentarem muito. -O que foi?
–Por que está com presa?
–Minha mãe sempre me disse para evitar andar por ai a noite no inverno. Nunca entendi por que, mas agora algo me diz que ela está certa.
Gray encarou Lizandra que apenas deu de ombros. Ele se voltou na minha direção e respirou fundo.
–Monstros são mais fortes no inverno, em especial a noite. Por isso normalmente ou arrumamos um lugar seguro de verdade ou seguimos viagem noite a dentro.
Lizandra se aproximou mais de nós e pareceu preocupada no que vi em seu reflexo pelo espelho retrovisor.
–Aquele hotel foi indicação da Rachel, então era seguro. Mas ela não nos deu outro lugar para dormir depois dele, o que quer dizer que devemos seguir viagem durante a noite hoje.
Ouvir aquilo não me animou.
Uma que apesar de gostar do meu fusca ele não é confortável para dormir, sei disso por experiência. Segundo por que meu sonho aconteceu a noite no meio de uma estrada.
–Não. Nós temos que arrumar um lugar pra passar a noite. -Respondi decidida.
–Lilli, é sério não podemos... -Lizandra não sabia e não iria ficar naquela situação nem que pra isso eu precisasse lhe dar uns cascudos.
–Vamos passar a noite em um lugar seguro. Nem que pra isso a gente precise dormir em caixões.
Gray e Lizandra trocaram um olhar preocupado e eu virei assim que vi um posto de gasolina no centro de Louisville no qual fosse possível abastecer.
Durante os cinco minutos que fiquei abastecendo Liz e Gray foram comprar mais bebidas e bolachas na lojinha do posto.
Eles ainda iriam tentar me fazer mudar de ideia, mas eu poderia fazer pelo menos Gray me ajudar, se tivesse tempo de falar duas palavras com ele.
Por isso quando Liz ficou para pagar agradeci aos deuses.
–Pegamos tudo, mas acho que Liz está na mesma situação que você ontem.
Ele se virou para voltar e eu o segurei, o que pareceu deixa-lo muito surpreso.
–Se seguirmos viagem a noite algo muito ruim pode acontecer com a Liz e não vamos completar a missão.
Ele me encarou preocupado.
–Aquilo que você disse que tinha que mudar pra que o sonho dela em Vegas aconteça?
Assenti nervosamente olhando para Liz discutindo com a balconista.
–Tem certeza disso?
–Não. Mas meu sonho aconteceu a noite no meio de uma estrada no deserto, então não darei chance para que todos os requisitos se cumpram.
–Por que todos?
–Acho que vamos perder o carro nesse dia, então acho que vai ser no dia que vamos nos esfolar por completo. -Desviei o olhar e vi Liz vindo até nós. -Vamos. Precisamos dormir, por que pretendo dirigir o máximo amanhã.
–Ok. Você me convenceu.
–Do que ela te convenceu Gray? -Liz parecia preocupada.
–Precisamos de um lugar pra dormir hoje. Afinal, começamos o dia com uma luta e não quero dormir retorcido dentro do fusca. Sem ofensa.
Do jeito que me olhou senti que realmente Gray estava preocupado com aquilo e precisei rir.
–Não ofendeu. Sei como é dormir nele e garanto que é horrível dormir ai dentro.
Pela minha cara eles entenderam que era sério.
Depois disso não foi difícil fazer eles entrarem no carro e eu simplesmente segui pela Interestadual 64 durante quase uma hora e meia antes de chegar a saída para a Interestadual 164.
Eu tinha certeza que se chegasse até Evansville poderia arrumar um lugar para dormir e ficar a salvo.
Não estava querendo me iludir. Eu realmente tinha acreditado nisso.
==========X==========
Um cemitério. Um hotel. E comida.
Dizendo assim parecem coisas estranhas e sem sentido algum.
Mas depois de muito procurar nós haviamos chegado a esse estranho lugar.
Um hotel, ao lado de um cemitério e um restaurante.
O hotel era um muquifo de quinta categoria, que parecia estar mais abandonado que qualquer outro fim de mundo. No entanto eu reconheci algo familiar nele, algo que sentia com frequência quando se tratava de morte e que senti ao encontrar meu pai.
Aquele lugar emanava o perfume da morte e eu me sentia atraída por ele, como se fosse uma oferenda aos deuses.
Inclusive me dei muito bem com a recepcionista, uma moça de vinte e poucos anos chamada Elisa, e o chefe (além de pai dela), um senhor de uns quarenta anos chamado Paul.
Depois de deixar tudo acertado no hotel pedimos comida no restaurante e voltamos para o quarto. Eu tinha certeza que estariamos a salvo, mas eu errei bonito sobre isso.
Mas era de se esperar já que os quartos só tinham uma cama de casal e um sofá. Como nós nos recusamos a dormir em quartos diferentes o sofá ficou com as bolsas e a cama...
Bom, eu estava tentando resolver esse problema agora com uma fita métrica, matemática e senso de humor.
–Sério Li, eu ainda acho que talvez a gente deva pedir uma cama de armar na recepção. –Liz parecia mais desconfortável que eu.
–Eu já vi Liz, eles não tem. -Gray parecia entender o meu ponto de vista, mais do que eu gostaria. -Se tivessem eu mesmo já teria armado.
Guardei a fita métrica quando senti meu peito doer e imediatamente pensei nas vezes em que sai da UTI, mas foi diferente.
Respirei fundo antes de virar na direção dos dois.
–A boa noticia é que a cama vai suportar nos três de boa, mas ainda não consegui pensar em uma ordem que seja satisfatória.
Liz ergueu a mão e soltou:
–Gray fica no meio, afinal ele é fonte de calor natural por ser filho de Apolo ou é o que ele vive dizendo.
Fiquei encarando ela por mais de cinco minutos em silêncio pensando no que dizer e infelizmente nada me veio a mente, mas Gray... bom, muitas coisas pareceram vir a mente dele depois de cinco minutos e a maioria eram palavrões que ele soltou por mais de dois minutos, sendo alguns contra ele mesmo...
Mudei o peso do corpo de um pé para o outro ainda tentando ter certeza sobre aquilo e finalmente resolvi desligar minha mente de tudo que estava eu meu redor.
–Ok. Acho que isso talvez seja melhor mesmo.
Gray soltou mais uns trinta ou cinquenta palavrões dos mais absurdos antes de desistir de discutir e entrar no banho.
Liz sentou na cama e respirou fundo:
–Ele nos odeia nesse exato momento. Eu pela ideia e você por concordar.
Deitei ao lado dela exausta.
–Bom, ele não é o único. Eu também meio que me odeio por aceitar sua ideia, mas nem posso dizer que é um sentimento sincero. -Senti meus lábios formarem um sorriso.
Lizandra me olhou um tanto surpresa.
–Sério, não sei se foi o tal lorde do tempo ou os últimos dias, mas preciso agradecer alguém por essa mudança feliz.
Soquei o ombro dela de leve e Liz me deu uma travesseirada na cara.
Começamos a rir e avancei sobre ela lhe fazendo cocegas. Para minha surpresa ela não conseguiu reagir e começou a rir como uma condenada.
Depois de cinco minutos estavamos novamente deitadas olhando o teto.
–E agora? O que vai acontecer? -Sussurrei distraída.
–Nada. Vamos terminar a missão e voltar. Com sorte sabendo as respostas que queremos agora.
Ri daquele comentário.
–Quem é o lord do tempo do meu sonho? Seus parentes misteriosos? Quem é o rei caído do seu sonho Ou...
A porta do banheiro abriu e levantei assustada. Gray saiu de lá trocado e eu entrei lá o mais rápido possível seguida de Lizandra que trancou a porta.
–Tudo bem?
Sorri um pouco irônica.
–Parece?
Dessa vez ela sorriu irônica também.
–Não. O que era o “Ou” que ficou no ar?
Liguei o chuveiro e entrei debaixo da água quente.
–Um desejo para o futuro. Uma nota de esperança de quem evita pensar nas boas chances da vida.
Liz me encarou antes de dizer:
–Um pedido para fazer as coisas certas, mesmo se fracassar na missão.
Ri daquele comentário. Mas no fundo era verdade.
Continua...
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