The New Hogwarts II - In The Shadow of Parents
20 Confusões Acordam Cedo
Notas iniciais
De madrugada, Helena acordou abruptamente ao constatar um barulho incomodo e uma inquietação próximos a si. Olhou para o lado e percebeu ser sua irmã, Elizabeth, que se remexia e fazia caretas com o pesadelo na qual estava presa, além de balbuciar algumas coisas que, por estar longe, a mais velha não conseguia entender.
Aproximou-se preocupada e rapidamente da irmã, procurando ajuda-la, ouvindo um “A culpa não foi minha” vindo dela, perguntando-se internamente com o que ela estaria tão perturbada. Cutucou-a um pouco e a chamou algumas vezes, de modo que logo a mais nova acordou, tremula e suando frio.
Elizabeth, assim que viu a irmã, abraçou-a com força e chorou baixinho. Helena retribuiu o abraço e afagou suas costas, preocupada com o que poderia ter deixado sua irmã mais nova tão mal.
– Ei, o que aconteceu? – Uma voz conhecida se fez ouvir antes que Helena pudesse perguntar a Elizabeth que pesadelo ela tivera, fazendo ambas virarem-se para a dona dela.
Se Andersen acordava com o barulho de uma pluma caindo no chão, Elena acordava com o barulho da mesma pairando no ar. Com o sono leve que tinha, era justamente ela quem estava ali de frente para as Irmãs Gryffindor Ravenclaw, olhando preocupada de uma para a outra.
– Ela teve um pesadelo. – Helena respondeu atônita ao perceber que Elizabeth não era capaz de fazê-lo.
– Entendo. – Elena assentiu e se aproximou de Elizabeth, abaixando-se, afinal a garota estava sentada no chão, e colocando uma mão em seu ombro. – Quer contar? – Perguntou gentilmente, arqueando uma sobrancelha. – Talvez ajude. – Abriu um sorriso torto fraco, ainda com a sobrancelha arqueada, fazendo Helena perceber o porquê de Elsa ter notado a semelhança entre elas com aquilo. Era um gesto muito pessoal.
Elizabeth ponderou um pouco. Claro, queria desabafar um pouco, mas o pesadelo que tivera era muito revelador, então, se quisesse contar, teria que alterar algumas partes e depois contar a versão verdadeira a Helena. Finalmente, assentiu e começou a falar:
– Foi com a minha mãe. – Disse com a voz falha e percebeu Helena estremecer ao seu lado, mas continuou.
– Sua mãe? – Elena questionou e a garota assentiu timidamente. – O que aconteceu com ela? – Perguntou.
– Ela morreu. – Elizabeth abaixou o olhar e algumas lágrimas escaparam dos olhos verdes, pingando no chão. – E a culpa foi minha. – Disse por fim, engolindo o choro. – Ela saiu numa missão idiota e eu não consegui impedi-la. Ela morreu e a culpa foi minha. – Desabafou, voltando a chorar logo em seguida.
Arregalou os olhos e sentiu-se ficar paralisada quando Elena a abraçou com força, afagando seus cabelos escuros num gesto reconfortante.
– Nunca mais repita isso. – A morena mais velha disse em tom de ordem, claramente insatisfeita. – Se ela foi por vontade própria, era responsabilidade dela. Você tentou impedi-la, fez tudo o que podia. Não foi culpa sua e não quero te ouvir dizendo isso nunca mais, ouviu bem? – Quase pôde visualizá-la arqueando uma sobrancelha, algo que sempre acompanhava qualquer questionamento que fazia.
Elizabeth não soube o que dizer. Apenas assentiu silenciosamente, com um gesto mínimo da cabeça, que foi o suficiente para Elena entender. Helena assistia a tudo calada, sem querer interromper o que quer que viesse a seguir, mas preocupada com Elizabeth e seus pesadelos, além de estar também comovida com o que a mãe dissera.
Elena soltou Elizabeth, mas continuou próxima à garota, segurando o queixo da mesma de modo que pudesse obriga-la a olhá-la enquanto falava:
– Olha, não precisa se sentir assim. – A morena mais velha disse, tentando a todo custo tirar aqueles pensamentos da cabeça da garota. – Nós vamos cuidar dos problemas e eu vou cuidar de vocês duas. – Colocou a mão livre no ombro de Helena. – E tenho certeza de que, onde quer que sua mãe esteja, ela também está cuidando de vocês. – Abriu aquele sorriso torto familiar.
As duas assentiram sem saber o que mais poderia ser dito. Elena se levantou e puxou Elizabeth consigo, levando-a até sua cama, que permanecia vazia, afinal as garotas estavam todas espalhadas por colchões no chão que haviam trazido e as camas estavam todas vazias.
– Agora você vai voltar a dormir. – Elena gesticulou para sua cama.
– Não, é sua cama. – Elizabeth recusou.
– Quando eu tinha pesadelos, eu gostava de ir para a cama da minha mãe, para que ela ficasse comigo. – Elena declarou sem dar atenção à recusa de Elizabeth, empurrando-a para a cama e cobrindo-a com o cobertor. – Como você não tem mais a sua, acho que eu vou ter que servir. – Sorriu e se sentou ao lado da cama, segurando a mão de Elizabeth por cima do lençol. – Agora vá dormir e se chegar a ter pesadelos, lembre-se de que eu estou aqui. – Disse e encostou a cabeça à cama, fechando os olhos em seguida.
Helena observou tudo de longe, satisfeita, antes de se deitar e voltar a dormir ainda sorrindo. Elizabeth olhou para sua mãe e também sorriu. Era estranho vê-la falando de si mesma na terceira pessoa, mas compreensível, afinal ela não sabia que era sua mãe.
Sequer percebeu quando acabou adormecendo, ainda com um sorriso emoldurando seus lábios. Naquela noite, conseguira, pela primeira vez desde que chegara na Hogwarts do passado, ter um sono tranquilo.
–
Pela manhã, as treze garotas acordaram abruptamente ao ouvirem passos do lado de fora do quarto, seguidos pela voz da vice-diretora Minnie chamando por Elena, Elsa, Anna, Merida, Alice, Helena e Miranda, afinal já eram dez horas e elas não tinham comparecido a nenhuma das aulas.
As garotas logo se levantaram e se puseram a arrumar apressadamente o dormitório, temendo que a mulher entrasse ali e visse não só a bagunça lá dentro como também as seis pessoas que não deveriam estar ali.
Quando terminaram, Elena estava do lado oposto à sua cama no quarto, onde se encontrava Elizabeth. A porta começou a ser aberta lentamente e Jacky, Mirana, Rapunzel, Ellen, Alicia se esconderam debaixo das camas mais próximas. Helena estava longe demais da sua e olhava de um lado para o outro, desesperada, até que Elizabeth fez sinal para que ela se escondesse debaixo de alguma cama enquanto se atirava na cama da mãe, desarrumando os cabelos, deixando-os mais próximos de como os de Elena eram, e fechando os olhos para evitar que Minnie pudesse ver suas orbes verdes. Elena fez o mesmo, fazendo um gesto com a varinha para que seus cabelos ficassem lisos e agradecendo a Merlin pelos óculos de Helena estarem na mesa de cabeceira da mesma, sendo possível disfaçar.
– Garotas? – Minnie chamou ao entrar, vendo as sete ainda deitadas nas camas, fingindo dormir. – Acordem, falou num tom mais alto para que pudesse supostamente acordá-las e todas, exceto Elizabeth, abriram os olhos e olharam para ela. – A aula de vocês começou há muito tempo e ainda estão todas dormindo. – Suspirou. – Alguém acorde a senhorita Gryffindor e espero vê-las na minha aula em quinze minutos. – Disse antes de sair fechando a porta.
Todas suspiraram aliviadas e saíram de esconderijos e camas. Elena olhou com estranheza de Elizabeth para Helena, percebendo que facilmente a mais nova se passara por ela e ela pudera se passar por Helena. Ainda assim, não disse nada e as meninas também não perceberam.
Logo, apressadas, todas, começaram a se arrumar para ir ás aulas.
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