Krystal, assim que chegou ao colégio, foi falar com a direto.

Como sempre, ela havia saído e voltaria assim que possível.

Enquanto ela não chegava, Jackie tentava puxar algum assunto:

-Krys, eu já fiz uma pesquisa na internet sobre os instrumentos musicais...

-Jackie, eu tenho tudo no meu porão.

-È? Até um baixo?

- Tenho, tenho bateria, guitarra, baixo, microfone...Ganhei em um bazar.

-Nossa. Mas são todos usados né?

-Sim, todos, com a exceção da Guitarra que eu ganhei da minha mãe.

-Hum...

- Mas se você quiser ir depois pegar logo seu instrumento..

-Não, não precisa, é melhor que ele fique guardado lá.

E como sempre, sobre aquela sala, pairou um silencio..Era como se Krystal e

Jackie nunca tivessem nada pra falar um pro outro, ou tenham...

- Eu...eu queria falar com você sobre aquele dia...

-Diretora!!!- exclamou Krystal, tentando fugir do assunto.

-Olá Krystal, Jackie. Então, a que lhes devo a presença?

- Bom sra, eu vim até aqui, pra pedir a sua permissão para usar o auditório da

escola.

- E, pra quê você quer usar o auditório?

- Bom, vou tentar resumir a história. Eu tinha uma Banda, mas os integrantes


me tiraram dela, Daí que eu tive a idéia de montar uma outra banda. Eu já tenho


o Jackie no baixo, mas ainda falta o baterista, guitarrista, 2ª voz...


Aí eu pensei em pedir a sua permissão pra fazer uma audição no colégio com


os alunos daqui.

- Hum...mas vocês sabem que, o custo da organização é todo de quem


organiza, né?

- Sim.

A diretora se encostou na cadeira e ficou um tempo, analisando o pedido.

Enquanto Jackie e Krystal esperavam ansiosos por uma resposta.

-Eu deixo, mas com uma condição: que o horário dessa audição não atrapalhe


ou interfira na aula de nenhum professor.

-Está bem.

- ótimo, agora, vão pra aula. Já deve ter inciado.


- Sim, obrigada.

E saíram animados os dois, já tentando resolver alguns pequenos detalhes

dessa audição.

E na sala de aula, Robert como estava na fileira da frente, os viu cochichando ,

animados de lado de fora. E sem pensar duas vezes disse:

- Ora, ora professor, tem gente matando aula, ou é impressão minha?- E


apontou pra o lado de fora.

O professor abriu a porta com uma expressão de ira.

- Posso saber o motivo pelo o qual os dois estão fora da sala de aula? Logo


você senhorita Krystal, que eu julgava ser uma aluna responsável? Os dois pra


detenção agora!

- Professor, nós já íamos entrar, é que...

-Quando? Ia entrar quando o sinal tocasse? Nem mais, nem menos, todos dois


pra detenção!- E bateu a porta.

Jackie já havia visitado a detenção algumas vezes, o coordenador que ficava por

lá, dormia a maior parte do horário.

-Krystal! Essa pode ser uma ótima oportunidade!

Disse Jackie, enquanto os dois caminhavam alguns corredores até a sala de

detenção.

- È uma ótima oportunidade pra nós termos uns pontos a menos no boletim e


se ferrar o ano inteiro!

- Não! Uma ótima oportunidade pra perguntar pro pessoal lá, se eles sabem


fazer algo relacionado a musica e ir selecionando alguns pra audição! Afinal, o


coordenador fica ‘’dopado’’ a maior parte do tempo...

- è, vendo por esse lado...

Parecia que quanto mais andavam, mais longe aquela bendita sala ficava.

Jackie se sentia cada vez mais pressionado á conversar com Krystal, pois, ela

era a única que conseguia mexer tanto com os sentimentos dele. Então,

respirou fundo, pegou do braço de Krystal tentando segurá-la e disse:

- Preciso lhe dizer algo...

- OIha se for sobre aquele dia...Aqui não é o lugar certo pra esse assunto.

- Você sempre diz isso! Será que é difícil pra você entender que eu só quero


ficar perto?

As mãos de Krystal suavam, e seu coração batia acelerado, até que lembrou do

dia no parque.

Jackie aos poucos a puxava para si, e Krystal não conseguia se defender, pois

todo seu corpo adormecera, era como se não tivesse mais forças.

Os dois estavam completamente envolvidos até que foram separados pelo o

sinal do intervalo.

Krystal parecia ter despertado e saiu, apressada, ao contrário de Jackie, que se

afastou do local sorrindo.

No caminho Krystal esbarrou em Robert que a chamou mas foi ignorado.

Ela entrou no banheiro, fechou a porta e expirou. Foi em direção ao espelho e

ao mesmo tempo em que refletia sua imagem, lembrava do que ‘’quase’’

aconteceu. No fundo, Krystal sabia que mais cedo ou mais tarde teria que

confessá-lo o que sente.