The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
2 Descubro que o Mundo é Maior do Que Pensava Enquanto Falo Com Meus Novos Parentes
Notas iniciais
Lilliel
—
Desci o morro até a tal casa e bati na porta com o joelho.
Eu estava congelando ali. Alguns segundos depois um rapaz alto, muito bonito, de cabelos castanhos e olhos verdes abriu a porta.
—Oi. Meu nome é Lilliel Sumire Eucaristia, acho que sou a nova moradora do acampamento.
O rapaz me encarou por alguns instantes, tempo o bastante para uma mulher ruiva vir bisbilhotar e sumir, de duas crianças de cinco anos passarem correndo atrás dele seguidos de uma garota de cabelos negros e olhos azuis acinzentados.
Ainda vi muito rapidamente uma mulher loira de olhos cinza passar de um lado para o outro do comodo.
—Acho que isso meio que me surpreendeu agora. -O rapaz resmungou. Virou para dentro e chamou alguém. -Quirón. A campista nova acabou de chegar. -Ele me encarou novamente e disse: -Sou Percy, um dos instrutores do acampamento. Nem liga, seu pai avisou a gente a menos de cinco minutos que você estava a caminho. Ele disse que sua mãe iria te chutar aqui daqui a pouco, acabei achando engraçado.
—Sorte sua. Não foi você que foi chutado. Pode me desamarrar?
—Como?
—Minhas mãos estão amarradas. Pode desamarra-las?
Ele tentou, mas não conseguiu segurar o riso. Por isso a mulher loira levantou e teve que fazer isso, mas ela nem precisou tocar na corda direito.
—Desculpe por isso. Ele saber ser idiota. A próposito, sou Annabeth, mas hoje estou só de passagem por aqui. -A loira olhou no relogio e disse um pouco desanimada: -Volto amanhã. Se cuidem.
E dizendo isso ela passou pela porta sumindo antes que eu pudese me virar para ver o seu caminho.
—Como... aliás ela é normal?
—Depende. Você é normal? -Um homem de meia idade em uma cadeira de rodas apareceu. Ele tinha cabelos castanhos perfeitamente penteados. Uma barba de mesma cor levemente rebelde, trajava um sueter vermelho de mangás compridas e me olhava interessado. -Sou Quirón, diretor de atividades do Acampamento Meio-Sangue.
Olhei-o em dúvida sobre sua função naquele lugar. Parecia deslocado.
—Não se engane com essa aparência frágil. -A garota de cabelos negros que vi correndo a poucos minutos me disse enquanto segurava uma das crianças. -Isso é só para você não infartar, Quirón é um centauro. A propósito, sou Galatea Smith, filha de Poseidon.
—Otimo Téa, acabou de facilitar. Pode por favor cuidar da sua vida. -O rapaz de nome Percy resmungou.
—Estou cuidando dos seus filhos, irmão. Se não gostou venha me substituir para que eu possa sair com o Rig para passear. Ou está com medo do que eu posso fazer com meu namorado? -A garota, a tal de Galatea, provocou com um sorriso maroto.
—Como se vocês já não fizessem coisas que o Percy não quer mas nem em sonhos. -Dessa vez foi a garota ruiva que falou.
—Anda espiando minha vida Rachel? -Galatea
—Não. Mas não tenho culpa quando vocês aparecem nas minhas visões. -Respondeu a ruiva.
—Certo. Dessa vez deixo passar. -A tal de Galatea disse pegando uma das crianças no colo.
Eu realmente estava pirando.
—Com licença, mas o que eu tenho haver com qualquer coisa desse lugar? Minha mãe falou um monte de coisas, mas ela também não falou nada que eu pudesse acreditar. Alguém me explica em que raio de lugar é esse.
Quirón então fez algo que realmente causaria um infarto em uma pessoa normal.
Mas se eu fosse normal não seria filha da minha mãe.
Ele se levantou.
E quanto digo levantou quer dizer: “Puta que pariu!!! O cara da cadeira de rodas é um cavalo da cintura pra baixo!!!” ou algo do gênero.
Se aquilo não fosse demais até para a minha descrença eu seria louca.
Cara, aquele cavalo tem quase o dobro do meu tamanho.
—Como nossa colega Galatea já havia comentado eu sou Quirón, o centauro. -Ele estendeu sua mão que eu debilmente segurei.
—Sou Lilliel Sumire Eucaristia. Quando dei de cara com o meu pai seja ele quem for, disse que seu nome era Skull ou Death, independente do que ele quis dizer na hora. Afinal, aonde, ou melhor, em que confusão me meti dessa vez?
—Você é uma semi-deusa garota. Simples assim. No seu caso, sua mãe é uma mortal e seu pai um dos deuses do Olimpo. Por tanto você é uma semi-deusa ou meio-sangue, como chamamos. O fato simples e puro é que você também é ração de monstro se não tomar cuidado. É assim com quase todos, salvo alguns campistas. -A tal de Galatea dizia tudo com um largo sorriso no rosto enquanto eu podia sentir o prazer que suas palavras continham.
—Você parece achar graça, dizendo que é tudo tão simples. Quantos anos você tem?
Ela riu alto, tão alto que pensei ser um terremoto.
—Eu nasci a mais de cem anos. Mas por conta de problemas famíliares fiquei fora de circulação e do tempo até uns quatorze anos atrás, então tenho dezoito anos. Mais alguma pergunta?
—Onde é o Inferno?
—Los Angeles. -Dessa vez não foi só Galatea, mas Quirón, Percy e Rachel me deram a resposta.
—Isso é brincadeira?
—Não. A entrada principal fica em Los Angeles, mas também tem um outra no Central Park. Apesar que la é o Portão de Orfeu e você precisa tocar mais que bem pra usa-la. -Dessa vez Percy respondeu.
Desabei.
—Meu mundo... O mundo que eu sempre acreditei é uma mentira.
—Na verdade ele é real, a única diferença é que para você e para nós ele é maior. Mais complicado e perigoso. -Galatea respondeu um pouco mais distante. Admito que achei estranho.
A porta da sala abriu e um garoto de cabelos negros e olhos azul escuro entrou. Galatea abriu um sorriso enorme e correu em direção a ele abraçando-o.
—Rig!
—Oi Tea. O rapaz beijou-a e o clima esquentou um pouco demais.
Até Percy gritar.
—Olha o respeito!!!
Os dois se separaram rindo e notei que em parte era por terem notado só agora o que tinham feito.
—Rig, essa é nossa nova campista: Lilliel Sumire Eucaristia. Acho que até amanhã ela é reclamada. -Galatea parecia mais amavel agora.
—Como assim reclamada?
—Ser reconhecida pelo seu pai ou mãe como filha dele. Eu sou filho de Poseidon, Percy Jackson.
—Sou filha de Poseidon também e neta de Atena por parte de mãe. Galatea Smith.
—Sou filho de Hades e neto de Zeus. A próposito, sou Rigardo Wolf.
—Sou Rachel Elizabeth Dare, o Oracúlo. Não tenho parentesco com nenhum deus, mas sou tão ligada a eles quanto os demais.
—A garota loira de agora a pouco é Annabeth Chase, filha de Atena. Ela é meio que casada com o Percy, mas atualmente também é uma deusa no Olimpo. É um tanto complicado, mas uma hora você você vai entender. -Galatea disse com uma cara de quem não acreditava muito em suas últimas palavras.
—Dúvido. -Resmunguei
—Não seria a primeira ou a última. -Dessa vez foi Rigardo que respondeu.
Olhei para os dois cuiriosa e ambos me encararam.
—Não sei o que está pensando, mas vou te avisar... -Galatea sorria maliciosamente.
—...É melhor nem ao menos tentar entender o que se passa agora... -Rigardo parecia sonolento.
—...Pois nem os deuses estão mais afim de nos fazer mudar de ideia... -Galatea
—...Ou nossos planos para o que está por vir. -Rigardo.
Fiquei olhando a cena boquiaberta, antes de debilmente dizer para Rigardo:
—Você sabe que ela nasceu a mais de cem anos?
Todos na sala, mesmo Quíron riram do meu comentário.
Rigardo me olhou um tanto cinico e respondeu segurando o corpo de Galatea mais perto do seu.
—Nasci no mesmo ano que ela, só que alguns dias antes.
—Onde eu posso desmaiar?
—Sugiro... -Quirón começou a falar, mas no minuto seguinte Galatea começou a me puxar.
—Pro chalé de Hermes até seu pai te reclamar oficialmente. -Ela parecia ligeiramente chateada.
—Mas meu pai não acabou de falar com vocês?
—Isso não muda o fato de que ele ainda não disse sou o “deus tal” e essa daí é minha filha pra você. Dizer me chame de Alga Marinha ou de Rei Marinho ou Barba Cracas não quer dizer nada. Apenas pegue suas coisas ai e venha.
Bom, eu não entendi muito bem. Mas não queria ter problemas com essa garota.
Ela parece muito bem poder me matar.
Me fez sentir saudades da minha mãe.
Muito embora eu soubesse que não poderia manter tal afirmação por muito tempo.
Continua...
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