The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time

35 Era Tão Obvio Que Daria Errado, Que Deu Até Dúvida EDITADO


Notas iniciais
Comentários e Agradecimentos em Geral: - Milena Corrêa, enfim, pode parecer confuso o por que Kaíros mostra aquelas cenas para o Gray, mas além de causar um caos básico ele espera que isso ajude com que eles todos tomem as decisões certas. Melindra é um caso a parte, tratarei dele depois. - A Granger, entendeu perfeitamente a origem do senso se humor da Liz com o que o Kaíros fez. Eu entendo a reação sobre a Hera madrinha de alguém, só que eu vejo ela diferente da maior parte das pessoas. Sobre a sanidade do Gray acho que todas ficamos com pena. Aliás até já sabia quem narraria o cap (e se eu tivesse mudado?). A você vai amar esse cap então (até certo ponto). - Gih Castro, ela voltou e comentou todos os cap's pendente (não vou poder falar de todos, mas respondi os 3 reviews) e ela chorou no cap da Hera e da Liz assim como eu. Ela amou o cap do Gray (segundo ela quase que inteiro). E também ficou feliz que eles não vão morrer, mas já falei isso antes e parece que ninguém acreditou. É agora em Vegas é que o bicho vai pegar. Além disso tenho mais um agradecimento especial para a Gih Castro pela linda recomendação. Eu adorei. De verdade. Bom, não me matem ainda. Da mesma forma como ainda vou dificultar as coisas para eles ainda tenho planos bons, então realmente não me matem. Ficha da Lilliel no final.

Lilliel

17 de Dezembro



Eu deveria estar sonhando ou realmente louca.

Primeiro me encontro com Oliver do nada e tenho o desprazer de ele continuar um completo imbecil, além de ainda ser afetada pelas palavras dele e pelo fato que fui muito ingênua naquela época.



Mas, se estivesse louca realmente não saberia se queria ficar lucida agora.



Quando vi Gray se aproximando decidido de onde eu estava quase, admito que um calafrio percorreu minha espinha, e quando ele segurou meu rosto com uma das mãos enquanto se curvava na minha direção segurando minha cintura tirando minhas chances de escapar, bom meu coração disparou e minha mente deu cambalhotas de felicidade.



Ele me encarou de uma forma que me fez saber que se eu me afasta-se me arrependeria para sempre, nunca nem mesmo minha mãe tinha me feito ter essa certeza sem palavras que me fizessem ficar sem nenhuma vontade de questionar.



Engoli em seco e tentei respirar, mas minhas pernas tremeram, pela primeira vez soube que Afrodite pode ser realmente perigosa de uma forma inevitável e pude comprovar sem sonhos ou delírios que Gray mexe mais comigo do que eu queria ou poderia admitir para minha própria sanidade.

Quando seus lábios tocaram os meus minhas mãos soltaram as muletas e seguiram até seu pescoço. Foi a primeira vez que senti minha mente ficar vazia, como uma folha em branco aonde nem mesmo meu senso de realidade e pessimismo poderiam aparecer em mais tempo do que talvez seja possível eu me lembrar.

A mão de Gray segurou minha nuca se enrolando nos fios de cabelo de modo possessivo, mas não me incomodei com aquilo, era a primeira vez que senti vontade de alguém mandar em mim, na verdade aquela era a primeira vez que sentia muitas coisas.

Senti meus lábios se curvarem em um leve sorriso contra os meus, fechei meus olhos e sua língua invadiu minha boca sem esforço, enquanto seu abraço me prendia ainda mais contra seu corpo.

Ainda pude ouvir ao longe uma voz irônica fazer o comentário mais óbvio do mundo:

Di Immortales! Sério? Vocês precisaram de quase uma semana de viagem e quase morrerem todos os dias pra se entender? Thanatos pode estar furioso, mas Apolo deve estar feliz pelo filho não ser um viado.

A voz de Lizandra tirou Gray e eu do sério. Nos afastamos só o bastante para falarmos.

–Lizandra, cale a boca demônios. Que meu pai pense o que quiser.

–Liz, você sabe que vou fazer sua vida um inferno se não se declarar para o Leon?

Só ouvi ela praguejar algo em grego, mas não estava nem prestando atenção.

Gray sorriu e dessa vez eu o beijei, dessa vez sem estar esgotada ou querendo provoca-lo ou mesmo em meio a um delírio que poderia esconder como me sinto. Eu sei que isso não resolve nada entre a gente e sei que ainda temos muito a resolver antes de algo realmente se tornar no minimo claro, mas aquilo me fez bem.

Ele endireitou um pouco o próprio corpo me puxando pela cintura, por que afinal Gray é uns trinta centímetros mais alto que eu, e foi quando nosso beijo acabou.

Senti um pontada na perna.

–Ai!

Ele afrouxou o abraço e levei minha mão a perna machucada.

–Demônios! Esqueci da sua perna!

Risadas irromperam da mesa aonde meu... será que ainda posso chama-lo de ex-namorado? Enfim, de onde os idiotas estavam.

–O que é esse showzinho de quinta? Algum tipo de tentativa de me zoar? -Oliver disse aos risos.

Lizandra se aproximou de nós e meu deu o pouco apoio que podia, enquanto Gray abria o zíper que tinha colocado na calça para cuidar do ferimento e pude ouvir o ruído baixo dele rasgando o curativo.

–O que houve? -Apesar da pergunta eu já imaginava.

–Os pontos arrebentaram. -Gray disse suspirando. -Eu sou um idiota.

Ele foi até o balcão falar com o dono do lugar e todos na mesa encararam minha perna, fazendo caretas ao ver o estado da mesma. Não os culpo, eu sabia que o negocio estava feio.

–Mas que porra é essa?! -Oliver gritou e eu sorri.

–É o que acontece quando não se tem os melhores remédios para um ferimento que quase decepou sua perna babaca. -Liz respondeu no meu lugar, por isso adoro ela.

Ouvimos um grito de entusiasmo no balcão que nos fez olhar para o lugar, aonde um Gray feliz pulava como criança.

–Sério! Muito obrigada!

Ele voltou correndo, me pegou nos braços e colocou na mesa vazia mais próxima. Que por acaso era atrás da de Oliver e seus amigos.

–O dono da lanchonete tem anti-bióticos por causa dos filhos que vivem se machucando no ferro velho e me deu alguns depois que expliquei por cima sobre sua perna. -Gray disse sorrindo.

–Graças aos deuses! -Lizandra gritou apontando para o teto e eu ri. -Deixa que eu cuido disso Gray. -Ela o empurrou para o lado pegou sua bolsa especial de remédios e tirou uma seringa de lá, afinal ela é filha do deus que é patrono dos médicos, enfermeiros e farmacêuticos, eu tinha esquecido disso. -Isso vai doer Li.

E doeu. Pra caramba

–Demos sorte, ele tinha penicilina e amoxicilina. Me deu três ampolas de cada, com isso vamos poder seguir viagem sem grandes problemas mesmo que falte pouco para chegarmos. -Gray disse no meu ouvido tentando me irritar e acalmar ao mesmo tempo.

–Eu sei. -Minha voz saiu um tanto estranha.

Lizandra se endireitou já mais calma e menos séria.

–Pronto. Apliquei uma dose significativa de penicilina, deve te deixar um pouco tonta. Na pior das hipóteses você vai começar a vomitar sem parar. Agora Gray, costure a perna dela novamente e evite esse agarramento se não for pra vocês transarem.

Nos dois encaramos ela por alguns minutos, mas não estavamos com raiva.

–Liz, acho que a única pessoa aqui que precisa trepar é você sabia? -Gray foi direto e sem medo da reação dela.

–Por isso quando voltarmos ao acampamento me faça o favor de agarrar o Leon e beija-lo ou vou trancar os dois no sotão até que tenham se entendido. -Eu estava cansada depois de tudo.

Lizi revirou os olhos e grunhiu contrariada, provavelmente entre a verdade que tinha ouvido e sua vontade de nos dar umas porradas.

Gray mudou de lado e puxou seu estojo de primeiros socorros tirando de lá agulha e linha para costurar minha perna novamente. Desviei o rosto mesmo sabendo que ele ainda passaria uma pasta de ervas e néctar no machucado.

Ouvi ainda alguns risos abafados na mesa ao lado, mas isso só durou até Gray começar a costurar minha perna e minha cara se contorcer em várias caretas.

–Puta que pariu! Você ama me torturar? -Eu sabia que não, mas não era o que parecia.

–Existem formas mais eficazes de se torturar uma garota, então não. -Gray não desviou o olhar da minha perna ao puxar a agulha e linha com resquícios de sangue. -Além disso sejamos sinceros, isso aqui tá pior do que eu queria e nada do que eu faça melhora. Seja o que for que aconteceu quando o carro explodiu e sua perna remendou não quer deixar o processo terminar, mas a infecção tá piorando do que estava hoje de manhã.

Revirei os olhos e Liz riu sarcasticamente daquilo. Gray era incrivelmente técnico quando as coisas estavam ruins.

–Lilli, seu namorado é um idiota. Você está ai, quase perdendo um pedaço da perna aos poucos e ele fala difícil. Deuses, Annabeth é filha de Atena não você Gray.

–Liz, meu namorado é um babaca admito, mas as duas fudidas aqui somos nós. Ou a sua perna está melhor que a minha e não sei?

Gray deu uma sonora gargalhada daquele comentário e depois encarou Lizandra.

–Sabe Lizi, tenho que concordar. Afinal não fui eu que cai nas garras de Gaia e quase fui dessa pra melhor dormindo, mas aquela noite foi um saco.

–Fala isso por causa do Kaíros? -Eu sabia a resposta, mas gosto de ouvir as pessoas admitirem por si mesmas.

Ele me encarou irritado, terminou o curativo e fechou o zíper da perna da calça no lugar.

–Obvio. Seu parente maluco me mostrou coisas que ninguém em plena sanidade ou insanidade gostariam de ver, ou acha que queria ter visto seu passado quando esse retardado te enganou? Ou mesmo a história da tia Kira? Acha que foi minimamente divertido ver sua família doida ou o pai da Liz cortejando a mãe dela? Não. Obrigada, mas dispenso.

Suspirei cansada. Ele sabia ser dramático.

Estava pronta para dar uma dura nele, mesmo que entendesse do que falava, quando um riso idiota atingiu meus ouvidos.

Era Oliver e meus antigos colegas de sala. Eles pareciam ainda mais retardados agora e por isso uma pergunta não parava de martelar na minha cabeça.

“Como eu fui idiota a ponto de ficar com um retardado desses?”

–Afinal do que vocês estão falando? Apolo, Thanatos, Gaia, Atena, Annabeth e o que mais? Vai dizer Zeus? Ares? Hades? Ou melhor ainda, Cronos? O...

Oliver não terminou a frase.

Lizandra pulou ou, melhor dizendo, fez um movimento muito rápido usando o encosto do banco de apoio e deu um mortal de costas acertando o peito dele com o pé bom em cheio, depois caindo sentada no encosto do banco da mesa dele.

Eu sabia que aquilo tinha de certa forma doido para ela, mas adorei.

–É oficial Lilliel, você teve um péssimo gosto pra primeiro namorado. Demônios, qual o problema seu e do Gray? Esse babaca e a Drew? São masoquistas por acaso?

Eu ri e Gray rosnou.

–Não, mas agradeço por fazer isso ou minha perna precisaria mais do que linha e anti-bióticos. Afinal se nenhuma de nós fizesse nada era capaz do Kaíros aparecer só pra matar esse idiota. Embora eu saiba que sua perna está muito pior.

–Não que o Luti não seja simpático para um cara capaz de me transformar em poeria estelar, mas prefiro evitar muitas visitas em uma só vida. -Gray resmungou levantado e indo até Liz com uma seringa com penicilina.

Depois sem avisar ele simplesmente puxou o zíper na parte de trás da perna da calça e aplicou o anti-biótico na batata da perna dela sem tirar os curativos, o que fez Liz dar um grito.

–Seu maldito cabeça de gás! Bastardo de cão infernal! Tripa de hidra apodrecida!

Lizandra estava furiosa e os xingamentos eram de longe a melhor forma de ela demonstrar isso.

–Calma, você já fez coisas que me deixaram mais bravo e não falei nada.

Liz olhou para ele cínica, entre a raiva e a vontade de mata-lo, por isso achei melhor interromper um pouco.

–Por que não o chama de Kaíros? -Falei a primeira coisa que me veio a mente.

–Sempre que faço isso vejo o passado. Aquele lá deixou memórias para que eu veja, mas nem sempre é divertido.

–Tá. Você já falou isso. -Lizi respondeu mau-humorada e foi falar com o dono do bar.

O pobre homem quase tinha infartado ao ver o que ela tinha feito e ela pegou dinheiro na minha bolsa. Acho que ela vai dar um lucro muito bom pra ele hoje.

Enquanto isso eu e Gray continuamos aonde estavamos, ele já guardava o que tinha usado e ficava em encarando as vezes, aquilo teria durado muito mais se Oliver não tivesse levantado e agarrado meu braço.

–Sua vadia maldita. Acha que pode me humilhar assim e ficar de boa?

Eu iria responder e estava pensando até mesmo em levar aquele braço dele com o poder de Thanatos e Hades, mas quem reagiu antes foi Gray.

Ele agarrou o braço de Oliver, havia algo de diferente nele, seus olhos âmbar claro pareciam brilhar de forma perigosa e eu podia sentir seu corpo soltar um calor muito acima do normal, muito mais próximo ao de quando você ficava sob o sol quente de cinquenta graus.

Na verdade eu tinha a leve impressão que o corpo de Gray estava começando a brilhar como o Sol aos poucos e lentamente.

–Tire essa mãos suja e desprezível dela seu maldito retardado.

Oliver soltou meu braço com urgência, mas Gray ainda segurava ele, meu ex parecia desesperado para se livrar do aperto em seu braço.

–Solta meu braço seu doido, está me machucando. Você está queimando meu braço seu anormal!

Gray olhou para o lugar que segurava indiferente.

–Que bom que esta queimando. -Então ele encarou Oliver. -Toque nela novamente e a morte não vai ser nem de longe o seu descanso, por que vou me encarregar pessoalmente de que passe a eternidade sendo punido.

Quando soltou o braço de Oliver o ponto em que sua mão esteve agora tinha só uma marca preta, quase carbonizada de pele.

Gray voltou para a minha direção, mas não se aproximou, então precisei puxa-lo e, para minha surpresa, apesar de seu corpo ainda estar quente ele não me machucou ou queimou.

–Acho que isso age diferente de uma pessoa para outra. -Comentei.

Ele sorriu de lado.

–Eu sei, minha tia já me contou que com meu pai é igual. Se é com a Teresa, ela nunca se machuca, mas com outros deuses, bom, ai depende do deus e da ocasião. -Ele respondeu baixinho e aquilo meio que me deu um arrepio.

–Eu posso imaginar. -Na verdade eu não queria falar isso, mas escapou, até por que eu realmente poderia imaginar. -Acho que você é um legitimo filho do seu pai na verdade, mais do que é seguro admitir. -Sussurrei a última parte, mas, Gray ouviu e deu um sorriso malicioso.

–Quer por a prova esse parte agora ou mais tarde. -Sussurrou no meu ouvido.

Eu não sabia o que responder, mas, de verdade, preferia ter tido a oportunidade de fazer isso, por que não tivemos a mesma sorte de antes.

Uma explosão soou do lado de fora e Liz voltou para perto de nós o mais rápido que pode com as muletas, fiz o mesmo pegando as minhas na lateral da mesa e puxando a mochila, enquanto Gray abriu sua mochila de arcos e pegou duas aljavas, além da sua espada e o arco mais preciso.

–Estava bom demais para ser verdade. -Ele resmungou.

Seguimos para fora e conforme a areia voltava ao chão nada melhorava, por que pudemos confirmar que os guardas de Kaíros vieram ao nosso encontro com toda a cavalaria e dessa vez era para matar todos mundo mesmo.

Os primeiros que identifiquei foram o gigante de gelo e o cachorro estranho da Liz, o que me fez ter saudade desses dois foi o que estava junto deles.

Havia uma criatura humanoide feita de areia negra, com laminas negras e cara de caveira. Havia também outro humanoide, só que de armadura com elmo de um animal e espadas negras com prata. Depois tinha um outro tipo de humanoide, que me pareceu um robô, vermelho com uma espada de serra que doeu só de olhar e ele era enorme, pelo menos dois metros e meio por um e meio ou três por dois, o que me levou a questionar o que ele era já que os outros apesar de grandes pareciam humanos no tamanho, ainda que com cerca de dois metros.

Havia uma criatura semi-humanoide de pouco mais de dois metros de altura feita de energia pelo que me pareceu e com um jeito realmente perigoso. Ao seu lado um tipo de besta demônio com grandes chifres, barba e cabelos longos, armadura e uma espada enorme que tinha entre três e quatro metros.

Por último e não menos importante, havia um que parecia um humano perfeito, só que ele vestia roupas rasgadas e tinha o rosto escondido sob um tipo de mascara de tecido. Aquele não parecia ser maior do que Gray ou mesmo ter alguma característica especial ou armas, mais eu sabia, ele era o mais perigoso e o que mandava nos outros.

–Prontos para isso. -Gray parecia muito tenso.

–Na verdade não, ainda sou muito nova para me jogar assim na boca da morte. -Respondi tentando fazer uma piada.

–Bom, todos nós somos. Pelo menos vocês se beijaram e eu nem isso. -Liz resmungou um tanto triste.

–Quem sabe não damos sorte. -Gray arriscou.

–Na morte rápida ao invés da lenta e dolorosa? Talvez. -Provoquei.

–Prefiro sair viva, isso sim. -Liz disse firme.

Respiramos fundo e jogamos as mochilas no chão com tudo que precisavamos já em mãos.

Liz já estava com sua velha bandana, o protetor dos dentes e as manoplas, a espada ainda estava na forma de dente. Gray havia pego mais duas aljavas e uma outra esquisita como um tipo de cartucho de repetição rápida que deduzi ser coisa do chalé de Hefésto. Já eu deixei minha foice no pulso e peguei as outras armas que minha mãe havia me dado, iria repetir o que havia feito com Liácon antes de usar aquilo e quem sabe não tinha a sorte de conseguir usar algum outro poder bizarro da minha família.

–Bom garotas, espero que não precisem disso, mas, é melhor que esteja com vocês. -Gray estendeu os dois últimos colares de Kaíros, um para cada uma de nós.

Nós não discutimos aquilo, apenas pegamos os colares e colocamos nos bolsos de nossas calças desejando também não precisar daquilo, ainda que soubessemos que pedir para não usar já estivesse fora de cogitação.

Não sabia o que fazer, mas no segundo seguinte me senti impelida a correr contra os monstros-guardas de Kaíros e pela reação de Liz não fui a única.

Mas nós sabiamos que não poderiamos correr, então todas as conversas que tive com Liz e Gray desde que nos conhecemos convergiram para a superfície da minha mente de uma forma diferente.

Ali estavam todas as explicações possíveis dos poderes dos deuses do sub-mundo e eu mergulhei na minha própria sombra aparecendo ao lado do gigante de gelo que reagiu mais rápido do que esperava tentando me esmagar, o que me fez voltar para as sombras.

Lembrei de Perséfone e suas flores perfumadas, mas, no deserto só existe um tipo de flor derivada de cactos, então lembrei de como Urano havia me ensinado a usar os poderes de Thanatos. Eu sabia que na maior parte dos poderes dos deuses requeria mais do que vontade e que aqueles que queria usar eram ainda mais complexos, mas, até certo ponto também sabia que poderia usa-los sem preparação.

Então eu desejei mais que tudo que cactos floridos aparecessem perto dos monstros e exalassem algum gás explosivo do Hades, depois voltei para perto de Gray usando sua sombra como referência.

Quando emergi das sombras encontrei Gray atirando flechas contra os monstros enquanto Lizandra literalmente voava na nossa direção, aterrissando no mesmo segundo que uma explosão envolvia nossos “amigos”.

Estavamos rezando para que aquilo terminasse com uns dois ou três monstros, mas conseguimos pegar apenas o gigante de gelo, o que era uma noticia nada legal, por que aquilo consumiu boa parte das minhas forças.

Gray voltou a atacar com suas flechas, Liz recoberta pela benção de Ares sacou sua lamina meia-lua de prata e, literalmente, distribuindo os raios que atingiam seu corpo pela sua arma.

Ver Lizandra usando aqueles poderes me deixou envergonhada, ela sabia quem era a tanto tempo quanto eu e já usava suas habilidades de forma incrível mesmo sem os treinos bizarros da mãe a anos.

Listei mentalmente os deuses do submundo. Hades, Perséfone, Hypnos, Thanatos, Morpheus, Icelos, Phantasos, Oneiros, Éris... Erébus, Nix,... e então me dei conta que eu não conhecia todos os meus ancestrais, haviam muitos outros dos quais nem o nome poderia me lembrar, imagine seus poderes.

A minha ignorância me irritou.

Nesse instante Liz socou o ar na direção do homem-areia e eu achei que ele levaria um raio, mas, ao invés disso foi um feixe de luz, como um raio de sol.

Me sentia tão inútil com o meu falso conhecimento, eu havia mesmo sem querer rejeitado minha família antes de conhece-la, mesmo que não fosse por querer ou por falta de informação, simplesmente nunca tive interesse.

“-Despina.”–Um sussurro alcançou meu ouvidos, ele era frio e quase assustador, anda mais na voz feminina baixa e quase carinhosa. “-Eu sei quem você é e eu estou disposta a te ajudar, mesmo com o seu erro ainda tem meu poder, se puder usa-lo estará perdoada e eu nunca perdoo.”

Um calafrio percorreu minha espinha e pude sentir o suor na minha testa congelar... Despina... gelo... frio... Arion... Poseidon... Deméter...

Pude ouvir um bufar de irritação antes de a voz voltar.

“-Apesar de não gostar das associações, sim, acertou. Então, já sabe como fazer? Meus poderes são superiores aos da minha irmãzinha nessa época do ano, então se divirta, por que a minha ajuda termina aqui por hora.”

Certo, então eu tinha duas irmãs inimigas como ancestrais, não que eu culpasse Despina ou Perséfone, a culpa era de Deméter mesmo. Na verdade estou entendendo por que Hades não gosta da sogra.

Então, era gelo... isso era familiar.

Mergulhei nas sombras até o maldito cão-mutante que lutava com Liz e estava conseguindo dificultar o seu serviço.

A foice ainda estava na forma de bracelete, iria tentar algo novo de verdade e isso iria ser difícil com o presente do meu pai ativado.

Fechei meu punho e quando emergi das sombras movi o mesmo contra o corpo do monstro que rugiu por dois segundos antes de quebrar congelado.

–Mas o que foi...? -A pergunta de Liz foi interrompida por uma lamina pesada que nos fez recuar.

–Despina! -Gritei e Liz me olhou incrédula. -Depois explico!

Minha prima deu de ombros e voltou sua atenção a maquina de metal vermelha, decidi que era uma maquina no instante que o raio de Liz deu a ele mais força ao invés de derruba-lo.

Mesmo assim Liz ficou com ele, pelo menos os poderes dela poderiam sobrecarrega-lo, os meus definitivamente não o matariam.

Ao longe pude ver Gray trocando golpes com o homem-areia, aliás, vou precisar perguntar o nome desses bichos pro Kaíros, por que homem-areia negra ou cão-mutante é demais até para um meio-sangue.

Me sobrou o bicho chifrudo com uma espada de três metros.

Maravilha, era o que me faltava mesmo.

Pensei em alguns dos deuses novamente: Erébus e Nix, sombras profundas e sombras rasas, agora era improvisar e rezar para dar certo.

Dessa vez não mergulhei nas sombras, desejei com todas as minhas forças que as sombras se levantassem e segurassem o monstrengo, o que milagrosamente deu certo.

Toquei as sombras envolvendo o corpo gigante dele usando-as para me levar até um ponto do seu corpo que estivesse livre, agarrei um pedaço da pele sob os pelos desejando que aquela coisa sumisse e nunca mais voltasse, o que sei que é pedir muito, mas, a ideia é que o desejo seja forte.

Demorou um pouco, cerca de dois ou três minutos, mas deu certo, e o chifrudo sumiu, no mesmo instante um ruído de metal contra o chão me fe virar para dar de cara com o robô que lutava contra Liz caído sem sinais de funcionamento.

Nosso azar foi quando o cão mutante e o gigante de gelo reapareceram do nada.

Aparentemente aquele lugar era o Tártaro desses monstros, o que significava que para mata-los precisariamos de mais e foi nessa hora que Gray gritou alto:

–Saiam!!!

Quando me virei não pensei em questionar o que ele mandou fazer, assim com Liz, mas eu ainda ouvi ela gritar:

–Não faça isso!

Sai das sombras dois metros atrás de Gray trazendo Liz comigo.

Pensado bem eu deveria ter imaginado que aquilo era quase uma tentativa de suicídio.

No primeiro momento que olhei para Gray pareceu que ele tinha algum tipo de holofote muito forte nas mãos, mas na verdade fui notar depois que se tratava de um arco dourado e reluzente como o próprio sol e uma flecha prata tão luminosa quanto a luz nas noites de lua cheia.

Mas, foi só quando a flecha foi disparada que entendi o perigo daquela coisa, primeiro que quando o disparo atingiu o lugar que os monstros estavam a explosão foi muito mais forte que a de uma banana de dinamite, cerca de dez vezes.

Segundo que os braços de Gray ainda reluziam, mas não com um brilho de benção, e sim queimando, o que fez eu e Liz correr na direção dele.

O braço direito estava vermelho, mas inteiro, o que deixou ambas mais calmas. Só que o braço esquerdo, bom, aquilo estava longe do péssimo, por que para isso ainda precisava melhorar e não digo isso por frescura, mas por que do cotovelo para baixo o braço de Gray estava preto como carvão.

Na área do dedão eu podia jurar que via um pedaço do osso, em várias partes eu podia ver tecido muscular sem pele exposto e verdadeiros buracos de queimaduras em pontos diferentes do braço, além disso, não parecia haver pele não queimada disponível em nenhum ponto entre o cotovelo e o pulso. Na verdade o simples fato que não ter veias e artérias jorrando sangue era outro milagre ali.

–Seu idiota! -Liz gritou dando um tapa no braço bom dele. -Isso pode te matar. Você sabe disso a anos e que não deve usar isso. -Ela estendeu a mão pegando as placas de madeira intactas ao lado do corpo de Gray. -Não entendo o que se passa pela sua cabeça.

Gray deu uma risada forçada.

–Estou sacrificando a minha parte, afinal eu esperei que a situação fosse sem saída como me falaram e agora esta feito. -Ele colocou a mão na mochila e pegou um tipo de besta. -Dá pra continuar com o braço bom, então esqueçam essa besteira por hora.

–Besteira! Você pode perder o braço! -Gritei segurando seu colarinho, sentindo lágrimas rolarem dos meus olhos pelo meu rosto.

Mesmo assim Gray apenas sorriu.

–Espero ver você chorar de felicidade um dia, mas agora, não vai rolar. Olhe. -Ele apontou para onde os monstros estavam e entendi o que queria dizer.

Ainda haviam três deles esperando.

O de armadura negra e prata, o feito de energia e o humano em roupas esfarrapadas, o que fazia meu consolo era o fato de o último não ter se mexido contra nós nenhuma vez até agora e não parecer propenso a isso.

O problema residia no fato de os outros dois estarem mais inteiros do que quando o luta começou e isso não era nenhum pouco animador, principalmente por que antes da explosão eles não haviam se quer se interessado em nos atacar como os outros.

–Lilli. -Algo na voz de Liz me fez olhar para ela com urgência, mas ao ver seu colar de Kaíros em sua mão entendi que era medo por nós duas.

Aquela era nossa única chance e nem de longe isso parecia bom, por que sempre que usavamos aquilo saímos do controle e terminavamos ferradas. Ainda assim, não tinhamos direito de escolha agora.

Colocamos os colares e usamos nossos poderes de para chegar até nossos inimigos, mergulhei nas sombras e sai de frente para o monstro de energia, enquanto Liz usou o vento e parou na frente do de armadura negra, de certa forma foi justo. Ou foi o que pensei.

Eu não sabia de que tipo de energia aquela coisa era feita, então desejei que meu braço ficasse recoberto por sombras de Erébus e o movi contra meu “amigo” desejando congelar ou sugar a energia dele.



Imediatamente meu braço foi rechaçado deixando um leve formigamento no lugar.



Encarei o monstro que havia recuado um passo, a parte de seu corpo que minha mão havia tocado estava sem a luz da energia e um pouco congelada, mas aquilo não durou mais do que alguns segundos e ele avançou na minha direção.



Mergulhei nas sombras e emergi sob seu pé o segurando com força o que causou uma dor muito forte no meu braço. Dessa vez meu corpo foi arremessado para longe e eu rolei vários metros na areia antes de conseguir mergulhar na minha sombra novamente.



Eu não conseguia sentir meu braço direito apesar de saber que ele estava inteiro, mas sabia que de alguma forma aquele monstro tirou minha habilidade de move-lo por algum tempo assim como esperava ter tirado uma boa parte da sua energia.



Depois de tudo o que eu sabia era que não daria para deixar as coisas como estavam.

Segurei meu bracelete e o fiz se transformar na foice, me concentrei em localizar meu “amiguinho” e conseguir sair de surpresa atrás dele, o que deu quase certo.

Assim que emergi o maldito tentou me acertar e imediatamente uma sombra mais densa bloqueou o caminho do braço.

O céu estava mais escuro que antes de eu sumir nas sombras e aquilo parecia coisa da Liz ou de Zeus, mas duvido que o rei dos deuses fosse fazer algo assim, então havia mais sombra do que o normal e isso era ótimo.

Reparei que a perna dele ainda estava voltando ao normal assim como meu braço, o que significava que os danos diretos eram proporcionais e eu ainda tinha chances com a foice.

Se era assim então eu iria com tudo.

Fiz as trevas de Erébus saltarem debaixo dos meus pés em direção ao monstro e centralizei seus ataques nos braços dele, no chão concentrei o poder de Despina que o fazia ter os pés semi congelados a cada segundo e sob meus pés as sombras impulsonavam meu corpo contra o dele, assim eu investia com a foice contra ele.

Os golpes que acertavam eram efetivos e não causavam danos no meu corpo.

Bom, aquilo estavamos indo muito bem pra ser verdade.

Quando as trevas de Erébus empurraram os braços dele totalmente para trás e o gelo de Despina imobilizou até seu joelho eu me preparei para decepar aquela maldita cabeça.

O problema foi que no mesmo instante em que me aproximei e desferi o golpe certeiro o maldito moveu um dos braços, acertando o lado esquerdo do meu rosto com tanta força que eu gritei com todas as minhas forças ao mesmo tempo que a foice arrancou a cabeça dele do corpo o fazendo desaparecer.

Depois disso eu via apenas borrões e ouvia gritos indistintos por cinco minutos antes de tudo sumir de vez.

Continua...



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Notas finais
Esses são os dados da Lilliel: Lilliel Sumire Eucaristia. Idade: 18 anos. Mãe Sakuya Erza Eucaristia. Filha de Thanatos. Olhos multicoloridos (uma rara mutação genética que causa alternância nas cores da íris), mas ficam mais tempo nos tons de roxo e violeta. Cabelos platinados no meio das costas Altura: 164 cm Peso 72 Kg. Pele Morena Aparência: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=674056992721215&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&permPage=1 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=674057006054547&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&permPage=1 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=674057396054508&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&permPage=1 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=674057392721175&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&permPage=1 https://www.facebook.com/photo.php?fbid=674057406054507&set=a.379493918844192.1073741829.100003507611504&type=3&permPage=1