Notas iniciais
Agredecimentos da semana para:
Alexia Oliveira (vrada de sábado pra domingo vale?);
Milena Corrêa (pessoa mais surpresa com a inteligencia do monstro);
Gih Castro (a única que lembrou de perguntar quem nrraria o cap).
=X=
Fora isso meninas, obrigada pela força.
Não sei bem quem rezou ou não ou pelo menos desejou que minha inspiração voltasse durante a semana (exeto pelos comentários),
mas acho que deu certo.
Terminei um cap que estava pela metade e escrevi outros três.
Mas continue rezando e pedindo que minha inspiração continue a mil (até por que meu pescoço já era esse fim de semana, o que vai me fazer ter problemas para digitar).
LEIAM AS NOTAS FINAIS.

Gray

Nossa noite mal tinha começado de verdade e já estávamos ferrados.

Assim que Lizandra fez aquela carreata de ordens eu realmente achei que algo estava errado, mas nem tanto assim.


Tá. Para um cara meio realista como eu era obvio que nossa missão estava dando muito certo, então algo teria que dar errado.



Mas um gigante de granito como o que atacou eu e a Lilli no mercado foi demais da conta.



Certo, estávamos em dois e até que demos sorte o monstro estranho, que por muita sorte mesmo, acabou se atrapalhando na própria destruição de carros no estacionamento do mercado.



Com isso minhas flechas de gosma e impacto conseguiram um resultado muito bom, só não foi melhor por que o monstro caiu sobre o fusca da Lilli, nessa hora agradeci Liz por ter feito a gente tirar as mochilas do carro.



Mas mesmo a explosão não matando a coisa a Lilli ficou tão brava que saiu esquartejando bicho, mas o incrível foi ele não ter se desintegrado até ela cortar a cabeça.



Tudo bem, o incrível de verdade foi ela ter me deixado vivo depois daquilo e só ter me arrastado até a rodoviária aonde demos de cara com um Lizandra semi-possuída soltando raios das manoplas.



Eu sei que ela estava semi-possuída por que só vi ela possuída de verdade por aquela sede de sangue uma vez.



Não foi legal.


Mesmo nos nossos treinos ela fica muito longe do ponto em que ela estava naquela hora.


–Em que está pensado menino-Sol?


Encarei Lilliel na poltrona do outro lado do corredor enquanto Liz dormia profundamente virada para a janela.


–Nada exatamente. De certa forma uma delas é por que não me matou pelo carro.


Lilliel riu.

–Pensei nisso, mas como já sabia que perderíamos o carro e o monstro foi o maior culpado não adiantaria muito. Admita.


Era verdade.


Obrigada monstro.

–E o que mais estava pensando? -Lilliel

–Em como a Liz estava quando a encontramos. Nunca vi ela daquele jeito. Já vi ela pior uma vez e na fase inicial daquilo, mas daquele jeito... era como se ela ainda estivesse lá, controlando aquele poder inconscientemente e conscientemente querendo atacar cada vez mais.


Lilliel suspirou:


–Eu entendo, mas não acho que posso achar estranho. Esses dois últimos dias acabaram comigo e, de verdade, me pergunto o que podem ter feito com Liz.


–Como assim?


–Talvez o fato de ela não estar presa no acampamento esteja aos poucos libertando algo nela. Mais poder, mais vida, mais de tudo e isso inclui o domínio desse poder. Mas pode ser por causa do que aconteceu nas duas últimas noites ou o que ainda pode acontecer...


Lilliel suspirou novamente e eu realmente me perguntei se queria continuar com aquilo.



Tínhamos perdido o carro e agora só nos restava esperar que tudo começasse a desandar.



Primeiro o carro.


Segundo o ataque com que Lilli sonhou.

Nem poderia pensar no que viria depois.

Me virei para olhar para Lilliel, mas para minha surpresa ela já dormia profundamente e eu torci para que fosse uma noite de sonhos bons, não pesadelos e reuniões com deuses esquartejados e senhores do tempo.


Naquele momento me ocorreu algo.


Kaíros.

Talvez ele pudesse me dar respostas.

Ou uma dica além dos colares e dos anéis que estavam no meu bolso.

Respirei fundo me preparando para o pior, afinal ele era perigoso.

–Kaíros. -Pronunciei baixo e com convicção.

No minuto seguinte entrei em uma torrente de lembranças muito mais nítidas que da primeira vez quando vi Lilli e seu ex-namorado.


Então eu podia ver uma mulher jovem no máximo vinte anos se muito deitada ao lado da queda d'água de uma cachoeira.



Ela tinha a pele levemente morena com um forte bronzeado assim como Lizandra. Seus longos cabelos eram de um castanho claro que refletia em tons de bronze polido.



Quando notei o sangue em sua camiseta achei que estava vendo um cadáver.


Pelo menos até a mulher levantar abrindo os olhos brancos que ficaram laranjas quando ela respirou fundo e negros quando começou a tossir sangue.


Então toda a cena se tornou familiar demais.


Aquela era Kira, a mãe da Liz.

Senti meu corpo ficar rígido mesmo na lembrança ao notar aquilo.

Kira permaneceu tossindo sangue por vários minutos.

Ela já estava doente naquela época, podia notar isso ao olhar para ela. Mas era até pior do que ver a mulher mais velha e poderosa mesmo a beira da morte de meus quinze anos.


Na lembrança ela era só um pouco mais velha que eu e já estava morrendo.


Assim que a tosse passou e ela parou de expelir sangue se levantou indo na direção de um desvio na queda d'água que criava uma espécie de cascata e deixou a água escorreu do topo da sua cabeça até os pés.


A uns dez metros de distancia dela eu podia vislumbrar um homem escondido olhado para ela.



Quis gritar ao notar Hermes parado apenas olhando para Kira, ele nem se movia, apenas ficava ali admirando.



Assim que Kira saiu debaixo da cascata o ar ao seu redor tremeluziu e Kaíros apareceu, a mãe de Liz sorriu e o deus do tempo afagou sua cabeça como um pai.



–Bom dia Kaíros. Já achava que não viria mais.


Naquele momento me assustei.

As lembranças sobre Lilliel não tinham exatamente conversas, apenas sons que ecoavam ao meu redor sem necessariamente parecer ter um dono.


Mas agora eu poderia dizer exatamente quem e quando falou.


–E por que não viria criança?

–Sei lá. Eu devo morrer logo, que diferença faria afinal.

Meu peito apertou ao ouvir aquilo.

Não parecia a senhora Kira que eu tinha conhecido.

Não, o demônio Kira Alexis que era capaz de derrotar um deus não era parecida com aquela garota deprimida, até mórbida.


Vi que Kaíros pareceu fazer uma cara de tristeza e dor.


–Me desculpe Kira. É culpa do meu poder essa doença ter se tornado hereditária e alterada desse modo. Normalmente as pessoas não sentem dor com ela ou mesmo tem efeitos físicos como vomitar sangue, enxaquecas e mortes tão dolorosas assim.


Kira sorriu.


Aquele sorriso de quem não culpava Kaíros por nada e nem nunca poderia culpar ou culpou.

–A culpa não é sua, só do idiota da minha família que resolveu casar com uma pessoa com essa doença e tentou prolongar a vida dela.


Ela e Kaíros deram uma risada infeliz pela piada sem graça, mas aparentemente verdadeira.


–Mas eu queria ter filhos. -Ela comentou em um sussurro. -Mas não quero passar essa dor a eles. Essa certeza de morte dolorosa e vida miserável. Queria livrar meus descendentes dessa maldição, mas sem ter esse poder eu vou levar minha linhagem para o túmulo. Por isso peço desculpas.


Kaíros encarou Kira surpreso, mas depois sorriu.


–Eu não me importo. Cedo ou tarde, demore mais ou não, a hora que espero vai chegar. Nunca pediria que você passe essa doença a outros como seus últimos antepassados tem feito.


Kira deu um sorriso triste.


–É. Eles nem ligaram. -Sussurrou.

–Como está seu pai, falando nisso?

Levou uns dois minutos para Kira responder.

–Na mesma. Entrevado naquela cama gritando de dor e implorando para morrer, meu avô está com ele. Pensei que o velho não aguentaria ver outro morrer assim, mas além da minha avó ele já viu dois outros filhos morrerem dessa forma. Minha mãe levou meus irmãos mais novos a outro médico na esperança que façam por eles o que não puderam fazer por mim e se a resposta for a mesma ela disse que vai levar eles para verem o mar ao menos uma vez.


–E você?


–Não vou pra casa a uma semana. Estou ficando no celeiro aonde os gritos são mais distantes e meu avô me procura todo o início de dia para saber se estou bem e viva. Então eu fico aqui te esperando para falar com alguém que não vai me criticar por ter aceitado morrer.


–Kira... não me diga isso. Eu te entendo, mesmo que seja difícil, mas não me faça parecer sem sentimentos.


–Não me entenda errado Kaíros. Na minha opnião você tem sentimentos demais, por isso me entende e não critica pela minha forma de pensar. Só que não deixa de ficar triste mesmo assim.


O deus do tempo sorriu e imagens do tempo escaparam do seu corpo.


Uma delas chamou a atenção de Kira que “segurou” com as mãos olhando quase em choque, enquanto Kaíros parecia em pânico.


–Mas o que é isso? Essa menina... parece comigo... como?


Eu podia ver claramente a imagem de Lizandra ainda criança brincando em uma casa com um amplo jardim.


–Kira... isso é uma possibilidade, nada certo, só... um vislumbre que pode nunca acontecer... –Kaíros tentava acalmar a garota sem sucesso.



–Mas ela... é linda... como eu sempre sonhei que um filho meu seria...


–Eu sei, mas é só uma possibilidade das suas escolhas e no momento ela não tem muitas chances de acontecer. -Kaíros recolheu a imagem do tempo e levantou encarando a cachoeira sendo observado por Kira. -Por hoje eu vou. Não devia ter te deixado ver isso, foi um erro e não quero repeti-lo.


Kira sorriu compreensiva.


Assim que Kaíros sumiu a garota levou a mão ao peito como se sentisse muita dor e se curvou voltando a tossir sangue, porém dessa vez era visível a dor que afligia seu corpo.


A distancia vi a presença de Hermes se agitar.


Até que o deus desfez seu campo de proteção e correu até Kira que parecia sufocar com a dor que fazia seu corpo curvar-se, impedindo-a de tossir o sangue que se acumulava.


Hermes puxou o corpo de Kira endireitando-a o bastante para que ela recuperasse o folego e conseguisse respirar um pouco.


Quando a crise de tosse passou Kira olhou para Hermes que encarava perplexo o sangue em suas mãos e braços de quando a ajudou.


–Nunca viu sangue paspalho?


Hermes encarou Kira surpreso.

Acho que ninguém nunca o tinha chamado daquele jeito.

Aliás, essa forma dela de domonstrar que gosta de alguém é, ou era, de matar.

–Claro que sim, mas dessa vez foi diferente.

–O que tem de diferente? Sangue é sangue em qualquer lugar. Ainda que o seu seja dourado.

Hermes arqueou uma sobrancelha.

–Que foi? Achou que nunca te vi me espiando ali na pedra? Eu sou parte da Linhagem, acredito que saiba que nós vemos os deuses que se escondem na nossa cara.


–Imaginei. Mas como nunca se manifestou...


–Achou que era outro dos retardados da minha família que vira e diz “nossa, nunca teria imaginado” ou “mesmo que aja cura para as futuras gerações irei manter essa prova de amor intacta no nosso sangue”? Por favor, só um ignóbil manteria tal maldição intacta por tanto tempo.


Hermes sorriu.


–Eu sei.

Dessa vez Kira encarou ele surpresa.

–Afinal o que quer aqui Hermes? Se é me irritar pegou o pior dia possível.

Hermes riu.

–Na verdade eu gosto de você. Estou encantado com a sua beleza e nem mesmo consigo dizer se é realmente o que vejo por fora ou o que sinto só de ver seus olhos. Até mesmo sua fragilidade efêmera me encanta e sua fúria titânica me causa arrepios.


Kira pereceu surpresa, o bastante para recuar dois passos.


–Ficou louco?

–Não, só apaixonado.

Kira firmou o pé onde estava e depois avançou na direção de Hermes jogando-o na água.

–Pro inferno com isso. Não vou cair na sua conversa mole.

Ela se virou pronta para ir de volta para o caminho que deveria levar até sua casa.

Porém Hermes a segurou pela mão e quando Kira se virou ele ainda estava não chão.

–Case comigo. Seja minha esposa e eu te transformo em uma deusa.

Kira parecia a beira de um infarto e eu de outro.

O que Hermes tinha falado não era sério.

Não poderia. Mas era e ele provou isso.

–Eu juro em nome do Rio Estige que se você aceitar se casar comigo te transformo em uma deusa. Mas caso eu esteja mentindo eu perco meu poderes e você toma meu lugar no Olimpo.


Os trovões ribombaram com força no céu, mais força que o normal.


Uma promessa com punição definida estava selada e se necessário seria cumprida.

Kira parecia quase sem alma e quando se recuperou a resposta foi mais estranha que a proposta de Hermes.


–Você pode tirar essa doença da minha família? Não da atual geração, mas das próximas? Meus filhos e sobrinhos?



–Espera, como?


–O que você ouviu. Pode tirar essa doença das próximas gerações? Eu sei que Ares propôs isso a minha avó e ela se negou, depois ainda casou com um mortal e teve mais dois filhos doentes além do meu pai e meu tio morto. Eu não quero ser imortal ou deusa, eu já aceitei que isso vai ficar comigo.


–Mas eu posso parar isso se você casar comigo. Estará livre disso.


–Eu sei. Mas acho que eu puxei muito do Kaíros, quero que os outros tenham essa chance também. A chance de deixarem filhos saudáveis no mundo. De ser a última geração maldita dos Zelothya.


–Não me peça para abrir mão de algo assim, eu te amo.


Kira segurou a mão de Hermes.

–Eu sempre te vi ali, mas você ficava só olhando parado até hoje. Uma vez eu vi muito rápido, nós dois juntos, mas isso não era na eternidade era daqui pouco tempo. Mas você ficou um ano quase sem nunca se mover e eu me proibi de sonhar. Sabe como me fez feliz hoje?


Hermes parecia bravo, mas não conseguia saber se com Kira ou com ele mesmo, e terminou por desviar o olhar para a cachoeira.



–O que eu ganho além de um tempo limitado ao seu lado?


Kira o encarou confusa.

Ganhar?

Essa foi uma boa pergunta.

Então a garota sorriu.

–Lizandra.

Hermes encarou a mulher confuso.

Enquanto eu me perguntava o que minha amiga não nascida tinha haver com aquilo.

Kira riu e então segurou cada mão de Hermes em uma das suas.

–Eu sempre quis ter filhos, principalmente uma menina chamada Lizandra. Eu te dou meu maior desejo verdadeiro. -Os olhos de Kira estavam cheios de lágrimas.


Hermes soltou as mãos dela e a puxou para um abraço forte.


Kira enterrou o rosto no peito dele encharcando a camisa xadrez de lágrimas, enquanto eu via Hermes segurar o corpo dela com força, tentando, o que pareceu estranho, conter duas lágrimas de escapar de seus olhos.


–Eu vou realizar seu desejo, os dois.


Hermes se afastou de Kira e beijou seus lábios antes de voltar para o lugar aonde antes estava sentado.


–Volto logo. Assim que conseguir que seu desejo se realize.


–Eu vou estar aqui esperando. -Kira respondeu sorrindo de leve e agora seus olhos tinham uma fagulha da mulher que conheci anos mais tarde.


O tempo pareceu acelerar e quando parou vi Kira riscar na parede da cachoeira o vigésimo traço de tempo.



Aparentemente fazia vinte dias que ela esperava algo e não tinha certeza do que era.


Ao longe na pedra de Hermes algo tremeluziu e então o deus mensageiro estava ali parado com Kira encarando-o entre a furia e a ansiedade.


–Eu disse que voltava quando conseguisse realizar seu desejo. -Ele respondeu ao olhar fulminante da garota e sorriu da mesma forma marota, mas sincera, que Lizandra.



Kira pareceu surpresa e depois em choque antes começar a chorar.


Hermes correu ao seu encontro e ela o abraçou com força para em seguida beija-lo.

Quando notou o que fazia ela parou e desviou o olhar.

–Eu... desculpa... é que...

Hermes não respondeu apenas a beijou novamente e quando interrompeu o beijo reparou que Kira olhava confusa.


-Você me prometeu algo e agora eu sinceramente tornei seu sonho meu. Eu quero te dar Lizandra. Quero essa criança. Quero nossa filha.


Kira ficou vermelha de pura vergonha.

Demorou alguns segundos antes dela abraçar Hermes pelo pescoço e enterrar o rosto lá.

-Obrigada. Obrigada. Obrigada.

Ela começou a agradecer e Hermes ficou confuso.

-Pelo que?

-Tudo. Agora eu posso ter uma criança sem me amaldiçoar por fazer ela sofrer o que eu sofro, posso ter um filho que não vai nascer condenado a uma morte maldita e melhor, que tem um pai lindo que vai ama-la muito.

Hermes sorriu e afastou Kira um pouco.

-Quer conhecer o mundo?

Kira ficou confusa.

-Temos tempo e quero te mostrar lugares lindos, dos quais nunca vai esquecer.

Kira concordou e depois as coisas voltaram a correr, mas foi bem constrangedor.

Mesmo com o tempo acelerado eu podia ver os dois em momentos no minimo íntimos, mas que na verdade eram pornográficos demais.


O pior é que Hermes realmente deve ter pensado naquilo como algo engraçado, por que eles em muitos flash's estavam em lugares surreais, como em uma cabana com vista para o Partenon grego ou nem uma casa nas Barramas a beira mar.


Duvido que Kira tenha reclamado, mas ele tinha realmente caprichado.

Quando finalmente Kira descobriu que estava grávida Hermes a levou para sua casa.


No dia seu pai estava bem o bastante para brigar com ela sobre engravidar de um estranho, o que não melhorou quando ela contou quem era o pai ou o que ele tinha feito pela criança e que ele tirando a doença das futuras gerações da família.


Seu pai a xingou horrores, mas não pode expulsar ela da propriedade que era do padrasto.


Sua mãe por outro lado agradeceu por pelo menos os netos ficarem livres daquela maldição, ainda lamentava pelos três filhos, mas tentava ver o lado positivo daquela escolha.


O tempo passou e logo Lizandra nasceu.

Ela tinha a mesma cara que tem hoje e não cara de joelho como é normal em bebês.


Na noite que Liz nasceu, Hermes foi visitar as duas.

-Ela não é linda? -Kira sorriu segurando minha amiga bebê.

-Assim como você.

Hermes beijou a testa de Lizandra e depois Kira.

-Como sempre você fica me elogiado sem parar.

-Não posso evitar se é verdade. Mas agora sua doença deve piorar.

-Eu sei, mas foi minha escolha e valeu a pena. -Kira inclinou a cabeça e beijou a testa de Liz. -Cada dor vai valer mais a pena por que tenho ela e tive você.


-Kira... se tivesse aceitado meu pedido original, poderiamos...

-Não suponha Hermes. Como eu poderia aceitar algo tão grande e deixar meus irmãos sem nada? Eu sei que talvez minha mãe não conte nada a eles já que são muito pequenos e por isso mesmo pretendo me afastar daqui, mas pelo menos eu sei que fiz algo de bom para eles e pelos seus filhos. Eu estou tranquila agora.


-Mesmo assim e...

-Eu vou morrer Hermes. -O deus ficou rigido ao ouvir aquilo. -Mas por hora, eu posso viver.


Hermes pareceu entender e olhou para Lizi:

-Então minha pequena Lizandra, finalmente posso dizer que meu desejo foi atendido?

Kira riu.

-Eu pensei em chama-la de Lizandra Hanabi.

-Hanabi?

-Flor de Fogo.

Hermes sorriu.

-É lindo.

Ele beijou Kira e tudo sumiu me fazendo voltar ao ônibus ofegante.

Olhei ao redor, mas ainda era noite e o ônibus seguia viagem normalmente.

Procurei o relógio e o mesmo mostrou que apenas duas horas haviam passado desde que disse o nome de Kaíros.


Procurei ver Lilli e Liz, mas ambas dormiam profundamente.

Me encostei no banco tremulo. Liz comentou uma vez que era talvez a única pessoa viva da família sem aquela doença e não sabia a razão.


Mas ela talvez tivesse primos de primeiro grau vivos e até tios se eles fossem viver o mesmo tanto que Kira.


Tudo por que tia Kira abriu mão da chance de imortalidade.

Por que ela amava Liz antes mesmo dela nascer.

Deuses o que Kaíros queria me mostrar para me dar essas memórias?


Continua...

Notas finais
O próximo cap será da pessimista com cheiro de morte.
Será que isso ajuda?
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