The New Pack
16 Pain
Notas iniciais
POV Allison
Cheguei a casa, assim que entrei vi que tudo continuava na mesma. O balcão onde eu comia maior parte das vezes, o sofá onde eu fazia as minhas sessões de filmes, tudo me trazia imensas memórias, e em grande parte havia uma pessoa muito especial presente, a minha mãe.
Caminhei e toquei na mobília, gostava de sentir o cheiro a casa, mas faltava algo. Faltava o sorriso que aquecia a casa, faltava a minha mãe. Lembro-me que quando estava triste ela estava sempre disponível a ajudar, sempre ali para mim. Ela costumava fazer chocolate quente, ambas bebíamos cada uma a sua chávena, sabia bem, ela ouvia-me e aconselhava-me sempre da melhor forma, afinal as mães costumam dar aqueles conselhos sábios, não é verdade?
O meu pai entra atrás de mim, observa a cena toda e para-me a certo ponto colocando-me a mão no ombro, parece preocupado comigo. Eu abraço-o e deixo algumas lágrimas deslizar pelo meu rosto, não tento impedir, era uma dor tão grande que não dá para explicar, eu perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida toda e não a consigo trazer de volta.
—Porque é que teve que ser assim? — pergunto entre choro e o meu pai acaricia-me.
—Eu não sei, penso que nem uma banshee sabe, mas eu tenho a certeza que a tua mãe está sempre do teu lado, apesar de não estar presente fisicamente, ela está cá, tens que acreditar nisso! — ele tenta consolar-me e eu abraço-o de novo.
—Eu tenho que estar um pouco sozinha, vou para o meu quarto — digo limpando as lágrimas.
—Claro, se precisares de mim chama — eu assinto e subo as escadas a correr, respiro calmamente, ou pelo menos tento, quero conter as lágrimas. Ponho a mão na fechadura, fecho os olhos com força, suspiro e rodo a maçaneta, empurrando a porta devagar e abrindo-os em seguida. Fecho-a vagarosamente e encosto-me à mesma, respiro fundo e entro mais no quarto.
Caminho um pouco pela divisão, tudo continua como eu tinha deixado. As paredes num tom lilás velho, no lado esquerdo um roupeiro branco embutido, andando mais para a direita uma mesa de cabeceira em madeira com um candeeiro em tom creme, lembro-me que quando o escolhi a minha mãe me aconselhou a escolhê-lo, tem também uma moldura de uma foto com a minha mãe. Lembro-me perfeitamente que tiramos esta foto no meu primeiro dia de liceu à porta de casa, ela insistiu em tirá-la porque queria guardar a recordação desse dia, eu fiquei om uma cópia e decidi colocá-la ao meu lado. Não resisto e pego na fotografia, toco na cara da minha mãe a partir da moldura, fecho os olhos e lágrimas caem-me, dou um beijo na moldura e pouso-a.
Ganho força e continuo a explorar o meu quarto. Ao lado dessa mesinha de cabeceira tenho a minha cama de casal em madeira no mesmo tom da mesinha de cabeceira, com a diferença que tem uns detalhes roxos velhos, bastante discretos, a condizer com a minha roupa de cama. Ao lado tenho outra mesinha de cabeceira e outro candeeiro iguais ao que se encontravam anteriormente. A única diferença é que tinha outra moldura, mas desta vez era uma foto com o meu pai.
Lembro-me que foi nas férias que fizemos em Boston, fomos à casa deles lá, na verdade todo o grupo foi, afinal foi onde os nossos pais estudaram. Nesse dia disse-lhe que adorava seguir os passos dele e estudar em Boston, ele sorriu-me e a minha mãe tirou-nos esta foto. A minha mãe adorava tirar fotografias, ela dizia que gostava de guardar recordações e que não havia melhor que fotografias, visto que todas têm o seu significado e a sua história. Pego na moldura, e seguro-a com força, olho para ela como se realmente falasse com o meu pai e disse algo como "Temos que ser fortes, pela mãe". Outra lágrima caiu-me, mas ganhei força para continuar.
Em frente à minha cama tinha a minha secretária, nela eu tinha uma foto com o Thomas e a Acacia, bem como os meus livros e dossiers do ano anterior. Peguei na moldura e deu-me força, os meus melhores amigos deram-me força, sorri fraco e escorre-me a primeira lágrima de alegria. Tiramos esta foto na receção aos caloiros do liceu, a Acacia estava com a sua cara de retardada, enquanto eu e o Thomas nos ríamos da figurinha dela.
Por cima da secretária eu tinha uma espécie de moral de fotos, haviam fotos com os meus avós, com o grupo, com os meus melhores amigos, ou fotos apenas minhas. Eram demasiadas memórias, tentei conter mas era impossível, comecei a chorar.
Do nada atirei tudo de cima da mesa arranquei fotos do moral, numa delas estou com os meus pais, noutra apenas com a minha mãe, não consegui. Atirei-me para cima da cama e limitei-me a chorar em voz alta, eu precisava de expressar esta dor toda, gritei, solucei, chorei.
O meu pai apareceu no meu quarto, provavelmente ficou chocado com o estado em que deixei o quarto, no entanto, não disse uma única palavra sobre isso, na verdade, ele não disse uma única palavra acerca de qualquer assunto. Devia doer-lhe tanto a ele, quanto a mim. Não foi justo, a minha mãe merecia, ela precisava de ter sobrevivido!
Abraçou-me e deitou a minha cabeça no colo dele acariciando os meus cabelos, simplesmente ouvindo o meu choro, tal como a minha mãe fez vezes e vezes sem conta. Isto costumava sempre acalmar-me, tranquilizava-me porque eu sabia que tudo voltaria ao normal, que tudo voltaria a ser como era, mas neste caso não correspondia à realidade.
Amanhã eu irei acordar e a minha mãe não estará aqui, e o mesmo irá acontecer no dia seguinte, e no seguinte, e no seguinte, até ao fim dos meus dias. Ela morreu, desapareceu deste mundo, amanhã eu vou acordar e ela não vai estar na cozinha a preparar o meu pequeno-almoço, não me dará um beijo de bom-dia e não dirá que me adora, nem amanhã, nem nunca mais!
Se eu tivesse que classificar esta dor numa escala de 0 a 10, eu classificá-la-ia com um 10. A minha mãe ainda era demasiado nova para morrer, eu ainda precisava dela, eu não estava à espera, eu não estava sequer preparada para uma notícia destas, para um acontecimento destes, foi sem dúvida uma surpresa, a pior surpresa.
No meio dos pensamentos, do choro e da angústia acabei por adormecer acordando horas depois, quando já era de manhã, o meu quarto já estava limpo, provavelmente o meu pai terá limpado os estragos enquanto eu estava a dormir.
Dirigi-me para a casa de banho, tirei a roupa e liguei o chuveiro. Tomei o meu banho, o meu longo banho, deixei-me ficar debaixo de água até conseguir ganhar o mínimo de coragem para enfrentar o mundo e conviver com a minha nova vida. Sim, porque ganhar vontade para isso é a coisa mais impossível neste momento.
Quando saio limpo-me e seco o cabelo, ficou com ondas naturais e eu deixei-o estar, não tive vontade de o alisar ou ondular melhor. Saí da casa de banho, dirigi-me ao roupeiro e fiquei a olhar para a roupa existente, não tinha a mínima ideia do que iria vestir, a única coisa que eu queria era dormir e dormir e dormir, talvez não sentisse a dor.
Acabei por escolher algo muito simples, dirigi-me ao espelho, deixei a toalha deslizar pelo meu corpo e deixei-a cair no chão, fiquei a encarar o meu corpo no espelho, a minha pele pálida, parecia ter perdido peso, sentia-me diferente. Deixando esta observação de lado, vesti-me e desci as escadas.
O meu pai estava lá em baixo sentado à mesa, ouvia-se barulhos vindos da bancada, logo alguém mais estava cá em casa, a mesa estava posta com imensa comida e haviam três lugares. Por momentos pensei que fosse a minha mãe, mas isso era impossível, a casa teria outra dinâmica, a não ser que isto fosse apenas um mero sonho, mas eu senti mesmo a água, logo é impossível ser um sonho. Dominada pela curiosidade dirigi-me então à mesa, e tal como pensei não era a minha mãe, logo não estou num sonho, é apenas a minha avó Melissa que tinha voltado da sua formação especial de enfermagem.
—Allison! — ela sorri ao ver-me e abraça-me com força, faço o mesmo, mas mais fraquinho.
—Avó! — ela acaba por me largar e olha para mim dos pés à cabeça.
—O teu cabelo cresceu e tu também, estás diferente, mais magrinha, mais alta, estás linda! — ela elogiou-me e eu sorri.
—Obrigada — agradeço.
—Senta-te, tens que comer, afinal hoje vais voltar à escola! — eu sorrio mostrando alguma falta de ânimo.
—Já viste o Argent? — pergunto-lhe. É assim, o Argent e a minha avó Melissa são casados, mas a minha avó foi nesta formação intensiva e ele não pode ir devido ao trabalho dele cá.
—Sim, eu cheguei ontem à noite, ele contou-me as novidades e por isso eu resolvi aparecer por aqui de manhã só para dar um apoio! — explica ela.
—Ainda bem que vieste — eu tiro um pedaço de croissant e como, não tenho vontade nenhuma de comer, mas eu sei que mesmo que não queira, a minha avó me vai obrigar a comer, porque afinal, alguma vez a D. Melissa Argent, uma grande enfermeira, deixaria a sua neta sem comer, ainda mais tendo ela um dia de escola pela frente? Claro que não! Seria uma irresponsabilidade da parte dela!
É então que a porta da entrada se abre e três seres entram disparados pela casa a dentro, traduzindo, o Derek, o Thomas, e claro, a Acacia.
—Como é que eles entraram? — pergunta a minha avó.
—Eu tenho uma cópia da chave — mostra a Acacia e o meu pai contém o riso.
—É assustador, mas não me surpreende! Se calhar não é assim tão assustador, afinal és a filha do Stiles e da Malia! — ela vem cumprimentar a minha avó.
—Sentimos a sua falta, Melissa! — ela abraçou-a e a minha avó fez o mesmo.
—Claro que sentiram! — rio-me, como é que eu vou ficar triste rodeada desta gente tão maravilhosa? É humanamente e até mesmo sobrenaturalmente impossível!
—Melissa — cumprimenta-a o Thomas.
—Oh, Thomas! Que lindo que estás, tal e qual como o teu pai! — ele sorri.
—A Melissa também continua igualzinha, os anos passam, mas a velhice não chega — ela risse com isso, tenho a certeza de que ela ficou mesmo feliz com o comentário.
—E quem é este rapaz giro que eu não conheço? — pergunto.
—Derek Hale Lahey — apresenta-se e ela olha para o meu pai.
—Sim mãe, é filho da Cora, a irmã do Derek, e do Isaac — ela fica surpreendida.
—Quantas e quantas recordações não tenho tuas e do Isaac, vocês eram parceiros de luta — o meu pai sorri como se se estivesse a lembrar. — É um prazer conhecer-te, Derek.
—O prazer é meu — ele diz.
—Ninguém percebeu ainda? Ele não é o Derek! — intervém a Acacia. — Ele é o Miguel, o meu primo Miguel, do México!
—Tu és tão filha do Stiles — observa a minha avó e ela sorri.
—Mas pronto, Allison tens que comer, hoje vamos todos juntos para a escola! — diz a Acacia e eu como mais um pouco do croissant.
—Vão como? — pergunta a D. Melissa.
—De carro — respondem todos em uníssono.
—Vamos em que carro? — questiono.
—No meu querido jeep, como é óbvio! — a minha avó arregala os olhos.
—O jeep que foi do Stiles? — a Acacia assente. — Esse jeep é tão antigo! Porque é que não arranjas outro? Aquele pedaço de lata já deve estar a cair aos pedaços!
—Não me importa se é velho! Eu adoro aquele jeep, o meu jeep! E que fique aqui dito para que toda a gente saiba, eu nunca vou deixar este jeep, nunca! — todos rimos.
—Bem, vamos lá no teu jeep! Tchau pai, tchau avó, adoro-vos! — despeço-me.
Realmente, depois desta visita fiquei mais animada, vejamos como corre o resto do dia!
Continua...
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