The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
41 Literalmente, Toco na Minha Própria Morte
Notas iniciais
Lilliel
19 de Dezembro
Uma dica: quando te oferecerem uma missão ou um teste ou qualquer coisa que ninguém mais queira fazer RECUSE.
Sério, não seja idiota de aceitar algo que pessoas mais fortes ou experientes não querem para provar algo, é burrice e de burrice eu entendo.
Veja, eu não deveria ter aceitado essa missão.
Por que digo isso?
Bom, agora eu não sei onde estou por que, literalmente, eu toquei a morte. A minha morte para ser mais especifica e, bom, isso não parece muito promissor.
Estava, mas agora, bem, o que deu errado eu não tenho certeza, mas sei que tudo estava indo muito bem.
…
Depois que a luz acendeu no que pareceu ser o centro do mausoléu, nós seguimos até lá e, para a surpresa de todos, o lugar era enorme, do tipo gigante.
Levamos o que pareceu cerca de uns quinze minutos para alcançar o lugar aonde a luz estava e quando chegamos lá percebemos que aquilo estava mais para um mini sol do que uma luz fraca.
O que a gente não queria perceber e isso seria muito bom que ninguém ali tivesse notado era a parede a poucos metros de luz, aonde repousava nada mais nada menos que o corpo de Urano e eu sabia disso sem que ninguém precisasse me dizer.
–Mas o que...? -A frase de Gray ficou pela metade.
–Santo Caos. É o próprio Urano. -Esse foi o Carlo.
–O que esperava encontrar no mausoléu de Urano, Carlo? -Liz cuspiu entredentes.
–Certo, isso é mais aterrorizante pessoalmente que nos nossos sonhos ou encontros extra corporais. -Precisei admitir.
–Vou entender que não tiveram sorte de ficar longe desse lugar em seus sonhos, assim como os outros. -As palavras de Carlo deixavam claro que não eramos as primeiras ou as últimas pessoas da “Linhagem” a serem arrastadas para aquele lugar em sonhos.
–Bom, ao menos isso significa que todos conhecem a meu pai e eu, o que já é um começo. -Aquela voz retumbou fundo na alma como um raio.
Eu reconheceria a voz de Kaíros em qualquer lugar mesmo que ele tivesse falado apenas “Oi”, por que sua voz ou sua visão me fazem sentir o mais forte aperto no peito que poderia sentir e sei que apenas o sentimento que tenho por Gray pode me atingir tão profundamente.
Nos viramos na direção de onde vinha sua voz e o primeiro choque que sofri foi a cor do longo cabelo dele, estava prata, como o meu. Kaíros abriu seus braços e a cor de seus cabelos mudou para preto.
–Minhas crianças, é uma felicidade vê-los aqui em minha casa, meu recanto e de meu pai, aonde aguardamos pacientemente. -Não foi voluntário, mas nós três nos movemos na direção de Kaíros como um impulso, nossos corpos se chocaram contra o dele com uma força e intensidade que nos era desconhecida. -Meu filho e minhas filhas, não sabem como esse amor que tenho por vocês e vocês por mim me enche de alegria, minha felicidade é tanta que chega a ser difícil expressar.
Ouvi passos baixos as nossas costas e notei que era Gray, que se aproximava cautelosamente de nós, alo que eu até entendia, embora fosse um tanto curioso já que ele e Kaíros já haviam se encontrado antes.
–Meu rapaz, é bom vê-lo aqui também e fico ainda mais feliz em saber que se entendeu com minha criança mesmo com a cabeça dura de ambos, certo Lilliel. -Kaíros deu uma risada paternal que fez nós três tremermos em seus braços, foi também a primeira brecha para nos afastarmos dele, mas ao invés de tentar nos manter mais perto de si, ele apenas sorriu. -É magnifico ver que finalmente chegaram aqui apesar das batalhas pelo caminho, mesmo Carlo teve de lutar bravamente com meus guardas.
Funguei tentando disfarçar um pouco as lágrimas que teimavam em se formar em meus olhos.
–Sorte dele saber usar seus poderes melhor que eu e Lizandra, meu primo é muito sortudo. -Havia sim uma ponta de sarcasmo em minhas palavras, afinal, de certa forma, eu invejava a sorte do Carlo em estar inteiro agora depois de enfrentar aqueles guardas.
–Ora, cada um tem o seu caminho pequena e o seu não incluía passar pelos guardas sem grandes dores. Infelizmente nem o seu ou o de Lizandra e Gray. Pode perguntar isso a Melindra, ela destroçou os rapazes e mesmo assim não saiu sem feridas. A raiva dela a cegou de modo que ela não pode ser o máximo que era, por isso se feriu e muito. Tanto que sua prima, depois de mil anos, ainda tem as cicatrizes dessa batalha. -Kaíros tentou explicar.
–Mil anos? Cara, a Melindra é muito mais velha que a Teresa e olha que minha madrasta é velha para os padrões humanos. -Gray deixou escapar.
–Sim, Lind é bem mais velha que alguns deuses na verdade, mas ela em breve vai viver novamente. -Kaíros respondeu.
Enquanto nós três estavamos apenas absortos nos braços de Kaíros escutavamos as palavras dele e Gray alheios a tudo mais, o que de certa forma era estranho.
–Lind? Esse é um apelido novo para ela. -Gray comentou zombeiro.
Mas mesmo em meio a tudo aquilo estavamos tão perdidos pela presença de Kaíros fisicamente ao nosso lado que nem eu, Lizandra ou Carlo reagiamos, ou mesmo pensavamos, corretamente.
Felizmente, e talvez por conta dessa nossa reação, tinhamos Gray para ser a voz da razão, ou algo bem próximo disso.
–Sem querer ser o chato nesse momento amor de família, mas já sendo, nós temos uma missão por aqui e ela meio que tem menos de vinte quatro horas para ser concluída. Então se não for pedir muito, podemos manter o foco e pegar de uma vez os “Arcos Gêmeos”.
Sim, meu namorado, o cara que daria tudo para estar no quarto do Lotús sob lençóis e cobertas comigo no braço a menos de meia hora sendo a voz da razão e falando de foco na missão, porém foi Kaíros quem pareceu ainda mais ciente daquela informação.
–Bom, creio que o rapaz tem razão e nós teremos outras chances de conversarmos assim, se vocês conseguirem sobreviver, claro. -É, as palavras de Kaíros foram um tanto nada animadoras.
–Claro, por que nós duas em especial quase não morremos nenhuma vez durante a missão. -Resmunguei antes que Liz tivesse a chance.
–Apenas duas vezes até agora, o Gray uma e o Carlo... nenhuma. -Lizandra pareceu pensar por um momento e então gritou brava. -Ei! Isso é injusto! Por que o Carlo ainda não teve um acidente de quase morte?!
Todos rimos, menos o Carlo.
–Se isso te consola, eu sai inteiro da luta contra os rapazes, mas foi Díkaios quem me trouxe ao hotel depois que desmaiei de exaustão. Além disso eu não me senti muito bem quando acordei, fiquei dois dias na cama sem conseguir me mover e mais dois sentindo dores em cada centímetro do meu corpo quando me mexia. Isso sem falar que a comida da recuperação desses caras me deu uma prisão de ventre que quase me matou e isso quando a comida parava no meu estomago.
Naquele momento eu senti vontade de rir, mas na verdade eu me imaginei no lugar do Carlo e isso não foi legal, acho que a Lizandra também.
Acredito que os Zelothya, assim como os Eucaristia, odeiam depender dos outros de verdade, o que torna as coisas um tanto quanto curiosas, admito.
–Muito engraçado, mas o que vem agora? -A frase sem humor e fria veio de Gray.
Aquilo me assustou um pouco, principalmente por que sua própria expressão estava quase congelada e em nada lembrava a pessoa que passou horas sendo gentil e amoroso comigo, além de um tanto sem-vergonha.
Para minha surpresa Kaíros apenas se afastou de vez de todos nós, invocou uma poltrona grande e sentou nela sem encarar ninguém, nem mesmo o corpo esquartejado de Urano.
–Agora, elas pegam os Arcos.
–Certo, isso eu já poderia ter imaginado. -Gray encarou Kaíros da mesma forma fria e dura que antes, talvez até com menos emoções. -A questão é que pelo que me lembro isso era perigoso antes mesmo de as duas estarem assim, machucadas e quase mortas, o que me faz questionar o quão perigoso essa movimentação pode ser para elas quando tocarem Urano.
Kaíros suspirou aparentemente cansado, o que foi estranho.
–Nossa, você é a cara da sua tia em alguns momentos, até parece que estou olhando para a versão masculina perfeita dela agora. -Kaíros mal terminou de falar quando Gray cobrou a resposta que queria.
–Não desvie do assunto, o que vai acontecer com elas ao toarem em Urano? -Aquelas palavras desferidas de forma tão direta eram perigosas, mas meu namorado parecia não ligar.
Já Káiros, parecia ainda mais cansado e, pelos deuses eu queria estar errada, arrependido pelo que precisava dizer.
–Elas tem que pagar os Arcos juntas, ao mesmo tempo ou não vai dar certo, e depois... elas morrem.Eu fiquei chocada com aquilo, mas não foi mais incrivel do que o que veio em seguida.
Gray pareceu enlouquecer, por que ele pegou e simplesmente socou Kaíros que caiu no chão, então meu namorado agarrou a gola da blusa do meu ancestral e deu outro soco nele antes de começar a gritar.
–Seu maldito desgraçado! Depois de tudo que passamos! De tudo que falou! De fazer da minha vida um inferno para que me entendesse com a Lilliel e ajudasse a Liz! Como tem coragem de dizer que agora depois de tudo isso elas vão morrer seu maldito infeliz?!
De verdade, eu achei que Káiros iria pulverizar meu namorado assim que ele terminasse de falar ou antes disso. Milagrosamente nenhum dos dois aconteceu.
Kaíros apenas levantou e sentou novamente na poltrona antes de dizer qualquer coisa.
–Eu sei o que falei, o que fiz e o que pedi, por isso mesmo espero que elas ainda tenham uma chance.
Dessa vez fui eu que não esperei e cortei qualquer continuação que ele pudesse ter para a frase.
–Que tipo de chance nós duas temos ou essa é outra armadilha? -Sim, as palavras me escaparam mais rápido do que pude pensar.
–Existe sim uma chance, mas disso depende muita coisa que não está sob meus domínios ou mesmo minha vontade e responsabilidade, a começar pela vontade de ambas de viver.
–Quanto a isso nós duas queremos e vamos viver. -Essas palavras vieram da Lizandra.
–Bom, isso já é meio caminho andado para as duas, ou melhor, um terço no máximo. Fora isso temos os seus poderes e o meu sangue, além de outro detalhe que eu não posso falar ou não vai funcionar. -Quando terminou Kaíros parecia quase doente de culpa, se é que isso é possível.
Então foi Gray que tomou a frente novamente e de uma forma ainda mais direta.
–Então, como ou quando podemos começar com tudo isso? Ou agora temos tempo a perder com o Solstício de Inverno em algumas horas?
Realmente eu tinha que admitir, Gray estava mais frio e duro que uma rocha, mas eu entendia aquilo. Ele estava preocupado e ansioso, com medo e raiva nervoso e se sentindo impotente, meu namorado passou metade da missão assim, parecia errado que mesmo quando as coisas começavam a dar certo tudo voltasse a dar errado novamente.
–Sim, podemos começar quando elas quiserem. -Kaíros respondeu apontando para Liz e eu.
Apesar de tensa Liz parecia pronta para aquilo a qualquer momento, mesmo olhando nervosamente para Carlo e Gray como quem previa um furacão.
Bom, era melhor que eu, que queria agarrar Gray e correr para longe daquele lugar sem nem pensar. Só que ao invés disso foi Gray quem foi e me abraçou com uma força que por um segundo chegou a doer.
–Não quero que faça isso. -Sussurrou no meu ouvido. -Deuses, eu preferia que estivessemos em uma negação aos trancos e barrancos no acampamento desde que agora isso estivesse bem longe de nós.
Acabei rindo baixinho.
–Eu sei. -Sussurrei no seu ouvido. -Eu também, só que eu queria estar bem longe daqui com você do meu lado, exatamente como agora.
Seu abraço aliviou e em seguida ele colou seus lábios nos meus.
Foi um beijo tão completo que me assustou saber que alguém poderia me beijar daquele jeito ou mesmo que eu poderia retribuir daquela forma.
Cada milímetro do meu corpo sentia a presença de Gray ali e respondia com pequenas descargas elétricas que faziam meu braços apertarem nosso abraço ou mesmo ligar o alerta de que meus pulmões precisavam urgentemente de ar diante daquele momento.
Quando paramos o beijo, Gray estava pelo menos duas vezes mais ofegante que eu e nada parecia mais importante naquele momento que dar outro beijo que me fizesse esquecer do mundo ao meu redor.
Infelizmente, tanto eu como ele sabiamos que essa ideia, apesar de maravilhosa, estava proibida naquele momento e isso se confirmou com o pigarro insistente de Kaíros as minhas costas ou mesmo o suspiro cansado de Lizandra atrás dele.
–Bem, acho que por hora você me espera um pouco que eu já volto. Prometo. -Sussurrei no seu ouvido.
Gray riu e me deu outro beijo, dessa vez muito mais rápido, antes de sussurrar.
–Vou cobrar essa promessa.
Segui até onde Liz estava e encarei ela um tanto incomodada, foi quando lembrei de uma promessa que havia feito a minha prima.
–Só para te lembrar, eu vou te dar um tempinho para se entender com o Leon, mas depois vou realmente te prender no sotão com ele.
Liz me olhou indignada.
–Sua peste, estamos quase morrendo e você quer me ameaçar com provocações.
–Que diferença do que você fez durante a missão.
Ela não falou mais nada, apenas engoliu a raiva e voltou a encarar a parede com os pedaços esquartejados de Urano expostos como troféus. E isso me fez falar sem pensar:
–Então, tia Afrodite veio de um desses pedaços?
Para minha surpresa, eu tive uma resposta e foi da pessoa que menos esperava ter uma palavra.
–Sim, ela nasceu de um dos meus pedaços, mas será que pode parar que enrolar e arrancar essas coisas daqui? -Respondeu a voz profunda e pesada de Urano.
Certo, o choque primeiro foi pelo impacto a voz e depois pelo que ele falou.
Pergunte para a Liz ou para qualquer um que estivesse ali se eu e ela demoramos mais para começar a nossa tarefe, mas nem um segundo se quer.
No segundo seguindo estavamos cada uma de um lado do mausoléu começando a escalar as paredes até os respectivos pedestais aonde haviam deixado cada um dos Arcos.
Cada movimento pensando e calculando como fazer para não acertar as partes do corpo de Urano antes da hora, o que não foi fácil, mas, estranhamente, não foi tão difícil quanto deveria ser, isso até cada uma alcançar o pedestal em que o respectivo Arco estava.
Olhei na direção que Liz deveria estar e mesmo sem vê-la eu sabia que ela se perguntava o mesmo que eu: “Como alguém colocou aquilo ali em dois lugares diferentes e saiu vivo?” ou a mais preocupante “Será que era possível sobreviver aquele nível de exposição ao toque de Urano?”
Não precisava ver o que Liz via para saber que do mesmo jeito eu, ela tinha na frente dela um pequeno, gigantesco, desafio. A minha primeira dedução foi que o corpo de Urano, mesmo no modo compacto, era gigante e que o pedaço a minha frente era no mínimo repulsivo, ou se preferir desajeitado.
Aquilo parecia ter passado séculos no mar até começar a servir de casa para algum tipo de ser aquático ou coral, que por uma razão ou outra ainda estava vivo ali no subsolo de um deserto escaldante.
Além disso aquela deveria ser uma das partes do tórax e uma das maiores partes do corpo dele, não havia como eu pegar o Arco sem tocar naquele pedaço do corpo de Urano com pelo menos um palmo do meu próprio corpo.
–Liz, eu não sei você, mas acho que estamos com um problema aqui? -Disse na esperança que as coisas não estivessem tão ruins quanto me pareciam.
–Sabe Lilli, nunca estive tão certa em concordar com você e eu odeio seu pessimismo. -Certo, as coisa deveriam estar piores do que eu imaginava. -Vou contar até três para pegarmos essas coisas. -Liz deu seu ultimato.
–Ok. No três então.
–Três!
Eu imaginei que a Liz faria algo do tipo, então quando ela falou eu simplesmente fiz o que precisa e peguei o Arco, claro, eu também levei a minha parcela da pancada.
Encostei no corpo de Urano por não mais do que cinco segundos e foi o bastante par que todo o meu corpo fosse rechaçado da parede contra o chão com uma força e velocidade semelhantes ao lançamento por uma catapulta.
O impacto iminente só não aconteceu por que eu senti um corpo parar meu corpo e braços quentes o envolverem, mas então tudo apagou.
Eu ainda sentia meu corpo doer de modo doentio e quase insano, já podia sentir meu corpo enlouquecendo minha mente aos poucos em meio a cada pontada e cada choque que invadiam meu corpo a cada segundo.
Eu pensava na minha mãe, nos meus avos, no meu pai, até nos meus irmãos de chalé que eu mau conhecia e em meio a cada uma dessas imagens o rosto de Gray parecia querer chamar a minha atenção, as vezes até sorrindo ao lado de Liz e Carlo como um bobo.
Senti a minha mão esquentar ainda mais e soube que ele estava ali segurado ela com força com suas duas mãos, como se me dizendo que ainda estava ali esperando que eu cumprisse minha promessa de voltar para o seu lado.
Sim, Gray era egoísta com relação a isso.
Ele me queria ao seu lado e de mais ninguém se possível, assim como eu o queria ao meu lado e de mais ninguém.
Só que nós dois também somos extremamente medrosos e gostamos mais um do outro do que podemos colocar em palavras.
Outra pontada de dor percorreu meu corpo apagando quase qualquer vestígio de pensamentos da minha mente, eu mal lembrava do meu próprio nome agora, aliás, eu lembrava do meu nome e do Gray, nada mais.
Senti algo quente e pastoso descer pela minha garganta.
Aquilo era quente demais para ser néctar ou algo comestível e eu sabia por instinto que aquilo era algo muito além do perigoso para se colocar na boca ou mesmo chegar perto uma centena de metros.
Mesmo assim aquela coisa continuava a encher a minha boca e descer pela minha garganta queimando todo o lugar por onde passava sem se importar com que tipo de danos poderiam ficar ali.
Eu ainda podia sentir o toque de Gray na minha mão quando ouvi um grito ao longe, e era o grito do meu namorado, como se algo o tivesse atingido causando uma dor pior do que a de ter o braço queimado.
Não sei quanto tempo levou ao certo até que eu pudesse ouvir os sons com alguma distinção, mas sei que foi mais do que esperava. Só sei que foi menos tempo do que para a dor começar a diminuir de verdade.
E quando a minha dor começou a diminuir aos poucos e pude abrir os olhos devagar, mesmo assim a pouca luminosidade do mausoléu fez meus olhos doerem. Certo, na verdade o olho, já que o outro ainda estava sob as bandagens, mas tudo estava meio fora de foco e girando.
–Ei! Lilli, pode me ouvir? Esta doendo algum lugar? Consegue falar ou dar qualquer sinal de que esta pelo menos me reconhecendo?
Eu respirei e meus pulmões doeram, mas mesmo assim consegui responder.
–Sim, eu ouço e sei quem você é, mas o quão bem isso significa que estou já não tenho muita certeza.
–Tudo bem, não esperava que falasse que está tudo bem.
Eu queria dizer algo ou rir daquilo, mas estava tonta e começando a ficar enjoada demais para isso.
Tentei procurar a Liz, mas aquilo só piorou o enjoo e a tontura, por isso Gray me segurou.
–Calma ai garota, a Liz tá bem, só baqueada igual a você. -Ele respirou fundo. -Agora o Carlo tá cuidando dela, então apenas relaxe.
–Como assim agora?
–Uma hora eu te conto, mas agora apenas relaxa um pouco que logo eu sei que a gente vai precisar de você um pouco mais bem disposta.
Respirei fundo e senti meu corpo adormecido, eu não havia notado até aquele momento que meu corpo não estava realmente respondendo aos meus comandos e não fazia ideia de quanto tempo demoraria para que voltassem a responder a qualquer tentativa de movimento fosse preciso.
Então respirei fundo novamente antes de ficar encarando o teto sem fim do mausoléu até adormecer.
Se quer saber na verdade foi um cochilo bem curto, agora como eu sei disso?
Não faço a menor ideia.
Continua...
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