The New Us.
5 Natal.

Tony chegou na festa carregando alguns presentes em uma grande sacola, sorrindo e desejando feliz festas para todos que acenavam para ele. Quando finalmente conseguiu chegar em sua mesa, Mcgee veio a seu encontro e lhe entregando um pequeno embrulho.
- Poxa novato, obrigado – ele abriu a sacola, e lhe entregou um outro embrulho – é um livro. Você vai adorar.
- Um dia você vai conseguir dar um presente sem contar antes o que é?
- Nunca – Dinozzo falou e se sentou, comendo um dos salgadinhos frios que estavam sobre a copiadora. Nunca gostara de festas de fim de ano, pois desde que sua mãe morreu, seu pai sempre passava o Natal ou o Ano Novo em outro lugar, enquanto ele ficava na mesma escola, todos os anos. É claro que ele nunca havia contado isso pra ninguém, o que iriam pensar? Iriam ficar com pena dele ou pior.
- Heeey Tony!! – Abby disse praticamente pulando em cima dele – Feliz Natal! O clima está mágico por aqui, não acha? Com todas essas luzes e essa música e esse cheiro de canela pra todo lado!
Ela estava tão animada, ele preferiu não estragar seu momento e sorriu concordando. Então ele a seguiu com os olhos e algo chamou sua atenção. Ou alguém.
Ziva estava absolutamente linda. Seus cabelos cacheados estavam presos em um rabo de cavalo, e havia um pequeno topete em cima. Seu vestido vermelho parecia um pouco curto em vista do que ela usava antes. Brincos que chegavam a altura do queixo balancavam enquanto ela jogava a cabeça pra trás e ria. Ela virou de repente pra ele, e ele abaixou a cabeça rapidamente.
- Olá, Tony – ela chegou perto dele e cambaleou para o lado.
- Ziva... Olá. Você está muito bonita, o rabo de cavalo lhe caiu muito bem – ele disse e se sentiu bobo logo depois que falou isso. Ela riu – está se divertindo?
- Pra falar a verdade, não. Todos que me olham parecem ter dó de mim, é algo que eu realmente odeio – ela falou e tomou um gole de vinho.
- Você está bebendo bastante, não acha?
- Eu não vou me lembrar de nada mesmo – ela disse e sorriu maliciosa.
- Ok, acho melhor te levar embora. Se eu acender um isqueiro perto de você, o prédio todo explode.
Ela parou por um momento, e se apoiou na mesa dele. Seus olhos estavam fixos no vazio.
- O que foi, Ziva? Eu disse algo? – ele parou na frente dela, mas ela não desviou o olhar. Em sua mente, ela via poeira. Poeira, e um barulho muito forte. E sangue, bastante sangue. Mas só podia ser sua imaginação.
- Eu estou... É, só pode ser coisa da minha cabeça...
- Você por acaso se lembrou do prédio explodindo?
Ela arregalou os olhos, e confirmou com a cabeça.
- Quantas pessoas morreram? – ela perguntou, deixando o copo em cima dos papeis em cima da mesa.
- O suficiente.
- Nós o pegamos?
- Sim, Gibbs o pegou. Ele está morto.
Ela olhou pra baixo, processando a informação. Tony saiu para pegar a chave do carro, e no caminho entendeu o que acontecera. Então era assim que iria acontecer, ela iria receber flashes de memória quando ouvisse algo similiar ao ocorrido no passado. Ela não conseguia apagar a imagem de pessoas caídas no chão, enquanto ela passava por elas com a ajuda de Dinozzo. E conforme ela olhava para a sala onde estava, conseguia ver perfeitamente todo o desespero que todos passaram aquele dia. Não suportaria mais nenhum minuto ali.
- Ziva? – Tony deu uma volta procurando – a, e achou apenas seu casaco – ZIVA? – ele falou mais alto.
- Acabou de sair, Tony – Palmer respondeu enquanto comia um biscoito. Tony segurou sua mão para que ele o respondesse antes de continuar a comer – ela disse que não se sentia bem, e foi embora.
- Você deixou?
- Ela pode ter perdido a memória, mas ainda é uma ninja. Nem que eu quisesse poderia segura-la.
- Ela estava alcolizada, seu imbecil! –Tony pegou as chaves do carro e correu para o estacionamento, mas seu mini cooper não estava mais ali.
Ele pulou dentro do carro, sem cinto de segurança e nada. Quebrou algumas leis de trânsito, e passou alguns limites de velocidade. Freou bruscamente na frente de sua casa, onde pode ver seu carro ali. E pela primeira vez ele respirou fundo, bateu a porta do carro, e tocou a campainha impaciente.
Ziva apareceu em um roupão, a maquiagem já havia sido lavada, e seu cabelo estava molhado.
- Eu só vim... Eu precisava... Aqui – ele estendeu seu casaco, e se segurou para não abraça-la ali mesmo. Ficou com tanto medo de perde-la em outro acidente.
- Obrigada, não deveria ter se preocupado – ela cruzou os braços.
- Eu deveria ir embora agora – ele se afastou da porta.
- Tony – ela o chamou, e ele virou – obrigada por cumprir esse papel.
- Papel? – ele franziu as sobrancelhas e se aproximou da porta.
- Isso. Você está cuidando de mim, e eu queria agradecer por isso. Nenhum... amigo já fez algo parecido.
- Não tem do quê, ninja – ele sorriu e então ambos olharam para cima. Havia um visco ali. Ele engoliu em seco.
- Ah, isso. Abby me disse que era uma tradição americana e que eu me sentiria mais em casa se colocasse isso na porta. Não sei pra que serve.
- Bom, a tradição é que se duas pessoas ficam embaixo disso, elas tem que se beijar.
Os dois ficaram em silêncio por um minuto inteiro. Então ele sorriu.
- Não precisa fazer isso, eu já tenho que ir mesmo.
- Eu quero – ela colocou sua mão em cima de seu braço – me sentir mais americana. Me disseram que a velha Ziva sempre foi.
Ela puxou seu braço pra perto, e ele se preparou para beija-la na bochecha, quando ela se virou e seus lábios se tocaram. Ele colocou as mãos em seu cabelo molhado e a puxou para mais perto, como se não houvesse mais espaço no mundo que os separasse. As mãos dela o puxavam para dentro da casa, e ele ia seguindo quando de repente a realidade o tomou. Não, ele não podia fazer isso. Ele a empurrou.
- O que? – ela disse, ainda sem ar.
- Não posso fazer isso – ele colocou as duas mãos em seus ombros – você não iria querer fazer isso!
- Mas eu quero agora, não é isso que importa? – ela perguntou, seus olhos marejando.
- Eu conheço você a vida inteira, David. A velha Ziva não faria isso, eu tenho certeza.
Ela deixou seus braços se soltarem, e ele deu um passo para trás. Ela entrou primeiro, e ficou observando da janela um aflito Anthony Dinozzo, sentado em seu carro, com as duas mãos no volante sem ter coragem de virar a chave. O que diabos ele estava fazendo? Beijar uma colega de trabalho? Isso quebrava uma regra de Leroy Jethro Gibbs, mas também quebrava uma regra dos Dinozzo. A regra mais importante de todas, que nunca deveria ser quebrada. Dinozzos não deveriam se apaixonar.
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