The New Selection
27 Capítulo 27
Notas iniciais
P.O.V. Rei Gabriel
Antes do casamento...
Os dias nesse palácio estão sendo torturantes, principalmente sem a minha Marina. Eu olho para o Ícaro e vejo o rosto dela, entro no nosso quarto e sinto o perfume que ela sempre usava, ando pelo palácio e lembro dela, sem vida depois do ataque da Angeline.
— Senhor, está na hora do casamento — uma das criadas veio avisar e assenti. Ela saiu e me deixou sozinho, novamente.
Olhei para um canivete na mesa e tive uma idéia estúpida, mas a Marina não gostaria disso. A culpa não foi minha, nem do Ícaro ou da Amélia. E sim da Angeline.
Se não fosse por ela, minha esposa estaria viva e comigo. Mas não, ela a matou e ainda teve a coragem de dizer que não foi por querer. Ela vai pagar pelo que fez a minha Marina.
Peguei o canivete e escondi no terno. Angeline ia pagar por tudo que havia feito.
— Senhor, aconteceu alguma coisa? — o guarda da prisão perguntou e neguei.
— Preciso ver Angeline Wood.
— Mas senhor.
— Agora.
— Sim, Majestade — abriu o portão e entrei. Subi até o andar da cela da Angeline e ela estava um caco.
— Ora ora, se não é o grande Rei Gabriel. — ela falou embolado e começou a rir amargamente — O que você quer aqui Gabe?
— Por que você fez aquilo Angie? — sentei no chão e ela veio até mim, sentando do outro lado. Éramos separados apenas pelas grades da cela.
— Eu já disse Gabe, foi um acidente. Um reflexo que eu tive na hora. Eu me culpo por isso mais do que você pensa.
— Então por que você está viva?
— Acha que eu não me pergunto isso? Todo dia, eu acordo e penso o porquê disso. Se é punição divina ou alguma coisa do tipo.
— Se fosse punição divina, estaríamos sofrendo juntos. Mas eu percebi uma coisa Angie.
— A culpa não foi sua Gabe. Foi totalmente minha — ela encostou a cabeça na grande e deixou uma lágrima cair.
— Ainda bem que você sabe — puxei o canivete e enterrei-o em seu peito.
— G-Gabriel...
— Tudo isso foi sua culpa Angeline, tudo. Os ataques, a Nina morta. Tudo. Você deveria morrer e acho que isso vai acontecer em breve.
— Não sou a única culp-pada — ela começou a tossir sangue e sorriu — Você sabe que também tem culpa nisso. Se não tivesse roubado minha filha, a Nina talvez estivesse viva.
— Cala a boca — pressionei o canivete ainda mais fundo e ela gemeu de dor, até ficar com os olhos vazios e sem expressão. — Quem eu quero enganar? Ela tinha razão. Se não fosse por mim, minha Marina estaria viva.
Encostei-me à grade e chorei pela primeira vez em anos. A dor me consumia cada vez mais. Olhei para o canivete e soube o que fazer.
— Me desculpa Nina, Ícaro e Amy. Queria ter sido um marido, um pai e um sogro melhor. Não consegui fazer isso por vocês. — olhei para o canto da cela e Nina estava lá, me estendendo a mão. — Estou indo amor, estou indo com você.
Pressionei o canivete nos pulsos e senti o sangue sair. Depois de alguns minutos, eu não sentia mais nada. Dor, arrependimento, tristeza. Nada. Apenas via a minha esposa me esperando com a mão estendida e sorrindo.
— Me desculpem — aceitei a mão da Nina e senti tudo ficar escuro.
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