The Night We Met - Mileven

2 Tarde de preparações


Notas iniciais
No último capítulo, vimos que Mike parecia bastante desanimado com a ideia de participar de um baile sem a presença de Eleven, mas decidiu que ia dar o melhor de si para tornar aquele um momento especial para seu amigo Will. Eleven, por sua vez, mantinha-se ainda em sua rotina diária, a espera que algo acontecesse. Vamos ver o que irá acontecer a seguir! *Detalhes Meta-narrativos: Sempre que algo estiver entre asteriscos(*) é porque aquilo é uma mensagem pessoal minha e não tem relação alguma com a história. Provavelmente apenas será algo para melhorar a experiencia de leitura de vocês e acontecerá apenas no início de capítulos ou POV'S (points of view = pontos de vista) e com pouca frequência pra não tirar o envolvimento de vocês com a história. Quando houver um "<>" isso indica um curto período de tempo passado entre parágrafos que não foi assinalado na narrativa. Dito isso, desejo-vos uma boa leitura!

*Se você está lendo esse capítulo em sequência do último e optou por ouvir a playlist que eu deixei lá, pode seguir ouvindo-a. Se você já leu o último capitulo há algum tempo, ou nem o leu, deixarei aqui o link caso você tenha interesse: https://www.youtube.com/playlist?list=PLzJN0gJl9D_BWdZjrL7SKNSg00Qpx_5zV *

Eleven

Eu tinha lido pelo menos umas três vezes o papel que ele me entregou. Não consegui entender a maioria das coisas que estavam lá escritas. A maior parte eram termos que não faziam sentido pra mim, mas eu sabia o que o nome “Jane Hopper”, escrito no topo daquele papel, significava. Queria dizer que eu e o Hopper agora eramos uma família de verdade. Que ninguém iria mais poder nos separar.

Mesmo sabendo que eu não tinha mais intenções de ir embora e que enfrentaria qualquer um que tivesse intenção de me levar para outro lugar, aquele papel me fez sentir como se eu realmente tivesse sido aceita. Como se não fosse mais uma forasteira vinda de um outro mundo. Era como se a peça que faltava finalmente tivesse se encaixado.

Eu não pude conter a minha felicidade e abracei o Hopper. Ele me abraçou de volta parecendo igualmente feliz e aliviado.

— Vai ficar tudo bem agora, garota. – ele disse com serenidade na voz – só temos que esperar algum tempo e você vai poder levar uma vida normal como qualquer outra criança aqui.

— Vou poder ir pra escola? – eu perguntei esperançosa.

Ir à escola, aprender um monte de coisas que eu nunca poderia aprender apenas vendo tv e poder passar mais tempo com Mike e os outros era a coisa que eu mais gostaria de poder fazer.

— Claro que você vai pra escola – ele falou como se fosse muito óbvio – eu seria irresponsável se te deixasse ficar o dia inteiro em casa comendo waffles e vendo televisão.

Eu ri. Acho que ele estava tentando agir da maneira que um pai deveria agir, como nos filmes que víamos nos finais de semana.

Logo em seguida começamos a nos preparar para o almoço. Eu fui pondo os pratos, talheres e copos na mesa enquanto o Hopper preparava um pré-assado com bife, batas e outros legumes, que ele havia comprado no caminho para o nosso almoço. Não demorou mais que quinze minutos até tudo estar pronto e nós nos sentamos para comer.

— Mas por que você disse que essa ia ser uma noite especial? – perguntei ao recordar o comentário que ele fez quando chegou e que ele não tinha me explicado. Depois que largou as coisas no sofá, ele apenas me mostrou aquele papel e eu acabei esquecendo do que ele tinha dito.

— Ah! Aquilo? – Hopper questionou enquanto servia um punhado de batatas no prato dele parecendo ter esquecido momentaneamente também – eu consegui essa noite livre pra você ir ao Baile da Neve – ele falou aquilo casualmente como se estivesse contando que um de seus colegas tivesse levado uma caixa de donuts pra esquadra e divido com ele hoje.

Eu fiquei boquiaberta por alguns segundos e devo ter feito uma cara bastante engraçada já que ele começou a rir enquanto cortava um pedaço de carne e depois colocava na boca e o mastigava com um sorriso de satisfação.

— Vamos lá, garota. Diga alguma coisa! – ele falou, depois de alguns segundos, me incentivando ao ver que eu ficara sem reação – Você queria ir nesse baile, não queria?

Depois de voltar à mim e compreender o que ele tinha dito eu simplesmente levantei da minha cadeira e corri para o lado dele o abraçando mais uma vez.

— Obrigada! – eu consegui dizer com meu rosto encostado no ombro dele e o apertando. Eu sentia meu coração bater acelerado no peito com a promessa de poder finalmente sair depois desse mês todo e, acima de tudo, poder ir ao baile.

— Ei, ei, pronto, pronto, garota! – ele disse dando leves tapinhas em minhas costas – eu te disse que ia ser especial, não disse?

Eu o soltei e balancei minha cabeça confirmando. Logo em seguida uma preocupação me ocorreu quando lembrei da cena que tinha visto mais cedo no filme.

— Mas Hopper…eu não tenho nenhuma roupa para usar…- eu disse um pouco preocupada. Antigamente eu não me preocuparia com esse tipo de coisa, talvez até mesmo por não entende-la direito, mas depois de ter visto tantos filmes em que as garotas iam pra festas usando vestidos bonitos acabei concluindo que aquilo era uma parte importante quando se ia a um evento como esse.

— Ah, isso? Não se preocupe. Eu já resolvi tudo. – ele comentou despreocupado fazendo um sinal com a cabeça em direção as sacolas que ele havia pousado no sofá – Mas primeiro vamos terminar de comer.

Eu queria muito ver o que exatamente ele tinha trazido, mas respeitei o pedido dele e sentei novamente em minha cadeira.

<>

Terminamos de comer (eu mais rápido que ele) e logo após tirarmos a mesa, eu me direcionei às compras que Hopper tinha deixado em cima do sofá. Ele se aproximou, percebendo a minha ansiedade, e pegou uma das sacolas que era cor de salmão.

— Eu não sabia bem ao certo o que comprar, já que eu nunca comprei um vestido antes, então não sei se você vai gostar. – ele disse em um tom apologético me entregando a larga sacola com uma de suas mãos enquanto coçava a cabeça com a outra.

Eu tirei um embrulho transparente que estava dobrado de dentro da sacola, levantei-o a altura de minha cabeça deixando –o solto em toda a sua extensão. Era um vestido do meu tamanho. Tinha uma cor azul-acinzentado com algumas bolinhas em um tom de rosa pink e bordas da mesma cor. O cinto, que se encontrava na altura da cintura, tinha um tom mais avermelhado que as bordas o que dava um contraste belo à todo o conjunto. As mangas chegavam até a altura dos meus cotovelos.

— Bonito. – eu disse admirando o vestido de cima à baixo. – Muito…bonito. Obrigada. – eu disse virando para Hopper e o abraçando uma terceira vez naquele dia. Eu me sentia extremamente grata por tudo que ele estava fazendo por mim, mas não sabia muito bem como expressar isso, então apenas o abracei por alguns segundos.

— Eu pensei que ia te fazer bem sair um pouco pra se divertir com seus amigos, então conclui que uma noite apenas não seria problema – ele disse retribuindo meu abraço. – mas acho que vamos ter que descobrir juntos como preparar o seu cabelo e fazer a sua maquiagem, por isso eu peguei algumas revistas sobre o assunto na livraria da Marissa.

Eu olhei para a outra sacola que estava no sofá e fui até ela. Nela estavam contidus alguns produtos para cabelo, um secador, um estojo de maquiagem e algumas revistas.

— Eu não sei fazer nada disso – eu disse enquanto ia retirando e analisando cada item da sacola.

— Bem, eu também não, garota. – ele comentou um pouco desconcertado – por isso, como eu disse, de agora em diante vamos ter que descobrir juntos.

— Juntos. – eu respondi dando um leve sorriso. Não sabia se ele estava falando só dos produtos da sacola ou se estava falando também da nossa relação, mas eu estava contente com a possibilidade de descobrir ambos com ele.

*Você pode fechar a playlist anterior e abrir esta: https://www.youtube.com/playlist?list=PLzJN0gJl9D_CRm5s-7X0wpVLB2j67UGi6 *

Mike

A tarde tinha passado de maneira estranha. Eu nunca tinha recebido tanta atenção da minha mãe e da minha irmã (!!!) ao mesmo tempo. Ao menos não me lembrava. Depois do almoço minha mãe colocou algumas músicas cafonas pra me fazer treinar passos de dança, mas aquilo foi constrangedor demais e eu acabei desistindo logo em seguida (eu realmente não sabia dançar). Depois Nancy tirou um tempo para me explicar como eu deveria convidar garotas para dançar e como devia ter cuidado pra não ser intrusivo demais mais a ponto de afasta-las, mas também não deveria ser muito devagar ou perderia minha chance (não é necessário dizer que eu desisti de ouvir aquele assunto bem rápido).

Mais para o meio da tarde minha mãe fez um lanche reforçado para mim já que depois eu só ia comer novamente quando chegasse no pavilhão da escola. Lá pras quatro da tarde ela preparou um banho com todos os produtos estranhos que ela colocava na banheira quando ia sair e me forçou a ficar lá de molho por mais ou menos uma meia hora (ela quase quis entrar para me esfregar, caramba!!!). Logo em seguida ela me ajudou a vestir minha camisa e meu pai arrumou minha gravata (ele tinha estado sentado na frente da tv durante esse tempo todo). Nancy tirou mais uns quarenta minutos pra me ajudar a experimentar (na verdade foi ela quem experimentou EM MIM) penteados diferentes, mas eu não gostei de nenhum deles o que fez ela concluir que eu não tinha nenhum senso de moda e acabamos discutindo. Acabei por deixar meu cabelo como de costume.

Terminei de me arrumar e me olhei no espelho. Na parte de baixo eu usava uma calca preta de terno com um par de sapatos marrom-escuro que o meu pai tinha engraxado para mim durante a manhã. Na parte de cima, usava a camisa azul-claro que minha mãe tinha me ajudado a colocar com uma gravata castanho avermelhado que meu pai tinha ajeitado para mim. Logo por cima vinha um suéter cinzento com riscas pretas e no topo de tudo um casaco (estilo paletó) dourado escuro. Acho que posso dizer que eu estava com bom aspecto. Não era o cara mais preocupado do mundo com aparência, mas também não queria chegar naquele baile e me destacar por ser o mais desarrumado, então eu fiquei satisfeito.

— Ok. Vamos lá. – eu respirei fundo e disse para mim mesmo me preparando para a pior parte que estava por vir.

Eu sai do quarto e minha mãe e Nancy estavam do lado de fora do quarto esperando. Logo quando apareci minha mãe abriu um enorme sorriso enquanto Nancy me olhava de cima à baixo.

— Oh, querido! Você está lindo! – minha mãe falou com emoção na voz colocando a mão sobre a boca.

— Tá ótimo, irmãozinho. – Nancy disse depois de terminar sua avaliação – mas teria ficado melhor se tivesse seguido as dicas de penteado que eu te dei…

Eu apenas grunhi e revirei os olhos.

Alguns minutos depois Nancy saiu e foi para o pavilhão. Aparentemente ela ia ajudar na organização do baile. Minha mãe me forçou a uma seção de fotos pra agravar ainda mais a minha vergonha. Ela segurava uma câmera polaroide enquanto e eu ficava em pé na escada que estava cheia de decorações de natal. Depois da quinta foto eu já estava de saco cheio, então deveria estar saindo com caras terríveis nas fotos.

Passados mais alguns flashes e protestos de minha parte, consegui encontrar um momento para fugir e minha mãe concluiu (à contragosto) que quinze fotos já deveriam bastar.

Meu pai me deu dez dólares para qualquer emergência que pudesse surgir, o que era provavelmente desnecessário já que eu nem ia sair do pavilhão da escola, mas eu aceitei de qualquer forma. Acho que ele só estava querendo parecer legal.

— Ok, meninos. Hora de sair – minha mãe gritou da entrada enquanto se olhava em um espelho que estava pendurado em uma parede e dava os últimos ajustes em seu penteado. Ela provavelmente queria parecer bem já que no entender dela era extremamente importante me levar até a entrada do evento.

Meu pai deu um leve suspiro, levantou de sua cadeira e desligou a tv.

— Bem, vamos a isso. Está pronto, Mike? – ele perguntou se dirigindo ao cabide próximo à porta de entrada e pegando seu casaco.

— Acho que sim. – eu disse.

— Certo. Agora só precisamos que sua mãe fique pronta – meu pai falou observando com desanimo minha mãe abrindo um estojo de maquiagens enquanto para mais alguns retoques.

É. Levamos mas uns quinze minutos até sairmos de casa e nos dirigirmos a escola.

Eleven

18:45

— Pronto, garota. Pode levantar – Hopper disse pra mim quando finalmente terminou de passar a maquiagem no meu rosto.

Eu levantai da cadeira e fui em direção ao espelho do banheiro. Já tinha colocado meu vestido, que tinha servido perfeitamente, então nós passamos o restante da tarde trabalhando na minha maquiagem e penteado.

Me observei por alguns segundos, me sentindo irreconhecível e lembrando das últimas vezes que tinham passado maquiagem em mim. A primeira foi na casa do Mike quando eu fui para a escola com ele. Eu usava uma peruca loira e foi a primeira vez que me olhei e pensei algo como “bonita”, já que antes esse tipo de coisa nunca tinha me passado pela cabeça. Na segunda vez tinha sido há mais de um mês, quando a Kali me vestiu e maquiou ao estilo “chocante” dela, o que tinha sido uma experiência divertida e, por algum motivo, libertadora.

Mas nenhuma das vezes foi como agora. Meu cabelo estava penteado de uma maneira que eu nunca tinha o visto antes. Dos lados, ele percorria puxado por trás de minhas orelhas terminando em pontas onduladas por cima de minha nuca. Em cima ele estava um pouco levantado fazendo um fluxo para a direita de minha cabeça como uma onda e uma pequena franja pousava sobre minha testa. Hopper tinha levado mais de uma hora fazendo aquilo enquanto eu eventualmente lhe dava alguma instrução das revistas

Meus olhos estavam pintados com uma cor que combinava com as bordas e bolinhas do meu vestido. Minhas bochechas estavam mais coradas do que o normal, o que provavelmente se devia aquela coisa fofinha que ele passou em meu rosto e que o Mike também tinha passado quando ele me maquiou em sua casa. Meus brilhavam lábios em cor-de-rosa claro.

Eu virei pra ele e pude perceber que ele me fitava com certa emoção nos olhos. Imaginei que talvez estivesse pensando em sua filha e como gostaria de poder tê-la ajudado a se preparar para um baile como fazia comigo agora.

— Você está linda, garota.- ele conseguiu dizer enquanto esboçava um leve sorriso.

Eu retribui o sorriso, e mais uma vez voltei a fitar a minha imagem no espelho, tentando ter a certeza de que não estava sonhando.

— Não teria conseguido…sem você. – eu falei enquanto observava cada aspecto de meu semblante.

— Bem, ainda falta uma coisa. Vem cá. – Hopper disse fazendo um leve gesto com dois dedos para que eu me aproximasse e assim eu o fiz.

Ele se abaixou na minha frente ficando da minha altura e tirou um elástico azul que estava em seu pulso.

— Me dá seu braço. – ele pediu e eu estendi meu braço esquerdo.

Ele colocou aquele elástico em volta do meu pulso, dando um nó em uma parte dele para diminuir sua extensão, evitando que ficasse muito largo em mim.

— O que é isso? – eu perguntei observando o objeto com curiosidade.

— Isso? Bem, era da minha menina. Era da Sarah. – ele falou, fitando o elástico em meu pulso com um olhar nostálgico. – Ela usava para prender o cabelo. Fui eu quem tinha dado isso pra ela e ela nunca tirava.

Hopper sorriu ao reviver suas lembranças, mas eu podia perceber a tristeza no fundo do olhar dele.

— Agora é seu, garota – ele falou segurando minha mão.

— Você tem certeza? – eu perguntei. Estava um pouco insegura de receber algo que parecia ter um valor sentimental tão grande para ele.

— É, tenho sim. – ele disse com confiança em sua voz – eu acho que ela gostaria que você ficasse com ele de agora em diante.

Eu observei o elástico mais uma vez, segurando meu pulso com minha mão direita e sorri sentindo como se aquele fosse um laço físico que me ligasse ao Hopper, além de nossos sentimentos, o que me deixou feliz.

— Bom, já está tarde, garota. É hora de irmos. – Hopper falou levantando e indo em direção ao casaco que estava pendurado no cabide ao lado da porta. – Você está pronta?

— Estou. – eu respondi, sentindo a empolgação tomando conta de mim mais uma vez.

Nós dois nos dirigimos à camionete e seguimos viagem para fora da floresta em direção à cidade. Ao adentrarmos na cidade, fiquei impressionada com as luzes de natal que percorriam as casas e estabelecimentos, e admirei tudo com encanto. Aquilo era algo que eu apenas tinha visto na televisão, mas era completamente diferente visto em primeira mão. Eu via vários carros na rua e pessoas preenchendo bares e cafés. Imaginei que a cidade devesse estar movimentada por causa do baile, já que provavelmente os pais tinham levado seus filhos até o local e se separado deles depois.

— Você vai ir ao baile comigo? – eu questionei, imaginando se Hopper também teria interesse em participar de um evento como aquele.

Hopper deu uma risada enquanto virava o volante para a direita em direção à escola

— O quê? Eu? Não, não, garota. Eu já estou velho demais pra isso – ele disse diminuindo a velocidade da camionete. – Além disso, acho que vocês crianças merecem um tempo pra se divertir sozinhos.

Eu gostaria que ele também fosse, pois estava bastante nervosa em entrar lá sozinha com medo de não encontrar os outros. Entretanto, o último comentário dele me fez lembrar da última vez em que tinha estado sozinha com o Mike, o que fez meu coração acelerar um pouco e me deixou ainda mais nervosa.

Eu já podia escutar música ecoando de dentro do pavilhão quando Hopper estacionou. Vários carros se encontravam estacionados por ali e o único movimento que percebia era de alguns adultos conversando do lado de fora, o que me fez concluir que todas as crianças já estavam lá dentro.

— Bem, é aqui que nos despedimos, garota. – Hopper disse voltando seu rosto em minha direção.

Eu me sentia apreensiva com a ideia de ir sozinha ao encontro de dezenas de crianças desconhecidas, mas minha ansiedade superava minha apreensão, então eu apenas assinalei que sim com a minha cabeça.

— Eu vou estar aqui quando a festa acabar, então…apenas tente se divertir bastante, viu? – ele disse com uma ternura na voz que não era muito do seu feitio.

— Sim. Me divertir bastante – eu repeti em voz alta para mim mesma.

Hopper me entregou um papel pequeno com uma textura diferente do comum (ele disse que eu deveria entregar para o homem sentado na entrada), me deu um abraço de despedida e abriu a porta do carro para mim.

Eu fui em direção à entrada do pavilhão e, dando uma última olhada para trás, abria as portas e segui em frente.

Andei alguns metros e logo na entrada havia um homem que tinha um grande bigode sentado em uma cadeira com uma mesa e vários papéis em sua frente. Era o professor do Mike que eu tinha conhecido quando fui a escola pela primeira vez. Ele parecia fazer anotações.

Eu parei em frente à mesa até que ele percebeu minha presença e me fitou com curiosidade no rosto.

— Hora bem, você me parece um tanto familiar, mocinha – o homem comentou, me analisando de cima abaixo – você estuda aqui?

— A-ah…eu…- acabei ficando sem saber o que dizer, sentindo o nervosismo tomar conta de mim.

— Ah, ele é nova aqui, senhor Clarke! – ouvi uma voz masculina familiar vinda da minha esquerda.

Virei meu rosto e percebi que era o irmão de Will, Jonathan, quem falava. Ele parecia ter me visto através do vidro da segunda porta que dava entrada ao pavilhão e ter vindo correndo, pois parecia um pouco ofegante.

— Ela chegou há pouco tempo na cidade, mas Will e os outros meninos já fizeram amizade com ela. – ele disse com um sorriso nervoso no rosto.

O homem me fitou por alguns segundos, ainda com um olhar de quem tentava se lembrar onde tinha me visto antes, mas acabou por dar de ombros aceitando a justificava apresentada.

— Muito bem. Nome? – ele disse segurando uma caneta e observando os papeis em sua frente.

— El…- eu comecei a dizer meu nome, mas lembrei que em casa Hopper tinha dito que a partir de agora eu deveria adotar o nome “Jane” quando falasse com outras pessoas. – Jane. Jane Hopper.

— Hopper? – o homem questionou virando o seu rosto para mim novamente, intrigado. – não sabia que o chefe de polícia tinha uma sobrinha.

— Quem diria não é mesmo? – Jonathan interveio, aparentemente tentando tirar a atenção do homem de mim.

O homem concordou e eu entreguei o pequeno bilhete que Hopper tinha me dado.

— Tenha uma bela noite, mocinha. – o homem disse abrindo um sorriso para mim e eu fiz uma pequena vênia com a cabeça.

Eu e Jonathan nos afastamos um pouco da mesa e ele se virou para mim.

— É só seguir por aquela porta. Meu irmão e os outros estão lá dentro. – ele falou baixinho para mim.

— Obrigada por me ajudar – eu disse o observando e ele apenas sorriu e seguiu para uma outra sala segurando uma daquelas coisas que se usa para tirar fotos em suas mãos.

Eu fui em direção à porta e observei através do pequeno vidro por alguns segundos. Eu conseguia apenas ver alguns balões na entrada e algumas crianças dançando no fundo ao som de uma música lenta que tocava. Não conseguia ver o Mike nem os outros.

Decidi que não valia a pena ficar perdendo tempo ali, então respirei fundo, empurrei uma das portas e segui para dentro do pavilhão, pronta para o que viesse.

Notas finais
Galera, eu espero que vocês estejam aproveitando esse desenvolvimento que estou fazendo. Como vocês podem perceber, eu evitei simplesmente avançar rapidamente para o baile pra criar esse sentimento de expectativa e pra criar uma nova experiencia para vocês. No próximo capitulo veremos a conclusão desse reencontro, podendo aproveitar esse momento de uma maneira mais prolongada do que no episódio final da série. :) Não deixem de avaliar e, se puderem, comentar. Um enorme abraço para todos!