Notas iniciais
Voltei meus amores ^^ Estou muito emotiva hoje, mas o fim do capítulo é meio bomba. Espero que gostem e boa leitura.

Dois dias se passaram desde que a tia Nina morreu, e parece que uma parte de cada pessoa morreu junto com ela.

A Rainha Marina sempre foi uma mulher bondosa, linda, inteligente e a mãe que eu sempre quis ter, mas agora que ela morreu tudo parece mais sombrio, sem cor ou alegria. A ficha ainda não caiu.

Minha mãe está até agora na prisão do palácio e vai poder comparecer ao funeral, mas com as algemas.

Ícaro não falou comigo direito desde o dia da morte da mãe dele. Um médico cuidou do ferimento dele e o mesmo se trancou no quarto e nem sai de lá direito.

O pior de todos é o tio Gabe. Ele aprontou e tudo o mais, mas ele amava a esposa e faria tudo por ela. A morte dela acabou com ele. Até onde eu sei, ele nem come direito e também não vai para o quarto deles. Fica apenas no escritório.

O Chris está mais do que nunca ao lado da Cath e ela ainda não acordou. Melhorou um pouco, mas ainda está em coma.

As outras selecionadas estão sofrendo por conta da morte da rainha também. Tia Nina tratou todas como se fossem filhas e quando ela morreu, só pude ouvir soluços e algumas quase gritaram, mas elas são princesas, sabem que isso não é bem visto. Mas nessa altura, o que é e o que não é bem visto por Illéa?

Os jornalistas acampam em frente ao palácio, esteja sol ou chuva, para conseguir informações sobre a morte da rainha, que pelo que eu vi, afetou todos de Illéa.

E eu? Bom, estou tentando segurar as pontas e ficar forte pelo bem de todos, mas quando chegou ao meu quarto ou quando me tranco na biblioteca, só se pode ouvir meus soluços e meu choro desesperado.

— Princesa Amélia? — Em, minha criada, me chamou e olhei para ela — Está na hora.

— Eu já vou — tentei sorrir, mas ela viu como eu estava. — Eles já desceram?

— Sim senhorita.

— Como estão?

— Do mesmo jeito que a senhorita. Tristes e desolados. Na verdade, estão do mesmo jeito que Illéa.

— Será que eu agüento esse funeral?

— Aguenta sim — ela chegou perto de mim e me abraçou — A senhorita é a princesa mais corajosa e forte que eu conheço.

— Obrigada Em. — sorri e ela limpou algumas lágrimas do meu rosto.

— Vai ficar tudo bem princesa.

— Vai sim — peguei minha bolsa e desci para o Salão. As selecionadas restantes estavam lá, todas de preto, assim como o Rei e Ícaro.

— Oi — Ícaro disse assim que pisei no último degrau. Ele estava com olheiras, com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, mas se não fosse por sua expressão triste, eu diria que estava tudo bem.

— Oi — peguei sua mão e ele me abraçou — Eu...

— Não precisa dizer nada, só me abraça — senti algumas gotas caírem no meu ombro e o abracei forte — Não precisa me sufocar.

— Desculpa — dei um leve sorriso e ele beijou minha testa. Olhei para as outras meninas e elas sorriam. Um sorriso pequeno devido à situação, mas sorriram. — Vamos.

— Sim — entrelaçamos nossos dedos e fomos para o carro. Minha mãe estava no carro de trás, junto com o rei e mais um monte de soldados, e pelo breve instante que a vi, percebi que ela estava inconsolável e profundamente triste. Claro, tia Nina era a melhor amiga dela e ela acabou atirando acidentalmente na melhor amiga. As outras meninas foram em outro carro e eu e Ícaro ficamos sozinhos. — Foi mal.

— Pelo que?

— Por ter meio que te ignorado esses dias.

— Tudo bem. Eu entendo pelo que você está passando. Ela era quase a minha mãe.

— Eu sei — ele encostou a cabeça no meu ombro e suspirou — Sinto falta dela.

— Eu também. Muita. — as lágrimas caíram e Ícaro me puxou para um abraço. — Vamos ficar bem não é?

— Sim, nós vamos. — me deu um selinho e voltou a me abraçar, e ficamos assim até chegarmos ao cemitério.

Quando entramos, havia várias pessoas de preto e tristes, querendo prestar condolências à amada Rainha.

— Com licença — fui até o Rei e fiz com que olhasse para mim. — Deixe-os entrar.

— Como?

— Entrar. Quero que eles participem do funeral da tia Nina.

— Amy...

— Você realmente não está em posição de me contrariar. Você mentiu para mim e para o Ícaro. Vocês dois praticamente me criaram e quero que você faca isso, não por mim, e sim por ela. — ele assentiu e falou com alguns guardas.

Não teve confusão, nem alvoroço, apenas pessoas andando e carregando rosas. A flor preferida da tia Nina.

— Você é incrível Amy — Taylor me abraçou e as outras meninas fizeram o mesmo.

— Obrigada gente. Mesmo — sorri e fui para o lado do Ícaro.

— Quero conversar com você assim que chegarmos ao palácio — ele sussurrou e assenti.

Parecia que todo o povo de Illéa estava no cemitério, assim como os jornalistas e a imprensa, sempre querendo fotos, mas com uma expressão triste no rosto. A morte dela afetou todo mundo.

— Estamos aqui hoje para darmos adeus a nossa querida e amada Rainha Marina. — o padre começou a falar, mas fiquei olhando para o caixão com a tia Nina dentro. Ela parecia tão calma. Tão tranquila. Eu gostava de pensar que ela estava apenas dormindo, assim como a Cath está no coma. Mas a tia Nina não ia voltar. Olhei para os lados e achei minha mãe. Como eu esperava, ela estava horrível. Não por que ela está em uma prisão e sim a aparência dela. Esses dois dias pareceram uma tortura para ela e acho que vai ser assim o resto da vida.

Olhei o tio Gabe levantar e colocar uma rosa nas mãos dela, beijar sua testa e dizer algo que não consegui identificar.

— Alteza — o padre olhou para Ícaro e ele levantou e foi até a mãe. Colocou mais uma rosa nas mãos dela e derrubou algumas lágrimas.

— Adeus mamãe — consegui ouvi-lo dizendo e meu coração pareceu explodir em pedaços. Eu odiava vê-lo assim, mas eu não estava muito diferente.

— Princesa Amélia — levantei e fui até o corpo frio da minha tia Nina, quase a minha mãe.

— Obrigada por tudo tia Nina, mesmo. — coloquei a rosa em seu cabelo castanho e respirei fundo — Vou cuidar dele.

Sentei ao lado de Ícaro e vi as meninas colocarem rosas no caixão também. Depois disso o caixão foi fechado e o colocaram na cova. Aos poucos, o povo de Illéa ia colocar rosas na cova e saíam do cemitério. Assim como eu pensei, vieram prestar condolências e mostrar o amor pela rainha.

Os coveiros foram colocando a terra no lugar até que o buraco no chão havia desaparecido. Levantei e dei a mão para o Ícaro.

— Vamos para casa — ele disse e voltamos para o carro. Não me atrevi a olhar minha mãe dessa vez. A culpa era dela. Tudo isso que aconteceu foi culpa dela.

Chegamos ao palácio e Ícaro foi para o quarto comigo. Não entendi o motivo, mas ele parecia nervoso.

— Você está bem? — perguntei enquanto tirava o salto.

— Sim, na verdade não muito. Ah que droga — ele se jogou na cama e me fez rir — Isso é difícil sabia?

— O que é difícil?

— Te pedir em casamento.

Certo, por essa eu não esperava.

Notas finais
Chorei mares e rios e lagos e tudo o mais nesses capítulos, mas valeu a pena kk Por mais triste que seja, a fanfic está na reta final :'( , mas estou pensando em uma possível continuação dela e da Blue Eyes, minha outra fanfic. Para quem não leu ainda, aqui está o link: https://fanfiction.com.br/historia/710181/Blue_Eyes/ Espero que tenham gostado e até domingo ♥