The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time

58 Claro Que Era Demais Esperar Que As Coisas Fossem Simples, Mesmo Entre Semideuses


Notas iniciais
Agradecimentos as minhas leitoras fofas que comentaram: -***Milena Corrêa*** -***A Granger*** Hoje não vou ficar devaneando aqui. Só quero agradecer por terem esperado novamente essa autora que anda altamente enrolada. Vou tentar melhorar isso, prometo. Sobre esse cap, ele só termina de verdade com a narrativa da Liz em duas semanas e estou tentando para de enrolar para terminar a fic. Não que eu esteja de fato enrolando, mas acho que a ideia original é mais longa do que eu mesma imaginei inicialmente. Bom, peço desculpas pelo pequeno atraso que tive dessa vez (uns 4 dias desde as duas semanas da última postagem). Eu tenho mais alguns cap's prontos para terminar a fic, só não quero atropelar muito as coisas e deixar o final muito diferente do que foi o resto da fic ou os outros eventos "importantes" até agora. Só pra saberem, ainda pretendo fazer umas tiradas "cômicas" até o final (mas como meu senso de humor é meio suspeito não posso garantir quão engraçado vocês podem imaginar que isso vá ser). Aproveitem a leitura e LEIAM AS NOTAS FINAIS.

Lilliel

23 de Dezembro

Assim que acordei eu sabia de duas coisas: a primeira era que minha noite foi maravilhosa e a segunda que meu rosto estava doendo como no dia em que o machuquei.

E, no caso desse segundo ponto, meu dia não começou nada bem.

A primeira coisa que fiz foi gritar e, por algum motivo, parecia que outras pessoas haviam gritado ao mesmo tempo.

Levei alguns segundos para entender que não foi uma impressão e sim um fato que meu namorado e Liz, que tinha invadido meu olho esquerdo, também haviam gritado. Por consequência Leon estava gritando no seu chalé também.

No começo eu achei que meu ferimento estava reabrindo, mas após algum tempo quando Carlo entrou correndo no quarto só de calça, descobri que não era bem isso.

–Calma Lilli. O que aconteceu? -Pela voz dele e a pergunta eu não sabia se meu primo estava burro ou cego.

–Meu rosto abriu. -Gritei.

–Impossível. Não tem sangue só... -E quando ele tocou meu rosto ouvi mais dois gritos.

Era Carlo e Lana.

Levou mais uns cinco minutos, nos quais provavelmente todo o acampamento deve ter acordado, por que Carlo, Liz e Gray gritam alto, algo sobre ter o sangue de Apolo. Mas parece que ser descendente do submundo faz com que eu grite alto e acho que Leon também.

O fato é que a dor era tão grande do que quando tive meu rosto quase arrancado pelo Condutor de Vida no deserto. Eu quase podia sentir as lanças de energia dele penetrando no meu rosto lentamente enquanto meus ossos eram quebrados e os músculos dilacerados, meu olho quase arrancado do lugar e a inconsciência voltando como da primeira vez.

Quando a dor finalmente passou e consegui me concentrar as coisas estavam ruins também de outras formas.

Eu, Gray, Carlo e Lana haviamos nos afastado da cama o máximo possível e colocamos para fora tudo o que tinhamos ou, no caso, não tinhamos no estomago. O quarto estava mais do que nojento e algo me dizia que os chalés de Hermes e Morpheus estava igual, mesmo assim Quirón e Percy estavam parados na porta, embora o filho de Poseidon estivesse de costas já que eu e Lana estavamos quase sem roupa.

Quem acabou aparecendo mesmo foi Melindra, ainda mal-humorada e resmungona.

–Por que o Kaíros não avisa que algumas parte dessas coisas da Linhagem são desagradáveis? Todos calmos pessoal. -Ela disse por fim e estalou os dedos fazendo toda a sujeita do quarto congelar e depois sumir em meio as sombras. -Pronto, isso foi pro Tartáro, literalmente. Agora se acalmem e recomponham, enquanto isso vou ver Lizandra e Leon. Aqueles dois devem estar um caco só.

Dizendo isso Melindra sumiu como se fosse uma miragem.

Eu me sentia horrível e sei que Carlo também.

Meu primo pode mexer com sangue e outras coisas todos os dias, mas ele não gosta de vomito mais do que eu, ou seja, Carlo odeia.

–Isso é a coisa mais nojenta do mundo. -Ouvi Lana comentar.

–Eu odeio isso mais que qualquer coisa no mundo, mesmo as missões. -Gray parecia irritado.

Aparentemente naquele quarto, acho que até fora de lá, todos odiavam vomitar mais que tudo.

Notei que Percy ainda estava parado na porta de costas, juntei todas as minhas forças e levantei, quase desmaiando, mas, de algum jeito, cheguei ao banheiro. Liguei o chuveiro e cai de joelhos no chão sob a corrente de água.

Algum tempo depois ouvi ruídos no quarto e um minuto depois Gray entrou no banheiro, ajoelhou atrás de mim e me abraçou fazendo a água cair sobre nós dois.

–O que foi isso? -Ele sussurrou cansado.

–Depois a gente descobre, mas meu rosto ainda parece que está queimando.

Gray deu uma risada forçada e se afastou sentando no chão do banheiro.

–Vamos só tomar um banho e depois a gente vê tudo isso.

Resolvi fazer o que ele tinha falado, por que, de verdade, eu precisava de um banho agora.

Gray ficou lá jogado no canto do box esperando eu terminar e acho que os braços dele estão doendo, por que ele não parecia nada feliz nas poucas vezes que os moveu.

Assim que terminei o meu banho me ajoelhei ao seu lado e coloquei as mãos no seu braço que tinha ficado queimado durante a missão.

–Estão doendo, não é?

–Bastante.

–Precisa de ajuda?

–Não. -Ele meu deu um beijo na testa. -Pelo menos para tomar banho não, agora para colocar roupa quem sabe.

Nós dois rimos e levantei para sair do banheiro, quando ele falou:

–Aliás, estou adorando que seu cabelo andou crescendo.

Eu sabia que ele iria falar disso uma hora, desde o mausoléu meu cabelo estava crescendo uns quinze centímetros por dia e já estava do tamanho do da Liz.

–Me lembre de questionar o Kaíros sobre isso, não quero ser a Rapunzel moderna.

–Tudo bem, mas adorei os cachos que eles fazem.

–Idiota.

Sai do banheiro e ele deu risada.

Olhei no espelho e suspirei.

Ao contrário da Liz que tinha um cabelo liso da raiz até a ponta mais distante, eu tinha o cabelo ondulado que cacheava depois trinta ou quarenta centímetros.

Eu tinha cortado o cabelo a menos de um mês e agora isso.

Só esperava realmente não virar um tipo de Rapunzel como a do Fables*, isso seria demais mesmo para uma descendente de deuses.

Olhei para a cama e vi que algumas roupas minhas estavam ali, assim como algumas do Gray.

–Melindra.

Resolvi ignorar que ela tinha feito esse estranho favor e coloquei a roupa.

Tanto a calça jeans desbotada como a bota de frio preta e a blusa de lá preta de manga longa ou a camiseta branca de Harry Potter eram minhas, bem como o cachecol. A única coisa nova era aquele casaco bege que parecia feito para o Alasca.

–O que tá olhado ai?

Me virei e Gray estava na porta do banheiro com a toalha envolta da cintura secando o cabelo com a toalha de rosto.

–Essa peça nova do meu guarda roupa.

Gray parou ao meu lado e suspirou.

–Sorte sua, nenhuma dessas roupas faz parte do meu guarda roupa, muito menos das que estão no acampamento.

–Estou começando a achar que isso não é coisa da Melindra.

Gray pegou a camisa da cama e embaixo dela um pequeno envelope branco se destacou contra a calça jeans escura.

Pequei o envelope e tirei o bilhete lendo-o em voz alta para nós dois.

–“E ai filhão, tudo bem? Espero que sim, Afrodite me acordou dizendo que sua noite e da sua namorada foi muito interessante, mas acho que para ela quase todas as noites de casais são interessantes.” -Parei e olhei para meu namorado. -Concordo com o seu pai.

Gray riu e resolvi continuar:

–“Só pra você saber a minha foi realmente memorável.

–Ele poderia me poupar desse tipo de comentário. -Meu namorado parecia não se dar bem como estilo do pai.

–“Bom, mas parece que hoje você vai sair do acampamento conhecer o resto da família da Lilliel e por isso eu, junto com a Teresa e a Afrodite resolvemos arrumar todas as roupas para vocês. Claro que mesmo os Eucaristia ganharam um traje apropriado para esse dia. Te aconselho a usar cueca hoje. No geral é isso, afinal vamos nos ver no Natal na casa dos Eucaristia mesmo. Só pra aviso os gêmeos vão junto, incluindo suas irmãs. Aparentemente elas gostam de você. Até mais.” -Olhei para a cara do meu namorado que ainda segurava a cueca na mão.

–O que meu pai e a Teresa tem falado a meu respeito para dizer que as gêmeas gostam de mim?

–Não sei o que eles poderiam falar para elas não gostarem. -Respondi rindo no final. -Afinal, você é incrível.

Ele riu daquilo e terminou de colocar a roupa, até a gravata e o cachecol por cima. Depois ele me encarou.

–Por que você tem uma blusa de lã preta e uma camiseta do Harry Potter por cima e eu camisa social branca, pulôver preto de manga comprida e gravata sem falar desse casaco semi-social?

–Minha família sabe como eu sou, mas a única coisa que eles sabem a seu respeito é que dormimos juntos em Vegas no meio de uma missão. Alguma dúvida?

Ele pareceu bravo mas terminou de vestir o casaco e fiz a mesma coisa como o meu ainda vendo meu namorado resmungar contrariado.

Assim que saímos do quarto demos de cara com meus primos e seus pares, todos com roupas que pareciam próprias para um dia de apresentação a família, o que quer dizer que muitas delas poderiam não ser deles, principalmente as da Ashlley.

–Então, quem foi que arrumou essas roupas pra gente? -Minha prima não parecia feliz.

–Pelo bilhete foi Apolo, Teresa e Afrodite, mas acho que Hera pode estar metida nessa. -Respondi sorrindo da cara dela.

–Tira esse sorriso imbecil da cara Sumire, ou arrebento ela.

–Do jeito que meu rosto ainda está queimando vai me fazer um favor. Isso se eu sentir.

Ashlley bufou irritada e saiu andando pelo corredor de mãos dadas com Halley que sorria divertida.

Resolvemos seguir minha prima até o pavilhão refeitório aonde, apesar de ainda ser seis da manhã, Lizandra e Leon esperavam por nós.

–Por que meu pai deu camiseta, cachecol e jaqueta de couro para o Leon? -Gray ainda encarava meu primo de forma irritada.

–Seu pai apenas tirou essas roupas do fundo do meu baú Gray e apesar de os Eucaristia serem parentes da Liz, bom, eu ainda não dormi com ela. -E com isso todos riram do comentário de Leon. -Mas se te serve de consolo, ele acrescentou um pulôver cinza no conjunto. -Meu primo abriu a jaqueta e a peça ficou a vista.

Aquilo pareceu fazer Gray se sentir mais calmo por não poder escolher suas roupas.

Ou pelo menos tirou a forma como ele estava lidando com a dor nos seus braços, por que na mesma hora reparei que diferente das outras vezes que Gray ficava ansioso não estava mexendo os braços, mexendo no cabelo, esfregando os olhos ou mesmo com as mãos nos bolsos.

Na verdade aquelas reações dele haviam me feito esquecer a queimação no meu rosto, agora essa sensação era tão forte que podia sentir meu rosto se contorcer em uma careta.

–Também está sentindo seu rosto queimar? -Não parece estranho que Liz soubesse disso, a parte inesperada foi o “também”.

–Espera, como...

–Acha mesmo que é a única com alguma queimação no rosto ou esqueceu que o Máv̱ri̱ Psychí̱ praticamente partiu minha testa em duas no deserto? -Ela parecia irritada.

–Justo. -Só me perguntava por que todo mundo parecia mais irritado que eu com a dor e até onde sei sou a pessoa que menos gosta de dor no mundo. -Mas sinceramente nesse momento apenas quero saber o que tá acontecendo.

–Vocês vão ser marcados como “Anciões”. -Me virei assustada e meu sangue gelou ao ver minha mãe caminhando lado a lado com Melindra. -O que significa que vocês são, literalmente, quase deuses.

–Eles já são semideuses Erza, a melhor forma de colocar isso é que eles ficaram um passo mais perto de serem deuses, só que ainda são mortais. -Pela cara de Melindra, ela havia, em menos de cinco minutos, recuperado todo o seu bom humor.

–Bem colocado Linda, sem falar que os casais independente de quem se tornar imortal arrasta o outro. Por falar em casais, quando é que aquele viado por quem você é apaixonada vai te agarrar?

–Olha Erza, não fala dele. Sabe que não suporto isso.

–Claro que sei Linda, é por isso que eu falo. -E minha mãe estava sendo exatamente minha mãe de sempre. -Mas, me chame logo quando for casar.

Melindra bufou.

–Bom, o fato é que nos próximos minutos vocês serão marcados pela escolha que tomaram no mausoléu pelos seus próprios poderes, em alguns casos as marcas podem não ter relação direta. Mesmo assim o processo foi iniciado e agora a primeira parte vai terminar.

Assim que Melindra terminou de falar a mesma dor que tinha sentido ao acordar voltou mais forte, assim como para os outros. Só que dessa vez tudo que consegui fazer foi ficar com o corpo rígido como se estivesse levando um choque, no que pareceu uma eternidade, e quando terminou meu corpo tombou no chão como uma pedra.

Fiquei um bom tempo sem conseguir focar no que estava ao meu redor e quando consegui notei que Gray, Liz, Leon, Carlo e Lana também haviam caído.

Ashlley, Halley, Lear e Reynald olhavam a cena já ao lado da minha mãe e Melindra, mas, diferente das duas, eles pareciam um pouco surpresos.

Meu rosto ainda parecia queimar, só que dessa vez de forma muito mais suave, levantei ainda tensa pelo choque e olhei ao meu redor tentando ver o que estava diferente, só que tudo parecia igual.

–Caramba. Isso doeu. -A voz Liz parecia cansada e me virei para encarar ela.

–Meus deuses! O que aconteceu com o seu rosto? -O choque foi tão grande que eu falei antes de pensar.

Minha prima tocou o rosto, mas quando me encarou as coisas não ficaram melhores.

–Com o meu rosto não sei, só que o seu parece que algo bem bizarro aconteceu ai.

Eu não entendi o que ela queria dizer e acho que ela também não entendeu o que eu queria dizer, por que eu podia ver marcas no rosto de Liz semelhantes a tatuagens perto do olho direito.

Então Ashlley e Halley vieram até nos duas e entregaram a cada uma um pequeno espelho fazendo com que eu e Liz finalmente entender o que havia acontecido em parte pelo menos. Liz não reagiu de forma diferente do que eu mesmo ao ver o que havia acontecido e devo dizer que ela teve alguma sorte.

O meus rosto, toda a lateral esquerda dele pelo menos estava marcada como se eu tivesse feito uma tatuagem ali e, no meu caso, a coisa parecia os resquícios de uma tatuagem de caveira, algo bem propicio para uma filha da morte. Um leve ardor percorreu a minha perna na altura da coxa e imaginei que algo similar havia acontecido no lugar que machuquei durante a missão e, pela expressão de Liz, imagino que algo similar possa ser dito sobre a sua perna.

A única coisa que me pergunto é se as tatuagens são proporcionais ao machucado que elas viram para “cobrir” ou “marcar”, depende do ponto de vista no final. Se forem a da perna da Liz vai ser enorme, como a do meu rosto e a da minha perna vai ser menor, como a do rosto dela.

–Cara, isso não vai prestar. -Resmunguei.

Até que ouvi a voz de Gray as minhas costas um tanto quanto surpreso.

–Você acha isso por causa do seu rosto ou por causa disso? -Me virei na direção dele e o encarei surpresa, ele tinha retirado o casaco, o pulôver e a camisa revelando uma enorme tatuagem no tronco da cintura ao ombro seguindo para o braço até o pulso esquerdo. Os traços pareciam com tribais ou labaredas de explosão solar. Dependia do ponto de vista.

No antebraço direito havia uma especie de lua com um lobo no centro e uma lua crescente próximo do ombro para que não restasse dúvida de o que aquilo significava.

Desviei o meu olhar por um segundo na direção de Leon e vi que as coisas não estavam melhores para ele, aonde um emaranhado de traços que hora parecia formar um escudo e depois um coração ou mesmo uma sequência de flechas se estendia em traços brancos dos ombros até a base da sua cintura nas costas.

Achei aquilo irônico e até mesmo sem graça.

De alguma forma parecia que nada poderia ser mais estranho.

Claro que eu estava um pouco errada.

Um grunhido irritado as minhas costas me fez virar e dar de cara com Carlo sem camisa mexendo a perna a perna esquerda, Lana ao seu lado também sem camiseta, só como top, o que foi bem estranho.

–Pelo menos foi uma pantera. -Ouvi Lana resmungando enquanto Carlo mostrava com um espelho uma tatuagem relativamente grande de uma pantera cobrindo do ombro a omoplata e depois uma lua crescente na parte da frente do ombro. -Serio, o Jack não precisava ter quebrado meu ombro, clavícula e omoplata por conta de um ciúme infundado.

–Espera! -Ouvi Liz gritar. -Ele realmente quebrou seus ossos? -E ela não parecia nada feliz.

–Sim, mas tudo bem, Carlo já cuidou de tudo e estou nova em folha. -Lana parecia um tanto desconfortável e que queria mudar de assunto.

–Nada disso! Carlo disse que deveria ter trincado o osso, não quebrado. -Quando Liz encarou nosso primo as coisas não pareciam ter melhorado.

–Eu sei o que disse, mas... olha, a Lana não queria de nenhuma forma tornar isso pior do que já estava. Eu já tinha reagido de forma muito violenta e a Lana só queria que aquilo parecesse algo menor do que era. Além disso agora está tudo em ordem.

Mas, apesar de ter falado tudo aquilo, eu podia ver as marcas das tatuagens dele. Havia um Sol no meio das costas, quase sobre o coração; uma espécie de asa no abdômen, com a ponta inferior apontando para a virilha; uma cruz no braço direito e, posso jurar, que mais alguma outra no joelho esquerdo.

–Carlo, como foi que você entrou em Vegas mesmo? -A pergunta saiu antes mesmo que eu pudesse perceber, só que Carlo apenas deu de ombros.

–Do mesmo jeito que vocês, lutei com os guardas. -A frase foi tão calma que quem reagiu primeiro foi meu namorado.

–Espera! Você tá dizendo que lutou com o mesmo grupo e monstros que quase matou a gente? -Acho que Gray não poderia ter feito melhor pergunta.

–Sim. -Aquela resposta curta e simples me fez reagir:

–Como? Por que você parecia muito bem quando nos encontrou.

Carlo suspirou irritado.

–Lilli, eu, diferente de você, aprendi a vida toda a lidar e usar os meus poderes, então acho que sei lutar e recuperar meus ferimentos de forma satisfatória. Além disso, sei como usar meus poderes para disfarçar ferimentos ou auxiliar nos movimentos. Então, mesmo com a coluna fraturada, é claro que você não notaria.

Fiquei algum tempo em silêncio com cara de besta, assim como Liz, Leon e Gray enquanto meus primos, Melindra, minha mãe e Lana riam.

Quando consegui formular algum pensamento acabei falando na mesma hora:

–Você sabia disso. -Não era uma pergunta e Lana entendeu muito rápido.

–Apesar do que o Carlo disse, os machucados eram bem feios e tinha vários pedaços de pele faltando, sem falar que os ossos da coluna ainda estavam expostos e os poderes não cobriam isso. -Ela parecia tão calma quanto meu primo.

–E quando tentei avisar antes dela tirar a minha camisa, foi inútil. Lana nem ligou para nada mesmo com o aspecto grotesco. -Depois ele olhou para a namorada. -Você não é nem um pouco normal.

–Eu já falei que não sou normal e aquelas feridas não são nada, o importante era ter te encontrado, cabeça de vento. -E com aquele final todos riram.

Até o senhor D. e Quirón, que apesar de não termos notado estavam quase do lado da minha mãe, riam daquilo.

–Não acredito! -Aquela reclamação baixa e dolorida, quando virei dei de cara com Jack usando muletas. -Você me bateu até ficar desse jeito estando machucado pra valer?

Carlo parou de rir.

–Em recuperação, mas, sim, é isso mesmo. -Meu primo apesar de tudo não ria da situação atual, nem Lana.

Jack ainda abriu a boca duas vezes, como se quisesse falar algo, mas, por fim, só conseguiu dizer uma palavra:

–Droga! -Ele virou seguindo na direção da mesa de Hermes, mais que humilhado.

Na verdade eu estava quase com pena do irmão da Liz.

O cara apanhou da Liz, perdeu a garota que gostava para outro, apanhou do Carlo, levou um fora oficial da Lana além do anterior, está sem chalé e ainda descobre que meu primo tinha machucados que seriam fatais a outros quando bateu nele.

Acho que para o Jack a humilhação deveria dar um cartão de sócio-vitalicio.

Eu ainda estava pensando nisso quando lembrei que minha mãe estava ali e isso por si só significa problemas.

Engoli em seco.

–Mãe, afinal, o que a senhora está fazendo aqui? Eu sei que você não viria aqui só pra isso. -Apesar do medo acabei perguntando o que mais estava me incomodando desde o o primeiro momento que cheguei ao pavilhão e vi Erza ali.

Com todos os defeitos e qualidades dela, minha mãe não é o tipo de pessoa que se move até um lugar como o Acampamento Meio-Sangue apenas para dizer que estamos chegando ao nível de deuses ou rir da nossa conversa.

Se Erza estava ali algo iria acontecer.

Foi quando minha mãe sorriu de uma forma divertida e diabolicamente maligna que eu soube que aquilo não terminaria bem para nenhum de nós.

–Pessoal! Fiquem atentos! -Gritei na mesma hora, fazendo todos reagir. Todos menos Lear, Reynald, Ashlley e Halley.

Então minha mãe deu um passo a frente com os braços abertos, como quem estava para começar a apresentar um show de TV.

–Bom, como minha filha acabou de dizer, fiquem atentos. -Ela riu das próprias palavras. -Em situações normais, seria a minha obrigação fazer esse teste. Porém, devido a minha atual condição e ao grande número de vocês, essa tarefa foi passada para a Linda.

O sorriso aberto da minha mãe era tão divertido que nem eu acreditava naquilo.

Isso até Melindra dar dois passos a frente e nos encarar anda sem reação.

–Assim que eu, Kaíros e Melindra estivermos satisfeitos com suas performances na luta geral vamos para a casa. -Aquela foi a última frase da minha mãe.

Agora todos nós encaravamos Melindra tensos.

–Foi mal crianças. Apesar de tudo, eu não voto nessas coisas de quando fazer um teste. Eu só executo essas decisões.

E dizendo isso Melindra deu um impulso na nossa direção, projetando seis feixes de sombra para cada um de nós, nos jogando a pelo menos quinhentos metros de onde estavamos em direção a praia.

Aquilo não seria nada divertido.

E, no minimo, seria muito doloroso.

Continua...

Notas finais
Primeiro um rápido esclarecimento: eu não coloco nenhum comentário como o melhor do cap. Sei que ninguém perguntou sobre isso mas queria esclarecer que apesar de o Nyah! ter essa função não pretendo usa-la. Fico feliz sempre que vejo um comentário da fic e, pessoalmente, acho que é errado desmerecer um comentário em favor de outro. Porém isso sou eu. Mesmo assim preferi deixar isso claro para que ninguém fique com duvida do por que não faço uso do recurso. =X= Agora um assunto mais relaxante: QUEM LEU O SANGUE DO OLIMPO AI?! Admito que só li os caps finais e os da Reyna e do Nico (peguei o livro escondido no quarto do meu irmão, por que foi ele quem comprou). Quero saber o que vocês acharam do final? Me digam nos seus comentários. Leitoras fantasmas podem comentar só para me falar disso, ok?