The Next Game
1 TARDIS in My Mind Palace
Notas iniciais
A única coisa que seus olhos viam era o rosto dela. Sua Molly. Sentia-se sufocado, mas ainda assim, sentia-se bem. Estavam juntos... Depois de tudo, Molly estava ali. Ao seu lado. Dispensável era o pensamento de que aquilo era só seu palácio mental. Aquele sorriso. No rosto daquele anjo. Aquilo já não era mais real. Tudo que tinha era o palácio mental.
Molly ainda sorria. Da mesma forma que ele se lembrava que ela havia sorrido por todos aqueles anos... Se soubesse o quanto amaria Molly Hooper, nunca teria... Isso não faria diferença agora. Os melhores anos de sua vida foram ao lado de Molly e disso ele nunca iria se esquecer. Era sua última esperança. Seu último pensamento – em seus últimos momentos em seu palácio.
Sabia que tinha pouco tempo, então abraçou-a. A sensação não era a mesma. Queria-a ali. Queria não sentir-se tão sufocado. Não sentir-se como um monstro. Queria... Mas não podia. O que tinha feito com sua própria vida? O que tinha feito com sua Molly?
– Nós vamos ficar para sempre assim. – Ela sussurrou abraçada ao peito de Sherlock e ele jurou que não reclamaria se perdesse a consciência naquele exato momento.
Fechou os olhos e sentiu a sensação de desconforto crescer e crescer, até que ouviu um barulho estranho... Estranho, porém conhecido. Não podia ser! Era impossível! Era ridículo! Molly se afastou, assustada com aquele barulho "o que é isso, Sherlock?" Ela perguntou. "É..." Ele não sabia exatamente o que responder. Virou-se e encontrou a familiar cabine telefônica azul se materializando. A cabine azul. No palácio mental. Sherlock estava enlouquecendo!
– É o doutor, Molly... – Sussurrou.
Quando virou-se ela não estava mais ali. Revirou os olhos e encarou a cabine telefônica.
– Eu não quero gastar meus últimos momentos de palácio mental com... – Se aproximou e bateu na porta da cabine. – Com você!
– Eu deveria me sentir ofendido? – Ouviu a voz familiar e viu a porta abrir. – Holmes! Que saudade dos seus insultos!
– E você vem até aqui? – Estava incrédulo. – Estragar minha última lembrança? Aliás... Como veio parar aqui? Eu estou imaginando isso? Porque se estiver... Eu prefiro que Molly volte. Ela me tranquiliza mais.
– Oh, Holmes... Não seja tão ignorante. – Fingiu-se de ofendido.
Sherlock sentiu-se tentado à socar a cara daquele homem grande e magro. Ele não aguentaria um ou dois socos. Dane-se se era "o Doutor", se era de outro mundo, se tinha sua máquina que viaja no tempo... Não podia interromper a última memória de Sherlock para irritá-lo.
– Você tem sorte que eu... Eu te devo algumas. – Sorriu de forma psicótica.
– Você me deve muitas, Doutor. E nunca vai poder pagar... – Segurou os ombros do senhor do tempo. – Eu estou morrendo. Nesse momento meu corpo está afundando no fundo do oceano ao lado da única mulher que amei... E você não pode fazer absolutamente nada.
– Me prometa.
Do que ele estava falando? O detetive estava no meio de seus últimos momentos de consciência e ainda tinha que lidar com aquele... Aquele idiota! Por que não pegava sua amada TARDIS e ia pra longe dali? O que estava fazendo no maldito palácio mental?
– Prometa que vai me ajudar com uma última coisa... – Gesticulou para seu próprio peito. Para dois lugares diferentes. – Prometa, Sherlock Holmes. Então eu o ajudarei.
– Como pretende me ajudar? – Riu de forma cínica. – Você não pode me ajudar! Ninguém pode! Eu me desgracei. Desgracei minha vida e desgracei a vida da única mulher que amei!
– Não pode ser tão ruim... – O doutor riu novamente.
Parecia se divertir o tempo todo. Isso. Irritava. Sherlock. Até. Seu. Limite. Por que ele tinha que sempre parecer divertido? Sempre com suas caretas de psicopata e seus sorrisos enormes no rosto... Por que?
– Eu a matei. – O detetive gritou, perdendo o pouco do controle que tinha antes. – Eu enfiei uma bala na mulher que amava... Oh meu Deus, se existe um outro lado, Molly vai me caçar e me castigar! Ela vai me...
– Ela não vai. – Deu um sorrisinho diabólico. – Você vai para o inferno e ela...
– Ela me perseguiria. Iria até o inferno. – Revirou os olhos. – Molly me acharia. Ela vai me achar. E vai me castigar por ter desgraçado a vida dela!
– E você a ama! – Deu uma gargalhada. – Desculpe meu senso de humor insensível. Passei por dias terríveis... Mas você a escolheu. E você a matou. Você deveria saber... Essas mulheres temperamentais...
– Elas são as melhores, de qualquer forma. – Gargalhou junto com o doutor. – Eu vou adorar ser castigado pelo resto da eternidade...
– Ou eu posso usar essa belezinha aqui. – Apontou para a grande cabine telefônica. – Posso viajar no tempo e... A regra de não mudar a linha do tempo pessoal de alguém continua de pé, mas eu te devo essa Holmes.
– Você faria... Você... Você faria isso por mim? – Sentiu-se paralisado dos pés à cabeça. A sensação era de congelamento. Estava acabando seu tempo de consciência.
– Você a ama. – Sherlock pensou ter visto um vulto de tristeza passar pelos olhos do homem em sua frente. – Se você a ama e eu posso ajudar... Então eu ajudarei. Preciso de um local, uma data, uma hora e...
– Você só precisa matar James Moriarty.
–
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