The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
44 Enfim Estamos Bem. Mais ou Menos.
Notas iniciais
Gray
Olha, eu acho que realmente os deuses tem senso de humor.
E Kaíros é só começo para justificar isso.
Ou isso ou todos eles são loucos.
Porque acredito que só uma dessas duas opções justificam eles lançarem três pessoas ferradas, meio mortas e arrebentadas em um vácuo negro apenas com o aviso de que elas deveriam tomar cuidado com as cabeças.
Tudo bem, admito que as meninas devem estar de longe muito piores que eu, mas desde que acordei no mausoléu meu corpo todo dói de forma indecente e, se notei corretamente, Liz e Lilli não estão nada melhores agora.
Quando o vácuo negro rompeu eu notei que ainda estavamos no ar, a cerca de dez ou quinze metros de distancia do chão, mas ainda pude distinguir um tipo de fogareiro abaixo de nós com mesas e pessoas ao redor.
Maravilha.
Estavamos caindo no pavilhão refeitório do Acampamento bem no meio do jantar.
Realmente os deuses tem muito senso de humor.
Felizmente todos nós iriamos cair de costas, mas eu conseguia ver aonde as duas caiam com segundos de diferença.
A primeira foi a Lilliel, sobre a mesa de Afrodite, que feliz e ironicamente tinha apenas Drew e suas leais seguidoras para o banho de comida.
Já Lizandra caiu sobre a mesa de Hermes, aonde além de seus irmonstros estavam Conner, Travis e Lana, mas os três ririam daquilo como uma piada depois.
E eu...
Cai no melhor e pior lugar possível naquele dia.
A mesa de Ártemis.
Cheia de Caçadoras, ainda que elas tenham agido rápido e tirado toda a comida e onde eu cai, me fazendo bater contra a madeira.
Assim que recuperei o folego as minhas palavras foram meio que obvias:
–Ai. Essa doeu.
Um segundo depois uma Caçadora loira que eu não conhecia entrou no meu campo de visão me encarando emburrada.
–Quem é você? -É, ela estava irritada.
–Gray Anthony Archer, Filho de Apolo e, provavelmente, o único homem por que tia Ártemis não sente repulsa total.
Ouvi duas gargalhadas e soube que Liz e Lilli estavam bem o bastante para achar graça naquilo.
–Por que Lady Ártemis não iria sentir repulsa por você? -Outra Caçadora que eu não conhecia perguntou quando tentei levantar sozinho, o que não estava dando certo.
Então uma voz conhecida se fez ouvir:
–Por que ele é filho de Patricia Linid Archer. -Devo admitir que nunca fiquei tão feliz em ouvir Felicia falando e nunca vi ela encerrar uma discussão.
Ela e Elene normalmente começam e alimentam as brigas.
Depois senti duas mãos me puxando para me colocar de pé e dei de cara com mais duas Caçadoras conhecidas.
–E ai maninho, fiquei sabendo que se entendeu com a Lilliel. Me avisa quando for o casamento. -O senso de humor da Helen deve ser culpa de algum deus, só pode.
–Sim, vamos cuidar para que você não tenha despedida de solteiro. -Aquela foi a primeira piada que ouvi Eliene fazer em toda a minha vida e eu já encontrei com ela umas vinte vezes.
Acho que não fui o primeiro por que todo mundo estava olhando para ela pasmo, menos a dona da risada as minhas costas.
–Deuses, milagres são reais e a Eliene fez a sua primeira piada em mais de cem anos para provar isso. -Sim, Melindra estava se divertindo.
Me virei um pouco e encarei minha co-parente distante.
–Certo Lind, pode rir a vontade. Mas não esquece que eu também quero o convite do seu casamento.
Melindra arqueou uma sobrancelha e depois riu.
–Quem te contou do apelido?
–Luti.
–Tudo bem, ele deve ter uma surpresa em breve. Fica como adiantamento. E se cuida cunhadinho.
Preferi nem responder aquilo e comecei a andar um pouco, mancando, com o braço doendo horrores, meu corpo com pontadas de dor em cada pedaço que podia lembrar de ter.
Cara, eu deveria estar mais quebrado do que quando desmaiei no deserto. Muito mais.
Encarei as mesas e vi os Stoll junto com Lana conversando com Lizandra, então segui até a mesa de Afrodite aonde ninguém se aproximava, mas Drew brigava com Piper para que líder tirasse o “lixo” logo do seu lugar.
–Agora! Essa bastarda tem que sair já!
É, ela tem uma voz desagradável.
Passei por ela arrastando minha mochila de remédios, a única coisa além da mochila dos Arcos que tive tempo de pegar no hotel, e parei ao lado de Lilliel me fazendo ser visto por ela.
–E ai Esqueleto? Como estamos?
Ela rosnou.
–Bati a cabeça e não sei se isso prejudicou o machucado. Sobre a perna deve estar como antes, mas não posso garantir, só que se me chamar de “Esqueleto” novamente eu juro que te mato.
–Sobre matar eu não tenho certeza, mas precisa levantar. Então segura a minha mão.
Oferecia a mão boa que ela pegou a contra-gosto. Assim que levantou ela gemeu de dor e tirou um pouco da comida das roupas, felizmente o capuz havia impedido que a comida ficasse no cabelo, não que eu lembre dela com o capuz antes do vácuo.
Lilliel tocou as bandagens sobre o olho e suspirou
–Será que isso está bem?
–Vemos isso daqui a pouco.
–Eu estou fedendo. Mal sinto meu corpo e o que sinto dói.
–Certo certo. Vamos cuidar disso tudo, mas antes temos que ver a Liz também.
–Tá bom.
Ainda contrariada Lilliel concordou e seguiu ao meu lado mancando mais do que eu, as vezes até me usando de apoio, mas, conseguimos chegar a mesa de Hermes. Quase mortos, mas chegamos.
–E ai Faísca, o que estava inteiro continua?
Liz sorriu de uma forma claramente sinistra antes de responder:
–Olha, eu poderia te mandar trepar, mas sei que já perdi esse argumento, e como agora estou dependendo de você, em partes, não posso te matar. Só que se não parar com isso juro que vou te deixar tão sem moral no Acampamento que nunca mais vai voltar aqui.
–Certo, mas e ai? Machucou algo mais ou só a pancada?
Ela bufou e procurou minha mão para conseguir levantar, depois tirou o cabelo da testa aonde pude ver que não havia sinal claro de piora daquela parte.
–O resto não sei, mas minha perna tá doendo pra caramba e ela bateu contra a mesa quando eu caí.
–Certo, vejo isso também então, mas, vamos precisar desenfaixar tudo isso.
Nós três rimos da nossa situação.
–Ok. Vamos a Casa Grande. -Olhei para o Sr. D. e Quirón a poucos metros. -Podemos diretor.
Para a minha surpresa a resposta veio de uma voz as minhas costas.
–Claro que sim querido, ele não nos negaria esse pedido.
Quando me virei a dona da voz e suas acompanhantes eram as que eu menos esperava.
Primeiro que quem respondeu foi Hera e, junto com ela, tinha Ártemis e Teresa.
Minha... avó?, minha tia e minha madrasta.
Ai. Isso vai doer.
–Vamos, eu te ajudo Lizi. -Eu não sabia se Hera ser amável era mais ou menos estranho do que ela chamar minha amiga de “Lizi” ou carrega-la nos braços.
–Então, ficou você comigo. -E dizendo isso Teresa pegou Lilliel nos braços e saiu em direção a Casa Grande, me deixando com minha tia.
–Não vou te carregar. -Uma onda de alivio percorreu meu corpo. -Mas duvido que possa andar muito mais com isso.
E sem nenhuma cerimonia minha tia puxou minha blusa revelando um pedaço de metal enfiado na lateral do meu corpo.
–Espera. Desde quando...?
–Não tenho certeza. Mas se tivesse notado isso antes aquelas duas não estariam mais vivas, além disso atingiu só o musculo e passou longe dos órgãos vitais.
Suspirei resignado.
Se era isso que tinha acontecido eu nem ligava.
–Vamos. Vou te dar apoio. Segura na minha cintura, mas sem gracinhas.
Ri daquilo.
–Tia, se eu fizer besteira a senhora não e nem a primeira e nem a última pessoas na fila para me punir.
–Quem está na frente?
–Duas semideusas. Umas duas “Linhagens”. Três deuses homens e o resto do Olimpo, para começar.
Ártemis deixou uma risada escapar e seguimos para a Casa Grande.
Eu não virei para trás a fim de conferir, mas sabia que o Acampamento inteiro estava as minhas costas, ou pelo menos a maioria.
A quem eu queria enganar?
Com duas Olimpianas e uma Coroa, literalmente, ajudando semideuses abertamente e sendo uma delas Hera, aquilo era quase o apocalipse para os campistas. Então, era obvio que eles nos seguiriam até a Casa Grande.
Assim que entrei na sala da Casa Grande pude ver Lizandra e Lilliel deitadas nos dois sofás grandes.
Ártemis me sentou no outro sofá restante e me encarou.
–Posso rasgar a camiseta? Vai ser difícil arrancar isso dai sem acabar com ela mesmo.
–Tudo bem, afinal ela já rasgou mesmo, só me deixa tirar a blusa que isso ainda pode dar pra arrumar depois.
Assim que terminei de tirar a blusa e o ar frio envolveu meu braço ruim colado ao meu corpo, fazendo-o queimar e sumindo com o ar dos meus pulmões em um segundo.
–Calma. Sei que dói, mas se acalme e tente respirar normalmente. Esse braço ainda vai doer muito até que elas possam ajudar a melhorar a situação dele.
Levou cerca de cinco minutos até que eu recuperasse o ar, mas, quando consegui pude responder:
–Eu sei. Mesmo assim dói e não dá para evitar ficar assim.
Ártemis riu e voltou a ver meu ferimento enquanto transformava minha camiseta em trapos para poder remove-lo.
–Perfurou por trás e pelo que pude ver é realmente triangular, então a parte que está vendo no seu abdómen é a menor. Vou precisar retirar por onde entrou e preciso que fique com o corpo reto para evitar outros danos internos.
–Certo. O que mais eu faço? -”Além de sentir muita dor”, acrescentei mentalmente.
–Ajoelhe, incline o corpo para a frente mantendo o tronco reto, segure firme na mesa e respire fundo.
Fiz o que ela mandou e no segundo que respirei fundo senti uma das mãos da minha tia nas minhas costas, então um puxão aonde deveria estar a base do pedaço de metal fez uma dor pontiaguda percorrer meu corpo e novamente todo o ar sumiu dos meus pulmões.
Aliás, sem ar e sem força até mesmo para gritar de dor.
Em algum momento meu senti algo ser jogado sobre o ferimento, era quente e familiar, mesmo assim demorei a notar que era néctar com algum tipo de poção de ervas medicinais.
Foram mais cinco minutos antes que eu estivesse bem para respirar e pensar antes de me sentar no sofá as minhas costas.
–E então? -Ouvi Ártemis e reparei que ela estava sentada na mesa de pinoche que com o Sr. D, que para a minha surpresa estava lá.
–Bem, acho que posso cuidar das duas agora.
–Tem certeza que consegue? -O Sr. D pareceu preocupado.
–Eu devo dar um jeito. -Respondi tentando parecer confiante de que podia fazer isso.
Levantei e fui até Lilliel primeiro, afinal, fosse Liz minha irmãzinha ou não eu tinha que admitir que ver o estado da minha namorada pareceu mais importante no primeiro impulso.
Puxei minhas mochila dos pés da mesa e despejei seu conteúdo sobre a mesa.
Fosse para ajudar ou ver como as coisas estavam com as duas as deusas já haviam feito o favor de remover as ataduras e os pontos.
O lado bom é que o machucado do rosto não havia piorado em termos de dano ou infecção, já a inflamação tava igual. Só que pedir que aquele estrago no rosto dela fique sem inflamação é quase igual a pedir que não fique cicatriz, coisa que o Carlo já me disse que vai ficar em algum lugar.
Comecei a limpar e tirar o que havia sobrado dos remédios, além dos pequenos sangramentos causados pelo impacto da queda.
Isso até a minha vista nublar e eu precisar me afastar um pouco.
–Merda. -Deixei escapar.
–Tudo bem? -Ouvi Hera as minhas costas e virei.
–Não. Posso cuidar do geral, limpar, passar os remédios para o próximo ritual e coisas do tipo, mas, os pontos... Não posso nem tentar dar os pontos ou posso machuca-las mais do que já estão. -Precisei admitir.
–Então, nós cuidamos dos pontos e de enfaixar essa bagunça toda. -Quando ouvi a voz de Teresa decidindo o que iria acontecer fiquei entre a dúvida e o alivio.
Principalmente quando ela tirou o estojo das minhas mãos e começou a pegar o material para dar os pontos nos machucados. Mas, de muitas formas eu estava bem por ter alguém capaz e em condições tomando as decisões, assumindo o controle naquele momento. Meu dia, ou melhor, minha semana havia me tirado toda a vontade de assumir qualquer risco ou decidir algo.
Além disso, tinha o obvio.
O que eu podia fazer para que a Teresa mudasse de ideia ou que as outras duas deusas me apoiassem?
Lutar?
Eu? Ferrado como estou contra três deusas imortais?
Até parece.
Mesmo minha idiotice ou qualquer nível de burrice tem um certo limite.
Então suspirei e terminei de limpar o machucado do rosto da Lilliel passando os remédios a base de néctar com ervas medicinais.
Deixei o para que Teresa terminasse aquela parte e fui para a perna da minha namorada, precisei notar que ali as deusas não tiveram muita paciência e rasgaram a calça.
Aquilo pareceu um pouco engraçado por um breve momento. Mas, de verdade, eu esteva feliz que a perna dela estivesse muito melhor e agora o machucado, apesar de um pouco profundo ainda, parecia muito mais promissor do que jamais esteve.
Assim que terminei a perna da Lilli vi que Teresa já estava esperando para fazer os pontos e terminar o curativo, minha madrasta tinha até aplicado a penicilina para o tratamento.
Resolvi nem mesmo falar nada e segui até Liz, que parecia ligeiramente acordada, pelo menos o bastante para perguntar:
–Gray... a Lilli, ela... tinha desmaiado... quando entrou na casa grande... não tinha reparado... como estou cansada...
Suspirei.
–Relaxa Liz. Ela ainda esta desmaiada, mas aquela idiota não tem autorização para morrer. Então ela vai ficar bem.
Sinceramente, não faço ideia se a Liz ouviu e como falei aquilo para me acalmar também acho que não importa no fim.
Comecei a cuidar da testa da minha irmã, que estava ótima até, terminando de limpar e passando os remédios que havia usado na Lilli.
Agora que estava desmaiada de vez a expressão da Liz parecia até melhor e, como esperava, cuidar do machucado na testa dela foi quase tão rápido quanto cuidar da perna da Lilli, o que me fazia pensar naquela perna.
Novamente as deusas fizeram o favor de rasgar a parte da roupa para expor o machucado e aquela perna da Lizandra estava até pior que o rosto da minha namorada, e aquilo tá realmente ruim.
Mas, mesmo assim ainda temos sorte que não tá mais infeccionado como antes, por que se a perna dela ficasse igual a da Lilliel por mais tempo... amputar seria brincadeira.
Por um momento lembrei de como havia ficado feliz quando Carlo disse que elas não corriam o risco de ter tentado devido aos ferimentos que conseguiram na missão e isso me animou a limpar os buracos ainda existentes na perna dela.
A ferida no calcanhar e do pé já estavam com a carne fechadas, agora a pele era a única coisa que faltava cicatrizar. O dano do osso da perna faltava menos da metade da carne para isso. Já os demais buracos faltava terminas de fechar pelo menos metade da ferida. As outras agora apesar de tudo não estavam ruins, mas ainda faltava muito para que aquilo ficasse bom naturalmente.
Continuei a cuidar daquilo enquanto minha vista embaçava ainda mais, eu sabia que iria desmaiar a qualquer momento e por isso queria terminar pelo menos de passar os remédios na perna da Liz.
Me forcei mais de cinco vezes a ficar acordado para conseguir terminar de passar os remédios. No fim, levou mais tempo do que deveria, mas, consegui terminar de deixar aquilo pronto para os pontos e enfeixar.
Ouvi gritos altos do lado de fora e notei que parte eram insultos para Liz ou pessoas achando graça em como ela estava, ainda tinham aqueles que xingavam nós três pela confusão atual no acampamento.
Para a minha felicidade haviam também os gritos altos de Clarisse e Reynald, além de Chris e Percy junto com Rigardo e Galatea. Havia ainda outras vozes indistintas que poderiam ser de Alphonse, Alicia, Edward, alguns filhos mais velhos do sub-mundo, o chalé de Ares e, se eu não estivesse louco, Annabeth.
Me virei na direção da porta para poder ir para fora bater naqueles malditos que pareciam felizes com a nossa situação física ou mesmo nos xingavam e foi quando notei que as garotas não eram as únicas muito mal ali.
–Eu... vou... matar... esses... malditos... im...i... imbecis... eu...
E ai, tudo ficou preto, mais escuro que o vácuo.
Senti meus joelhos cederem e o impacto no chão, mas não tinha mais forças para reclamar. Foi quando mais vozes conhecidas invadiram a sala e pude sentir a mão da minha tia Ártemis segurar meu pulso, eu sabia que era ela por já ter usado o poder da lua.
Depois disso eu não sei de mais nada.
==========X==========
Quando acordei, horas mais tarde, não conseguia nem mesmo abrir meus olhos.
Isso por que o menor vislumbre de luz fazia meus olhos doerem de uma forma horrível.
Além disso, meu corpo inteiro latejava de tanta dor e eu nem mesmo sabia a razão real disso, por que não lembrava de algo que pudesse realmente causar tanta dor... até lembrava, mas era melhor não pensar nisso tudo agora.
Juro que até respirar estava doendo.
Teria ficado ali só esperando o sono voltar quando meus plenos foram alterados.
–Lilli, quer parar com isso agora! Eu estou ficando sem jeito aqui e estou do outro lado da cama dele só pela forma como você esta olhando para ele.
A voz de Liz, ao meu lado, soava de alguma forma estranha, pastosa e grogue ao mesmo tempo. Isso me fez questionar se o Sr. D poderia ter embebedado minha irmã.
–Cale a boca! Do jeito que meu corpo inteiro está doendo preciso me distrair um pouco pelo menos olhando para alguém. -Do meu outro lado a voz de Lilli também soou pastosa e grogue.
–Só que você parece um velho tarado a ponto de agarrar alguém. Posso até mesmo jurar que daqui a pouco você vai agarrar ele dormindo e começar a arrancar a roupa de ambos, só que eu teria que sair do quarto e ainda não estou bem para isso. -Lizandra voltou a retrucar.
Então, mesmo com toda a vontade que eu não tinha de abrir meus olhos e me meter em uma discussão, precisei falar algo.
–Certo. Eu estou acordado, no mesmo cómodo que as duas. Então, parem de agir como se eu fosse a mobília e falar esse tipo de coisa. E só para constar, eu também estou todo dolorido.
Lilliel riu do que falei, Lizandra bufou e eu... bom, me resignei a meu papel de idiota.
Finalmente abri os olhos ainda sentindo dor quando a luz fraca tocou os olhos, mesmo assim pude notar que ainda era noite, o que me impediu de ver os rostos das duas brigonas.
–Que horas são? -Resolvi que era melhor perguntar.
–Umas três e meia da madrugada. -Lilliel respondeu um tanto cansada.
–Mas a sua namorada tá acordada a uma meia hora. -Lizandra estava adorando provocar eu e a Lilli.
–Certo garotas. Eu adoraria saber de onde vocês estão tirando esse animo todo para brigar a essa hora da madrugada depois de tudo que passamos, só que a verdade é que eu quero dormir, então me acordem quando for só umas oito horas.
–Só para responder, não estamos animadas, só sem sorte. -Lilli pareceu desanimada pela voz.
–Na verdade estamos cansadas além da conta, só que o Kaíros fica enchendo a nossa cabeça com imagens do que nós perdemos ou daquilo que ele julga engraçado, então isso não é legal. -Lizandra pareceu irritada de verdade.
Já eu estava era achando um pouco de graça naquilo. Mesmo assim sabia que não adiantava discutir muito com elas.
–Ok. Mas, tem um detalhe importante e é o fato que nós precisamos descansar, mesmo que o Luti resolva nos visitar. Então durmam e me deixem dormir para depois lidarmos com qualquer outra coisa.
As duas bufaram contrariadas.
–Tudo bem, dorme e depois a gente vê o que pode fazer. -Ouvi Liz finalmente concordar comigo.
Suspirei aliviado.
Fechei meus olhos e dormi imediatamente.
Continua...
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