Jasper caminhou o mais rápido possível sem usar a velocidade de vampiros ate o Fletcher's, que era a lanchonete mais famosa da cidade e pertencia à família de Holly, o que significava que iriam comer sem pagar nada. Quando chegou, Nate e Holly já o esperavam sentados e já tinham feito o pedido. Explicou tudo que aconteceu, com exceção de que tinha reconhecido a mulher que o estava seguindo.

–Isso quer dizer que não somos os únicos... vampiros da cidade — Nate falou quase em um sussurro. Ele olhava em volta como se ainda tivesse alguém os observando.

–O que ela quis dizer com "você sabe quem eu sou"? Você já a tinha visto antes? -Holly perguntou, confusa com a historia. Jasper mordeu os lábios.

–Não conheço essa mulher, mas sinto que já a vi em algum lugar. — Ficaram se encarando por alguns instantes ate que Jasper quebrou o silencio — Amanha saio para procurá-la e pergunto o que exatamente ela quer comigo. Não precisam se preocupar.

O resto da noite foram só lembranças de momentos que passaram juntos e do colégio, e as novidades de Holly. Já fazia alguns meses que eles não se encontravam, pois Holly agora mora com os avos em uma cidade vizinha e quase não visita Carter Hill, sempre esta ocupada com os estudos.

Voltaram caminhando mais rápido que antes ate a casa de Jasper e Nate, onde Holly passaria o final de semana. Enquanto tentava dormir, Jasper tentava se lembrar onde tinha visto aquele rosto. Tinha certeza que conhecia aquela mulher, mas seus pensamentos se perderam quando caiu no sono.

Jasper estava pendurado em um abismo, quase caindo em direção ao nada, quando escuta um grito feminino. "JASPER!". Parecia apavorada. Ele conhecia aquela voz e sabia que precisava salva-la. Tentou lutar contra a força que o puxava para baixo, enquanto o grito continuava e parecia cada vez mais alto. Em meio ao desespero, pensou em quem seria a dona daqueles gritos. Pensou em Holly. Pensou em suas irmãs e nos gritos desesperados delas quando ele quase as matou... Pensou na moça que ele realmente matou quando se transformou em vampiro e la estava ela, na sua frente. "Você sabe quem eu sou". Mesmo sem conseguir ver seu rosto muito bem em meio aos cabelos pretos e longos, ele sabia exatamente quem era. Tentava gritar "me desculpe", mas as palavras pareciam não querer sair de sua boca. Escutou uma risada, e caiu na escuridão.

Acordou em sua cama, com suor escorrendo em sua testa. Foi um pesadelo. Não havia abismo, nem gritos, nem garotas e nem risadas apavorantes. Pelo contrario, a casa estava tão silenciosa que pensou que estivesse sozinho. E estava; algo raro, pois Nate não costuma sair quando Holly esta na cidade. Desceu as escadas, ate a sala para confirmar, e reparou que tinha cartas em cima da mesa de centro. Todas endereçadas a Nathaniel Dimitrov — Nate não lia as cartas que recebia-, exceto uma, que não era bem uma carta, mas tinha seu nome na parte de trás. Era somente um envelope branco, e dentro um papel escrito em uma caligrafia cuidadosa: "Se quiser saber quem sou me encontre atrás da boate às 19h". Jasper não sabia quem podia ter mandado esse bilhete, mas tinha esperanças de que isso não tivesse nenhuma relação com o sonho ou com a mulher que o estava seguindo na noite anterior.

Naquele momento, Nate entrou com Holly em casa. Pareciam animados, e riam de alguma coisa. Provavelmente, nada que interessasse Jasper.

–Onde foram? -Perguntou Jasper, nada interessado na resposta.

–Levei Holly na praça da cidade... — Nate respondeu, meio sem graça. Jasper não prestou atenção, estava ocupado demais com o bilhete. -O que é isso na sua mao? Recebeu uma carta? -Jasper raramente recebia cartas.

–Não é bem uma carta. — Jasper deu uma pausa, distraído. — Pensei que você tivesse posto ela aqui. -Holly pegou a carta da mao de Jasper.

–"Me encontre atrás da boate às 19h", você não vai la, não é? -Holly parecia irritada. — Ontem uma mulher te segue ate o Fletcher's, e hoje você recebe um bilhete anônimo querendo que você o encontre em um beco escuro e deserto.

–Sinceramente, mulher, você ainda se preocupa comigo depois de tudo que eu fazia no colégio dessa cidade. -Jasper deu um sorriso sarcástico.

–Isso é diferente, não estamos mais no colégio, e alem disso, você mesmo disse que a mulher que te seguia ontem não era humana.

–Eu posso lidar com isso. -Jasper ignorou o aviso de Holly, como sempre fazia. — Tenho 6 vezes a sua idade, eu que deveria me preocupar contigo.

O humor hoje parecia não estar muito bom. Jasper passou o resto do dia pensando no que faria em relação àquele bilhete. Hoje era sexta-feira, o que significava que teria de trabalhar. Seu emprego geralmente era só uma desculpa para atrair garotas — quase sempre bêbadas — para o beco atrás da boate, se alimentar e hipnotizá-las para esquecerem, mas hoje ele tinha um motivo a mais pra ir à boate.

As horas passaram voando, e Jasper estava ansioso e curioso ao mesmo tempo. Verificou se tinha alguém na sala e estava vazia, então saiu sem que ninguém percebesse. O que ele menos queria era que Nate ou Holly aparecessem no beco. Usou o carro para chegar mais rápido, apesar da boate ser a apenas quatro ruas de distancia de sua casa. Ao chegar, entrou na boate e foi direto para os fundos, onde tinha uma porta que deixava diretamente no beco mal iluminado e com as paredes pichadas. As únicas pessoas que iam la eram ele e os usuários de drogas da cidade. Olhou para o relógio em seu pulso, já eram 18h58. Jasper detestava esperar. Estava impaciente quando ouviu uma voz atrás de você.

–Jasper Harrison.

Ele virou e não havia ninguém.

–Quem é você? Aparece.

–Inglês, filho de um homem rico e respeitado da cidade. 115 anos. Mora em Carter Hill com o melhor amigo, Nathaniel Dimitrov. -A voz feminina falava como se fosse alguma piada engraçada. — Sabe, estive te procurando por um tempo.

Jasper enrijeceu. Como ela sabia tudo isso sobre ele?

–Não estou com muita paciência para brincadeiras hoje. Sabe, não tive um dia muito bom e etc... — Jasper estava ficando irritado — Me fale quem é você.

A mulher apareceu na sua frente, exatamente como a do sonho. Apesar de ter feições simples, era bonita. Seus olhos verdes se destacavam na pele pálida e cabelos longos e negros com cachos nas pontas. Não parecia ter mais de 20 anos.

–Você deveria saber quem eu sou. Tivemos um passado juntos. — Ela deu um sorriso falso; estava sendo irônica.

Naquele momento, Jasper se assustou. Ele a reconheceu mesmo sem os trajes da época e sem todas as jóias. Ela deveria estar morta. Queria falar, mas as palavras não saiam da sua boca.

–Não precisa falar nada, eu entendo. Você se arrepende muito de ter matado uma jovem inocente que andava nas ruas desertas de Londres em plena madrugada. — Ela começou a rir, apesar de ele não entender muito bem a graça disso.
–O que você quer? Procurou-me por todos estes anos e aqui estou eu, agora vamos acabar logo com isso.

–Você não deveria estar com tanta pressa, afinal, é sua amiga Holly que esta em perigo.

Jasper não pensou duas vezes, e em um segundo estava pressionando a mulher contra a parede e segurando em seu pescoço, fazendo muito esforço pra não arrancar a cabeça dela ali mesmo.

–Oque você fez com a Holly? — Sibilou Jasper.

–Se quiser sua amiga viva não pode me matar... de novo. — Jasper a soltou, mas não se afastou. — Não nos apresentamos corretamente. Meu nome é Evie Jones. — Levantou a mao esperando que Jasper apertasse, mas ele ignorou.

–Eu não quero saber. Fique longe de Holly e Nate, ou estará morta de novo ao amanhecer. Agora, onde ela esta?

–Ela esta com minha amiga Cara, que espera apenas um sinal para matá-la, mas por enquanto, esta segura. — Evie parecia estar se divertindo. — A propósito, não desconfiou de como o meu bilhete foi parar na mesinha de centro? — Jasper mordeu os lábios, não tinha pensado nisso. — Claro que não. Foi o que eu pensei. Já que preciso ser convidada pra entrar, hipnotizei sua amiga para colocar o bilhete na mesa, assim como hipnotizei ela para contribuir com os meus planos se você não fizesse exatamente o que eu pedir. Me surpreendo que ela esteja dormindo em uma casa de vampiros e não tenha um pingo de verbena no sangue.

–Eu não acredito em você. Holly esta em casa, com Nate.

–E esta. Acontece que Cara é uma bruxa, não precisa entrar na casa pra matá-la, e seu amigo Nathaniel não pode fazer nada pra impedir. Olho por olho, sr. Harrison.

–O que você quer de mim? Eu faço, só deixe os dois em paz.

Jasper olhou nos olhos verdes de Evie, e ela sorriu. Um sorriso falso e maléfico.