The New Us.
9 Oito anos em um segundo.

Em uma semana, qualquer um poderia observar a diferença na equipe. Além da mesa vazia, é claro. Tony estava sempre com os olhos inchados, mas não era por chorar, e sim por não conseguir dormir. Abby andava sem maquiagem, porque ela sim chorava, e ao fim do dia sua maquiagem já ia embora mesmo... Mcgee digitava devagar, andava lento.
Abby entregou um relatório a Tony, o ultimo do caso. Ele o guardou no armário do lado de sua mesa, e se sentou. Olhou para o celular, e o pegou em suas mãos. Então o jogou na gaveta novamente. Ela ligaria se quisesse, não ligaria? Mas já se passara uma semana, e nem um sinal.
— Temos um caso! – Gibbs disse, passando pelos dois e jogando a chave do carro.
Os dois reviraram os olhos, Gibbs estava exagerando na cota de casos. Ele os entupia de coisas para fazer. Jethro seguiu até o laboratório e entrou, mas nenhuma musica tocava.
— Abbs? – ele chamou, e ela se virou para ele com os olhos lacrimejantes – você me chamou? Está tudo bem?
Ela apertou um dos botões no controle, e sua porta de vidro se fechou. Gibbs pareceu confuso.
— Por que Gibbs? Por que você está agindo como se nada estivesse acontecendo?
— Abbs... – ele tentou dizer, mas ela o interrompeu.
— Ela se foi. Uma de nós se foi. E você não fez nada para impedir! Ela estava magoada, confusa, e fez a escolha errada se afastando da única família que ela tem! E você simplesmente sai procurando por uma substituta, procurando casos e nem se permite sentir falta dela?
Gibbs respirou fundo e a abraçou. Ela o empurrou levemente e esperou por uma resposta.
— Ela já fez isso antes, Abs. Temos que continuar com nossas vidas.
— Eu não quero esquecer! Não quero me esquecer dela.
— Nós não nos esquecemos, só seguimos em frente, ok?
Ela assentiu com a cabeça, e antes de abrir a porta, fez Gibbs prometer que nunca iria se aposentar, só quando não agüentasse mais segurar a própria arma.
— Eu prometo – ele disse, sorrindo.
Ele foi até o elevador, e apertou o botão que o fazia parar. Ele precisava parar. Leroy Jethro Gibbs era a rocha do lugar, e de sua equipe. Ele tinha que se manter firme por eles. Odiava o fato de fingir não se importar, mas ele tinha que fazer isso se quisesse que todos ficassem bem. O que aconteceria se ele desabasse? Não poderia nem pensar nisso.
— Firme, Jethro. Eles precisam que você agüente. Ela quis assim – ele sussurrava para si mesmo. Estava quase na hora de ir embora, ele sabia que todos estavam muito cansados. Apertou o botão de novo e subiu para a sala do esquadrão. Tony arrumava sua coisas, e Mcgee já não estava mais ali. Dinozzo desejou a Gibbs uma boa noite, como sempre fazia, e desceu para o estacionamento. Pegou seu carro, dirigiu até sua casa. Sua rotina diária. Subiu as escadas de seu apartamento, e abriu a porta. Seus peixinhos dourados estavam nadando em círculos quando ele chegou. Deu comida aos dois, e passou os dedos em alguns DVDs, procurando algum titulo interessante. Mas nada ali o chamava a atenção. Então ele se virou e tirou o casaco, e minutos antes de jogá-lo no sofá, deixou que caísse no chão. Havia alguém sentado em seu sofá.
— Você chegou mais cedo – Ziva disse, sorrindo. Seu semblante estava diferente do que ele estava acostumado, ou estava esperando depois do jeito que discutiram no telefone.
— O que você está fazendo aqui? – ele disse, de braços abertos.
— Não consegui viver sem você – ela respondeu, se levantando e andando em direção a ele.
Ele ficou em silêncio, e ela continuou.
— Eu fui para lá, pensando que reencontraria tudo como deixei. Minha família já se foi. Meus amigos não me reconhecem, e os que me conhecem me culpam por ter deixado meu país e ter me tornado americana. Estando lá, me tornei mais sozinha do que nunca e a única coisa que eu conseguia pensar era se um dia eu te veria de novo. Não só você, mas todos os que me acolheram aqui. Eu me perguntava todos os dias se vocês me perdoariam quando eu voltasse. Então eu voltei. Demorei uma semana pra perceber que é impossível ser feliz sozinha. Israel não é mais minha casa. E eu começo a duvidar que minha casa seja um lugar, agora penso que são pessoas. Pessoas a quem eu realmente admiro, e realmente espero que me perdoem.
Dinozzo ficou extasiado de ouvir tudo aquilo de uma vez. Ele estava esperando por algo como “me desculpe por ser uma idiota”, mas aquilo? Aquilo era demais. Ela era demais.
— Por que demorou tanto?
Ela sorriu, foi o sorriso mais sincero que ela deixou escapar por dias. Nele, qualquer um poderia ver que além de felicidade, também havia alívio.
— Você sempre me protegendo, mesmo quando estou errada – ela disse, pegando o rosto dele com as duas mãos – Muito obrigada.
Ele esperou o beijo em sua bochecha, já havia visto essa cena antes. Mas ela não tirou uma das mãos, para dar lugar ao beijo. Seus olhos se encontraram, e ninguém seria capaz de quebrar aquela conexão. Nenhum telefone tocou. Ninguém bateu na porta. Nada aconteceu. Nada atrapalharia aquele momento. Esperaram tanto tempo, por algo tão simples e com tanto significado.
— Tony – ela sussurrou prestes a tocar sua boca – você é tão amado.
Ele segurou seus cabelos com delicadeza, e a puxou para ele, enquanto ela segurava a gola de sua camisa. Seus lábios se tocaram, e foi simplesmente inexplicável o que sentiram. Era como se 8 anos de espera tivessem valido a pena. O beijo acabou em dois sorrisos, porém ninguém disse que tinha que acabar. Ziva, que ainda segurava a gola de sua camisa, o empurrou pra parede “delicadamente”. Os botões não eram páreo para as mãos ágeis de uma ninja. Ele a pegou no colo, suas pernas se cruzaram atrás das costas dele e mais roupas iam simplesmente caindo.
Agora, eu acho que todo mundo sabe o que acontece a seguir, certo? Eles poderiam me matar se eu contasse o resto. Enfim, depois de uma (ou várias) noites como essa, ela voltou ao NCIS para seu lugar de direito. Assim que ela chegou ao escritório, a agente nova que estava apenas a alguns dias ocupando o seu lugar, pegou sua caixa e saiu, de cabeça baixa. Ziva sorriu, era bom estar em casa. Tony passou por ela, com duas caixas e as colocou em cima da mesa. Tudo estava certo novamente. Abby estava em dúvida se a esmurrava ou se a abraçava. Optou pela ultima opção. Ela se sentou em sua mesa, e olhou como nada havia mudado. Gibbs passou, e sorriu quando a viu. Correu até sua mesa e a levantou em um abraço, todos ficaram perplexos. Ele pegou a pasta do caso e sorriu, dizendo “Temos um caso!”. Todos disseram “Yay!” com a novidade. Era o primeiro caso com a equipe completa novamente.
Bom, vocês podem imaginar que tudo deu certo para todos. Com todos presentes, nos tornamos imbatíveis. Em uma família, se um vai embora, tudo muda. E se adicionar uma pessoa, muda tudo também. Ainda mais se for uma pessoinha bem pequena, que acabou de nascer. Tenho que ir agora, afinal, eu sou o padrinho! Vejo vocês na próxima.
THOM E. GEMCITY

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