The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
54 Drew, Finalmente, Perde Alguns Dentes. E, Sim, Eu Adorei.
Notas iniciais
Lilliel
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22 de Dezembro
–
Certo, eu devo admitir que quando vi os meus primos pensei que algo não daria certo.
No geral a minha preocupação era com a participação da Lana e foi uma surpresa daquelas quando a participação dela se resolveu tão rápido, não que o Carlo seja do tipo lerdo. Na verdade ele costuma ser rápido mesmo quando quer algo, mesmo que a dona da iniciativa tenha sido Lana.
Acho que Hermes não vai estar de muito bom humor nós próximos dias.
Senti uma mão no meu ombro e Lizandra se inclinando na minha direção falando baixo:
–Vai ficar com Lear ou com a Ashlley para monitorar?
–Quem vai ser mais idiota, Halley ou Reynald? -Saber qual dos meu primos era mais idiota era fácil, queria saber dos outros dois mesmo.
–Halley é mais idiota, o Lear vai ser tenso e talvez um pouco carrancudo, mas ela, pode ser bem ruim. -Para a minha pequena surpresa quem respondeu foi o Gray. -Que foi? Avisei que sei mais dos dois nesse ponto que a Liz.
É, aquilo era verdade, ele tinha falado. Na cama e isso não era algo na minha prioridade no momento.
–Fico com as duas, se minha prima fizer besteira ou precisar de ajuda eu e o Gray tentamos resolver ou amarramos as duas por um tempo. -Falei já pronta para sair assim que um dos quatro se move-se.
–Cara, acho que isso vai ser a discussão do século. Essas duas garotas tem cara de quem podem matar meio mundo só por serem bonitas, imagina se começarem a brigar. -O comentário irônico, mas verdadeiro, veio de Leon. -Mas acho que esses dois caras não vão brigar é quase nada, nem mesmo discutir.
Todos suspiramos e dissemos juntos.
–Verdade.
E quando achamos que ainda teriamos que esperar muito mais para as coisas começarem, minha priminha tomou a frente:
–Hall? -A essa altura Ashlley já estava a três metros da filha de Afrodite. -Espera, o que você... certo, você é filha da Dite, é claro que estaria no acampamento para semideuses. Como eu fui burra de não vir até aqui de uma vez quando ela me contou isso.
E quando Halley conseguiu responder, na verdade dizer algo, sua voz foi um sussurro:
–Ash... como você... -E ai ela resolveu falar, na verdade quase berrar. -Não. Chega dessa brincadeira. Pode ir embora que eu tenho mais o que fazer. -Halley virou furiosa e começou a descer a colina praguejado, enquanto Ashlley, Gray e eu a seguimos. Cada um a uma distância segura ouvindo: -Eu mato a minha mãe e todos os idiotas envolvidos nessa história, a começar por aqueles intrometidos do mundo inferior.
Caramba, ela tava muito brava. E morrendo de medo.
Acredite que o segundo é muito pior, sei por experiência própria.
O problema é que apesar de tudo Halley é muito rápida e por rápida quero dizer que ela havia em menos de cinco minutos feito o percurso completo da Casa Grande quase a área dos chalés sem suar ou perder o folego, já eu e Gray parecia que haviamos andado o Saara inteiro. Pelo menos Ashlley parecia tão bem quanto a sua candidata a namorada, isso se tudo der certo.
Halley já estava passando na frente dos chalés dos deuses menores quando Ashlley puxou ela pelo pulso e, para espanto geral de todo mundo, por que todo o acampamento viu Hall descer a colina feito um demônio, minha prima deu um baita tapa na cara da filha de Afrodite.
Eu fiquei sem fala, mas Gray ainda teve humor para fazer um comentário.
–Ainda bem que elas são garotas, um cara nunca poderia fazer isso ou estaria morto.
Precisei rir, afinal, aquele comentário imbecil devolveu minha capacidade de falar.
–Bom, o fato de a Ashlley não fazer isso antes já é um milagre. -Eu pretendia e comecei ir até onde as duas estavam com Gray ao meu lado, mas no segundo passo as coisas esquentaram.
–Sua imbecil! Aonde você se meteu? Ou melhor, por que me deixou aquele bilhete cretino e nada mais? Faz alguma ideia de quanto eu procurei você e conversei com a sua mãe nos últimos três anos? -As palavras de Ashlley eram gritos com muita, muita raiva.
A minha surpresa mesmo foi ver que Halley revidou e, quando digo revidar, é desde o começo.
Primeiro veio a bofetada.
–Como foi que me achou aqui? Aliás, falar com a minha mãe é golpe baixo. Eu fui embora aquele dia por que você não pode lidar com o que eu sou ou trago de ruim para pessoas normais. E como, em nome do Olimpo você entrou no acampamento?
Nessa hora eu não aguentei e gritei bem alto:
–Ela é minha prima mais velha! -Gritei tão alto que ao meu lado Gray reclamou:
–Ouch. Fiquei surdo agora.
As duas ficaram olhando alternadamente de uma pra outra e depois na minha direção, acho que decidindo se deveriam me matar antes ou depois de terminarem aquilo. Quem acabou decidindo foi Hall que se afastou de Ash e voltou a andar, fazendo nós três seguirmos ela mais uma vez.
–Vai embora! Já deu o que tinha que dar essa história e faz tempo, mesmo que as coisas não sejam como eu pensei, já era. -Ouvi a morena falar tentando afastar minha prima.
Só que Ashlley segurou Halley pelo pulso novamente.
–Já era por que? Por que passou três anos ou por que você é uma idiota cabeça dura imbecil que não entende que passei esses três anos te procurando feito uma condenada?
Halley parecia a beira de um ataque de pânico tentando não encarar minha prima e quando conseguiu falar sua voz era de quem parecia segurar o choro.
–Você não entende, a minha vida é um inferno de verdade. As pessoas que eu gosto e me preocupo praticamente sempre morrem ou se machucam em termos amorosos, se você continuar insistindo nisso vai se machucar e sumir.
Para a minha surpresa Ashlley começou a rir descontroladamente, algo que comecei a achar ofensivo, e não fui a única.
–O que a sua prima pensa que está fazendo? -Gray parecia chateado.
–Eu nunca entendi o que se passa na cabeça dessa maluca antes, o que te faz pensar que agora eu sei?
Ele fez um ruído como se estivesse conformado e depois segurou minha mão, aquilo me fez sorrir.
Levou mais um cinco segundos antes de Halley perder a paciência e gritar com raiva:
–Qual a graça afinal de contas?
Então Ashlley respirou fundo e simplesmente beijou a filha de Afrodite com a maior naturalidade do mundo, depois ela olhou confiante para Halley e disse:
–Você acha que eu sou uma pessoa fraca a ponto de morrer por causa de um terremoto ou um raio? Eu não sei o que você sabe da Sumire, mas eu sou muito mais forte e sei usar meus poderes muito melhor que ela e a outra “Linhagem”. -Nesse ponto eu sabia que ela tinha razão.
–Espera. Quem é Sumire? -A pergunta, apesar de tudo foi válida, só a Ash me chama assim e minha mãe, as vezes.
–Sumire é o segundo nome da Lilliel. E antes que eu esqueça, meu nome é Ashlley Yukitori Eucaristia. -Depois minha prima apontou na minha direção como se fosse algo importante, no final foi. -Está vendo aqueles dois ali juntos e de mãos dadas? -Hall assentiu que sim com a cabeça. -Carlo, meu outro primo, encontrou eles em Vegas e me contou o que aconteceu e sabe por que eu fique feliz pela Lilli? Por que quando algum de nós ama e é correspondido é para a eternidade.
–Espera... -Mas a pergunta de Halley morreu antes de começar.
–Não estou te procurando a três anos só por que quero, assim como meu irmão não passou todo esse tempo atrás do seu amigo por um capricho. O Carlo viu aquela garota antes e fiquei feliz por ele, por isso preciso que você entenda que quando digo eternamente é por que nem a morte costuma ser o bastante para separar a “Linhagem” de quem amamos.
Eu queria dizer que minha prima era um exagero e que a Hall não precisava se sentir intimidada por todo aquele papo, mas se falasse isso não só iria ferrar com tudo como também Ash iria me matar. Sem falar que seria a maior mentira desde que qualquer deuses nasceu na face da existência.
A minha felicidade só não foi maior, bem como as possíveis perguntas da Halley só não começaram, por que a imbecil número um do acampamento achou que tinha o direito e poderia interferir.
Claro que Drew descobriu da pior forma possível que nem sempre as coisas são como ela quer, ainda que eu ache que demorou para essa garota ter o que merecia. Eu bem que queria ter feito algo, mas acho que naquele momento ficou claro por que não fiz isso antes: não era para ela receber de mim aquilo.
–Afinal de contas o que está acontecendo aqui, algum tipo de convenção de anormais ou algo do tipo? Já não bastava a Lizandra e esses filhos do sub-mundo que nunca entendi o que faziam aqui, agora até a nojenta da Halley está atraindo gente estranha para o acampamento. Não sei o que nossa mãe vê em você para te considerar algo digno de nota que dirá de...
E foi nessa hora que a minha prima perdeu a paciência de vez, e posso dizer que eu aprendi de formas bem mais doloridas que Ashlley não é a pessoa mais gentil do mundo quando perde a calma.
Primeiro Ashlley virou e deu um soco na cara de Drew e, juro, vi alguns dentes da morena voarem, em seguida ela deu um outro soco no estomago da garota e por fim uma rasteira, deixando Drew estirada no chão com pelo menos dois dentes faltando, uma grande dor no estomago e outra nas costas.
Sem falar que os olhos de Ash brilharam em vermelho por um segundo antes dela respirar fundo.
–Odeio gente retardada. -Minha prima disse antes de voltar a atenção para Hall.
–Falou a neta de Ares. -Comentei distraída.
–Como é? -Para minha surpresa a pergunta veio de Gray, Clarisse e, claro, Halley.
Ouvi um rosnado e Ash me fuzilando com um olhar demoníaco.
–Tinha que abrir essa boca grande Sumire? -Depois ela grunhiu e disse entre dentes: -Agora explica ai.
Não queria fazer isso, até por que eu sabia o que Liz tinha contado ontem pela manhã, mas como a Ash falou, minha boca grande me ferrou.
–Na verdade é simples e o Gray já tinha escutado isso ontem, mas para resumir a Ashlley e o Lear, o irmão gêmeo dela, assim como os dois irmãos mais novos são filhos de uma filha de Afrodite que é neta de Ares. Não que isso seja novidade na minha família, afinal eu sou filha de Thanatos e minha mãe é neta de Hypnos, além de tataraneta de Perséfone e ela é irmã de Apolo.
Nessa hora ouvi Gray tossir e olhei para ele.
–Espera. Você é tipo, minha sobrinha-tataratataraneta?
–Algo assim por que?
–Mas que zona do inferno é essa sua família.
–Tá esquecendo que a Liz é descendente em escala de Hermes, Ares, Afrodite e Zeus?
–Esquece, não quero nem ouvir mais nada por hora. Acabei de lembrar que passei os últimos dias apagando essas informações excessivas da minha mente, mas agora que você falou... -Alguma ideia parecia se formar na sua mente lentamente. -Hades veio antes de Perséfone e ele é tio do meu pai... quer saber, deixa pra lá. Vou me preocupar só como seu pai e a sua mãe. -Ele pareceu levemente baqueado e eu resolvi brincar:
–Veja o lado bom, fica tudo em família.
Para a minha surpresa foi Halley quem se manifestou:
–E você parece muito calma com essa história maluca toda. Isso não te deixa confusa ou mesmo chocada?
–Não vejo muito bem por que afinal de contas, sempre li sobre essas histórias dos deuses e no caso da minha família para que isso mudasse seria necessário alterar as bases da história dos próprios deuses. Já qua não dá e eu nem faria isso se fosse possível, vou me virar com o que tenho e que no momento se resume a esse tio-sobrinho-primo-tataratataraneto tarado aqui. Além da Liz e do resto da minha família.
–Ela nem vai ser a primeira ou a última. -Virei e dei de cara com Clarisse. -Afinal o Chris é meu primo por parte de Ares e o Percy é tipo um primo em segundo grau da Annabeth, isso sem falar do Rigardo e da Galatea. Ou da Teresa e Apolo, ou mesmo Zeus e Hera ou o Hades e a Persefone. Nossa família no geral está muito longe de ser normal.
Hall pareceu um pouco perdida e disse a única coisa que considerei válida:
–É Halley. Halley Sussan Bradley, só para você saber.
Depois dessa Halley encarou Ashlley e seguiu até o chalé de Afrodite acompanhada da minha prima, assim que as duas entraram a porta do chalé fechou.
–Que merda. -Deixei escapar. -Quirón vai ficar uma fera agora.
Ao meu lado Gray suspirou.
–Sua família é a única que faz o que quer e ele não diz nada, sem bem que nem iria adiantar ele falar algo.
–Esse é o problema.
E apesar da minha resposta vaga Gray sabia exatamente o que eu dizia.
Aquela porta não iria reabrir tão cedo.
–
–
Continua...
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