The Nights
4 Initiation Cerimony Part 2 - The Sorcerer
Notas iniciais
— E aí, estão gostando? — Perguntou Zack, chegando perto de Jake e Spud que haviam se afastado um pouco da multidão.
— Isso está parecendo um carnaval! — O asiático riu, passando a mão no cabelo para tirar a farinha.
— Você tá parecendo um espectro!
Eles riram, e Jake deu um leve empurrão com o ombro no amigo.
— Vocês parecem muito amigos, se conhecem a muito tempo?
— Bastante. — Spud se apoiou numa árvore, com as mãos nos bolsos. — Desde criança.
— Verdade. A gente fez cada merda juntos! — O asiático riu ao se lembrar. — Nós e Trixie, uma amiga nossa.
— É… — O maior suspirou, mas logo tratou de mudar de assunto. — Mas e você e o Alfeu? Parecem ser velhos amigos.
— Ah é. — Zack riu, passando a mão na nuca, olhando o menino. — Ele, Mikase e eu fomos vizinhos por um tempo. Mas não liguem muito para o que ele faz, ele é um idiota. — Disse brincando, mas um pouco sem jeito. Quando de repente, ele foi acertado por um balão de tinta roxa na lateral da cabeça. Os dois garotos começaram a rir, enquanto Zack se virou para o lado de onde aquilo veio, surpreso.
— Eu ouvi essa. — Era Alfeu. Ele estava um pouco perto, olhando-o com um sorriso irritante.
— E eu com isso? — O menor se virou para ele, cruzando os braços.
— Poxa, assim você me magoa… — Fingiu tristeza, chegando perto deles. — E aí.
Os outros acenaram levemente em cumprimento.
— Por que não vai encher outro?
— Porque eu não achei o Mikase. — Disse em descaso, cruzando os braços.
— Ah, ele está perto da mesa de bebidas, conversando com uma garota. — Zack disse olhando para o outro, a fim de captar alguma reação.
— Hm… É mesmo?
— Uhum. Eu estava com ele, mas saí de mansinho ao ver o clima esquentar.
Alfeu ficou parado, olhando para frente um pouco perdido, então começou a andar. — Eu vou… E-eh… Vou. — Disse por fim, distraído demais para pensar em uma desculpa, então saiu.
— E o seu avô? Ainda está na cidade?
— Não. Voltou pela loja. — Respondeu Jake meio desanimado. — Espero que minha missão seja importante…
— Oi? — Perguntou Zack, confuso.
— A-ah… — Os dois se olharam, um pouco nervosos. Tinham esquecido completamente que ele estava ali.
— Nada! Estávamos falando de um… Um… Um jogo! — Respondeu rapidamente.
— É! — Concordou Spud, passando a mão na nuca. — Besteira. — E sorriu para o garoto, que o encarava.
Alguns segundos depois, Zack suspirou, olhando para o outro lado. — Então está bem. E-eu… Vou ver se tem algo para comer. — E saiu um pouco apressado.
Jake ficou o olhando, com o cenho franzido. — Que estranho…
— Hey! — O outro o chamou, jogando um ovo em sua cabeça.
— Wow! — Long chacoalhou a cabeça, se voltando para o amigo. — Você vai ver Spud! — E começou a correr atrás dele com um pouco de farinha em mãos.
『 。。。 』
No meio de uma vala, acorrentado, uma criatura verde se pusera a observar os encanamentos quebrados da sociedade. Já estava farto daquilo. Era sempre a mesma coisa. O aroma da frequente vida conturbada dos seres da superfície, em sua maioria adolescentes, era o que ele mais absorvia.
Até que captou um cheiro diferente, que ele não sentia a muito tempo. De uma das encanações mais distantes, um aroma forte e ácido era misturado ao rotineiro.
— Hm… — Ele lambeu os lábios, respirando fundo. — Será que é mesmo? — E então soltou uma risada fraca e maldosa. — Um dragão? Depois de tanto tempo… — Inspirou aquela fragrância mais uma vez, então parou. Havia mais um cheiro.
Após algum tempinho pensando, tentando ao máximo lembrar, finalmente lhe veio à mente. Um soriso diabólico cresceu em seus lábios, enquanto ele se levantava devagar. — O dia da minha fuga está chegando. Finalmente! O receptáculo está pronto mais uma vez, e a grande lua se aproxima. O ninja não me deterá de novo, como a duzentos anos... Com o dragão e o receptáculo ao meu comando, serei inatingível! — Ele estendeu as mãos para cima, e uma fumaça esverdeada subiu, indo até o encanamento. — Vá até o dragão e o façam vir a mim, quando ele estiver pronto…
『 。。。 』
Mikase estava apoiado na mesa de bebidas, tomando seu terceiro copo de whisky. Estava precisando espairecer, limpar a mente de todos os problemas e relaxar, resolvendo fazer isso na bebida. Até que avistou o principal motivo por querer beber.
Alfeu tinha se aproximado da mesa, parando um pouco longe do outro. O moreno fingiu não vê-lo, bebendo mais um pouco.
— Se continuar assim, vou ter que te pôr na cama. — Riu o loiro, o olhando de canto.
— Não perguntei. — Cortou rápido e indiferente, virando o resto da bebida.
— Mikase e seu whisky. Inseparáveis e quentes.
Ele analisou aquela frase por um tempo para entender o que queria dizer, com o cenho franzido. Estava começando a ficar com os pensamentos confusos e lentos. “Droga…” reclamou mentalmente, colocando o copo na mesa. Alfeu tinha razão, era melhor ir parando. Sempre que estava bêbado demais, ele acabava ficando indefeso, e não queria que justamente ele o ajudasse nessas ocasiões.
— Me dando ouvidos agora? — Perguntou em deboche, chegando perto dele. — Deve estar bem bêbado.
Mikase se afastou com cuidado, tendo certeza de onde pisava para não vacilar. O mundo girou um pouco.
O loiro riu. — Calma! Não farei nada com você… Aqui.
— Eu não entendo o que esse lugar tem a ver, mas espero que eu não saia daqui. — Dizer aquilo foi mais difícil do que esperava. Nem sabia se tinha feito sentido.
Alfeu continuava com o mesmo sorriso, então olhou em volta, tentando ao máximo agir normalmente. — Onde está a garota que estava com você?
— Quem? — Perguntou com o cenho franzido. Não sabia do que ele estava falando.
O maior o olhou por um tempo, então começou a se sentir um completo idiota. Zack havia inventado isso para lhe deixar com ciúmes. Ele abaixou a cabeça, não acreditando que tinha sido enganado por tão pouco.
— Alô? — Mikase havia se abaixado um pouco, acenando perto do rosto dele. — O que há com você?
— Nada… — Alfeu levantou a cabeça, sorrindo docemente. — Está tudo bem.
— Ainda bem. Estou confuso demais para qualquer coisa…
O loiro riu, o abraçando pela cintura. — Até para um beijo? — E aproximou o rosto do outro.
Mikase o olhava, sentindo uma mistura de desejo e ira. Até que ele mandou todo o seu instinto de que aquilo era um erro para a puta que pariu. — Me beije logo, seu loiro com síndrome de psicopata. — Disse colocando uma mão em sua nuca e outra em seu quadril.
O maior sorriu, selando os lábios aos dele e fechando os olhos, o apertando um pouco no abraço.
『 。。。 』
— Nossa! A iniciação foi muito legal. — Comentou Spud, limpando um pouco da tinta do rosto.
Jake, Zack, Danny, Howard e Spud voltavam para a Arrow. Já era por do sol e estavam se sentindo exaustos.
— Foi mesmo! E naquela hora em que você comeu todos aqueles 30 cachorros quentes em cinco minutos Howard. — O asiático olhou para o garoto.
— Estava só brincando. — Disse em descaso, com feição superior.
— Nunca vi uma festa como essa. — Disse Danny. Ele estava apoiado em Zack, tinha exagerado um pouco na bebida.
— Você já foi para alguma festa com bebida? — Perguntou o menor, ajeitando o braço dele ao ombro.
— Não. — Ele trancou a respiração, colocando a mão na boca. — E eu tô enjoado…
Zack se afastou dele o máximo que pode. — É só virar o rosto para lá que fica tudo bem.
— Que roubada hein, Zack. — Spud riu, passando a mão na cabeça dele e assanhando seus cabelos.
O garoto balançou a cabeça, corando e o olhando emburrado.
— Vamos entrar logo. — Howard abriu a porta, entrando.
Eles o seguiram, mas quando Jake ia entrando seu celular começou a tocar. Ele o pegou e leu o nome na tela. Era Rosa.
— Ah… Depois eu vou Spud.
— Tá legal. — E fechou a porta ao passar.
Jake atendeu, indo até a varanda da casa. — Oi Rosa.
— Jake, oi! — Disse alegre do outro lado. — Como você tá?
— Eu tô bem, e você? — Sentou na escadinha, sorrindo. Sempre sentia seu coração saltar ao falar com ela.
— Estou legal, e tenho novidades!
— Ah, qual? — Perguntou curioso com a animação dela.
— Meu pai recebeu uma proposta de emprego e estamos voltando para Nova York!
Seu coração bateu forte e rápido com o que ela disse. — Sério?
— Sério! Estamos indo semana que vem. E, ah… Iremos passar um tempo sem nos falar muito, okay?
— Tudo bem! Tudo bem! Rosa, você está voltando para Nova York! — Repetiu animado, rindo.
— É! — Ela riu do outro lado também. — Mas eu tenho que ir agora, meus pais precisam de mim. Até mais Jake!
— Até. — Ele desligou sorrindo e olhando o céu. Estava se sentindo tão feliz. Finalmente ele a veria de novo. Seu grande amor.
De repente, ele sentiu algo o invadir, como uma fumaça invisível, entrando por seus olhos e nariz, o entorpecendo.
Quando a sensação sumiu, sentiu como se algo prendesse sua respiração, lhe esmagando o coração. Ele começou a tossir, colocando a mão sobre o peito, e sentindo seu corpo estranhamente quente.
Jake virou para frente, caindo de joelhos e apoiando a outra mão no chão. Seu celular, que estava sobre o colo, caiu, mas o garoto pouco se importou. Ele se encolheu, arrastando as garras sobre o chão de grama. Levantou a cabeça, conseguindo respirar um pouco, e percebendo agora que suas garras estavam a mostra. Depois ele não se lembra mais de nada.
『 。。。 』
— Uau… Aqui é impressionante. — Disse Randy, olhando a paisagem. Ele estava sentado no telhado, com as mãos apoiadas de cada lado do corpo.
Jannie havia o levado para sua república, mas não de um jeito convencional. Eles escalaram uma árvore até a varanda de uma das janelas, e usaram-na como impulso para subirem no telhado, onde estavam agora.
O lugar era realmente bonito. Ele dava para os fundos do campus, onde já não se via mais tantas repúblicas, e dava uma vista linda do lago da universidade, com o pôr-do-sol logo atrás.
— É sim… — Ela sorriu.
Ficaram em silêncio, observando, por mais algum tempo, até que a ruiva o cortou.
— E impressionante é sua agilidade, mesmo levemente alterado. — Ela lhe deu um leve empurrão com o ombro.
— Você não fica atrás. — A empurrou de volta, rindo.
— Tive que me acostumar né. A qualquer momento a polícia podia chegar e pegar uma bando de menores bebendo não ia ser uma boa.
Randy balançou negativamente a cabeça, com um sorriso de canto. — Não se arrepende? De todas essas coisas?
— Sim… E não. — Ela semicerrou os olhos, pensando. — Sei lá! — Acrescentou, rindo sem humor e se deitando. — Sabe… Tem coisas que eu não gosto, nem me orgulho. Mas fazem parte de mim, do que eu sou. Se elas não tivessem acontecido, eu não seria essa mesma Jannie que está falando com você. Aprendemos lições através das lágrimas, Randy. Fazendo memórias que sabemos que jamais se apagaram.
Ele a olhava surpreso. Era tão legal o modo que ela falava, e todas as loucuras que contava. Randy sentia como se cada momento ao lado dela fosse uma aventura. — Tem razão. Nossas decisões nos moldam. — Ele sabia bem disso.
A ruiva balançou positivamente a cabeça, o olhando. Ele não sabia explicar o porquê, mas os olhos dela o atraíam tanto. — Quando eu era criança o meu pai me disse uma coisa. “Filha, não deixe sua vida escapar. Quando crescer, viva sua selvagem juventude para que se lembre para sempre. Pois um dia você deixará esse mundo para trás, e essas serão as noites que nunca morreram.”
— Essa é a letra da música do Avicii! — Randy começou a rir.
— Aff! Porque meu pai não pode ter dito isso mesmo? — Disse, rindo junto com ele.
O garoto se deitou ao lado dela, parando o riso e a olhando. Jannie sorria para ele, como fez o dia todo, e isso o encantava. O rosto dela estava um pouco melado de tinta em pó roxa e azul, que jogaram mais cedo, o que realçava seu olhos e sua pele pálida, fazendo também com que ele se lembrasse de suas sardinhas, as procurando sobe a tinta. Ele lembrou também que devia estar do mesmo jeito que ela e então sorriu. O dia tinha sido incrível.
— Sabe de uma coisa? Você até que é bem legal, para alguém tão maluca. — Disse ironicamente.
— Ah, obrigada. — A garota virou-se de lado para ele. — Você também, mesmo que saía atropelando todo mundo, Cat. — Ironizou, mexendo no guizo de seu pescoço.
Ele empurrou de leve sua cabeça, fingindo estar irritado, e ela começou a rir, deitando com as costas outra vez.
— Olha, já escureceu... — Disse um pouco distraída, olhando o céu com um sorriso bobo. — As estrelas são tão lindas não é?
Randy ficou olhando a ruiva, com o mesmo sorriso. — Elas não são as únicas.
Jannie o olhou um pouco surpresa, corando, mas não tinha certeza do que tinha ouvido. — Oi? — Perguntou, sorrindo sem jeito.
— "When thunder clouds start pouring down; Light a fire they can't put out; Carve their names into those shining stars." — Randy começou a cantar aquela música de Avicii rapidamente, tentando tirar sua atenção do que ele tinha dito, estando extremamente vermelho.
— "He said go venture far beyond these shores; Don't forsake this life of yours; I'll guide you home no matter where you are." — Ela juntou-se a ele, cantando aquele trecho de The Nigths com um sorriso.
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