The New Stylist

23 Sobre Encontros, Primeira(s) Vez(es) e Medos


Notas iniciais
CHE GAY Okay Vamos as noticias: Não passei pro fies, tô em setimo na lista de espera, e eu tô perdida na vida Lado bom: vou terminar esse treco mais rapido Lado ruim: Eu não sei o que eu vou fazer da vida Ah e tem o comeback QUE ME DESTRUIU Gente isso era pra ter saido ontem mas eu tava muito ocupada chorando rios, mares e oceanos ouvindo Spring Day ou levando tapas de Not Today (que eu tô mega ansiosa pelo MV XD) É isso Vão ler doçuras de my life Tem 3 musicas nesse cap, cada uma tem um vibe e foram essenciais pra eu conseguir escrever então ouçam com muita atenção, em especial a ultima, parem fechem os olhos e imaginem a cena ouvindo. XD Até as notas finais~~~~

Sound Track 1

— Ah meu Deus tomem cuidado tá frio! Jk põe a droga do casaco você sabe como é fácil pra adoecer acabou de sair de um resfriado! Estrella pelo amor de Deus não vai na onda dele, seja a sanidade que ele não tem e... Vocês vão ficar em quartos separados né? JEON JUNGKOOK EU NÃO VOU TE PERDOAR SE...

— POR DEUS SEOKJIN DEIXA ELES RESPIRAREM! — Quem interrompe é Lynn. — Estrella sabe se cuidar e Jungkook tem noção de limites, não é mesmo Jungkook? — Finalizou com um tom que deu medo até em mim e fez o moreno sacudir a cabeça feito aqueles cachorros de mola que as pessoas poem nos carros.

Pois é.

São exatamente 15:30 da tarde de sexta feira e estamos parados no corredor dos apartamentos com o nosso... Grupo de amigos em comum? Empatando nosso caminho até o elevador com coisas do tipo "Se cuidem!".

Na verdade só SeokJin está tendo uma crise de "quero-proteger-as-crias-que-nem-minhas-são", enquanto todo mundo vira os olhos e espera ele se calar. Ou ri da patada da Lynn. Ou ri da cara de medo do maknae. Eu particularmente estou no ultimo grupo.

É a vida né?

— Jin-hyung deixa eles irem logo pelo amor de Deus! — A fala vem de Taehyung enquanto ele se encaminha até o moreno ao meu lado. — VÁ KOOKIE! FUJA! DASHI RUN! VAI LOGO GAROTO! — E dito isso dá um empurrão no outro que cai de joelhos. — Aish, nem pra fugir serve. Se vira. — E sai.

Eu sei. Eu devia ir ajudar ele a levantar e tals mas... Eu tava muito ocupada passando mal de rir.

— Ajuda ? — Pergunta me estendendo a mão e eu, ainda rindo, a enlaço pronta a levanta-lo.

Bad idea. Bad idea.

Foi só dar a mão que ele literalmente quis o braço e todo o resto por que em dois segundos eu estava no chão com ele e os dois rindo feito dementes.

— Ah eu ia dar camisinha mas pela maturidade aê os dois vão passar a noite maratoneando desenho. — Joy dita.

— Todos os da Disney pode ter certeza. — replico

— Ah nem vem, vamos maratonear Marvel.

— Disney.

— Marvel.

— Disney.

— Marvel.

— Ou vão passar a noite discutindo isso e cair de sono sem decidir. — Agora quem fala é Jimin, e eu devo concordar.

— Um de cada até o primeiro cair no sono? — Sugiro.

— Feito. — E apertamos as mãos levantando em seguida.

— Jin vem aqui. — Digo e o arrasto pro extremo oposto do corredor. — Quieto deixa eu falar — Digo antes que comece a tagarelice. — Sabe, Lynn parece meio triste, aproveita esse tempo livre e chama ela pra algo? E nem venha dizer que não dá por que não tem intimidade e aquele blábláblá todo, só a chame eu sei que você quer e ela também.

— Ela... Comentou algo? — Pergunta sucinto.

— Ela não precisa dizer pra eu saber, eu criei Lynn praticamente. — Viro apoiando as costas na parede cruzando os braços e o fitando apenas pelo rabo do olho. — E eu nunca vi ela sorrir tanto quanto quando ela via uma foto sua. Ou rir tanto com uma piada idiota. Ou se encantar tanto por alguém. Lynn sempre foi... Racional. Enquanto eu sou uma perfeita bagunça de sentimentos, um monte de fios desencapados ligados em alta voltagem, os de Lynn sempre foram separados e arquivados. Ela sempre preferiu números e letras a pessoas. Racional demais. — Me permito sorrir com a imagem da menina de 7 anos rodeada de livros enquanto eu rabiscava um mundo de coisas nas paredes com Léo. — E ela também não se apegava a músicos. Apreciava trabalhos bons, exigente demais pra se encantar. Até ver o seu bendito Cover de I Love You. Então para de ser covarde por 10 segundos da sua vida e vai falar com ela por que ela tá assustada demais pra isso.

— Eu não sei Estrella. — Ele corre os dedos pelos fios loiros e fita os pés. — Eu tentei me aproximar, conversar um pouco mais, até abraça-la, mas ela sempre parece se esquivar, sempre parece tão assustada e perdida... — Ele solta o fôlego de uma vez antes de me encarar. — Eu acho que devia apenas deixa-la no espaço dela. Ela fica melhor sem mim, vou ser uma bagunça pra ela. Eu não poderia viver algo bonito e simples como o que você e Jungkookie tem e...

— E nada Seokjin! — Dito firme porém baixo. — Bonito até vai, mas simples? Quem dera! É complicado até alma, a gente pisa em ovos sem saber bem o que sente, os dois vivem confusos incertos e com medo! A unica diferença daqui pra aí é que a gente 'tá dando a cara a tapa mesmo sabendo que pode dar muito errado. — Digo e começo a sair mas acabo voltando. — Minha irmã vive uma perfeita linha reta, mas você tem que lembrar que a vida é de subidas e descidas, se anda uma retidão só, algo em você morreu. E eu temo que a minha menina amante dos números, a de voz de angelical, que adora filmes cult e filosóficos com uma vibe de ficção cientifica como Lucy, a minha menina que nunca ri ou fala alto demais, a minha menina que não come carne ou se maqueia por que odeia o que fazem com os animais... Eu temo que algo nela esteja morto. Eu tinha a esperança de que você se dispusesse a ir um mais fundo, um pouquinho assim — aponto um espaço minimo entre meu indicador e o polegar. — ao contrario de todos os outros que desistiram na primeira semana por acharem seca demais. Mas tudo bem. A escolha é sua. Viva com medo ou se arrisque e dê uma guinada na sua vida. — Termino e viro as costas dessa vez realmente indo.

— EU VOU TENTAR! — Aquilo me arrancou um riso, então apenas sorri por cima do ombro, ajeitei a mochila nos mesmos e respondi.

— Faça isso. — E então continuei, enlacei meus dedos ao maknae e o puxei. — Agora anda antes que resolvam dar mais algum conselho e nos prendam por mais meia hora. — Digo baixinho e ele assente rindo logo começando a correr me fazendo acompanhar o ritmo até o começo das escadas.

— E NOSSO ABRAÇO? — Agora quem alega é Hope.

Paramos e há um pequena troca de olhares antes de nos viramos, desmancharmos o enlace das mãos e cada um se abraçar.

Não, não leu errado.

— SE IMAGINEM AQUI. BYE! — E voltamos a darmos as mãos e corrermos pro carro feito as crianças fujonas que somos.

Pra onde vai minha sensatez pai amado?

***

— Sério, um shopping Jungkook? — Digo removendo o cinto e colocando o celular no bolso interno do casaco.

— Ah cala a boca. — Replica me fazendo rir. — Sabe o que é engraçado? — Diz me e me aponta o indicador. — Você, me chama pra sair, mas quem escolhe o local sou eu!

— Divisão de tarefas bebê. — Digo e solto uma piscada que o faz virar os olhos enquanto me manda pegar mascaras e gorros no porta luvas.

Eu só não esperava um post it azul bem em cima dos objetos citados.

Não acha que está na hora de arrumarmos anéis descentes?

— Então é isso que vossa alteza planeja pra hoje? — Digo levantando o post it.

— Se a dama me der a honra...

— Eu vou te dar é um cachecol extra, não tô nem um pouco afim de lidar com você birrento de novo. — Digo pondo o gorro preto nele , junto com a mascara cinza e um cachecol vermelho, que contrastava muitissimo bem com o sobre-tudo também cinza, os jeans — que me deram certo medo por serem desfiados, serio quase o mando trocar — e as benditas Timberlands.

Eu em compensação usava um blusão de um tecido azul cheio de respingos que valia por três camadas, nunca gostei de muita coisa em cima de mim, junto com as calças do jeans mais grosso que eu tinha e as minhas amadas over-knees. Ah e claro uma mascara preta junto a um gorro vermelho.

— Chata.

— E você gosta.

— Mais do que deveria.

Patada na minha cara. O retorno.

***

— E esse? — A mulher da loja exibia o terceiro anel em menos de 10 minutos. E pela terceira vez eu me desagradava.

Não leve a mal, não é que o anel repleto de pedrarias formando uma rosa era muito... Espalhafatoso pra mim.

— Kookie? — Chamei quando a vendedora virou as costas atras de outros modelos. Ele soltou um "Hum?" em resposta distraído demais pra dar uma resposta descente. — Como explica pra ela que isso tudo é chamativo demais pra mim? — Ele solta um riso baixo antes de conversar com a mulher de terninho negro, que franze o senho antes de nos guiar ate uma ala menos movimentada, e, eu diria, até esquecida da loja.

— Que incomum, a maioria cai de amores por aqueles anéis... Mas já que quer algo mais simples.... — Disse e trouxe uma pequena bandeja cheia de anéis bem finos, sem muitas pedrarias e bem mais delicados que me fizeram sorrir e passear os olhos até chegar num pequeno par.

Esse! — A surpresa foi ele também ir bem em cima do par dourado com voltinhas semelhantes a uma coroa de louros e minusculas pedrinhas brilhantes.

A senhora soltou um riso antes de pegar os anéis que, vejam só, serviram sem muito problema.

Ela ainda tagarelou um pouco antes de levar os arcos pra polir e passar no caixa.

— Você parece triste... — Comentou fazendo dois Ts com os dedos abaixo dos olhos acompanhados de um bico que me arrancou uma risada.

— Eu só não... — Começo e melhor olhar desvia pro anel, as flores lotadas de poeira o papel já sem cor, assumindo um tom escuro qualquer apenas pontilhado de dourado, mas que de alguma forma soava bonito demais pra ser jogado fora. — Não quero jogar ele fora. É muito bonito pra isso.

— Nem é lá essas coisas. Está desmanchando até. Você merece algo mais duradouro. — Replica.

— Eu sei, eu sei, e o novo é lindo só...

— Só? — Pergunta e eu finalmente o encaro. Ele sorri, exibindo os dentes de coelho, com as bochechas levemente rosadas enquanto bagunça os fio negros. Mordo os lábios. Não seria demais dizer o que verdadeiramente penso não é?

— Só que esse é mais especial, por que foi você quem fez. — Digo e olha... Nunca que eu pensei ver Jeon Jungkook tão vermelho. Quem devia estar vermelha sou eu! Quem tá soltando açúcar a torto e direito sou eu!

Ele até abre a boca pra falar, mas a mulher chega com uma caixinha vermelha brilhante roubando a atenção. Então, o vejo sorrir e falar algo pra vendedora que some na loja.

Ergo o supercílio e ele apenas sorri em resposta, pondo o indicador fronte aos lábios como quem diz "Segredo!", então dou de ombros e espero.

Poucos segundos depois a mulher chega com algo semelhante a uma caixinha de tictac só que menor, mais fina e com um tampo de metal ligado a uma corrente.

— Com a licença da dama. — Diz e substitui um aro pelo outro, então abre o tampo da caixinha e despeja o primeiro lá dentro, fechando novamente e passando o colar pelo meu pescoço. Agora além da pedra d'agua marinha, havia a caixinha com o primeiro anel. — Assim você nunca vai perdê-lo. — Conclui.

E de repente, eu senti o mundo congelar. Okay, ignorem o quão brega e clichê isso soa, mas a sensação foi exatamente essa. Aos poucos a musica que soava ao fundo da loja foi ficando baixinha até desaparecer junto com os ruídos das pessoas que passavam falando e rindo alto ali perto. A vendedora baixinha de maquiagem forte e fios negros parecia ter sumido, parecia que a unica pessoa, além de mim, naquela sala era ele, seu sorriso ladino com os dentinhos pouco salteados, seus olhos brilhantes e seus fios desordeiros sob o gorro.

Eu disse, clichê idiota e água com açúcar, mas a sensação era essa. De que tudo havia congelado pelo porção de segundos entre botar o colar no meu pescoço, e eu abraça-lo.

Porque, por algum motivo, eu simplesmente, não consegui conter a vontade de abraça-lo ao ponto de quase quebrar-lhe as costelas.

— É meio cedo pra dizer que te amo? — Pergunto baixinho, quase que num sussurro.

— Não foi você que disse que era quase tão perigoso quanto "eu te odeio"? — Pergunta também sussurrando.

É agora.

— Eu acho que estou disposta a correr o risco.

Daí ele sorriu.

E eu simplesmente esqueci todos os perigos que nos cercavam.

Incluindo o homem que ainda me mandava emails, ainda que estes fossem prontamente ignorados.

***

— AI! JUNGKOOK NÃO ME FILMA CAINDO! — E ele riu alto por trás da câmera.

— Conheçam a Estrella, a mais cadente.

Sério? A piada vai ser essa?

Agora estamos num pista de patinação. Em pleno shopping por motivos de ainda não nevou.

E eu estou levando um queda por minuto. Pois é.

Aí vocês me perguntam: "Nossa e o Jungkook? Ele não te ajuda?" Ajuda. Depois de registrar e rir da minha queda por meia hora.

— NOSSA O PIADISTA! APRENDEU COM O JIN A SER ENGRAÇADO ASSIM? — Pergunto ainda tentando levantar do chão, mas mal conseguindo me equilibrar.

— Nah. Nunca vou chegar no nivel Jin-hyung. — Responde ainda me filmando. Consigo me erguer e apoio as mãos na cintura soprando um fio fujão pra longe do rosto.

— Já te falaram que você é uma peste? — Digo e ele mexe em algo no celular antes de guarda-lo no bolso e me estender as mãos, ajudando a me manter equilibrada.

(mas cá entre nós, ninguém fica muito equilibrada perto dele. Loucura contagiosa, eu hein)

— E você ama. — Replica rindo. Abusado.

— Nunca disse isso. — Ele me encara como que dizendo "sério isso?". — Apenas insinuei. — Digo e empino o nariz.

— Ah claro. Vai me amar mais quando souber que eu upei o vídeo no twitter. — Diz e se afasta aos poucos, como quem não quer nada, quando me dou conta só consigo soltar um "Não acredito!" bem alto e sair atrás do garoto já do outro lado da quadra de patinação. — Olha só quem aprendeu a patinar!

— APRENDI POR QUE EU SOU A MELHOR!

— APRENDEU POR QUE TEVE O MELHOR PROFESSOR! — Rebate.

— AH MAS NÃO MESMO!

E pelas duas horas seguintes tudo se resumiu em um perseguindo e derrubando o outro até cansarem, por uns minutos apenas, por que recomeçava logo depois.

Maturidade? Não conheço.

Cansando de ser imaturos na pista de patinação, fomos comer, Hamburgers, fritas, dois copos enormes de refrigerante de laranja e uma briga pra decidir quem pagava a conta, que acabou em deixar ele pagar enquanto eu pagava o cinema.

Ainda tinha o cinema.

Santo Deus, quanto clichê americano pra um dia só.

Enfim, o filme foi outra discussão, pode não parecer mas aquilo ali adora um romance clichê e eu adoro uma boa ação. Ou seja: Love, Rosie ou Busan Train? BUSAN TRAIN! ALÔ! FILME TRASH PRA VOCÊ RECLAMAR DOS PERSONAGENS!

O que importa é: eu ganhei a briga sob o argumento de "eu pago, eu escolho" e... acabou com os dois xingando o filme todo. Qual é, todo mundo morre menos aquele velhinho egoista? NÃO ACEITO!

No final das contas o filme de zumbis que poderia ter sido muito bom e matado geral de ansiedade, virou uma piada por culpa de um velho chato, egoísta e aparentemente imortal.

***

SoundTrack2

— Atende pra mim? — Pergunta.

Já passavam das nove da noite, já estamos no carro a caminho de um hotel qualquer apenas pra não passar a noite dirigindo, afinal ainda estávamos a algumas horas de Busan seria perigoso dirigir até tão tarde.

— Uhum. Claro. — Digo e pego o celular alheio vendo a ligação.

"Eunha"

Dou de ombros e atendo pondo no viva voz.

Entendo pouca coisa, apenas "Jungkook-ah" e "Yugeom idiota". Ergo a sobrancelha e o vejo virar os olhos e para num acostamento qualquer.

— Eunha. Time. Stop. — Diz e silencia o telefone. — Lembra que eu fiz uma collab com o GFriend? — Assinto. — Naquele tempo eu quase sai com ela, teria saído, se ela não tivesse desabado em cima de mim falando sobre o quanto ela gosta do Yugy e ele não nota ela e blábláblá. — Não consigo segurar uma risada. Que furada hein Golden Mak? — Enfim, eu vou dispensar ela e pedir pra ligar depois ou coisa. — Impeço.

— Deixa eu falar com ela. — Digo e puxo o celular recolocando no viva voz. — Eunha? É a Estrella, eu já passo pro Kookie, eu só queria dizer que eu estou esperando ansiosamente pelo comeback do GFriend. Figthing! — Ah qual é, eu não ia perder a oportunidade de ser fangirl uma vez na vida, mesmo que isso resultasse num Jungkook me encarando com cara de "Tá de zoa".

— AH MEU DEUS! EU ESQUECI QUE ELE TINHA ME DITO QUE IA SAIR COM VOCÊ HOJE! AI ME DESCULPA! — Ri e o maknae apenas dirige fitando o nada.

— Tudo bem, estamos no carro procurando onde dormir já. Quem tem que pedir desculpas sou eu, não pude deixar de ouvir sobre o Yugeom... — Ela se cala um pouco e murmura umas palavras desconexas, como que se estivesse tentando formar uma frase descente. — Você chegou a falar pra ele? — Ela solta um "não" baixinho. — Então não pode reclamar. Se encontrar com ele num music show da vida chame-o. Nem hesite. Só vá. Não acredite nessa ''esperar pelo cara". Só vá e o chame pra sair. — Digo e dou de ombros, mesmo sabendo que ela não veria.

— VERDADE ELA QUE ME CHAMOU PRA SAIR. — O garoto ao meu lado berra e ganha uns tapas meus em resposta.

— Uh, Jinjja? — Pergunta ela.

— Ye. Então deixe de bobeira e chame ele.

— Estrella...

— Sim?

— Me passa seu numero? Prometo queima filme do Jungkook em troca de conselhos! — Sugere e eu gargalho. Eunha é realmente um anjo.

— Já o faria mesmo sem essa proposta tentadora... Que eu aceito por sinal.

— WOW. WOW. OLHA VOCÊ FIQUE BEM LONGE DA ESTRELLA MÁ INFLUENCIA! — O moreno berra e rimos, por que aquilo soa feito piada.

— Jungkook? — Ele acena. — Fica quieto. Eunha, anota aí, 9....

***

Um.

Dois.

Três.

Respira.

Um.

Dois.

Três.

Res... Batidas na porta.

TocTocTocToc

Estrella? Jagi? Você tá aí a quase uma hora, tá tudo bem?

Vamos Estrella! Respira.

Vamos. Pisque!

Afaste isso da cabeça!

Vamos! Estrella. Estrella! Lembra! Passado! Isso foi anos atrás! Esqueça! Ele não é como ele. Ele, não é como eles foram. Vamos! Pisca! Focaliza a mente! Olhe ao redor! Tem uma porta, de madeira pura atrás de você. Tudo tem um tom calmante de creme. A sua esquerda tem aquela pia que você sempre quis no banheiro do seu quarto. Aquela que parece um pote de cerâmica negra sobre uma bancada com um torneirinha simples, daquelas que a gente vê no quintal da casa da vó, acima e um espelho retangular e fino indo da parede da porta ate o box, que esconde a banheira luxosa, onde você perdeu bons minutos, e mostra teu reflexo...

Agora foca nesse reflexo! Deplorável! Garota! Você não é assim! Olhe pra você! Encolhida. Cabeça baixa, apoiada nos joelhos, os cabelos... Meu Deus o cabelo! Num semi-preso cheio de fios fugidos, uma bagunça de preto muito preto e um roxo muito desbotado. Você também parece pálida, olha sua cara! Toda borrada! Nem se sabe mais o que era base ou rimel e nem sinal do batom brilhante ou das bochechas rosadas e risonhas dessa manhã.

Onde está você Estrella?

Jagi... — A voz acompanhada de um barulho de algo caindo ao chão perto da porta me chama atenção e faz meu coração parar uns instantes. Puro medo. — Jagi. Fala comigo. Por favor...

Só então eu saio do meu oceano de pensamentos cruéis misturados a flashs de memórias. Memórias que eu queria esquecer mas que voltavam sem que eu permitisse. Memórias jogadas em um baú esquecido só de ouvir aquela voz cortada e chorosa.

Ele não se culpa, não é?

Me ergo, minhas pernas tremelicam, não se sei por estar nervosa ou por ter passado muito tempo numa só posição. Ando devagar, quase sem fazer som, me equilibrando nas pontinhas dos pés. Enxaguo e seco o rosto, tirando aquela crosta negra. Volto até a porta. Abro um fresta, pequena o bastante para exibir apenas meus olhos, inchados e vermelhos.

Os dele parecem iguais.

Ele parece comigo. Também está bagunçado, com os cabelos e roupas fora de ordem. Rosto marcado de lágrimas.

Eu causei isso?

A pergunta surge na minha mente e me assusta.

Ele se afasta um pouco, sem realmente se levantar, da porta, vira-se de frente abre os braços.

— Eu estou esperando você. Bem assim.

TIRA ISSO. AGORA!

ABAIXA!

D e q u a t r o.

Não.

Ele não é igual.

Não mesmo.

Nem um pouco.

Abro a porta um pouco mais. Mais um pouco. E só então dou um passo pra fora, fitando o quarto.

Duas camas com lençóis igualmente brancos, intercaladas com dois criados mudo de madeira escura onde jazem dois abajures simples, porém bonitos que irradiam uma luz amarelada que emana calmaria. As paredes combinam com os tons do banheiro. Na parede em frente, um mezanino com um TV fixada na parede um punhado de centímetros acima.

E havia ele. Bem ali. A um metro de distancia. Sentado em pernas de índio parecendo tão assustado quanto eu. Tão perdido quanto. Com os braços abertos, ali. Esperando.

Um passo.

Dois passos.

E no terceiro eu apenas me jogo naquele abraço.

— Me conta. Por favor. Eu sei que dói, mas me conta...

E pronto.

De repente aquela represa que eu vinha mantendo há tempos, entre trancos e barrancos estourou.

É incrível. Defesas que demoravam meses para começarem a se defazerem, foram ao chão em dias, minutos com ele.

Eu ainda me pergunto se isso é perigoso.

— Eu achei que você... Quisesse. — Digo. Por favor, não me faça dizer com todas as letras.

— Quisesse...? — Aponto pra cama e ele pisca um punhado de vezes antes de apertar o abraço. — No momento, eu só quero que você me diga por que de tanto medo. Mas eu vou entender se não quiser. — Agora ele aponta pra cama. — E isso se estende para aquilo. E pra todo o resto.

Aquilo me dá coragem.

Então desmancho o abraço e sento sobre minhas pernas. O encarando nos olhos. Aquilo tinha que ser dito iris-a-iris. Ou eu não conseguiria.

— Lembra da foto que eu te mostrei? — Ele assente e sua mão desliza até a minha, os dedos se prendem aos meus. Apoio. Um "Continue, por favor. Quero te ouvir." silencioso. — Aquele dia eu fiz minha primeira grande apresentação como bailarina. E houve uma festa. Em comemoração aos ingressos esgotados, ao nosso sucesso. — Sorrio. Ainda sinto falta dos palcos. — Foi a minha primeira festa sozinha. Nada de bebidas alcoólicas. A grande maioria era de menores ali. 14 a 19. E os professores não muito distantes disso. Nenhum tinha mais de 30. — Respiro fundo. É agora. — E tinha um cara. Eu mal lembro o rosto dele, mas lembro que os olhos dele me davam medo, mas era um aluno como eu. Devia ser uns 3 anos mais velho ou entorno disso. Lembro também que tinha muito corpo, criado pelos anos dançando. Eu lembro dele chegar perto de mim, com um garrafa de refrigerante, limão. Eu bebia também e observava as pessoas conversarem pensando "eu deveria pedir pra vieram me buscar..." — Respiro. A sensação era como mexer naquela ferida que dói muito, mas você sabe que só sara se você drenar todo o pus. Era hora de drenar. — Eu devia ter feito isso. Devia. Por que ele começou a... a levar uma conversa comigo e me distrair ao ponto de eu aceitar uma garrafa da mesma bebida que ele. E ficou tudo okay. Eu limpei antes de beber. Mas segunda garrafa... Eu não fiz isso. — Minha voz treme e falha. Dói. Mas eu tenho que terminar. Eu preciso. Preciso cicatrizar. — E então, tudo passou devagar e eu só lembro de flashs. Me lembro de ser guida pra um lugar que eu não conheço até hoje. Então escurece. E ele aparece sorrindo "Tire o sutiã, Bai-la-ri-na". Há um barulho que lembra uma caixinha de musica ao fundo "tantantan tam. Tantantan tantantan tan tanananã". Aí fica escuro. E aparece ele sem camisa, a minha blusa está numa cadeira aleatória, a saia do outro lado perto da porta. Escuridão. E então eu estou sozinha, nua, coberta apenas por um lençol fino, tem sangue. E eu não estou no meu período. Minhas roupas estão impecavelmente dobradas em cima da cadeira, ao lado do celular e da bolsa. Eu nunca mais consegui voltar pro balé ou ir a um teatro.— Ele tenta me abraçar. Eu nego. Preciso terminar. — Anos depois. Teve o Murilo. — Vejo seu maxilar trincar. — Ele sabia disso tudo. Desse trauma todo. Então esperou. E quando eu cedi, eu jurava que ia ser... Perfeito. Que ia ser minha verdadeira primeira vez sabe? — Agora eu choro, copiosa e silenciosamente. — Mas eu... Quebrei minha cara. Ele foi grosso. Estupido. Doeu. No meu corpo. Parecia que eu havia sido espancada não tido uma noite prazerosa. Mas parando pra pensar foi isso. Afinal, se fosse prazer ele não teria dito coisas como "Cala boca e aguenta" e "foda-se se você tá com medo. Eu quero. E você topou".

Respiro e finalmente me deixo ser abraçada e abraço de volta.

Tudo foi drenado e agora eu recebia o melhor dos curativos.

— Me desculpa? Eu jurava que você ia ser igual. Me desculpa por favor. — Eu peço.

— Calma. Vem cá. — E me guia até a cama. Empilhando todos os travesseiros. Por algum motivo o medo se foi, e eu me permito deitar. Ele me deixa e volta segundos depois pondo um alto falante e o celular no criado-mudo, então deita ao meu lado e começa a me trazer pra perto. Primeiro as mãos, depois me abraça a cintura e por fim, apoia minha cabeça em seu peito. Eu consigo ouvir as batidas agitadas. "Tu-tu-tu-tum tum tum tum tum". Escuta isso.

E então uma musica que eu nunca ouvir falar começa. A letra é cheia de sentimentos e ele a acompanha cantarolando baixinho, só pra mim.

E eu lembro de adormecer ouvindo:

Stay, you're not what you're hearing
Cause I've been watching you changing
And who said you're one in a million anyway?

And you'll feel better when you wake up
Swear to god I'll make up
Everything or more when I get back someday
Chasing dreams like I'm on Novocain
Screaming through your airways
Looking back I almost thought I heard you say

You're so much better than that.

E as coisas melhoram quando eu acordei no dia seguinte.

Notas finais
ENTÃO NÉ SEGUREM AS PEDRAS E AGUARDEM Primeiro: Ye: Sim. Jinnja? : Serio? Verdade? Jagi: abreviação de Jagaya, significa querida/o casais costumam usar Segundo: Eu já tinha um motivo pra Estrella parar de dançar, ia acontecer esse bolo e meses depois, o cara divulgaria um video dela no abuso, sim, mas eu achei MUITO denso e tenso pra uma fic +13, que vai pra +16 e aviso de "Abuso", então ficou nisso. Mas creio eu que seja trauma o bastante. Eu espero, de coração, ter passado toda a agonia que eu senti escrevendo isso. Espero q vcs deem MUITO amor a Eunha pq A) ela é minha bias no GFriend B) ela vai ser importante aqui XD E VAMOS FALAR DE EDEN QUE EU CONHECI HJ E CONSIDERO PACAS Vei, olha essa letra, esse vocal, A PRODUÇÃO DA MUSICA. Nossa, encaixou perfeitamente Por favor, vejam as traduções, okay? Eu tinha esquecido no ultimo cap mas, MANDEM MUSICAS pra aquele papo das cartas,. Musicas q vcs acham q encaixa com eles dois, só a Estrella, só o Maknae ou com os outros personagens Acho que falei tudo Perdoem se deixei algo passar e me AVISEM PELO AMOR DE SANTO SEOKJIN DAS PIADAS RUINS Love ya sweeties E até~~~~ (podem atirar as pedras agora)