Notas iniciais
Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer.Platão

Tudo começa em um vácuo, um grande espaço vazio e escuro sem saída aparente. Depois você descobre que aos poucos, uma casa na colina aparece. Dentro dela não há nada e conforme vai usando a imaginação, móveis se materializam à sua frente. Pode parecer um sonho, você pisca os olhos e não há mais nada lá. O vácuo? Também não.

Estou de volta à minha sala; levanto-me e sigo até o jardim da casa, calço os chinelos e sento na fonte alimentando as carpas. Visitei locais diferentes várias vezes do mesmo modo, eu nunca tive problemas, exceto pela última vez.

Lembro-me de ter ido do Japão à New York em segundos. Lá eu testaria minha teoria de que os humanos podem fazer mais do que imaginam. Conversei com diversas pessoas e elas me pareciam normais, chefes de famílias, crianças, avós, mães. Não precisei saber da história delas para fazer o que eu fiz. Cada vez que eu conversava com alguém arrumava um jeito de tocá-las para ver se eram reais. Pareciam sólidas, mas eu sabia que havia uma maneira de fazer aquilo.
Demorou um pouco até eu conseguir feri-las fisicamente apenas na conversa. Enquanto conversávamos sobre a estressante rotina delas, cortes apareciam pelo rosto. Eu precisava de um motivo para eles, então fiz com que folhas secas voassem cortando-as. Noutra hora insetos as picavam causando alergias. Tudo parecia um acaso, nunca ninguém atribuiria culpa a mim. Eu não sentia prazer em machucá-las, mas precisava testar minha teoria em humanos, já que eu já havia testado com plantas e animais.

Tudo deu errado quando resolvi aumentar o nível de dificuldade e as pessoas, ao invés de machucadas começaram a sumir. Na verdade elas nunca haviam existido, mas ele não sabia disso, ele não quis acreditar . Então, enquanto eu escrevia no meu caderno de pesquisa as minhas descobertas no parque central, eles vieram e me prenderam em um local que eu nunca soube onde era.

Notas finais
Muitos odeiam a tirania apenas para que possam estabelecer a sua. Platão