The Olimpians – Livro 2: Bloodlines Time
38 Claro! Por que Não?! Isso é Normal Mesmo!
Notas iniciais
- Milena Corrêa, sobre como eles ainda estão inteiros, bom, essa é uma das razões para o Carlo ter entrado ne história. Sobre o resto, vamos deixar sem comentários aqui.
- A Granger, o maior e mais dramático comentário da semana (já que ela ficou sem palavras após descobrir como é a aparência do Gray no cap anterior), mas ela ficou mais calma. Vamos ver se isso vai continuar assim.
Mais tarde posto no final algo sobre o Carlo.
Atenção esperem um pouco.
O Carlo e eu agradecemos.
Lilliel
Sabe, as vezes nós dizemos coisas como “Parece que fui atropelada por um trem” ou “parece que uma manada me acertou” ou outras do tipo.
Infelizmente, para um semideus isso normalmente pode não ser o bastante para explicar como alguém pode ficar na situação que eu me encontrava agora.
Claro que isso é um detalhe quando sua cabeça está explodindo e tentando juntar os poucos fragmentos de razão que sobraram.
Para dizer a verdade, lembrar de algo não era exatamente o que eu queria e sim saber por que meu corpo doía tanto e de forma tão medonha ao ponto de me fazer desejar ter meu corpo novamente arremessado contra aquela pedra ou minha perna lacerada por aquele pedaço e metal e a dor da retirada. Ou mesmo ser mandada para a UTI pelos treinamentos insanos da minha mãe ou todos juntos.
Podia sentir que meu corpo estava gelado e o frio tocava a minha pele como se eu estive sem roupa ou deitava na neve com roupa de verão.
Minha mente estava nublada. Eu não sabia o que poderia ter causado toda a dor ou me fazer sentir aquele frio.
Uma pontada de dor percorreu meu corpo e levantei por reflexo abrindo meus olhos ou meu olho, já que por alguma razão não conseguia abrir o olho esquerdo. Minha visão estava embaçada e nada no lugar me era familiar, a não ser pelo cheiro de morte e isso não me animava.
Demorou mais do que seria normal, mas finalmente consegui me localizar, o que não me fez ficar nenhum pouco mais animada.
Não era neve e sim falta de roupa meu frio.
O lado bom era que o cheiro de morte familiar também era muito mais suave do que o normal, isso por que estava em um hospital.
Eu não conseguia ver o quarto direito e meu olho esquerdo continuava fechado, então levei a mão ao rosto. Claro que achei estranho notar que havia uma bandagem grande e muito algodão no lugar, principalmente na região do meu olho.
Fiz uma leve pressão no lugar, com o mínimo de força que tinha nos meus dedos e a dor foi tão intensa, tão sufocante e bizarra que todo o ar nos meus pulmões sumiu.
Nem forças para gritar eu tinha.
Demorei uns bons cinco minutos tentando normalizar minha respiração e tentando em vão lembrar do que tinha acontecido, mas nada me vinha a mente.
Nada.
Então uma voz ecoou ao meu lado e me virei assustada.
–Hey Bela Adormecida. Se troque. Precisamos sair daqui de uma vez.
Era Gray.
Eu fiquei na dúvida se chorava ou ria da minha situação com aquele pano de hospital sentada feito uma idiota na frente dele.
Por isso eu levei alguns segundos para notar que tinha algo ligeiramente errado. Ele, além de estar totalmente vestido tinha o braço esquerdo enfaixado e, até onde pude diferenciar, queimado.
Eu abria a boca para falar, mas a pontada de dor no meu rosto foi quase tão forte quanto antes e isso me fez desistir de tentar articular qualquer palavra.
Foi quando me caiu a ficha que ele tinha me chamado de “bela adormecida” e algo me dizia que aquele apelido era pior do que os outros relacionados ao meu pai. Desde... desde o que?
Eu sabia que era algo importante e que eu precisava lembrar, mas minha cabeça estava doendo e minha mente estava muito nublada para que algo fizesse sentido.
Havia algo me dizendo que eu e ele deveriamos conversar normalmente, até mais do que em qualquer momento antes e que na verdade conversar não era tudo. Mas por que agora?
A dor na minha cabeça ficou mais forte.
Minha mente estava nublada demais.
Encarei Gray e tentei falar, perguntar o que havia acontecido, mas a menção disso causou outra onda de dor tão grande no estranho machucado no meu rosto que o ar sumiu dos meus pulmões novamente.
Gray segurou meu braço de leve e me fez olhar nos seus olhos, o a cor âmbar agora reluzia em um amarelo quase ouro.
–Vai com calma ai. Não acabe com meus esforços e do nosso amigo de não deixar os mortais mexer nesse lixo que ficou o machucado. Não sabe quão difícil foi fazer eles manterem as mãos loucas por cirurgias longe de nós três. Sorte que o cara lá fora é bem influente.
Cara lá fora?
Quem era?
Ao mesmo tempo que eu queria perguntar também queria, na verdade, desmaiar com os poucos minutos de dor que já tinha conseguido.
Algo estava muito errado ali, mas a dor que sentia era tanta que nem para me concentrar e tentar usar algum poder eu tinha agora.
Resolvi usar todas as minhas forças para me vestir, por que, sinceramente, algo me diz que não só a minha vergonha, mas o bom senso do Gray estão no limite. Ele pareceu notar que eu iria me trocar, por que foi para o banheiro, embora não possa garantir que o espelho de lá não foi usado para espiar.
Felizmente a minha perna ainda perecia sensível, mas nada comparado com meu rosto e o fato de conseguir mexer a perna melhor que na última lembrança que tinha era uma boa noticia.
Demorou mais de quinze minutos para colocar as roupas, já que Gray no final saiu do banheiro para colocar e amarrar o tênis com uma mão só nos meus pés com a desculpa que era melhor não aumentar a pressão de sangue na cabeça.
Aquilo era estranho, mas não fiz questão de discutir.
Depois ele me fez seguir até uma cama atrás da cortina do outro lado do quarto.
Quando Gray puxou o pano um choque atingiu meu corpo, por que antes mesmo de ver o que tinha lá eu soube de cada detalhe da cena e quando realmente olhei nada parecia melhor, na verdade, talvez, até pior.
Lá estava Lizandra com a perna tão destruída quanto a minha última lembrança, havia quatro pontos mais visíveis de sangue na forma de círculos de um centímetro de diâmetro, a testa enfaixada com pequenos resquícios de sangue em linha e alguns arranhões pelos braços assim como eu.
Tentei segurar a mão dela, mas minha cabeça estava doendo muito e quase desmaiei quando consegui ver a data na tela do monitor ao lado da cama. Dezoito de dezembro. Seis horas e trinta e sete minutos da manhã.
Nada precisou explodir na minha cara para me fazer ficar sem reação, por que quando quase desmaiei eu não acertei o chão por que Gray usou o próprio corpo para me segurar e passou o braço ao redor da minha cintura de uma forma possessiva.
Aquilo foi totalmente inesperado e estranho, por várias razões.
Eu deveria ter gritado na mesma hora, só que fiquei muito surpresa com minha reação física ao toque dele.
Assim que encostei no corpo dele todos os meus músculos relaxaram e meu corpo esquentou. Quando ele abraçou minha cintura minha boca ficou seca, o ponto em que a mão dele tocava a minha pele formigava de uma forma agradável e excitante.
Eu já estava achado que tinha perdido todo o meu juízo quando a respiração de Gray acertou minha nuca e o resto do meu corpo reagiu de uma forma que só lembrava de ter acontecido uma vez. Só que mesmo na ocasião, eu e meu ex tinhamos muito menos roupas e o clima era muito diferente.
A diferença é que mesmo com o susto eu não consegui reagir ou gritar com Gray que, para minha confusão, parecia muito a vontade com a situação ao ponto de se inclinar e começar a beijar a curva do meu pescoço enquanto sussurrava.
–Eu sei que não temos clima para isso, mas preciso perguntar, quer continuar de onde paramos?
Foi nessa hora que eu reagi e não foi de uma forma exatamente agradável. Empurrei Gray com a pouca força que tinha e usando uma outra força que nem mais existia consegui falar.
–Quem... pensa... que... é... para... me... tratar... assim?... Não... te... dei... esse... direito...
Cada palavra era uma pontada de dor que me fazia querer morrer, mas a surpresa no rosto de Gray parecia quase maior que minha dor.
–Na verdade foi você que me deu esse direito ontem. -A minha cara quando ele falou isso deve ter deixado claro que algo não estava certo. -Li, qual a sua última lembrança?
Pisquei duas vezes antes de responder quase morrendo.
–Liácon... estrada... você... árvore... carona... porque...?
Então Gray rosnou irritado e praguejou em grego antes de me encarar.
–Lilli, isso aconteceu a dois dias. Hoje já é dia dezoito e ontem nós dois meio que nos acertamos. Caramba, você até deixou um ou dois comentários dignos da Liz escapar. Só que foram mais interessante. -No final ele me lançou um sorriso meio malicioso e pervertido.
De alguma forma eu me senti bem com aquela expressão, assim como a reação do meu corpo quando ele me beijou, mas também foi assustador saber que ele podia me fazer sentir isso mesmo sem me tocar.
–Eu... não... me... lembro... de... nada... disso...
E era verdade.
Minha última lembrança ainda era a de Gray comemorando a carona no meio do deserto e, para piorar, toda a vez que tentava lembrar de mais coisas minha cabeça parecia que iria explodir.
Só quando eu pensei em falar algo Gray tomou a frente.
–Bom, resolvemos isso depois de qualquer forma, afinal, agora estou preocupado se só você perdeu as memórias das últimas vinte e quatro horas ou mais. -Ele suspirou e então foi até Liz ficando de costas, me impedindo de ver seu rosto. -Muito embora eu queira mesmo é saber das suas memórias, as da Liz é só dar umas pancadas na cabeça dela.
Só que mesmo de costas eu sabia que Gray estava irritado com a minha falta de memória muito mais do que a dor em seu braço ou a preocupação pelos machucados de Liz ou mesmo a situação da nossa missão e essa certeza mesmo me fazendo sentir estranha também me trazia uma sensação boa, até agradável.
O que me deixou confusa, já que normalmente eu fico muito nervosa perto dele e começo a agir como uma perfeita idiota brigando, provocando e jogando a culpa do meu medo sobre ele.
…
Medo?
Desde quando eu dizia ou cogitava que tinha medo de Gray? Ou mesmo do que ele me fazia sentir? Aliás, desde quando ele me fazia reagir de forma tão extrema sua presença?
Gray virou e veio na minha direção, o que me fez recuar um passo antes dele me segurar pelo braço.
–Vamos, melhor você ficar sentada esperando eu acordar a Liz ou vai desmaiar antes de darmos no pé daqui.
Ele passou o braço bom em torno da minha cintura, o que fez meu corpo inteiro ficar mais quente, quase como se estivesse com febre ou pelo menos com mais febre do que já estava.
Gray me fez sentar na cama e começou a analisar meu rosto passando o polegar suavemente abaixo do curativo da área machucada.
Eu estava realmente em problemas, meu coração estava mais acelerado que durante as lutas com monstros desde Clarion, Denver, ou nas vezes que cruzamos com Kampe ou Liácon no deserto e os guardas na lanchonete.
…
Guardas? Lanchonete?
Quando?
Aliás, como eu sabia de algo que não lembrava?
Estava tão confusa que não notei Gray reagir até ele ter me beijado e eu retribuído. Num minuto eu estava sentada e no outro já puxava o rosto dele na minha direção com as costas no colchão enquanto ele deslizava a mão por dentro da minha camiseta.
Aquilo era familiar e, de uma forma perigosa, muito bom.
Acho que mesmo com toda a minha dor aquilo teria ido até o final se não fossemos alertados.
–Por favor... vocês dois... arrumem... a droga... de um... quarto... meus deuses... -Foi a piada doentia de Lizandra que nos fez voltar ao bom senso e Gray correr até a cama dela. -Minhas... roupas... pegue-as... e depois... explique... o que... aconteceu... quando... o guarda... acertou... minha... cabeça... só lembro... do movi... movimento... mas sei... que ele... me acer... acertou... por que... eu não... não ti... tinha co... como des... desviar... dói... tudo q... que eu... pen... que e... penso...
Gray correu ao encontro dela e a fez ficar com a cabeça no travesseiros com palavras, o que parecia um milagre.
–Certo, eu sei disso. Agora que ambas acordaram vamos conversar um pouco sobre as últimas vinte e quatro horas, já que a Lilli... -As coisas estavam tão boas e tranquilas que meu surto de memória poderia ter esperado trinta segundos.
Foi de repente, mas eu gritei de dor.
Gritei mesmo.
Meu controle a dor estava tão largo e fácil que quando a pontada veio o grito saiu junto, simples assim, cortado a explicação de Gray na hora.
–AAAHHH!!!
Dois segundos depois todas as memórias arrebentaram minha mente com uma força que me fazia sentir as lágrimas rolarem dos meus olhos.
Eu lembrei de tudo.
Gray me ajudando a ir tomar banho na nossa noite em Mesquite, nos dois nos agarrando segundos depois de eu provoca-lo e sendo interrompidos por Lizandra, ele sendo grosso e verdadeiro quanto a minha estupidez, seu pedido de desculpas no dia seguinte, nossa chegada na lanchonete em Vegas e nosso encontro com Oliver.
O beijo de Gray e nós nos entendendo como ele havia me falado, a ameaça dele com Oliver, os guardas aparecendo, a luta, o braço queimado do meu namorado, mais luta e o golpe surpresa na minha cara.
Quando a dor cessou eu quase desmaiei novamente e, mais uma vez, Gray me segurou, o que me fez perceber que não fui a única com um surto de memórias.
–É a se... segunda... vez... que eu... quas... quase pego voc... vocês tre... trepando... mas q... que dro... droga... -Mesmo arrebentada Liz podia parecer furiosa e isso pode ser assustador.
–Nem liga Liz, você tem um despertador perfeito embutido ai, então nada rolou ainda. Garanto que não foi por falta de querer. -Gray disse tranquilamente.
Eu quis matar ele de verdade.
Primeiro que aquelas memórias apesar de fazerem minha atual situação ter algum sentido ainda eram de longe confusas demais e segundo que... deuses! Ele é meu namorado e eu concordo com metade do que ele falou desde que eu acordei sobre nós dois no mínimo, só que isso é assustador nesse momento.
Quase como se outra pessoa tivesse usado meu corpo nas últimas vinte e quatro horas, o que pode ser até mais estranho do que todo o resto, já que eu sei que tomei todas aquelas atitudes por minha própria conta.
Mesmo assim era assustador.
–Ué, não falei para me chamar quando elas acordassem Romeu?
Ouvir aquelas palavras e aquela voz me fez amaldiçoar o momento em que a mão daquele monstro não esmagou minha cabeça.
Me virei lentamente e para meu inteiro desagrado pude confirmar que não era o pior delírio do mundo, mas sim Carlo que estava bem ali parado na porta e, se bem conheço o maldito, era ele o responsável por nos manter de verdade longe da mesa de cirurgia inútil para nossos machucados e dos médicos.
Eu podia ouvir ele pensando e repensando qual dos comentários ácidos dignos do Kaíros iria usar para me importunar ou como podia me deixar furiosa e envergonhada ou ainda me fazer desejar morrer novamente ou ainda tudo isso junto.
Qualquer que fosse Carlo certamente iria conseguir o resultado que queria, ele sempre conseguia assim como todos os meus outros primos.
–Bom, pelo que posso ver, pelo menos dessa vez, você acertou no namorado Lilliel e, se quer saber, acho até que está demorando muito para arrastar esse cara pra cama. -E Carlo simplesmente falou tudo isso como se estivesse comentando do clima.
Da sua cama Lizandra deu uma risada curta de concordância enquanto sentia meu rosto queimar furiosamente entre a raiva e a vergonha, mas não tanto quanto depois do comentário do próprio Gray:
–Olha, garanto que falta de vontade da minha parte ou umas duas oportunidades não faltaram.
O pior é que mesmo com as gargalhadas de Carlo ou a risada contida de Lizandra, Gray estava muito sério enquanto ajudava minha prima a se vestir e me encarava de uma forma nada discreta.
Nessa situação eu não sei se para minha felicidade ou tristeza, Carlo parecia muito confortável em falar.
–Bom, se preparem por que assim que terminarem de se vestir vamos dar no pé e eu vou leva-los ao Lotús. Muito embora eu já saiba que vão se surpreender com alguns segredos do lugar.
–Como... o... fato que... o tempo... corre... super-rápido... lá dentro... e vamos... perder... o tempo... de missão? -Não sabia se ficava mais surpresa como fato que Liz mesmo com a fala entrecortada falou aquilo mais rápido que eu ou com a sinceridade dela.
Porém Carlo riu daquilo.
–Só vai perder se enrolar. O lugar reage diferente a nós e a quem está marcado por nossa família, como o Gray. Claro que se só ele entrar sozinho no lugar não vai ser igual com a gente do lado, mas chega perto.
Nós três nos entre olhamos perguntando até onde aquilo era bom, mas a minha sorte em particular para qualquer assunto estava realmente no negativo, porque, bom, Carlo não estava afim de me dar paz e ele tem o dom pessoal de me irritar mais que meus outros primos.
–Então Gray, me diga com sinceridade, qual desses pontos é mais chamativo na Lilliel, peito, cintura ou bunda? Embora eu não ache que ela tem muito de nenhum deles.
Eu fiquei tão envergonhada e com tanta raiva que até me preparei para matar meu primo nessa hora, só que como falei, minha sorte nem existe mais para isso ser tudo, então Gray respondeu:
–Não posso opinar por hora, mas quando puder eu respondo, tudo bem?
–Vou esperar essa resposta colega. -Por um segundo pude sentir uma pontada de crueldade na voz de Carlo e aquilo de deu mais raiva ainda.
O problema que eu não sabia mais quem queria matar.
==========X==========
Canhalha. Idiota. Sem vergonha. Pervertido. Tarado. Estupido. Retardado. Cafasjeste. Filho da Puta. Viado. Burro. Animal.
A minha raiva é tamanha que eu sinceramente estou na dúvida se quero matar mais o Gray ou o Carlo, por que nem a Liz está mais fazendo piada com a situação atual e isso quer dizer que não tem como eu ser mais azarada no atual sentido da palavra.
Isso por que eu desconfio que Gray teve tanto tempo para aturar o Carlo que sabe perfeitamente como agir com a perguntas e piadas pervertidas do meus primo, só que cada pergunta termina com uma resposta que me envergonha e um olhar cheio de intenções do... meu namorado.
Aliás, eu estou voltando a me acostumar com isso, mas ainda estou me sentindo estranha ao lidar com a minha pequena perda de memória e tenho a impressão que se não fosse o que aconteceu antes do ataque eu nunca teria lembrado daquilo, acho que lembrei por que realmente queria lembrar e não por que era para isso acontecer.
O que me faz sentir de verdade que tudo o que mudou dentro da minha alma e na minha relação com o Gray é só o começo, ainda que eu esteja com mais medo dele agora que sei como ele me afeta e minhas memórias um pouco confusas do que aconteceu antes.
Nesse exato momento eu estava pensando seriamente em agradecer aos deuses que pelo menos Lizandra ainda estava de boca fechada, mas como a mesma costuma dizer “Sorte de meio-sangue dura pouco”.
Então a minha paz e satisfação com o silêncio dela não durou nada.
–Mas sabe Carl, você tinha que ver ao vivo e em cores o agarramento desses dois, me fez rezar aos deuses para transporta-los a um quarto com urgência. -A essa altura apesar da voz baixa Liz já conseguia falar normalmente e tinha até dado um apelido ao nosso primo.
Aparentemente apesar da dor e dos relatos de Gray sobre a ferida em sua testa aquilo não estava de fato tão ruim quanto a minha cara, claro que isso deixava a perna dela e a minha em lados opostos. Por que enquanto eu tinha um corte já bem menor e sem infecção alguma assim como sua testa, a perna dela e a minha cara estavam em um estava de lastima constante com dores lancinantes que nos caso da Liz a impedia de andar sem ajuda, já no meu de falar no momento.
–Posso imaginar isso. -Carlo parecia se divertir e ainda saber o que eu pensava de muitas formas. -Sabe, a Lilliel sempre foi a pessoa mais passional da família depois da tia Erza, mesmo com ambas tentando se segurar ao máximo, por isso são do tipo que se joga de corpo e alma em uma relação. Depois delas vem o Lear e a Aslley.
Eu não precisei olhar para a cara de Carlo agora ou em qualquer ocasião que os nomes deles surgissem para saber que meu primo fazia uma cara nada legal, assim como eu.
–Quem são Ashlley e Lear? -Liz pareceu se interessar, o que me deixou ao mesmo tempo preocupada e aliviada.
–São os primos gays deles. -Gray respondeu antes que eu tivesse a chance de tentar, o que me fez ter certeza que ele e Carlo conversaram muito mais do que poderia ser seguro.
–Certo, mas por que a cara de velório? Tem algo errado com eles? -Liz parecia realmente incomodada com a nossa reação.
–Na verdade só o mesmo que com todos os outros membros da “Linhagem” e isso não mudaria independente da sexualidade deles, isso por que mesmo pessoas como eu e a Lilli que não temos que lidar com o que as pessoas pensam sobre nossos relacionamentos sejam as que amamos ou as que olham de fora já é uma missão quase impossível, para eles... sinceramente não posso imaginar como é lidar com isso. -Carlo disse aquelas palavras que descreviam meus sentimentos de forma tão natural que me assustou. -De qualquer forma não muda o fato que os dois podem ser perigosos as vezes com essas tentativas de relacionamentos ou mesmo noites frustradas tentando achar algum tipo de consolo.
–Então no geral você se refere ao fato de que o amor pode ser particularmente confuso e por vezes complicado de se lidar? -Agora pelo menos, Liz parecia mais relaxada.
–Exatamente isso que quero dizer, isso sem falar que os dois são particularmente muito bonitos, diria que os mais chamativos dos nossos primos nesse sentido, o que por vezes gera situações um tanto quanto complicadas para dizer o mínimo.
Ao ouvir Carlo falar isso suspirei agoniada e ele riu entendendo perfeitamente o que eu pensava sobre aquilo.
–Bom, é exatamente isso na verdade. -Ele concordou com meu grunhido antes de continuar. -Aconteceram casos específicos como quando o melhor amigo do Lear se apaixonou pela Ash e a melhor amiga dela se apaixonou por ele, agora imagina o rolo quando ambos descobriram que seus melhores amigos e as pessoas por quem eram apaixonadas jogavam em times diferente do “normal”. Nem adiantou os dois falarem que a amizade não tinha nenhum cunho sexual, os dois... bom, não foi um dia legal.
–Cacetada. -Ouvi Gray suspirar ao meu lado.
–Aconteceu outra vez que o professor do cursinho preparatório ficou tão apaixonado pela Ash que a convidava para sair todos os dias e chegou a ir na casa dela, foi quando ele viu o Lear e ela na piscina abraçados. Nosso primo tinha voltado de uma viagem e foi dizer “oi” pra irmã gêmea, mas o professorzinho pirou na hora e tentou matar o Lear, só que além de apanhar o idiota teve que ouvir um monte. A começar pelo fato deles dois serem irmãos gêmeos, de ambos serem homossexuais e que a Ash desprezava o cara desde o primeiro dia que tinha olhado na cara dele.
Gray e Liz deram uma risada bem só tipo “de alguma forma isso não me surpreende mais do que não estar surpresa de ouvir isso”.
Dei um longo suspiro e respirei fundo usando todas as minhas forças para falar.
–Isso sem... falar... que eles... são... irmãos... mais... velhos... de um... casal... de... crianças... extr... muito... curiosas... como... Akito... e Briana... eles tem... oito... e dez... anos... tio... e tia... sofrem... muito... com as... perguntas... deles...
Carlo deu uma sonora gargalhada.
–Como quando Bri perguntou a mãe na véspera de Natal “por que a maninha tem namorada e não namorado?” ou aqui alguns dias depois “por que Lear beija meninos e a Ash meninas? Apostaram para trocar?” e ninguém na casa sabia como explicar isso para crianças de cinco e sete anos ou mesmo como eles viram algo assim. Ficaram todos querendo bater nos gêmeos por isso, até que descobrimos que as crianças tinha aberto as páginas do tempo e bisbilhotado a vida dos irmãos preocupados com ambos.
Dei um pigarro no lugar da risada e suspirei.
–Precisamos... pedir... desculpas... a eles... por... semanas... antes de... voltarem... a nos... cumprimentar... direito...
Todos riram daquilo e fiquei aliviada de muitas formas pelo resultado da conversa tirar o foco no meu namoro com Gray, mas nem por isso o tópico seguinte foi melhor.
Na verdade por um segundo me fez querer que minha nova relação fosse o alvo das fofocas de Carlo novamente e isso por que ele resolveu redirecionar suas piadas a pessoa ao seu lado, o que me fez ter medo que a nova Lizandra resolvesse partir a cara idiota do meu primo enquanto a criatura imbecil dirigia.
Admito que deveria ter acreditado mais na Liz, mas eu teria feito isso com Carlo quando ele apareceu no hospital já que ele me provoca a anos, por isso pensei que Liz que esta com essa personalidade quase tão diferente do normal quando água e óleo fosso surtar também.
–Bom isso é um caso, mas mudando de assunto. -Foi quando Carlo virou para Liz que eu gelei. -“Zelothya”, certo?
Quando Liz encarou ele eu estava tão tensa que minha respiração devia estar fazendo meu pulmão estalar.
–Sim, e você é “Eucarista”.
Carlo riu, eu ainda tensa encarando os dois com Gray ao meu lado automaticamente segurei a mão dele de medo do resultado daquela conversa.
–Bom, eu ouvi falar de vocês, como se afastaram da nossa família com aquela história ridícula de “prova de amor” e idiotice ladeira abaixo. A gente tem tentado monitorar vocês, mas perdemos o seu rastro antes mesmo de você nascer, o que faz com que eu seja um felizardo de encontrar um dos últimos e raros exemplares da nossa outra família assim no meio do deserto.
–De certo modo o jeito que Carlo falava me dava ainda mais medo.
–Acho que sei o que quer dizer. -Liz respondeu um tanto quanto distraída demais na minha opinião.
–Espero apenas que o próximo “Zelothya” seja um pouco mais corajoso em termos amorosos por que tá escrito na sua cara que isso você não é. -E era esse tipo de piada por parte do meu primo que eu temia.
Ironia, provocação e sarcasmo.
Pelos deuses, que Liz não tentasse matar ele ainda, já estavamos ferrados demais para um acidente de carro agora.
Felizmente meu pessimismo foi sim exagerado e minha prima um gênio.
–Bom, isso até pode ser verdade, mas, admito que é lamentável ver que o segundo “Eucaristia” que cruzou meu caminho é um completo retardado que não está nem perto nem de achar a pessoa a quem está destinado para poder falar da minha vida.
Mesmo com a dor que sentia precisei rir daquilo e Gray ao meu lado se acabou de rir.
–Mas mudando de assunto Carlo, Lilliel me disse que vocês eram em doze primos e não dezessete? Pode me explicar?
De fato, eu havia falado aquilo, mas havia uma explicação plausível.
–Bom, a Lilli não é a nossa prima mais chegada e com as confusões da nossa família além do fato de ela viver isolada para que pudesemos de uma forma torta protege-la da nossa história não me surpreenda que se esqueça de alguns de nós em uma listagem rápida.
Na verdade era exatamente isso.
Meus avos me tratavam muito bem, mas nas reuniões secretas de família eu era convidada a me retirar e ir na cidade ajudar os empregados nas compras do casarão ou a ir para a minha casa mesmo que minha mãe ainda estivesse lá.
Então eu sempre esquecia de um primo ou prima que não falava comigo com frequência ou que eu só encontrava uma vez a cada dois ou três anos, por que Carlo era um dos poucos que estava sempre lá, provavelmente por se um dos mais velhos e querer acobertar as faltas de pessoas como Ashlley e Lear ou da irmã caçula que era... bom, Bianca é Bianca e isso não é discutível.
Eu estava nesse estado semidepressivo quando os anéis em meus dedos pareceram queimar.
–Ai! -Gritei e para minha surpresa não fui a única a reclamar por que Liz também deu um grito de dor.
–Isso queima! -A diferença é que ela conseguia falar.
Carlo suspirou e parou o carro em uma rua qualquer de Vegas.
–Certo, certo. Fiquem calmas, o Gray pode ajudar e eu vou dar um pequeno drible em uma regra ai, então se acalmem por uns dois minutos.
–Não... é você... que... tem... fogo... nas... mãos... -Cuspi entredentes.
–Concordo com ela. -Liz grunhiu encarando nosso primo.
–Calma garotas, isso não é simples pelo que ele me contou, então deem um desconto. -Gray começou a tentar acalmar nós duas quando se deu conta que eu ainda segurava a mão dele, agora a olhos vistos dos meus primos que tinham sorrisos debochados.
O mais rápido que pude soltei a mão dele e Carlo ficou mais sério.
–As duas teimosas aproximem os polegares de ambas as mãos e depois estendam na direção do Gray, já você rapaz, espera o meu sinal para puxar os dois anéis. -Gray assentiu sem questionar enquanto eu e Liz fizemos o que nosso primo mandou sob um olhar de dar medo.
Assim que ficamos exatamente como ele mandou Carlo estendeu a mão sobre os dedos de Liz que pareceram se distorcer na minha visão antes de ele gritar para Gray:
–Puxa!
Assim que Gray puxou os anéis senti uma dor horrível acertar meu rosto, quase como se estivesse levando o golpe novamente e depois a mesma sensação de quando minha perna se curou no deserto. O problema é que no rosto aquilo é pior que na perna, a dor é mil vezes maior.
Eu não conseguia enxergar quando ouvi Carlo gritar novamente:
–Na Lilliel primeiro!
Em seguida a mão de Gray tocou a minha, mesmo sem ver nada eu podia sentir pela forma como o calor do corpo dele passava pelo meu que era meu namorado, e ele colocou os anéis nos meus dedos para em seguida sumir.
Quando voltei a enxergar pude ver de relance Gray colocar os anéis de prata nos dedos de Liz que parecia ter ficado sob o mesmo efeito que eu.
Minha respiração ainda pesava e meu rosto doía muito quando acabei falando e me surpreendi com o fato que as palavras doeram menos do que o esperado.
–Mas o que... diabos foi isso?... Pareceu que eu... aliás o que é que isso... como eu estou falando assim... quase normalmente?... Meu rosto não está... doendo quase nada comparado... a antes do que quer que... tenha acontecido.
–Sim, sim, pelos meus cálculos em breve depois que o susto passar você deve passar a falar normalmente, mas por hora vamos resumir que seus machucador retrocederam mais do que antes e isso melhorou sua condição. Simples?
Eu ia responder quando Liz se intrometeu.
–Não é simples nada, mas por hora basta.
Aquilo irritou Carlo e, bom, meu primo não é um cara muito calmo ou sutil nesses casos.
–Certos suas chatas. Seus poderes estavam vazando além dos limites que os anéis suportam e por isso o namorado da Lilliel tirou ambos, com um truque para burlar as regras da peça da Liz, com isso eles fizeram seus machucados retrocederem ou adiantar o processo de cura! Ambas as especificações estão certas e de quebra o Gray ganhou uma melhoria naquela merda que o braço dele ficou depois que salvou a pele de vocês naquele deserto! -Sim, ele gritou, e muito, antes de finalmente se acalmar um pouco.
Mas nós finalmente entendemos algo: aparentemente nossas surpresas familiares não estavam nem no “E” de “Era uma vez...”, o que significa que estamos muito ferrados por um longo tempo.
Nesse exato instante, eu talvez mais do que os outros dependendo do ponto de vista.
Continua...
Notas finais
Nome: Carlo Ian Eucaristia
Idade: 25
Olhos Prata
Cabelos negros ondulados
Altura: 195 cm
Peso 103 Kg
Sobre o Carlo, ele é um dos primos mais velhos da Lilliel.
Se vocês perguntarem para ela o que pensar sobre ele, bom, acho que faltaram insultos.
Lilliel simplesmente odeia o jeito do Carlo e ele adora provocar ela, mas no fundo ele se preocupa com a prima mais do que ela imagina ser possível.
Aliás, no final da fic o próprio Carlo vai ter uma surpresa.
Carlo e formado médico e exerce a profissão, mas como a família tem uma rede ampla de negócios ele acaba atendendo menos do que gostaria no hospital, mesmo assim é um dos melhores cirurgiões gerais do lugar.
Aparência:
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(Eu sei que o Ryan tem cabelo castanho, mas imaginem o cabelo preto e a pele igual a da Lilliel que como o Carlo se parece.)
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