Notas iniciais
Andy, Helena, Leonidas, Kristen, Kathryn, Mason, Jason, Miranda, Alicia, Ellen, James, Christian, Diego e Elizabeth correram rapidamente pelo caminho indicado por Andersen II, que, para a infelicidade de todos, dava na Ala Hospitalar de Hogwarts.
– Tem certeza de que eles estão aqui? – Alicia perguntou com receio, temendo que o pior tivesse acontecido com sua mãe.
– Tenho. – Andy assentiu e parecia visivelmente infeliz com isso.
Antes que pudessem dar um passo em direção às portas fechadas da Ala, Andersen surgiu por estas, cabisbaixo e infeliz. Elizabeth, Andy e Helena jamais tinham visto o pai tão mau. Ele parecia completamente perdido, desolado, e os olhos brilhantes estavam cheios d’água.
– Eles voltaram mesmo, tio? – Mason questionou, embora, pelo estado do tio, nada de bom os aguardava do outro lado daquela porta.
– Sim e mataram o Pitch. – Andersen concordou, mas o tom saiu estrangulado. – Voltaram, mas... – Pareceu sufocar, de modo que não conseguiu prosseguir.
– O que? – Kristen deu um passo à frente, colocando a mão no ombro do homem. – Tio, o que aconteceu? – Insistiu.
Andersen não disse nada. Apenas gesticulou para a porta da Ala Hospitalar e saiu dali rapidamente, claramente querendo evitar qualquer pessoa. Os quatorze mais novos se entreolharam antes que fosse Kathryn a abrir as portas da Ala.
Maior parte das camas da Ala Hospitalar estava vazia e bem arrumada e apenas nove delas eram ocupadas. Cinco das pessoas deitadas em cinco delas estavam cobertas por lençóis brancos que impossibilitava saber quem eram. As outras pessoas ali presentes eram fáceis de reconhecer: Elsa Gryffindor, Mirana Wonderland, Anna Gryffindor e Merida Dunbrooch. Jack era o único dos Dez mais velhos que não estava em uma cama. O albino estava sentado aflito numa cadeira ao lado da cama da desacordada Elsa.
Elsa parecia mais pálida que o normal e tinha um corte longo e sangrento na testa que parecia profundo. Fora isso, trazia apenas alguns poucos arranhões. Mirana ficara ainda mais branca do que já era e a pele translúcida evidenciando as veias lhe dava um aspecto doente. Ela tinha alguns arranhões e um pouco de sangue escorria pelo canto do lábio. Anna estava suja de sangue e bastante machucada, além de que os cabelos ruivos escondiam hematomas na parte esquerda do rosto, mas parecia estar bem. Merida estava com o nariz aparentemente quebrado e o rosto meio roxo, mas nada mais grave que isso. Jack parecia estar em melhor estado entre todos, afinal estava consciente e não tinha mais do que poucos arranhões.
James, Alicia, Christian, Kristen e Ellen imediatamente correram para onde estavam seus respectivos pais, mas os demais ficaram parados à porta, atônitos. Jason foi o primeiro a tomar iniciativa de se mover, indo até a cama mais próxima onde havia uma pessoa completamente coberta por um lençol branco e o puxou.
O menino quase caiu de joelhos ao ver a pele palidamente doentia e a falta de qualquer movimento, mesmo o da respiração, vindo de ninguém menos do que Jackeline Slytherin. O pescoço dela estava virado de tal modo que era óbvio que estava quebrado.
Ela estava morta.
Ao perceber que seu irmão mais novo cairia, Mason correu até ele e o segurou, mas tampouco conseguiu conter as lágrimas que se formaram em seus olhos ao ver a imagem sem vida de sua mãe. Nenhum dos dois disse nada. Apenas ficaram observando a figura inerte da mãe enquanto as lágrimas caíam insistentes pelos rostos pálidos dos dois.
Os demais desviaram o olhar. Não queriam assistir ao sofrimento dos irmãos Slytherin, ainda mais sabendo o que se encontrava debaixo dos lençóis brancos. Diego foi até a cama seguinte à de Jacky e retirou o lençol dali.
Era ninguém menos do que Rapunzel. A morena estava em estado perfeito. Tinha apenas alguns arranhões e mais nada. Se não fosse pela palidez da pele e a falta de respiração, seria possível pensar que ela estava apenas dormindo. Provavelmente fora atingida por uma Maldição da Morte.
– Mãe! – Diego gritou ao identifica-la ali. – Você prometeu para mim! – O garoto parecia completamente desolado.
Kathryn correu até o irmão e o abraçou por trás, tentando acalmá-lo, mas Diego ainda conseguia sentir as lágrimas da mais velha pingando em seu cabelo castanho.
Leonidas imediatamente saiu dali sem dizer uma única palavra, completamente quieto. Se não havia visto seu pai, sabia muito bem o que o aguardava se decidisse olhar por debaixo de um dos lençóis brancos e não queria. Tampouco lhe agradava a ideia de que outras pessoas o vissem chorar, fato que o levou de volta ao Dormitório Masculino da Sonserina para evitar que os outros vissem as lágrimas caindo insistentes por seus olhos.
Miranda andara sem vontade alguma até o lençol por onde podia ver uma mecha loira caindo à mostra sobre a cama. Não se atreveu a retirar o pano, ficando apenas ali de frente para a cama onde a mãe se encontrava morta, chorando.
Andy segurou a mão de Elizabeth e Helena antes de os três seguirem para a cama onde conseguiram identificar o corpo da mãe sob o lençol. Assim que se aproximaram, foi o mais velho a retirá-lo.
Elena tinha alguns poucos arranhões no rosto pálido e não havia nada que indicasse como ela havia morrido. Poderia muito bem ter sido por uma Maldição da Morte, mas era impossível dizer.
Helena se aproximou da mãe e segurou sua mão inerte, que sempre fora envolta em um calor demais para um ser humano comum, mas que agora estava tão fria quanto gelo.
Todos os presentes se viraram na direção de Elsa e Jack quando, sem qualquer aviso, o albino começou a falar:
– Era noite quando achamos aquele infeliz. – Ele começou a contar. – Estava escuro, mas Merida insistiu que não seria um problema. – Ele olhou para o teto, parecendo um tanto quanto melancólico. – E talvez não fosse se nosso oponente não fosse ele. – Prosseguiu. – Todos nós sabíamos que apenas Elsa e Elena podiam mata-lo e o que aconteceria com Elena se ela o fizesse, afinal não se pode quebrar um Voto Perpétuo e ela quebrou quando o matou com a ajuda de Elsa. – Ele então abaixou a cabeça e manteve seu olhar fixo no rosto sereno da esposa, que permanecia desacordada. – Quando o atacamos, ele se escondeu nas sombras. Não sei como aconteceu, mas em um segundo ele apareceu atrás da Jacky e quebrou o pescoço dela com as próprias mãos. – Ele respirou fundo antes de prosseguir, como se subitamente estivesse sem fôlego, e algumas lágrimas caíram dos olhos azuis do sempre divertido albino. – Elena ficou furiosa. – Ele riu melancólico. – Ela o atacou, mas ele conseguiu desviar e a mataria se Soluço não tivesse se jogado na frente dela e recebido a Maldição da Morte no lugar dela. – Contou e cerrou as mãos em punho numa tentativa clara de controlar-se. – Depois disso, ele, de algum jeito, conseguiu nos separar. – Disse. – Não cheguei a descobrir como ele matou a Alice, mas quando conseguimos nos reunir e então a achamos, ela já estava morta. – Limpou as lágrimas teimosas com as costas da mão. – Juntos, eu, Anna, Rapunzel e Merida fomos procurar Elsa e Elena. Elas acabaram se encontrando sozinhas, afinal sempre se encontram. – Revirou os olhos, mas estava visivelmente infeliz. – Quando as alcançamos, elas já estavam lutando contra ele. Em um momento de distração delas, ele atacou a nós com um Confringo. Rapunzel recebeu o impacto direto e morreu na hora. Eu, Anna e Merida fomos jogados para longe. Eu não conseguia me mexer e elas tinham desmaiado. – Escondeu o rosto com as mãos. – Elsa e Elena conseguiram matar Pitch, mas não antes que ele acertasse Elsa na cabeça e desde então ela não acordou. Elena morreu junto com ele, afinal quebrara o Voto de que nunca iria mata-lo. – Finalizou.
Ninguém ousou falar mais nada depois do relato de Jack. Ninguém tinha mais nada para dizer. A maior ameaça do mundo bruxo estava morta.
Mas sua derrota cobrara um preço alto demais.
Fale com o autor