The New World- INTERATIVA
14 Alone Together
Notas iniciais

Lilian
Acordei assustada com barulho do despertador e logo o joguei contra a parede. Ele ficou sem mexer por alguns segundos, mas logo voltou a fazer seu irritante barulho.
– Eu mereço – Falei para mim mesma.
Me levantei sabendo que não tinha escolha. Mesmo nos tempos de hoje ainda existia essas coisinhas chamadas de despertadores. Parece que alguns costumes nunca se foram. Coloquei meu uniforme e apenas amarrei o cabelo em uma trança de lado. Fui até o guarda roupa aonde ficava minhas armas e peguei um dos meus coldres e coloquei um na coxa e peguei outro colocando na cintura.
Peguei duas 44 magnum apenas e peguei mais uma simples faca sem cabo colocando no coldre da coxa. Apertei bem os dois coldres e peguei meu colete. Sai do meu pequeno apartamento e o tranquei. Vi que no corredor havia apenas o Corey que estava apressando o Andrew e dois guardas. Fui ate o elevador e assim que eu entrei nele escutei o grito da Alexandra.
–Segura ai pra mim.
Coloquei a mão em uma das portas e logo Alex entrou. Tirei a mão da porta e apertei em um dos botões para ir ao refeitório. Alex estava arfando, parecia que havia corrido uma maratona.
–Obrigada – Falou ela e eu dei de ombros – Segura o meu colete rapidinho.
Alex me deu o colete e amarrou o cabelo rapidamente em um simples rabo de cavalo. Ela assim que terminou pegou o colete da minha mão.
–Bom dia –Falei.
–Bom dia –Respondeu.
–Atrasada de novo?
–Mais que atrasada.
–Oque fez com o despertador?
–Era uma vez um despertador...
–Alex você não tem jeito mesmo.
–Nenhum pouco – Falou ela com um sorriso malicioso.
–A Olga não vai dar outro para você.
–Vai sim, ela fala que eu sou uma pessoa irresponsável, que tem que crescer etc, Mas no fundo, me ama – Diz ela com orgulho me fazendo rir –Falta muito ainda, eu estou morrendo de fome.
–Três andares – Respondo.
Alex não fala mais nada e apenas curte a musiquinha do elevador. Como eu disse... Alguns costumes não mudam. Assim que as portas se abrem Alex sai de lá já sorrindo. Deve ser o movimento. Apenas alguns novatos estavam acordados, o resto provavelmente estava dormindo. Essa é uma das vantagens de ser novato você tem uma hora a mais para dormir.
Quando Balthazar passa apressado por mim e acaba batendo no ombro em Alex, já sei oque está por vir.
–Ei, só não destruo esse rostinho lindo porque ele pode ser bem útil para mim um dia – Diz ela com seu sorriso malicioso.
Balthazar se vira e mostra o dedo do meio para ela que apenas ri.
–Alexandra Pavloca, você quer me deixar mais vermelha que um pimentão?!
–Primeiro, é Pavlova, e outra ele é chato, porém é um gatinho.
–Eu desisto – Falo e pego o braço dela nos direcionamos para a pequena fila que havia para pegar comida.
Pego apenas um sanduiche vegetariano e água. Não estava lá com tanta fome. Alex fica um bom tempo na fila enquanto eu escolho um lugar para sentar. Assim que sento dou um gole na minha água. Olho para frente e vejo Cassie. Oque ela tá fazendo acordada?
–Ei, Cassie! – Grito.
Ela me vê e caminha até a mesa onde estou. Percebo que seu rosto está branco até demais e vejo que seus olhos estão cansados com olheiras debaixo dos olhos. O cabelo está bem bagunçado e apenas um sorriso está estampado no seu rosto.
–Você tá bem? –Pergunto assim que ela se senta.
–Mais ou menos –Responde ela desanimada.
–Oque aconteceu?
–Nada, só estou cansada.
Percebo que ela não vai falar então não insisto. Logo Alex chega com sua bandeja transbordando de comida. Ela olha para Cassie confusa e da de ombros.
– Quem e ela? – Pergunta Alex.
– Cassie – Responde Cassie para mim – Cassie Wilde.
– Prazer Alexandra Magnitski Pavlova.
– Mais conhecida como Pavloca – Falo.
– Eu já disse que é Pavlova – Reclama Alex – Enfim, mas pra ficar mais fácil me chame de Alex.
Cassie sorri e logo volta a sua atenção para as mãos que não param quietas. Algo estava à perturbando. Termino o meu café e olho o meu relógio de pulso que horas são. São quase sete horas, como minha alegria dura pouco.
– Vamos Alex – Digo e percebo que ela ainda está comendo.
– Espera eu terminar de comer.
– Anda logo, ou a Olga vai brigar com você de novo.
– Estou pouco me fodendo para ela.
– Alex!
– É verdade, ela não liga pra gente só sabe enche o saco e falar “Faça isso” “Não, faça aquilo” isso cansa, ela cansa.
– Tá depois dessa vou deixar você comer.
Deixo ela comendo em paz e vejo os irmãos Taylor e Andrew vir até nossa mesa. Eles estão mais do que atrasados, mesmo.
– Oi – Falo.
– Oi – Respondem em uníssono.
– Ei, essa não é a cientista que foi com a gente na última missão? – Pergunta Taylor.
Cassie esconde mais o rosto e eu me pergunto o por que.
– É sim.
– Cassie – A chamo – Cassie oque você foi fazer em uma missão?
– Nada – Responde ela.
– Cassie, como nada? Você é uma cientista, não uma...
– Eu sei tá! – Ela grita e bate a mão na mesa que acaba com um belo amasso.
– Vai mais pra lá Corey – Diz Andrew se afastando de Cassie.
– Desculpa – Diz ela e se levanta.
– Não Cassie – Falo me levantando também – Tudo bem.
– Não, eu preciso caminhar, me distrair, desculpe.
Cassie se vira e caminha para fora do refeitório.
– Oque aconteceu com ela? – Pergunta Alex.
– Não sei – Respondo – Mas ela não deveria estar em uma missão, ela é uma cientista. Não tem lógica.
– Talvez ela foi mandada pra lá – Diz Corey.
– Como? – Pergunto.
– Muito simples, ela só pode ter sido mandada pela chefe dela.
– Isso tá muito esquisito.
– Ah não, Lila não vai se agora que você vai dar uma de detetive. Vamos, já terminei e estamos atrasadas – Fala Alex se levantando.
– Sério gênio?!
– Ande vamos.
Eu e Alex não demoramos até chegarmos ao coração da resistência. Aonde Olga controlava tudo e ficava lá o dia inteiro. A sala de controle. Logo nos colocamos em nossos lugares. Eu no lado direito das enormes portas de aço e Alex no lado direito das portas. Coloquei meu colete e Alex nem se importou e o deixou largado no chão.
Percebi que ela estava bem mais equipada que eu. Ela vivia mais equipada que qualquer um. Logo vemos Olga e dois “puxa sacos” como dizia Alex atrás dela, vindo. Logo vejo um sorriso em Alex e sei oque ela vai fazer.
– Bom dia Sra. Castillo.
– Bom dia Presidenta Olga.
– Olá... Sra. Pavlova.
– Olá presidenta.
– Seu eu fosse a senhorita colocaria o colete, ele pode salvar sua vida.
– Eu acho que quem pode me salvar é eu mesma e não um colete.
Olga não diz nada, mas logo sorri.
– Como vai o despertador? – Pergunta a Presidenta.
– Despedaçado – Responde Alex com o mesmo sorriso, cínico.
Eu e Alex abrimos as portas e os “puxa sacos” entram primeiro. Olga continua parada sorrindo.
– Sra. Pavlova, a senhorita não tem jeito mesmo. Será que nunca vai mudar? Não responda.
– Não senhora, eu não irei mudar.
– Pegue um outro despertador com o O’Connel.
– Muito obrigada senhorita Olga.
– E vê se não o quebre.
– Não senhora.
Olga sem dizer mais nada e desistindo entra na sala e nós fechamos as portas. Reviro os olhos para Alex que não para de rir. Quanta ousadia e quanta sorte.
Cassie
Tá tudo bem. Vai ficar tudo bem. Eu repetia esse mantra sem parar na minha mente. Eu estava bem, eu acho. Desde que Zack tinha dado um jeito no meu ferimento eu estava diferente. Eu sentia que algo não estava bem comigo. Eu me sentia dispersa a tudo. Sentia que iria cair de uma hora para outra.
Tudo não fazia mais sentido. Fazia quase meia hora que eu estava andando sem rumo. Algumas pessoas passavam por mim correndo, e outras rindo. Menos eu. Eu não queria sorrir e nem correr, nem chorar. Eu queria e estava inexpressiva.
Andrômeda estava preocupada comigo ontem, assim como Sarah que também estava preocupada, mas diferente de Andrômeda, ela não era de ficar tirando satisfações toda hora. John ultimamente também estava tentando se reaproximar de mim, percebi isso ontem. Ele veio atrás de mim ontem, e mandei ele ficar longe de mim novamente. Na verdade eu queria ficar longe de todo mundo.
De repente um grupo de adolescente passa correndo por mim, e quase me derrubam. Eu me encosto na parede e sinto tudo rodar novamente. Continuo caminhando usando a parede como apoio. Logo mais a frente eu vejo pessoas rindo em um corredor e percebo que não da nem para andar lá, mas não ligo.
Sigo por aquele corredor e escuto os risos. A tontura volta, mas eu continuo. Os sons já estão abafados e tudo começa a borrar na minha frente. Vou passando pelas pessoas, que nem se importam com minha presença. Quando passo por todas elas eu finalmente caio.
Antes de sentir minhas costas baterem no chão alguém me segura. Olho para o rosto da pessoas e não vejo muita coisa. Mas consigo ver que é um garoto. Minha visão clareia um pouco e ele está falando comigo, mas eu não escuto oque é. Ele é loiro e tem olhos castanhos claros. Ele é tão lindo. E eu já estou delirando.
Um sorriso sem querer brota dos meus lábios, mas eu não ligo mais pra nada. Sinto minha respiração falhar, sinto minha barriga molhada e meus olhos se fecham.
Ágata
Acabo de sair do consultório que fizeram improvisado, já que o meu virou cinzas. Com muita sorte ninguém se feriu gravemente, todos estavam bem. E eu só estou aqui por causa de Zack. Depois que eu o beijei não o vi mais. Eu estava com uma certa vergonha. Eu nem o procurei para ter tempo de pensar mais um pouco.
Sou interrompida pelos meus devaneios quando um garoto chega gritando carregando uma menina em seus braços. Os enfermeiros se aproximam e eu também. Assim que me aproximo e mando um dos enfermeiros trazer uma maca. Sinto que os pulsos dela estão fracos. Assim que trazem a maca o garoto coloca a menina lá eu mando fazerem os exames mais rápido que conseguirem.
– Oque aconteceu com aquela garota? – Pergunto.
– Eu não sei, ela estava andando meio sem jeito eu estava observando ela até que ela caiu, mas eu á segurei. Ela não estava bem, dava pra ver no seu rosto. A barriga dela começou a sangrar e eu tinha que trazer ela aqui.
– Tudo bem, eu vou ver oque posso fazer e ajuda-la – Falo tranquilizando o garoto
– Você á conhece?
– Não, não faço a menor ideia de quem ela seja – Responde ele.
– Grande nobreza da sua parte. Qual é o seu nome?
– Tate.
– Assim que conseguirmos salva-la digo à ela que você a salvou de verdade.
Não espero resposta e saio em disparada atrás dos enfermeiros. Quando chego na sala de exames os enfermeiros ainda estão fazendo mais exames.
– Dra. Ágata – Me chama uma das enfermeiras e eu vou até ela – A garota está com hemorragia no estomago e parece que á alguma coisa lá.
– Vocês tem certeza?
– Sim.
– Tudo bem, quero ver os exames e preparem minha sala de cirurgia – Digo isso e ela logo me da os exames e manda alguns enfermeiros e preparando a sala de cirurgia.
Vejo exames e percebo que eu vou ter de fazer milagre. Mando levarem a menina logo para a sala de cirurgia e eles logo levam. Mando chamarem outro médico para me ajudar e vou para a sala de cirurgia.
Assim que chego lá lavo minhas mãos e com ajuda de uma enfermeira coloco as luvas. Coloco a mascara e vou até a mesa de cirurgia aonde já preparam a menina. O estomago dela parece que foi perfurado, mas não a pontos lá. A porta se abre e vejo Zack lá.
– Oque você está fazendo aqui? – Pergunto pra ele.
– Ela é minha paciente, eu já vi os exames. Aliás eu a conheço é a Cassie – Diz ele já no outro lado da mesa analisando a barriga da menina que agora eu sei que se chama Cassie.
– Era para ter pontos aqui.
– Percebi – Falo.
– Oque aconteceu com ela?
– Um garoto a trouxe e disse que ela estava caminhando por ai tonta. E quando ela chegou, ela estava ensopada de sangue.
– Eu falei pra ela ficar de repouso.
Ele pega um bisturi e corta com cuidado no mesmo lugar aonde deveria ter pontos. Eu pego um espaçador e ele pega as pinças. Os enfermeiros começam a drenar os sangue de Cassie. Olho para o monitor que mostra como estão os seus pulsos e percebo que eles estão mais fracos.
Depois de muito procedimentos e muito tempo a hemorragia para e eu e Zack estamos quase conseguindo tirar oque estava no estomago dela.
– Não podemos continuar – Diz a enfermeira chefe – Os batimentos estão ficando muito fracos.
Zack não liga, enquanto os enfermeiros vão tentando fazer tudo que podem. Zack continua calmo e fazendo tudo que pode e eu só o ajudo tentando ficar calma. Olho para o monitor de novo e vejo que os batimentos estão voltando, só que rápidos, rápidos de mais. Oque está acontecendo?
Zack continua enquanto os batimentos estão cada vez mais rápidos.
– Zack para – Falo, mas ele não escuta – Zack!
Os batimentos aceleram mais ainda e eu acho que o monitor vai explodir. Então para. Não a mais batimentos. Olho para Zack que tirou algo que eu não sei bem oque é. Na verdade não faço a menor ideia do que seja. É pequeno deve ter uns 5 centímetros, e tem uma luz vermelha que não para de piscar e é prata só que com uma listra verde, de um verde doentio.
Na ponta tem uma agulha e envolta dessa agulha algumas garras. Isso deveria estar grudado nela. Um líquido preto e outro verde saem das garras e percebo que saem de dentro daquela coisa.
Os enfermeiros estão longe de Cassie e Zack coloca aquela coisa em uma bandeja de prata. Olho para Cassie que está branca demais. O monitor não da sinal de nenhum batimento. Oque fizemos? Tento respirar calmamente, mas não dá. É a primeira vez que isso acontece, é a primeira vez que alguém morre em minhas mãos. Oque eu fiz?
Minha visão começa a embaçar e eu sei que a qualquer momento vou desabar e chorar. Então eu escuto. Bip, bip, bip. O sinal de esperança. Bip, bip, bip. Ela voltou, ela voltou. Zack logo avança e pede ajuda a um dos enfermeiros e começa a cauterizar as veias e fazer a sutura. Meus olhos brilham e vou até ver se Cassie está respirando normalmente.
Coloco dois dedos na sua garganta e sinto que seus batimentos realmente voltaram. Vejo se sua respiração está normal e está muito fraca. Mando trazerem de tudo oque eu preciso e assim que trazem coloco a máscara nela já com o cabo injetado.
Quando Zack termina vejo que Cassie realmente voltou. Ela voltou. Um sorriso brota dos meus lábios. Graças a Deus. Ela voltou, tá tudo bem agora.
Assim que todos se acalmam peço para prepararem o quarto para Cassie e para arrumarem um cateter e um cilindro para ela, já que ela vai ficar um bom tempo respirando com ajuda de aparelhos.
Quando levam Cassie fica apenas eu, Zack e alguns enfermeiros que estão arrumando tudo. Zack tira a máscara e ao invés de ver um sorriso, já que Cassie está viva, vejo ele sério. Tiro a máscara e olho confusa para ele.
– Venha, precisamos conversar – Diz Ele e eu o sigo para fora da sala.
Fomos até o consultório dele que está intacto ao contrário do meu. Olho em volta e ele pede que eu me sente. Ele se senta na minha frente no outro lado da sua mesa. Ele me olha apreensivo e não faz nada. Aquele silêncio já estava ficando desconfortável.
– Então, por que você me chamou aqui? – Pergunto quebrando o silêncio.
– Eu precisava conversa com você.
– Sério.
– Na verdade é bem sério.
– Seja breve então, por favor.
Ele sorri e continua:
– Quando você entrou em desespero querendo que eu parasse eu quase parei, mas havia algo dizendo que não. Era Cassie.
– O que tem ela?
– Alguma coisa aconteceu com ela. Algo bem diferente.
– Quem garante?
– Ela voltou a vida.
– Quem sabe a quase morte dela foi apenas um reflexo.
Aquela conversa estava muito séria, não parecia que eu e Zack estávamos conversando. Sei lá, estava muito seco.
– Aquilo não foi um reflexo. Cassie ficou minutos sem vida, aquilo que estava nela tinha alguma coisa, estava ou sugando alguma coisa ou injetando alguma coisa nela.
– É aquilo é muito estranho, vamos ter que mandar para fazerem uma pesquisa.
– Você tem razão – Diz ele que se levanta e caminha até ficar do lado da mesa.
– Se for só isso – Digo já me levantando – Bom eu tenho que ir. Precisa de mais alguma coisa?
Ele caminha até mim sorrindo, e aquele não é qualquer sorriso. Quando ele está perto o suficiente – Perto demais – de mim Ele agarra minha cintura.
– Na verdade eu preciso sim – Diz ele – De você.
Dito isso ele ataca meus lábios. Fico surpresa, mas logo retribuo. Ele aperta mais minha cintura e eu coloco as mãos em seus ombros subindo para o pescoço e a nuca. Ele desce mais a mão e eu me separo dele. Tá aquilo estava indo muito rápido.
– Acho que agora eu realmente preciso ir – Digo e ele que apenas sorri e eu sorrio de volta.
Sua idiota, pare de sorrir. Diz meu inconsciente. Só agora você resolveu aparecer. Respondo. Vai ficar sorrindo mesmo? Paro de sorrir e tomo a minha posição profissional.
– Foi bom te ver... Zack.
– Digo o mesmo Ágata.
Saio do consultório dele tentando não sorrir, mas assim que bato a porta atrás de mim outro sorriso brota dos meus lábios. Eu não sei se fico com raiva de Zack por ter me confundido ainda mais, e me deixando completamente vermelha e sem saber oque fazer. Ou se corro para os braços dele. A opção dois pode ser boa. Penso. Volte a trabalhar mulher! Diz meu inconsciente e eu o obedeço.
Pergunto para a primeira enfermeira que passa por mim aonde está Cassie e ela diz que está no quarto dez. Um dos últimos. Pelo menos do que sobrou do setor B. Vou até o quarto e entro sem fazer barulho. Assim que entro vejo o mesmo garoto que trouxe Cassie. Me aproximo e vejo que ele segura a mão de Cassie.
– Ela está bem? – Pergunta ele assim que me vê.
– Sim, depois de algumas complicações na cirurgia ela está bem. Percebi que você se apegou bem a ela – Digo direcionando pela mão dos dois que estão entrelaçadas.
– Não, é que. Quando eu cheguei perto dela ela parecia ter acordado e agarrou minha mão e depois não soltou mais.
– Entendi, talvez ela saiba que foi você que a salvou.
– Na verdade quem à salvou foi você, eu só ajudei.
– Isso mesmo. Se você não tivesse a trazido aqui a tempo ela nem poderia estar mais viva. Você foi o verdadeiro herói.
Ele sorri, mas logo seu sorriso se desfaz.
– É bom eu ir indo – Diz ele e solta mão de Cassie que também solta a mão dele.
– Até mais Tate.
Ele sai do quarto e eu me aproximo mais de Cassie vendo se está tudo certo com ela. Regulo o soro, e ajeito o cateter dela. Assim que termino em poucos minutos sorrio.
– Que bom que você sobreviveu. Você é bem diferente Cassie. Muito diferente – Digo passando várias vezes a mão em seu cabelo fazendo um cafune.
Continuo até me chamarem. Vejo pela ultima vez se tudo está certo e percebo que sim.
– Até daqui a pouco Cassie – Digo e dou um beijo em sua testa.
Saio da sala e vou a caminho dos meus afazeres .
Beatrice
– Você vão calar a boca ou não? – Grito com Andrômeda e John que não param de discutir.
– É, se casem logo – Diz Sarah já cansada.
Os dois se olham e John revira os olhos desistindo se sentando no chão. Andrômeda se encosta na parede ao lado de Sarah e fica olhando para o nada.
– Agora nós podemos conversa – Digo e logo John e Andrômeda começam a falar juntos, um querendo gritar mais que o outro – Já chega!
Os dois calam a boca novamente e eu decido então continuar.
– Pelo amor de suas vidas, não abram a boca – Falo – A gente não faz a menor ideia de onde foi parar a Cassie, o negócio é sair procurando.
– Sério?! – Fala Sarah irônica – Você sabe o tamanho desse lugar se formos procurar em cada canto ficaremos o resto da vida tentando.
– Alguém tem uma ideia melhor então? – Pergunto e ninguém diz nada.
De repete vejo duas figuras correndo até gente e assim que se aproximam vejo que são Andrew e Corey. Assim que eles chegam os dois estão arfando e colocam a mão no joelhos.
– Oque aconteceu? – Pergunto.
Corey ergue a mão pedindo um momento.
– Conta você – Diz Andrew.
– Não conta você – Diz corey.
– Não você.
– Você.
– Você.
– Contem logo! – Grita Andrômeda.
Andrew e Corey recuperam o folego e começam a falar:
– É a Cassie – Começa Andrew.
– Ela tá no Hospital – Continua Corey.
– Ela passou mal – Diz Andrew.
– Mas agora está bem. Achamos que você deveriam saber – Termina Corey.
– Vamos – Digo e saio correndo com Andrômeda , Sarah e John atrás.
Corro cada vez mais rápido a procura do corredor que leva até o hospital. Porra porque tem que ter tantos corredores?
– Aqui! – Grita Andrômeda e corremos até ela.
Graças a Andrômeda conseguimos encontrar o corredor certo e fomos correndo. Assim que chegamos vou até a recepção que fizeram improvisada, já que a outra só sobrou cinzas. Perguntamos para a recepcionista aonde estava Cassie Wilde ela falou que era setor B quarto dez. Fomos até lá seguidos por uma enfermeira.
Assim que entramos uma doutora conversava com ela. Eu acho. Andrômeda e John foi até ela enquanto eu e Sarah nos aproximamos calmamente. Escutamos Cassie e John a encherem de perguntas enquanto Cassie ainda estava digerindo a ideia do que havia passado.
– Gente eu estou bem – Disse Cassie devagar.
– Isso é verdade. Ela ficou a manhã inteira sem acordar, mas assim que ela acordou ela já estava calma. Não sentia dor e nem nada. Só precisa descansar. Não é Cassie?
– Sim, peça desculpas a Zack por mim, por eu não ter obedecido ele.
– Pode deixar – Disse a doutora corando.
Ai tem coisa.
– A propósito sou a doutora Ágata.
– Já ouvimos falar de você – Diz Andrômeda com os olhos brilhando.
– Eu vou deixar vocês a sós, mas não demorem.
– Pode deixar – Diz John.
Ágata já ia saindo, mas eu a impedi.
– Doutora Oque realmente aconteceu com ela? – Pergunto.
– Venha, vamos conversar lá fora – Diz ela séria.
Eu a sigo para fora do quarto e assim que ela fecha a porta começa:
– Cassie chegou aqui sendo carregada por um garoto. Ela está com a roupa cheia de sangue e o sague vinha de seu estomago. Ela estava tendo uma hemorragia. O garoto se chama Tate, agradeça á ele mais tarde – Diz ela e concordo com a cabeça – Ela estava desacordada e eu mandei fazerem alguns exames nela, já que os batimentos estava fracos. Descobriram que a hemorragia estava sendo causada por alguma coisa que estava dentro dela. Nós á levamos para a sala de cirurgia e eu e Zack fizemos tudo que podíamos. Até que os batimentos dela pararam. Ela tinha morrido. Zack havia arrancado algo de dentro dela. Não sabemos oque é.
– Mas como assim ela morreu?
– E é ai que tudo fica mais estranho. Alguns segundos depois que Zack havia arrancado aquilo de Cassie os batimentos voltaram e ela voltou a vida.
– Isso é muito estranho.
– Não conte nada a ela. Nós temos que saber oque é aquilo primeiro. Depois nós podemos contar aos poucos. Mas não revelem nada. Não contem nada. Aliás não conte á ninguém. Só você sabe, fora eu e Zack e claro os enfermeiros.
– Tudo bem, eu não conto.
Ela saiu depois que à chamaram novamente e eu entrei dentro do quarto novamente foçando um sorriso.
Safira
– Ela ainda está gritando? – Pergunto para um dos psiquiatras.
– Sim, parece que vamos ter que dopa-la de novo – Me responde ele.
– Tudo bem, mas antes quero ver como ela está. E o Bellamy?
– Ele não saiu da sala de observatório um segundo se quer.
– Vamos ver então como estão as coisas.
Entro na sala de observatório e vejo Bellamy olhando para o vidro que separa Ellie da gente. Ela está no chão chorando dessa vez e parece deslocada. Bellamy olha pra mim e vejo seus olhos vermelhos. Seu rosto mostra claramente que ele não dormiu.
Os psiquiatras explicam oque acontece com ela a cada segundo para os poucos cientistas que vieram estuda-las. Egocêntricos. Vou até Bellamy e sorrio para ele com pena.
– Vejo que não dormiu – Falo.
– Não conseguiria. Eu até tentei, mas ela está mudando de humor a cada segundo.
– Ainda não me falaram sobre isso.
– Ouvindo as conversas descobri que ela está passando por um estágio atrás do outro de alguma coisa que ninguém sabe oque é. Primeiro ela grita. Depois ela para e fica em total confusão. Depois começa a tentar sair batendo nas paredes e no vidro. Então ela cai em qualquer lugar e começa a chorar. E por ultimo ela fica de pé encarando o vidro, tentando ver alguma coisa. Ela fica me encarando e minha vontade é de tira-la dali. É uma tortura você sabe.
– Bellamy tudo que podemos fazer é esperar. Ela está mal. Muito mal. Não sabe quem é. Não reconhece nada. O único que ela reconheceu foi você. E acredito que algumas pessoas ficaram decepcionadas por ela ter lembrado de você e não delas.
– Os amigos dela devem me odiar por isso.
– Não exagere. Eles no máximo estão querendo te decapitar – Digo tentando quebrar o clima tenso.
– Deve ser mais ou menos isso.
Olho para Ellie que já parou de chorar está somente deitada no chão, desenhando círculos imaginários no chão. Vê-la presa daquele jeito parece não só afetar a mim como a Bellamy. Sei que não à conheço, mas para ele ou para qualquer pessoa que à conhecesse ela era especial.
– Ela repete esses estágios quando? – Pergunto.
– A cada quatro horas. Você saiu a quatro horas atrás e ela estava no ultimo estágio e depois ela dormiu. Antes de você chegar ela estava passando pelo estagio aonde ela começa a querer quebrar tudo.
– Oque fizeram para ela não usar os poderes?
– Alguma coisa que está enfraquecendo a mutação dela, então ela não pode fazer nada.
– Entendi. De qualquer maneira vou ter que dopa-la.
– Por que? – Pergunta Bellamy incrédulo.
– Porque ela precisa descansar e temos que dar um jeito dela voltar.
– Entendi.
– Quer vir comigo? – Pergunto sorrindo.
– Tem certeza?
– Claro, acho que você pode acalma-la e assim eu consigo injetar o soro nela com mais calma, também.
– Eu vou então – Diz ele, já empolgado.
Caminho até uma das prateleiras que está com seringas e pego um soro da coloração azul-claro. Coloco o liquido na seringa e entro em uma pequena salinha que da na porta aonde vai para o quarto de Ellie. O guarda abre a porta para gente e entramos.
Diferente do observatório que é escuro, o quarto de Ellie é totalmente branco. A cama fica em um canto e ela está deitada no chão. Desse jeito ela parece tão calma. Bellamy me olha com expectativa e eu aceno a cabeça para ele.
Bellamy sem pensar corre até ela e se ajoelha na frente dela, que se levanta brevemente assustada apenas com a sustentação do cotovelo. Mas Ellie logo se acalma. Bellamy passa as costas das mãos no rosto de Ellie, que fecha os olhos.
Não consigo evitar e sorrio. Ele é um calmante para ela. Bellamy diz para ela que está tudo bem agora. Que ele vai estar com ela etc. Ele sabe que não poderá ficar aqui, mas desde que à acalme, tudo está valendo.
Ellie chega a falar algumas palavras. Apenas querendo saber aonde está, oque está acontecendo e o por que sente tanta dor na cabeça. Bellamy fala para ela não se preocupar com isso e começa á alisar seu rosto.
Quem dera se existe um Bellamy para cada uma de nós, mulheres sofridas.
Ele pega Ellie no colo e à coloca na cama. Ela não se assusta e apenas passa a mão no rosto de Bellamy. Ela só se lembrou dele, porque está apaixonada por ele. Sério gênio? Fala meu inconsciente. Fica quietinho que ninguém te chamou aqui não. Respondo.
Ellie aos poucos vai fechando os olhos com os carinhos que Bellamy faz. Ele olha pra mim e assente. Me aproximo devagar e aplico rapidamente o soro no braço de Ellie. Seus olhos cinzas se arregalam de repente, mas logo se fecham.
Me afasto e Bellamy dá uma ultima olhada nela e planta um beijo no seu rosto. Ele se levanta e caminha até a mim. Deixamos o quarto e ele olha pra mim com certa tristeza. Olho com carinho para ele e sigo até o observatório.
– Você tem mais que um grande carinho por ela – Falo.
– Tá tão na cara assim?
– Mais que isso impossível. Bom agora que ela está bem. Acho que você pode dormir tranquilo.
– É eu acho que sim. Até mais Safira.
– Tchau Bellamy.
Ele sai da sala e eu continuo a observar Ellie. E então a ficha cai. Talvez a cura para Ellie seja o Bellamy. Ele é muito importante para ela. Olho para os lados e depois para Ellie novamente. Já sei oque fazer.
Andrômeda
Acabo de sair do quarto de Cassie depois de ter passado a tarde inteira lá. John não parou de me encher o saco a tarde inteira e eu queria que ele ficasse o mais longe de mim agora.
Caminho devagar pela maternidade que permaneceu intacta depois do sumiço de Maxi. Não são muitas pessoas que resolvem constituir uma família. Mas acho que é isso que as tornam mais especiais. Talvez seria bom eu mudar de “emprego”. O setor da maternidade parece tão mais calmo.
Depois da missão que era um armadilha que na qual eu e Cassie nos arriscamos pela nossa cientista chefe, que está louca para saber oque aconteceu com Ellie. Quero ficar bem longe de qualquer laboratório.
Me sinto cansada e minha vontade é de sumir. Esses dias foram muito agitados. Caminho para fora do hospital atrás de algo para me distrair. Caminho devagar pelos corredores até achar duas portas que me chamam atenção.
Setor de estudos.
Leio em cima das portas. Dou de ombros e entro. O lugar é fantástico. Cheio de livros. Várias prateleiras com um monte deles. Era muito mais fácil se colocassem biblioteca ao invés de setor de estudos. Não há muitas pessoas e gosto disso. Subo uma das várias escadas e entro no setor infantil.
Os livros são grandes demais para uma criança, mas creio que as crianças da resistência não ligam. Vou passando a mão pelas lombadas de cada livro. Um sorriso incondicional está em meus lábios. Como isso é bom.
Um paraíso aonde posso descansar em paz. Pego um dos livros e começo a ler. É antigo. De uma das eras passadas. Leio algumas páginas, mas logo sou interrompida, logo pela pessoa que eu não queria ver o resto do dia. John.
– Andrômeda aonde você estava? – Pergunta ele que já está do meu lado.
– Tentando ficar o mais longe possível de você – Falo e deixo o livro na prateleira aonde eu peguei.
– A Cassie ficou chateada por você sair de repente.
– John você não tem senso? Eu estou cansada disso tudo, estou cansada de problemas, cansada da resistência, das pessoas mandando em mim, cobrando mais de mim, eu tendo que me importar com tudo, estou cansada de você...
De repente do nada John me beija, me pegando de surpresa. Oque ele tá fazendo? Tento afasta-lo, mas ele não me solta e sou atraída para ele, retribuindo. Oque tá acontecendo comigo? Ele não me solta e me prensa entre ele e a prateleira de livros atrás de mim. Assim que o ar se faz necessário ele para.
– Oque você pensa que está fazendo? – Pergunto calma recuperando os sentidos e o folego.
– Era o único jeito de calar sua boca, que por sinal é linda.
Assim que ele diz isso meus sentidos voltam a tona.
– Primeiro, estamos na área infantil. Segundo, eu não esperava por isso. Terceiro... você é um... um... Idiota!
Me solto dele e caminho para outro lugar completamente vermelha de raiva e de vergonha. Não acredito que ele fez isso! Tento me acalmar os nervos, mas não dá. Vou me aprofundando mais pela biblioteca tentando me perder e fazer com que John não me ache.

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