The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time

24 Descubro As Consequências Por Tentar Fugir do Destino


Notas iniciais
Agradecimentos da semana vão para: -Gih Castro (aviso, quando eles chegarem em Vegas nem de perto as coisas vão melhorar); -Alia (curtimos o mesmo livro, mas da fic, sim é confuso aqueles dois, mas logo da liga nessa massa); -Milena Corrêa (provavelmente pessoa que mais vai amar os comentários da Lizi nos próximos cap's). =X= Pessoal, agora sério. Estou pensando em fazer uma pausa de UM fim de semana na fic. Minha inspiração tá revoltada. Mas não vou deixar vocês sem aviso. Caso eu faça essa pausa postarei um cap antes e deixarei o aviso nas notas como sempre. Então era isso. Bom, terminado aqui vou dormir. Pra quem acordou às 6hs ficar acordada até quase 3hs do dia seguinte é dureza. Boa diversão e leiam as notas finais.



Lilliel



Conseguimos sair do terraço daquele prédio sem problemas.



Nas verdade conseguimos chegar até o caminhão de feno que seguiria até Vegas sem nenhum problema.



Mesmo na saída da cidade não encontramos policia ou monstros querendo nos pegar ou devorar, apenas ficamos encolhidos no meio do feno nos escondendo das vistas do motorista pelo retrovisor.



Com o sol forte, mesmo no inverno estavamos ficando suados e doentes cansados pelo calor.



Ficamos três horas naquele inferno quente até que depois de atravessar todo o centro de Beaver o motorista parou em um posto já próximo da saída da cidade, bem perto de uma cadeia, e aproveitamos para pular fora.



–E agora Lilliel, para onde acha que vamos já que não podemos mais seguir nessa carroça? -Liz perguntou entre dentes enquanto compravamos mais água na lanchonete do posto e eu pensava o que fariamos a seguir.



–Seguimos a pé até achar outra carona ou outro lugar para conseguir um transporte.



–A pé vamos demorar muito para chegar a Vegas. Lilli tem certeza disso? -Gray



Encarei sua expressão de dúvida com firmeza.



–Sim, absoluta.



Ele suspirou cansado e contrariado.



–Tudo bem. Vamos andar um pouco. -Concordou por fim.



–Isso é sério? Os dois não conseguem nem conversar sobre o que sentem mas para isso conversam até por olhares. Eu não mereço esses dois. -Lizandra praguejava enquanto continuava a pegar mais coisas nas prateleiras.

Eu e Gray suspiramos já vendo que aquilo daria muito errado.



Pelo menos ele não me fez ficar discutindo isso indefinidamente.



Aliás Gray é outro dos meus problemas no momento e é um dos grandes.



==========X==========



Estavamos andando a pouco mais de uma hora e meia.



O calor insuportável agora estava até pior que antes.



Depois de percorrer pouco mais de seis quilômetros acho que ninguém reclamaria de uma pausa.



Por isso tinhamos parado ao lado da rodovia e sentado quase embaixo de alguns arbustos altos para nos protegermos um pocou do sol.



–Agora se me derem o direito eu digo que ambos são dois idiotas de marca maior por querer andar no meio do deserto. -Liz reclamou pela enésima vez desde que saímos do posto, porém agora ela repetia isso enquanto se entupia de bolachas e salgadinhos com suco feito um animal esfomeado.



Não que eu ou Gray estivessemos melhor nesse ponto.



Mas naquele instante nem mesmo Gray estava me preocupando.



Kaíros me advertiu mais de uma vez que fugir traria problemas e agora eu sabia que aquilo seria pior do que o meu sonho, mas tudo que poderia fazer era esperar o bote do destino.



Continuei encarando o horizonte enquanto comia, mas depois de talvez dez minutos o urro de um animal feroz me chamou a atenção e me virei na direção oposta.



No alto da colina as nossas costas uma mulher com corpo de serpente nos encarava com duas espadas em mãos. Em sua cintura formas de animais e monstros se contorciam em desespero, agonia e raiva.



Seu rosto era uma fúria tão grande que por um segundo meu coração parou de bater e o medo se apoderou da minha mente.



–Kampe... -Lizandra sussurrou em choque.



Não!



Eu tinha brincado demais de enganar o destino.



Agora no lugar de uma dracne normal eu tinha um monstro muito pior.



O segundo que perdi veio seguido por um súbito entendimento.

–CORRAM!

Gray levou um décimo de segundo para pegar todas as mochilas e sair correndo seguido por nós duas e Kampe.



Começamos a correr o mais rápido que conseguiamos.



Em questão de segundos já haviamos percorrido pelo menos quinhentos metros, Gray estava a uns bons dez metros na minha frente.



Não que Lizandra não fosse mais rápida, mas ela parecia querer ficar na retaguarda e eu sabia que agora não adiantaria reclamar.



De relance vi Gray se virar acenando por um segundo ao lado de um carro abandonado.



Ao longe pude vislumbrar o céu se fechar em uma tempestade.



O momento do sonho se aproximava. Faltava tão pouco que meu corpo gelou.



–Essspere um pouco filhote de deusss. Ssse for boazzzinha eu te mato sssem muita dor. -Kampe sibilou ao longe e então eu soube, era agora. -Fassça isssssso e nunca maisss vai ssse sssentir trissste. Nunca maisss vai pressscissar ouvir coisssasss ruinsss por causa de outrasss pessssssoasss.



Quando ela disse isso eu me forcei a olhar para trás e vi Lizandra parando de correr lentamente enquanto olhava para o monstro atrás de nós.



Kampe parou aonde estava e esperou uma resposta.



Lizandra pareca atordoada.



Eu não fazia ideia do que ela pensava ou o quão rápido processava aquilo.



Então ela falou o que eu temia.



–Nunca mais? Sem solidão também?



–Sssim. Sssem sssolidão ou dor. Vai ssser rápido e vosscê nem vai perssceber que morreu. -Pronto. Era o golpe que faltava.



–Vou rever a minha mãe?



–Sssim. Com sscertezzza ela essstá te esssperando ansssssiosssa.



Então eu agarrei o pulso de Lizandra e sai correndo arrastando-a enquanto ela gritava:



–Me solte. Eu cansei de fugir, de ser forte, de tentar superar e seguir em frente. Quero rever minha mãe!



–Cale a boca sua idiota. Acha mesmo que sua mãe quer que você morra? Acha que ela quer saber que você desistiu por que ela não estava aqui para te consolar? Se ela era como você diz vai te reviver e te matar novamente. Pense sua idiota.



Depois de gritar tudo isso eu esperava que Lizandra reagisse, mas ela pereceu entrar em choque.



A única coisa boa é que ela parou de lutar e se deixou seguir puxando, até correndo um pouco aos tropeços.



Mas ainda ouvia um sussurro vindo dela:



–Mãe... mãe... mãe...



Aquilo me fazia querer gritar de raiva e desespero.



Droga.



Naquele ritmo eu perderia tudo.

Um flash do sonho sobre Urano clareou em minha mente. O momento em que ele foi esquartejado.

Kaíros também tinha perdido tudo...

Continuei correndo e logo passamos pelo velho carro.

Ao longe já podia ver Gray posicionado sobre uma grande rocha acenando com o arco em mãos e prestes a efetuar o primeiro disparo.



Continuei correndo até alcançar Gray nas pedras disparando flechas de impacto e explosivas contra Kampe, mas ela era muito grande para sofrer os efeitos das flechas.



Coloquei Liz sentada ainda em choque atrás da pedra.



Deuses!



Eu estava furiosa.



Desde que fui arrastada para aquele sonho armadilha por Gaia as coisas estavam desandando muito mais rápido do que eu poderia ou gostaria de assimilar. O pior é que mesmo já estando tão longe na missão e naquele lamaçal de segredos algo ainda parecia incrivelmente errado.



Gray sacou a última flecha da primeira aljava mágica quase desesperado demais para que eu não notasse e acertou o olho da mulher serpente em cheio.



Ela urrou de raiva quase me fazendo desistir.



Me virei e vi Gray colocar a mão na sua mochila.



–Gray! Alguma ideia?!



Ele pareceu exitar e então enfiou a mão no bolso da blusa, tirando de lá um colar de pedras. Depois jogou a peça na minha direção gritando.



–Coloque-o!



Não sabia o que ele pretendia ou o que era aquilo, mas aparentemente era um dos segredos que ele vinha escondendo desde Evansville.

Coloquei o colar em volta do pescoço o mais rápido que pude e pensei por um segundo que iria arrebentar o cordão, mas depois que aquilo tudo pareceu mudar.



Vi Kampe avançando e comecei a correr.



Em um segundo tinha alcançado o carro abandonado, minha raiva transbordava como uma em uma tempestade ou um incêndio em uma floresta seca e então eu me senti ficar leve demais para conter meus impulsos.



Sentia o poder transbordar pelas minhas células, correr minhas veias, transpirar pelos meus poros e fugir pela minha respiração.



Meu corpo estava leve, minha mente estava em branco e minha visão tinha foco único em acertar Kampe.



E eu iria acertar aquela serpente idiota.



Estiquei minha mão na direção do carro e fiz um movimento como se levantasse ele, para depois imaginar aquela lata-velha sendo jogada contra Kampe.



Para minha surpresa e satisfação foi o que aconteceu.



O carro flutuou a mais de um metro do chão e depois foi arremessado contra a mulher serpente acertando seu corpo em cheio.



Infelizmente ela não morreu, mas o impacto foi o bastante para fazer ela recuar algumas poucas dezenas de metros e retorcer boa parte do metal do carro.



Aproveitei aquele segundo de distração de Kampe e corri na sua direção tão rápido que parecia voar.



Toquei a pulseira e fiz a foice aparecer em minhas mãos.



A distancia de duzentos metros foi extinta em segundos, os mesmos segundos que Gray gritou ao longe, quase como uma lembrança distante:



–Lilli! Pare! É suicídio!



Os mesmos cinco segundos que Kampe levou para me notar correndo na sua direção sem poder reagir e para que eu decapitasse a cobra velha.



Foi também o instante exato que levou para o velho tanque de gasolina ainda cheio do carro explodir lançando metal torcido para todos os lados.



A onda de choque foi forte o bastante para me lançar ao menos uma centena de metros na direção de Gray de encontro a uma rocha melhor, a qual acertei com toda a força.



O choque da minha cabeça foi seguido pela sensação de que algo escorria pelo meu couro cabeludo.



Minha vista nublou em negro e quando minhas pernas acertaram o solo meu corpo gritou de dor de uma forma tão intensa que pensei que estava morrendo.



Meu corpo foi de encontro ao chão e o impacto apenas causou mais dor me fazendo ter a certeza que aquilo não era um sonho.



Eu estava mais desmaiada que qualquer outra coisa, mas mesmo assim quando senti o toque frio no meu rosto algo me alertou o corpo todo.



Um punhado de um liquido quente e doce foi derramado na minha boca com cuidado e desceu pela minha garganta.



Meus olhos se abriram de imediato.



Tudo ainda girava e meu cérebro registrava cenas dos meu companheiros com momentos de trevas.



Minha cabeça agora latejava com força, mas a dor ali parecia menor de alguma forma.



Ao longe minha mente registrou Gray gritando com Liz coisas que me pareceram sem nexo algum:



–Deuses... claro que não dá... Liz... respira Lilli... não idiota, rasgou...



Senti um novo par de mãos segurar meus ombros e virar meu corpo um pouco com cuidado extremo. Em seguida senti o mesmo liquido que me deram para beber se derramado na parte da minha cabeça que havia batida na rocha.



O alivio foi imediato e maravilhoso.



Minha mente clareou e minha visão parou de parecer um flash de cores.



Fui deitada novamente e vi Gray colocar um pedaço de ambrosia na minha boca.



Eu não sabia quanto de néctar ele já tinha me dado exatamente, mas esperava não explodir.



Lizandra voltou a mover meu corpo me colocando sentada apoiada em algum tipo de tábua.



Nesse momento tudo voltou a girar e vi coisas estranhas a distancia.



Restos flamejantes do carro.



Metal torcido espalhado ao redor de onde estavamos.



Uma carcaça de Kampe queimando a pelo menos uma centena de metros de nós.



–O que tinha em mente Lilli?! -O grito de Gray atingiu meus ouvidos e mente em cheio.

Tentei rir em meio a dor.



–Nada muito elaborado. Só queria salvar a idiota da Lizandra de uma morte voluntário. -Resmungue rabugenta antes de olhar para minha perna e fazer uma careta.



Pelo menos metade da minha coxa direita estava ferrada.



Lá um pedaço de metal jazia fincado na carne até o osso.

Aliás, tenho certeza que aquilo só parou e não arrancou minha perna fora por que bateu no osso.



–Sei disso. Lizandra é uma criatura retardada sem salvação alguma. -Gray respondeu ciente que Liz ouvia tudo.



–Ei! Calma ai! Eu ainda estou aqui, sabiam?! -Gritou ofendida.



–Sim! -Gritamos juntos.



–Mas não muda o fato que você é uma imbecil por pensar em morrer daquele jeito. -Respondi sem medo.



Gray riu daquilo e foi mexer na minha perna.



Pra quê?



Só o pequeno impulso para rasgar o tecido da calça fez a dor aumentar muito, sem falar que meu corpo esquentou muito, só que não foi culpa do néctar e da ambrosia.



Mas assim que a dor pareceu diminuir, ou eu me acostumar com ela, tudo isso passou. Por que a situação da minha perna era péssima e me deu vontade de chorar de verdade.



Só para melhorar, Gray começou a diagnosticar.



–O metal está torcido, mas parece que o corte foi limpo e reto. Isso é bom. Parte rui, chegou ao osso e pode ter lascado o fêmur.



–Como em nome do sub-mundo você pode ver algo de bom nisso Gray? -Eu quis gritar, mas na verdade estava quase chorando.



–Ao menos é só puxar e dar um jeito no resto como bons semi-deuses. -Ele sorriu e quase me derreti ao ver sua expressão esquecendo da situação em que estava.



–Sério, vocês dois deveriam trepar. -O cinismo e sarcasmo de Lizandra me tirou rápido de meu delírio.



–Lizi...! -O início do grito de Gray era presságio de uma briga, algo que no momento eu não precisava.



Acenei na direção de Gray que me encarou, então falei:



–Deixa. Quando ela fica curiosa ou nervosa acho que é normal falar essas besteiras, ao menos mais que o normal sem mesmo notar.



Ele respirou fundo e me encarou.



–Confia que posso tirar isso daí? -Apontou para minha perna.



–Pode fazer isso sem me matar? -Retruquei.



–Sim. Não vai ser fácil ou seguro, mas posso sim.



–Então anda. Ver isso está me dando aflição. -Fiz uma careta.

Ele riu por um segundo e voltou a encarar Lizi.

–Você pode ir do outro lado e segurar o corpo dela com força? -Gray estava tão sério que por um momento me assustei.

Lizandra sorriu de forma irônica.

–Com quem acha que está falando? Claro que posso.

Ela trocou o lado que estava e segurou meu corpo com o peso do próprio corpo, me prendendo ao chão evitando que eu movesse meu corpo, principalmente minha perna.



–Lilli, morda algo. -A convicção de Gray ao me dar aquela ordem foi tal que não discuti.



Peguei o cachecol no bolso da blusa usei como mordedor.



Assim que Liz sinalizou senti ele segurar o pedaço de metal com as duas mãos e usar uma das pernas de apoio contra a minha antes de puxar com força o metal sem hesitar.



A dor foi horrível.



Eu sentia a carne queimar e os músculos repuxados em direções diversas como se cada um estivesse escolhendo um caminho diferente sem sucesso de se mover.



–Mas o que demônios?! -Ouvi Lizandra gritar, mas a dor não me permitia saber do que ela falava.



Poucos segundo depois senti algo ser jogado dentro da ferida.



Provavelmente era néctar, só que a quantidade era muito maior do que antes.



Senti meu corpo esquentar muito e de forma perigosa.



Demorou uns cinco minutos para a dor aliviar de verdade para que pudesse encarar Liz e Gray.



Lizi parecia brava.

–O que foi aquilo Lilli? Como fez aquilo agora?

–Como assim? Do que está falando? Reparou que eu estava quase chorando de dor agora mesmo?



Aquilo iria virar uma briga, mas Gray interferiu:



–Chega as duas. Lizi, a Lilli não sabe. Ela não viu e nem foi intencional. Se puder, talvez eu consiga explicar depois. Pode ser? -Mas apesar do tom de pergunta, ficou claro para nós duas que aquilo não era uma pergunta e nem estava aberto a discussões.



–Tudo bem. -Respondemos juntas, por que mesmo sem eu saber o que tinha acontecido estava preocupada.



Gray encarou Lizandra.



–Lizi, vai recolher nossas mochilas e o que possa ter caído delas lá na rocha. Eu vou terminar de cuidar da perna da Lilli.



Lizandra ficou parada durante mais de dois minutos apenas nos encarando enquanto Gray começava a tirar o material de medico e de cura na bolsa.



Ela se virou para ir pegar nossas coisas, mas antes de ir parou e virou nos encarando novamente.



–Eu sinto muito. De verdade. Não queria causar tantos problemas ou mesmo fazer alguém se machucar. Isso não vai se repetir.



Antes que eu ou Gray pudessemos dizer qualquer coisa Liz se virou e foi na direção da rocha aonde tinha deixado ela minutos antes, o que me deu noção de que estava a uns quinhentos metros do lugar.



Eu apenas rezava que naquelas centenas de metros não aparecessem mais problemas ainda, a última coisa que queria agora era outro monstro. Também rezando para que nenhuma ideia idiota passasse pela mente de Liz enquanto ela pegava nossas mochilas.



Continuei distraída com aqueles pensamentos até Gray tocar meu ombro.



–Pronta.



Durante alguns instantes fiquei confusa, até lembrar que ele ainda estava trabalhando em remendar minha perna.



Quando olhei para o corte senti um misto de alivio de decepção.



Comparado a situação inicial o que tinha agora era nada usando de uma percepção positiva.



Mas ainda havia um corte de pelo menos quinze centímetros e no minimo um centímetro de profundidade.



–Merda. -Resmunguei baixinho.



–Eu sei. -Gray suspirou. -Pretendia fechar tudo com o ritual de cura mas não deu certo. Era muito para fechar e remendar. Se eu fechasse tudo os músculos e nervos que faltavam poderiam não ficar bons.



–Mas e o néctar?



–Ficou doida? -Ele me encarava como se estivesse realmente louca. -Faz ideia de quanto eu já te dei ou usei de néctar, sem falar na ambrosia?



–Na verdade não, mas não pode ser tão ruim tentar.



–Pode sim. Se te der mais néctar você vai entrar em combustão. Simplesmente um corpo em chamas. -Ele ralhou.



Então ouvi um baque e um risinho abafado atrás de Gray.



Desviei o olhar e ele se virou.



Era Lizandra, que já tinha pego metade das nossas coisas.



Quando nos viu olhando para ela, Liz sorriu de forma cinica.



–Francamente Gray, você faz o corpo dela ficar em chamas muitas vezes só com um olhar. Imagina então quando toca ela. Agora está preocupado com néctar? Faça-me o favor.

E antes de pensarmos em responder algo, Lizandra saiu novamente das nossas vistas como um legitimo corredor profissional.

Quando olhei para Gray a situação não melhorou muito.



Ele estava vermelho, como se tivesse tomado um litro de néctar e eu nem saberia dizer se era de vergonha ou vontade de esganar Lizi.



Ele desviou o olhar na minha direção antes de tentar mudar o assunto.



–Eu... tenho que costurar isso. -Apontou para minha perna.



Por um momento fiquei um pouco perdida. Até que olhei para onde ele apontava e lembrei que minha perna ainda precisava de cuidados.



–Ah... Bem, certo. Sem problemas.



Ficamos em um silêncio descomunal e constrangedor durante todo o tempo que ele precisou para literalmente costurar minha perna e enfaixar.



E eu tenho que admitir, aquilo doeu.



Serio. Doeu muito mesmo.



Quando ele finalmente terminou tudo eu estava quase chorando, por que não é divertido sentir uma agulha entrar e sair da sua perna ou mesmo a menor pressão da atadura contra a sua perna.



Respirei fundo tentando me acalmar, mas como dizem: “Até parece que é fácil assim”.



Gray segurou minha mão com as suas.



–Tudo bem? Eu sei que está doendo, mas logo vai melhorar, eu prometo.



Eu me sentia zonza e incrivelmente estupida, por isso talvez eu tenha tido uma ideia tão absurda para um momento como esse.



Levantei o rosto na direção de Gray e agarrei a gola da sua camiseta com toda a minha força puxando-o na minha direção e o beijando.



Naquele instante eu me senti incrivelmente idiota e abusada, por que com a minha sorte ele poderia me xingar muito por aquilo ou ele poderia só me xingar pelo estado de choque em que julgaria que eu estava. Mas por outro lado também estava satisfeita em dar um jeito naquela tortura.



Estava tão assustada com minha atitude quanto Gray e devo admitir que foi engraçado ele reagir no mesmo tempo que eu abrindo caminho para sua língua até a minha boca.



Esqueci de tudo ao meu redor e fechei os olhos para aproveitar cada segundo.



Mas eu ainda precisava de ar e Gray também, admito que não gostei disso muito, mas gostei menos ainda de lembrar que agi por puro impulso.



Encarei Gray, que parecia sorrir confuso.



Uma risada escapou da minha garganta.



Ele ficou mais confuso ainda.



Infelizmente eu estava muito cansada e assim que pisquei meu olhos ficaram fechados.



Eu queria poder dizer algo que fizesse sentido para ele, mas mesmo que não estivesse exausta como me sentia, não tenho certeza se conseguiria.

Mesmo assim me sentia feliz.

Nem ao menos notei quando adormeci.



Continua...



Notas finais
Tirando o aviso sobre a possível pausa. O próximo cap ainda é da menina caveira e depois nossa princesa com uma conversa muito inominável com nosso príncipe. Não se de qual dos dois tenho pena nessa conversa. Fora isso era isso. COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!!COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!!COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!!COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!!COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!!COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!! COMENTEM!!!