The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
40 Faça O Que É Preciso Ou Morra Tentando. Ou Quase Isso EDITADO
Notas iniciais
Gray
Eu deveria saber que muitas coisas acontecem sem que a gente planeje.
Algumas por serem impulsos, outras por serem impossíveis de prever ou mesmo por que, na verdade, como diz a minha irmã Helen “nada é certo na vida com ou sem monstros e deuses” e, sinceramente, sei que é verdade.
Mesmo assim ter agido de forma tão impulsiva as palavras de Carlo e Lizandra ou ao “presente” que minha irmã arrumou foi idiota. Aliás, me sentir idiota tem virado rotina nessa missão.
Continuei parado na frente daquela maldita porta me perguntando se realmente iria continuar com aquilo.
Admito, que depois de tudo era um tanto idiota perguntar isso, mas mesmo assim eu deveria saber que sou um idiota, por que novamente isso parece ter se tornado normal.
Primeiro por ter uma ideia absurda dessas e segundo por começar a me perguntar somente agora se a ideia é boa ou não. Sendo claro que não é.
As chances de que isso faça ela me odiar ou que nunca mais queira olhar na minha cara são altas, mesmo que eu seja o seu prometido.
Respirei fundo tentando em vão pensar em um meio de sair dessa linha maluca, mas minha mão simplesmente segurou a maldita maçaneta.
Abri a porta do quarto sem bater, ainda me sentindo um idiota.
E isso nem novidade é nos últimos tempos.
Deuses! Preciso parar de me chamar de idiota e pensar como um.
Dentro do quarto estava tudo escuro, exceto pela luz que saia pelo vão da porta do banheiro.
Respirei e fechei a porta trancando-a.
Independente dos comentários bestas de Lizandra e Carlo eu tinha que falar com Lilliel agora, nem que tivesse que amarra-la a cama para isso.
Pensar nisso fez meu corpo se arrepiar.
Droga! Lá era hora de ficar pensando nisso?
Certo. Parte da minha ideia permitia isso, então a pergunta foi idiota.
Ouvi o som de passos e a porta do banheiro foi aberta, me virei, dando de cara com Lilli saindo do banho. Linda como sempre e nem me importei com o fato de que ela estava quase sem roupas, por que só camiseta não é algo que realmente possa chamar de roupa agora ou nunca.
Assim que me viu Lilli pareceu surpresa, mas não voltou para o banheiro, pelo contrario, foi na direção da sua mochila aos pés da cama e começou a procurar uma calça ou shorts limpo.
A ferida da perna já estava visivelmente cicatrizada, para meu alivio, mas o machucado no olho dificilmente estaria melhor. Não que meu braço estivesse bom de verdade.
–Vai ficar me encarando até quando Gray?
Pisquei duas vezes e encarei Lilliel nos olhos. Aparentemente o machucado estava bom o bastante para formular frases sem precisar pausar, mas não foi isso que me chamou a atenção ou me fez falar.
Deuses, como ela pode ser tão linda e perfeita mesmo tão machucada?
–Você... é linda.
As roupas em sua mão foram ao chão e ela me olhou incrédula.
Típico de pessoas como ela e Lizandra não acreditar em palavras como essas mesmo depois de tudo que passamos nos últimos dias, mas eu iria fazer ela acreditar.
Dessa vez eu ia sim, mesmo que ela me odiasse depois.
Eu não iria voltar atrás, não agora.
–Você é idiota ou o quê? -Mesmo com a pouca luz vinda da porta entre aberta do banheiro eu sabia que sua voz não transmitia uma raiva simples. Sua respiração rápida e descompassada chegava claramente aos meus ouvidos.
Me aproximei dela em silêncio, mas Lilliel recuou até ser parada pela parede e prensada por meu corpo.
Me senti um pouco covarde em usar meu tamanho com ela, mas eu sabia que Lilliel é mais forte e tem mais truques que eu e meu tamanho inútil, então apaguei minha culpa assim que ela surgiu, o que de certa forma foi interessante.
Ainda podia ouvir o arfar de sua respiração descompassada, agora tremendo contra meu peito e me inclinei até estar com meu rosto ao lado do seu ouvido. Seu perfume peculiar invadiu meus pulmões, agora havia um toque mais intenso de grama nova e flores misturado cabelo úmido, e precisei me conter para não fazer nenhum ruído estranho movido pela sensação que me invadiu o corpo.
Quando finalmente consegui falar todos os meus sentimento saíram juntos:
–Eu te amo. Te amo mais do que pode imaginar, mais do que eu gostaria de saber que é possível e muito mais do que gostaria. Te amo de um jeito que deveria ser um crime alguém sentir isso e de uma forma que talvez apenas Afrodite possa passar perto de entender. -Respirei fundo ainda sentindo o corpo dela tremer contra o meu, mas, agora, era algo muito mais sútil. -Eu morro de ciúmes de você, de te imaginar com aquele imbecil ou qualquer outro e, de verdade, isso é tão forte que me assusta. Eu quero que você olhe só pra mim. Pense só em mim. Não quero deixar ninguém chegar perto de você e que só eu possa te tocar ou te beijar. Acredita no que estou falando, eu nunca vou te machucar e, se isso uma hora acontecer, ninguém vai poder me odiar mais que eu mesmo.
Fique em silêncio esperando a reação dela sentindo a respiração de Lilliel contra meu pescoço ainda estava pesada e rápida quando senti suas mãos buscarem pelo meu pescoço.
O primeiro pensamento que me ocorreu deixou meu corpo inteiro rígido como pedra e eu já podia ver a cara homicida de Lilliel ao me esganar, mas para minha surpresa o que senti foram os lábios dela buscando os meus como no dia anterior na lanchonete.
Enlacei sua cintura com meu braço bom puxando-a para cima e deixando seu rosto na altura do meu, com o braço machucado acariciei seu rosto, ainda que a dor fosse horrível me pareceu algo digno de ser ignorado naquela hora e, para minha felicidade, eu estava certo.
Lilliel enlaçou suas pernas em torno da minha cintura e, enquanto uma das mãos segurava minha camisa, usou a outra para nos empurrar da parede na direção da cama. Nunca vi uma mira e senso de equilíbrio tão bons, por que caímos exatamente no meio do colchão que estava a mais de três metros de nós.
Começamos a rir daquilo enquanto gotas d'água caiam do cabelo ainda molhado de Lilli no meu rosto.
Movi meu corpo ficando sobre ela apoiado em meus cotovelos para beija-la novamente, mas recebi uma bronca.
–Gray! Não force o seu braço.
Fiz uma careta.
–Sinceramente, acha que estou preocupado com meu braço agora? Por que se for, garanto que tenho outras prioridades.
Francamente, a minha menor preocupação nesse momento é o estado do meu braço. Não ligo se depois me chamarem de canalha ou pervertido, mas esperei muito tempo para poder ter isso, ter alguém que me ame de verdade e que eu ame.
Reparei que ela deu um sorriso diferente do normal, não era nervoso e nem feliz, estava mais pra satisfeito e ansioso, o que sinceramente mexeu com a minha sanidade um pouco mais do que já estava.
Levantei, ficando de joelhos na cama, puxei Lilliel para junto do meu corpo e puxei aquela camiseta absurdamente grande que ela usava. Por um breve instante Lilli desviou o olhar enquanto eu a admirava.
Eu não sou de mentir nesses casos e muito menos para minha própria consciência, salvo na questão de querer assumir um relacionamento no meio da missão, mas, Lilliel simplesmente é o ser mais lindo que eu poderia sonhar.
Não é como se eu nunca tivesse visto o corpo curvilíneo e perfeito de Halley, ou as curvas perigosas do corpo de Lana, ou mesmo não soubesse que Afrodite e Teresa são de longe o máximo de “parar o transito” que alguém pode encontrar, mas, eu não amo nenhuma delas e nenhuma delas é a Lilliel.
Nenhuma delas parece ser tão perfeita, ter a pele tão macia e suave, o olhar que me faz tremer e perder a sanidade de uma forma tão perigosa, mas maravilhosa ou o corpo que me faz sentir como ferro contra um imã.
Teria continuado a admirar ela por mais tempo, se a própria não tivesse voltado a me encarar.
–Esta me deixando envergonhada.
Sorri para ela.
–Pretendo fazer mais que isso.
–Vai precisar tirar a roupa para isso. -Algo no som da voz dela me fez ficar ansioso.
–Quer se encarregar disso? -Provoquei.
Ela me encarou por um instante e seu cérebro gritou “Perigo!” em letras garrafais e neon.
–Tem certeza disso?
Respirei fundo.
–Pretendo arriscar.
Eu estava sentindo meu corpo ficar muito quente, como quando eu usava os poderes do meu pai e isso, dessa vez, foi muito bom. Quando Lilliel levou as mãos até os botões da minha camisa um arrepio percorreu minha coluna, o que me fez demorar alguns segundos para notar que esse efeito foi causado pelo leve toque dos dedos gelados dela.
Cada vez que ela tocava minha pele parecia que gelo puro estava sendo encostado no meu corpo, fazendo minha respiração ficar mais pesada e quando Lilliel abriu o último botão precisei me segurar para não derruba-la na cama.
Então Lilliel subiu as mãos pelo meu abdómen, o toque gelado causando choques por todo meu corpo e seguindo em direção aos meus ombros me fazendo grunhir diante daquela sensação, o pior é que ela estava adorando me ver desse jeito.
Então ela rapidamente desceu as mãos para a barra da minha calça, o que me fez encara-la.
–Acho que é melhor você tirar a camisa e eu começo a tirar isso. -Lilliel segurou no botão da calça enquanto mordia o lábio inferior.
Engoli em seco e segurei as mãos dela.
–Melhor eu tirar tudo então, do contrario isso não vai dar certo.
Lilli deu uma risada nervosa.
–Se quer saber, eu concordo.
Me afastei e fiquei em pé, tirei a camisa e a calça, sinceramente agradecido por ter tido tempo de pensar antes de aparecer nesse quarto e pelo fato de a Clarisse ser maluca o bastante para entregar aquelas camisinhas para a Liz.
–E eu achando que você agiu por impulso, mas foi caso pensado. -Lilliel provocou.
Eu não sabia como ela estava enxergando tão bem no escuro e com um olho apenas, mas também não fazia a menor questão de saber.
–Aliás, pensei que usasse cueca durante a missão.
Fui até ela e sussurrei no seu ouvido.
–Eu estava usando até decidir vir para esse quarto.
Ouvi ela engolir em seco.
Eu nunca tinha notado como Lilliel é frágil a minha presença até agora e, na verdade, gosto de saber que tenho esse poder sobre ela, mesmo que ela me faça perder a sanidade na maior parte do tempo. Então é uma meia compensação.
Então beijei-a na curva do maxilar, no alto do pescoço e segui até a curva do mesmo, depois o ombro enquanto a fazia deitar na cama e reparava em como a pele dela se arrepiava. Eu podia imaginar por que, já que sua pele parecia mais fria que antes e eu sabia que meu corpo estava mais quente que quando ela desabotoava minha camisa.
Mordisquei seu ombro e ela deixou escapar um gemido baixo, algo que eu sabia que Lilli não pretendia fazer, mas aquilo me deixou muito satisfeito. Sinceramente não faço ideia de como sabia o que fazer, só sei que sabia, então desci em meio a beijos, lambidas e mordicadas chequei ao umbigo de Lilliel que ofegava pesadamente, o que me fez rir.
–Canalha. -Ofegou.
Senti minha boca abrir um sorriso contra a pele da barriga dela e falei sem pensar:
–Mas eu não fiz nada demais, ainda.
Ela pareceu que iria me xingar por isso me afastei um pouco e puxei seu pé, dei um beijo no pé dela. A cara de confusão da Lilliel foi tão intensa que me senti mal por um misero segundo, mas nem tanto, principalmente por que ela notou que eu estava, literalmente, beijando seus pés.
Ela mordeu o lábio inferior tentando conter um sorriso satisfeito, o que me fez subir os beijos em direção ao seu joelho e pela coxa até a cintura.
–O que você ACHA que esta fazendo? -Aquelas palavras saíram entredentes, mas eu sabia que ela estava envergonhada por algum motivo.
–Nada, só... estou fazendo, só isso.
Ela suspirou e puxou meu rosto na direção do dela.
–Tem mais algum instinto sobre isso?
–Nenhum que eu deva usar agora. -Confessei, por que na verdade minha mente estava fervilhando de ideias do que fazer e, sinceramente, não queria gastar tempo em usa-las agora.
–Certo, minha vez.
E dizendo isso Lilliel me jogou de costas na cama para começar a beijar meu pescoço, peito e abdómen, enquanto as unhas dela marcavam meu braço bom e minhas coxas.
Quando ela arranhou a parte interna das minhas coxas...
Há!
Aquilo sim foi terrivelmente excitante.
Dei um urro desesperado. Se antes eu já estava perdendo a razão aquilo me enlouqueceu.
Virei meu peso contra ela a beijado, enquanto os dedos de Lilliel apertavam meu ombro. Interrompi o beijo e a penetrei lentamente até estar enterrado o máximo que me era permitido dentro dela.
O corpo de Lilliel arqueou sob o meu com a respiração levemente mais pesada o que me fez encara-la.
–Tudo bem Lilli?
O corpo dela pareceu relaxar e finalmente notei duas coisas: a pele dela ainda era mais fria que gelo, mas tanto dentro dela como sua boca estavam tão quentes quanto meu próprio corpo. Então quando ela respondeu, eu admito que estava um pouco distraído.
–Sim. -Sua voz era um sussurro. -Acho que é falta de prática. -Essa última parte soou estranha e quando Lilli percebeu que tinha falado alto colocou uma mão em seu rosto e a outra no meu. -Deuses, apague isso da sua memória.
Comecei a rir daquilo e afastei suas mãos, o que fez meu braço voltar a doer um pouco.
–Mas não vou esquecer mesmo.
Poderia jurar que se tivesse luz o bastante no quarto a pele morena de Lilliel estaria com um leve tom vermelho de vergonha e de alguma forma isso me deixou ainda mais feliz do que saber que desde o ex-namorado dela eu era o primeiro cara que ficava com ela.
Beijei-a novamente movendo meu corpo devagar e cada movimento foi se tornando mais intenso que o anterior.
Meu corpo antes quente agora parecia que explodiria a qualquer momento.
As pernas de Lilliel em volta da minha cintura pressionavam meu corpo para junto do seu com uma força incrível, a mesma força com que suas mãos seguravam meu ombro e minhas costas.
Cada beijo ficava mais intenso e por mais de uma vez ela mordeu meu lábio inferior me fazendo soltar grunhidos realmente constrangedores. Felizmente eu também conseguia arrancar muitos gemidos altos e incrivelmente sensuais dela.
Meu corpo ficava cada vez mais tenso e próximo de atingir seu máximo quando o corpo de Lilli se contraiu ao redor do meu e em seguida suas costas arquearam jogando sua cabeça para trás enquanto um longo e rouco gemido escapava de sua garganta.
Aquela cena me deixou ao mesmo tempo feliz e satisfeito, o que talvez fosse exagero.
Nem dois minutos meu corpo não conseguia mais esperar ou aguentar e atingi o ápice do meu prazer, a respiração ainda ofegante de Lilli agora tinha a companhia da minha.
Meu corpo começou a pesar e me joguei para o lado de Lilli, do lado do meu braço bom, puxando-a para junto do meu corpo.
–Te amo. -Sussurrei quando seu rosto afundou contra meu peito.
–Eu também, e obrigada.
–Por?
–Ser tão teimoso, corajoso e persistente. Outra pessoa teria desistido.
Dei uma risada.
–Eu sei, mas isso foi algo bom no fim.
Ouvi uma risada sonolenta.
–Sim. De todos os pontos de vista, foi bom. -A voz sonolenta dela foi diminuindo até terminar de falar e poucos segundos depois apenas a sua respiração me fazia companhia enquanto Lilliel usava meu braço de travesseiro.
Suspirei cansado e derrotado.
Realmente acho que nem precisava ter me preocupado com o que quer que Kaíros e Teresa tinham me falado.
Agora eu ganhava mais dormindo mesmo
Nesse momento registrei duas notas mentais: pedir desculpas a Afrodite e fazer uma bela oferenda a minha tia. Se pudesse erguia até um templo para ela nesse momento, mas acho que a Deusa do Amor prefere que eu termine o que comecei.
E a segunda: jamais subestimar as capacidades da Lilliel em NENHUMA situação.
Nunca.
==========X==========
Acordei me sentindo estranho e zonzo.
Levou mais de cinco minutos antes que conseguisse registrar as coisas ao meu redor e quando consegui me focar em algo conhecido foi Lilliel.
Ela dormia com a cabeça repousada no meu peito do lado do meu braço bom vestindo minha camisa totalmente aberta que mal cobria suas costas.
Ainda me pergunto por que ela teve o trabalho de vestir isso sem fechar? Não que eu tivesse algo contra, pelo contrário, era muito bom ficar desse jeito com Lilli nos meus braços.
A vontade de continuar a dormir voltou e estava quase cedendo a ela quando escutei batidas no vidro da varanda. O que era estranho vindo do vigésimo andar.
Levantei devagar e deixei um travesseiro sob a cabeça de Lilli, peguei minha calça e coloquei-a o mais rápido que pude indo para a varanda. Abria a porta e o vento frio da voltei de Vegas me atingiu em cheio.
–Mas que merda. -Murmurei.
–Se você diz não vou discordar. -Respondeu uma voz grave e firme, porém gentil e calma.
Me virei e dei de cara com um homem grande.
Ele me lembrava Kaíros, mas era diferente.
Sua pele era cor de café e seus cabelos castanhos eram longos, até o meio de suas costas presos por dredd's dourados nas pontas. Seus olhos eram profundamente dourados e sua expressão, até eu tinha que admitir, encantadora me fazendo lembrar um pouco Lilliel.
Ele vestia um jeans surrado, camisa bege e blusa cinza, que em nada combinavam com o magnifico par de asas negras projetadas em suas costas.
Era Thanatos, pai da Lilli.
Senti o sangue gelar em minhas veias e o ar sumir do mundo. Ou eu estava ferrado ou estava morto. Nenhuma das opções parecia boa, por que quando dizem que a morte não é feia, bom, ninguém faz ideia que um filho de Apolo possa dizer isso, mas eu deixaria Thanatos me levar.
Eu sei como isso parece gay, mas depois de encontrar Thanatos qualquer um diria isso ou se apaixonaria e eu não vou tão longe assim, mas entendo por que a mãe da Lilliel gostou dele. O cara poderia fazer frente ao meu pai e ganhar, além de ter uma semelhança terrivelmente fantástica com Kaíros.
–Acorde criança. -As palavras de Thanatos me acordaram e fiquei assustado com o resultado simples da sua presença. -Não precisa explicar, conheço sua reação e não vim te matar, o que Lilliel faz ou deixa de fazer depende somente dela. -Thanatos olhou pensativo para o quarto e terminou. -Até certo ponto, se é que me entende.
Nessa hora Thanatos me olhou e soube que ele falava do ex da Lilli e que se eu fizesse algo errado...
–Você é inteligente. Já entendeu meu recado pessoal.
Engoli em seco. Acho que agora sei de verdade como Percy e Chris se sentem com Ares e Atena na sua cola.
–Deixando minhas preocupações com Lilli de lado, que estrago você fez nesse braço rapaz. -Thanatos sorriu torto para uma parte das ataduras que davam visão a grande queimadura no meu braço esquerdo. -Seu pai e sua tia te deu algo realmente perigoso, mas acho que não posso falar muito dele, afinal aquela foice não é exatamente algo fácil de se lidar. Nunca foi.
–Então por que deu para ela algo tão perigoso assim?
Thanatos sorriu.
–Por que minha filha é única. Assim como a mãe dela.
–O senhor realmente ama ela não é? -Thanatos me olhou de canto de olho, mas consegui minha resposta.
–Sim. Erza é única, de muitas formas. A maior parte delas, são perigosas até para um deus. -Nesse momento uma sombra passou pela face do deus da morte. -Aliás, logo vai ser Lilli e não Erza meu problema...
–Não fale nada, prefiro ficar na ignorância.
–Nesse caso faz bem criança. Aliás, devo admitir que fiquei... surpreso com sua ideia, principalmente por ela ter terminado bem e agradeço que tenha pensado em não me dar netos. Muitos semideuses não tem consciência que precisão usar camisinha ou anticoncepcional, embora as vezes eles falhem com semideuses.
Fala sério!
Meu sogro tá me dando lição de sexualidade?
–Sim, eu estou. Acredite, isso meio que me fez gostar de você, mas acho que logo Lilli e Liz vão descobrir umas informações sobre si mesmas nesse caso.
–Como? -Que tipo de informação? E afinal, o que demonios Thanatos veio fazer aqui além de tirar uma com a minha cara?
–Não se preocupe, é do lado da família das mães delas, mas nada que deva se preocupar. Mas é muito divertido tirar um sarro da sua cara menino. Porém eu queria te adiantar algo, Liz e Lilli estão a poucos passos da morte ou quase morte delas. O que realmente vai acontecer eu não sei, não há como saber, mas se possível quero que fique com as duas e tente segura-las aqui, do lado dos vivos.
Eu olhava para Thanatos em pânico.
Não conseguia falar, mas minha mente berrava perguntas de como as duas poderiam estar pra morrer e ele não ter certeza que isso iria acontecer ou não saber como seria?
Então ele respirou fundo e encarou a cidade abaixo, iluminada e viva.
–Eu espero que vocês possam salva-las, só isso. -Confessou por fim.
–Vocês? Eu e Carlo?
–Não, mas, acho que isso não vem ao caso agora.
–Como não? -Retruquei.
–Vai descobrir. -E dizendo isso Thanatos sumiu sem deixar rastros.
Voltei para o quarto e olhei o relógio sobre o criado-mudo, dez e meia da noite.
Aparentemente eu e Lilli tinhamos dormido muito mais do que imaginei.
Sentei na cama e estiquei minha mão tirando alguns fios de cabelo do seu rosto quando ela se mexeu para em seguida abrir os olhos.
–Boa noite dorminhoca.
Ela resmungou antes de responder.
–Boa noite Raio de Sol.
Dei uma risada e ela me olhou estranho.
–Desculpe, mas me chamar assim não vai me deixar irritado, pelo menos não agora.
Ela abraçou as cobertas e fez uma careta chateada.
–Chato.
–Sempre que isso me der essa expressão, te garanto. -Me inclinei beijando-a no canto da boca.
Lilliel riu daquilo.
–Isso pode ser bom.
No minuto seguinte ela estava pendurada no meu pescoço me beijando. Quando precisamos de ar respondi sem nenhuma dúvida.
–Ótimo na verdade.
==========X==========
Quando acordei novamente e, sim, não tive a menor vergonha em admitir isso, senti saudades de Thanatos batendo na janela.
Vamos lá, pensem bem, pelo menos ele não invadiu meu quarto, me acordou com um susto, aliás, meu sogro me deixou vestir uma calça antes de começar com as más noticias.
Só que quem disse que Lizandra e Carlo são pessoas com o mínimo de paciência ou vergonha na cara? Eu sei que não fui.
Mas mesmo que em outra ocasião a situação pudesse ser cômica, na verdade tinha tudo virado de cabeça pra baixo.
A primeira coisa que eu lembro é de um pontapé colocando arrebentando a porta e de Liz já jogando as minhas roupas do chão na cama enquanto arrancava as da Lilliel da bolsa e jogava na cara da minha namorada. Isso tudo enquanto Carlo gritava a plenos pulmões.
–Pulada cama seus safados. Enquanto descansavamos e vocês namoravam o inconstante do Urano abriu o porão e a droga da passagem fica aberta só mais meia hora para entrar.
Quando sai da cama eu já estava de calça e camiseta, pela cara da Liz algo me dizia que Lilliel tinha feito uma careta de questionamento sobre o assunto cueca, mas, sinceramente, eu não iria perder tempo procurando uma agora com a nossa presa.
–Por que diabos isso é importante afinal? -Perguntei automaticamente. -Pensei que aqui dentro poderiamos descer no porão a qualquer hora.
–Ha! E o velho seria assim tão bonzinho apenas nos teus sonhos irmãozinho? -O tom sarcástico de Liz era palpável.
–Urano só deixa aquilo aberto para quem e quando ele quer, tinha fechado a uns dias, mas agora, reabriu e, creio, que serão por poucas horas. Principalmente se considerar que ele já esta fechando aquelas coisas. -Carlo cuspiu entredentes.
Suspirei vencido por essa confusão familiar e segui para a porta quando Lilli reclamou:
–Isso está esquentando. -E apontou para o anel de prata.
–Ignore isso por hora, no porão vai sentir falta disso. -Carlo disse sem nem desviar o olhar.
–Espero que tenha razão Carlo. -Liz não pareceu mais feliz.
Então seguimos os quatro pelo corredores até o elevador para o térreo e depois para as escadas do porão.
Cara, se algum dia disserem que descer escadas não cansa pode dar a mão na cara da criatura, por que depois de dez andares eu sentia que meus joelhos iriam dobrar para sempre e isso nunca me aconteceu subindo escadas depois de escadas.
–Cara, Urano não podia ter um elevador aqui para que a gente chegasse vivos no mausoléu. -Comentei.
–Sim, vida no mausoléu, isso é perfeito para um deus-desmorto de uns mil éons. -A piadinha foi presente da Liz e calou todo mundo por mais cinco lances de escadas.
Isso por que quando chegamos as portas do mausoléu, bem, todo mundo falou alguma coisa.
–Puta que pariu. -Esse fui eu.
–Mas que merda é essa agora. -Depois foi a Lilliel
–Certo, a gente morreu no caminho e não sabe? -Eu gostei da frase da Liz.
–Direto na toca do Diablo. -Esse foi o Carlo, muito "animador".
O lugar todo parecia um tipo de caverna, embora a estrutura de hall de hotel ainda estivesse presente, haviam estalagmites e estalactites negras reluzentes que contornavam quase todo o salão.
Havia um caminho, como se apesar de tudo o mausoléu fosse frequentemente visitado, aonde as estalagmites não estavam presentes, deixando a mostra o piso de mármore branco e na parede oposta era claro que a estrutura, apesar de fundida ao hotel, era de um material não terrestre.
Ao fundo, na parede de entrada do mausoléu, a superfície era lisa e sólida, como se apesar de parasitar a estrutura do salão ela não pudesse se auto deformar. As portas em si eram simples, duas placas de pedra negra, só que olhando melhor ficou claro que parecer simples e ser simples não se aplicava ali. Imediatamente ao nos aproximarmos as portas pareceram criar vidas e monstros, iguais aos guardas pareceram tentar saltar delas, antes de voltarem a seus lugares.
–Cara, se a gente sair vivos dessa eu nunca mais vou reclamar de ter pesadelos de semideus. -Sussurrei.
–Somos dois. -Lilliel.
–Somos quatro. -Lizandra respondeu acrescentando Carlo na conta.
Carlo concordou com um aceno de cabeça.
Resolvemos ignorar nossas promessas por um momento e andamos na direção das portas passando para a escuridão do mausoléu.
E assim que estavamos os quatro dentro da cripta, as portas se fecharam as nossas costas com um leve estrondo.
Na escuridão a nossa frente nós ainda não enxergavamos nada, mas eu podia ouvir a respiração acelerada de Liz ou sentir a pele de Lilliel al meu lado ficar cada vez mais fria em comparação a minha cada vez mais quente, enquanto Carlo respirava cada vez mais lentamente.
Minha mente registrou que não havia mais volta ou como adiar aquele encontro com Kaíros e Urano, minha frase seguinte foi mais automática do que eu gostaria:
–É agora.
E uma fraca luz surgiu no meio do mausoléu.
Continua...
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