The New Hogwarts II - In The Shadow of Parents
28 A Mirana de Sempre
Notas iniciais
Passara-se uma semana desde o incidente ocorrido no Grande Salão. A Ala Hospitalar permanecera fechada para todos os alunos e somente os casos mais graves eram atendidos, sendo que usavam um feitiço Obliviate no aluno assim que este saía, para que não pudesse relatar em que estado se encontravam as Irmãs Wonderland.
Ambos os grupos de Dez, os Novos e os Antigos, permaneceram maior parte do tempo à frente da porta da Ala, aguardando notícias da amiga, mas nenhum professor se habilitava a dá-las.
Em um horário mais vago, quando nem todos ficavam ali, restaram apenas Alicia e Miranda de frente para as enormes portas da enfermaria de Hogwarts.
– É tudo culpa minha. – Alicia declarou em um tom baixo e quase inaudível, mas que Miranda conseguiu escutar.
– Ally, pense bem. – Miranda tentou argumentar com ela no intuito de tirá-la daquele estado quase depressivo em que Wonderland Withcraft se encontrava desde o ocorrido no Grande Salão. – Ninguém as impediu. Isso teria acontecido de qualquer jeito. – Afirmou.
– Mas não foi para isso que viemos? Para mudar o que está errado? – Alicia rebateu o argumento da outra, desviando o olhar para um ponto qualquer no corredor numa tentativa clara de não olhar para a amiga. – Eu devia ter feito alguma coisa, Miranda. – Disse convicta e cerrou os punhos força.
– Ally, você é boa demais para o seu próprio bem. – Miranda colocou a mão no ombro da melhor amiga. – Sua mãe teria orgulho de você. – Garantiu.
Alicia então olhou para a ruiva e não teve como não abrir um sorriso, mesmo que pequeno. Então, as duas seguiram para o Grande Salão, num dos poucos momentos em que todos deixavam o posto em frente à Ala Hospitalar, sentando-se à mesa da Lufa-Lufa com os outros dezessete, que já estavam ali. Estavam comendo em silêncio até que o Diretor Mickey aproximou-se deles.
– Crianças. – Ele chamou.
– Como está a Mirana? – Alice e Alicia foram as primeiras a perguntar, preocupadas com a garota.
O Diretor franziu o cenho com a pergunta da menina e logo olhou a todos com uma expressão infeliz.
– A senhorita Wonderland sumiu. – Ele anunciou.
– O QUE?! – Todos eles gritaram em uníssono.
– Hoje pela manhã, ela não estava em sua cama. – O Diretor explicou. – Ao que parece, ela não veio até vocês. Caso se habilitem, eu gostaria que ajudassem nas buscas à Senhorita Wonderland.
– Mas qual é o estado dela? – Elsa questionou pesarosa.
– Os exames não indicam efeitos colaterais internos. – Ele respondeu. – Mas há algumas mudanças na aparência que não serão possíveis de reverter.
Mudanças na aparência. Alicia não precisou de muito mais do que isso para ligar os pontos do que havia acontecido com sua mãe. Miranda tinha razão, aquilo teria acontecido de qualquer maneira. Mesmo ansiosa, esperou que todos começassem as buscas para então poder sair em busca de sua mãe, já sabendo de que modo iria encontra-la.
– Mas se ela está diferente, como a acharemos? – Soluço perguntou, tirando a albina de seus devaneios.
Mickey sorriu sem humor.
– Vocês são amigos dela. – Foi o que ele respondeu. – Vocês saberão. – Disse isso e se retirou.
Os dezenove amigos se entreolharam e logo se separaram para procurar Mirana. Elsa e Helena foram à Biblioteca. Jack e James foram ao Campo de Quadribol. Rapunzel e Diego foram ao Salão Comunal da Lufa-Lufa. Anna e Christian foram ao Primeiro Andar. Soluço e Leonidas procurariam no Segundo e Terceiro Andar. Elena, Elizabeth e Miranda procurariam no Quarto, Quinto e Sexto Andar. Merida e Ellen procurariam no Sétimo Andar e nas Masmorras. Jacky e Jason foram às Estufas. Alice e Alicia procurariam pelos Campos de Hogwarts.
A loira e a albina corriam pelos campos desesperadamente. Acabaram por ir a uma árvore perto do lago, uma que Mirana gostava. Lá Alicia imediatamente avistou uma garota, mas estava encostada na árvore e de costas para ela, sendo possível ver apenas os ondulados cabelos brancos. Já sabendo quem era, não tardou em correr para lá, puxando Alice consigo.
– Com licença. – Alice falou ao ir se aproximando com a outra. – Você, por acaso, não viu a... – Alice parou de falar ao se aproximar o bastante para ver quem era. – Mirana?
Ao ouvir seu nome, a garota virou-se para a loira e albina. Mickey estava certo. As mudanças na aparência eram mais que perceptíveis. Alicia também estivera certa. Foi ali que os cabelos antes pretos de Mirana transformaram-se em brancos como a neve, bem como a pele tornou-se tão clara que chegava a ser fantasmagórica e os lábios escureceram até tornarem-se quase pretos, deixando apenas os olhos da mesma cor.
– Oi, meninas. – Mirana falou com a voz embargada e a loira e a albina perceberam que ela estivera chorando.
Assim que terminou de falar, Mirana desabou novamente a chorar. Alice e Alicia se aproximaram e se abaixaram ao lado dela.
– O que aconteceu? – A loira questionou, quase sem acreditar na nova aparência da melhor amiga, embora Alicia não parecesse tão surpresa, uma vez que aquela era a aparência da mãe com a qual já estava acostumada.
Mirana não respondeu. Apenas continuou chorando. Chorando pela morte dos Pais e pelo que Iracebeth, sua própria irmã, fizera com ela. Alice e Alicia a abraçaram, tentando fazê-la parar de chorar.
–
Já era noite e ambos os grupos dos Dez, com a exceção de Mirana, Alicia e Alice, reuniram-se à frente das Enormes Portas de Castelo de Hogwarts.
– Acharam alguma coisa? – Soluço perguntou e todos balançaram a cabeça em negação.
Abaixaram as cabeças e só as ergueram novamente ao ouvirem as enormes Portas sendo abertas. De lá, entraram uma triste Alice, uma desanimada Alicia e uma menina de cabelos e pele brancos e lábios quase tão pretos quanto os olhos, mas o rosto estava vermelho os olhos, inchados, indicando que ela estivera chorando, que imediatamente os Dez do Futuro reconheceram, mas que apenas depois de muito olharem os Dez do Passado perceberam que era Mirana.
– Mirana? – Merida perguntou quase sem acreditar.
Mirana levantou o rosto ao ouvir seu nome e os amigos arregalaram os olhos ao verem as mudanças na aparência da amiga.
– O que aconteceu? – Anna questionou.
Alice balançou a cabeça em negação e, juntamente com Alicia, se aproximou de Rapunzel junto com Mirana. Só então perceberam que a garota agora de cabelos brancos estava apoiada em Alice e Alicia.
– Rapunzel, você pode levá-la para a cama dela? – Alicia pediu gentilmente, do mesmo modo que outrora sua mãe lhe ensinara a fazer, piscando os olhos algumas vezes, hábito este que tinha quando pedia algo.
– C-Claro. – Rapunzel gaguejou.
Rapunzel colocou o braço livre de Mirana sobre seu ombro e a Grifinória e a Corvina a soltaram. Logo, a loira saiu com a garota em direção ao dormitório da Lufa-Lufa e Diego a seguiu. Neste momento, vendo a mãe partir, Alicia se amaldiçoou por não ter sido selecionada para a casa de Helga Hufflepuff, pois, se houvesse sido, poderia ficar com a mãe naquele momento difícil.
– Mas o que foi isso? – Elsa perguntou sem acreditar no que vira.
– Isso... – Alice respondeu com raiva, uma vez que percebera que Alicia permaneceria calada. – Foi a Iracebeth.
– Acho que tem uma ruiva querendo morrer aqui em Hogwarts. – Elena falou também com raiva.
– Mas se a Mirana está assim, o que será que aconteceu com a Iracebeth? – Soluço, James e Christian questionaram em uníssono, pensativos.
– O que quer que seja, é pouco para ela. – Jack respondeu.
– Insignificantemente pouco. – Jason concordou de punhos cerrados. Nunca achara estranha a aparência de sua tia, já que crescera acostumado com ela, mas agora que sabia o quanto ela sofrera por aquilo, não podia deixar de praguejar e xingar quem havia feito aquilo.
– E nós vamos garantir que fique bem pior. – Merida semicerrou os olhos, compartilhando do ódio pelo que Iracebeth havia feito com a própria irmã.
– Com toda a certeza. – Elizabeth assentiu de punhos cerrados e expressão agressiva.
–
Rapunzel chegou ao Salão Comunal da Lufa-Lufa com Mirana e Diego e, apenas com a agora albina, seguiu para o dormitório. A loira agradeceu a Merlin por não haver ninguém no Salão Comunal.
Ao chegarem ao dormitório feminino, Rapunzel colocou Mirana na cama e a garota se encolheu assim que deitou. Rapunzel sentou-se na cama dela e segurou sua mão.
– Você quer falar sobre isso? – A loira perguntou com preocupação.
– Não. – Mirana respondeu e Rapunzel percebeu que ela estava novamente chorando.
– Você quer ficar sozinha? – A loira questionou.
– Não. – Mirana repetiu.
Rapunzel sorriu infeliz e permaneceu ali sentada na cama e segurando a mão da amiga enquanto a garota chorava.
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