The New Continent.
6 Revelações, surpresas e emoções.
Conforme o dia avançava, a mata ficava mais densa e uma área montanhosa se estendia a minha esquerda. Não pude negar que tive bastante vontade de me aventurar naquelas áreas íngremes, todavia, nunca fui muito bem em escaladas, apesar de minhas notas serem excelentes no quesito sobrevivência em quaisquer tipos de terrenos, partilhava de uma pequena fobia ao ver amigos em ambientes altos, sendo assim, mesmo que Charmander estivesse dentro da PokéBall, esse medo me assombraria conforme estivesse subindo. Gastly eu não partilhava tal medo, ele flutuava. Por isso decidi manter o foco no terreno plano, apesar de ser difícil caminhar no meio de tantos arbustos altos e árvores vez ou outra um pouco inclinadas devido a elevação da terra.
Gastly abria caminho à frente, vasculhando a área e sempre fazendo com que seguíssemos sempre adiante e não nos perdêssemos andando em círculos ou tomando caminhos errados. Ele atravessava as árvores devido sua formação gasosa, e com isso somado a sua visão peculiar, tinha certeza de que não me traria problemas futuros.
Demos uma pequena pausa, ascendi uma fogueira com ajuda de Charmander e preparei algo para eu comer. Já os Pokémons, deixei que buscassem por sua comida. Não que tivesse sendo egoísta, longe disso, mas além de querer que os dois tivesse uma dieta ampla, quaisquer que fossem os problemas futuros, e se acaso viesse de um dia nos separarmos pelos perigos iminentes, ele, assim como Gastly, saberiam onde e como achar comida enquanto aguardasse meu retorno.
Além do mais, balancear a dieta dos Pokémons ajudaria um desenvolvimento melhor de suas habilidades e crescimento. Charmander tinha passado apenas dois dias junto de mim e já notara um crescimento em sua massa corpórea. A fisionomia dos Pokémons são bem diferente da dos humanos, com toda certeza.
Demos uma pausa após o almoço para que a digestão caísse bem e logo nos encontramos caminhando novamente, na mata densa. Gastly assumia mais uma vez o papel de guia e se aventurava atravessando sem problema algum troncos, arbustos e o que quer que aparecesse na sua frente, essa era uma das vantagens de ser um Pokémon Ghost.
Alguns minutos sem que ele recuasse alertando perigo, me acostumei com o silencio do local, apenas com o barulho do mato sendo soprado. Me perguntava quanto tempo mais iria andar sem me deparar com algum tipo de Pokémon no meio do caminho. Já vira alguns, mas nenhum deles despertou interesse na minha busca. Não sabia como montaria a minha equipe, mas tinha uma ideia de que nenhum dos Pokémons seriam de classificação baixa.
Repentinamente, Gastly se deslocou para trás, atravessando seu corpo no meu rosto. Aquilo me pegou desprevenido e quase cai de costas por conta da surpresa. —— Gaaaastly! —— Berrou ele, sorridente e entusiasmado com o que tinha encontrado alguns arbustos de distância. Me associei ao seu ânimo e corri junto dele e Charmander, que curioso, não quis ser deixado para trás.
Atravessei as plantas abrindo caminho para o Pokémon fire, evitando que ele ateasse fogo na mata. Gastly aguardava na frente, encarando um mediano grupo de Mareeps que comiam a grama ou brincavam entre si, com exceção de uma, que cochilava afastada do bando. Pisei em falso, quebrando um leve graveto, isso despertou à atenção de todas, me encarando e formando um grupo com cinco a frente do rebanho, com as patas flexionadas no solo e em posição de ataque.
Assustado pela desvantagem, recuei com as mãos pra cima. —— Opa, calma! Não vim fazer mal! —— Tentei me explicar, rezando para que elas entendessem. Por sorte, a tensão diminuiu um pouco, elas ergueram suas cabeças, com as orelhas em pé, avaliativas e ainda um pouco desconfiadas sob minha presença em seu habitat. Vasculhei a bolsa e achei uma das maçãs que meus Pokémons tinham achado e almoçado naquele mesmo dia. Ela ainda estava avermelhada e bastante suculenta, sem vestígios de imperfeições para um fruto delicioso. O lancei não com muita força pela grama curta, e a maçã rolou até o pé de uma das Mareep, que ficou vasculhando o conteúdo, esperando para ver se tratava de uma armadilha, ou não. Cheirando o mesmo por alguns instantes, ela se convenceu de que era seguro e abriu o maxilar sorridente e quando estava prestes a abocanhá-lo, um raio amarelo a atingiu por trás, causando certo infortúnio para ela, mesmo sendo do tipo electric. O grupo abriu espaço, demonstrando a mesma Mareep que outrora estava deitada e afastada de todas.
Ela devorou a maçã, sem piedade e ainda encarou as outras, intimidando-as. Deveria ser a mais forte, mas também a que mais causava problemas para aquele bando. —— Isso não foi legal. —— Comentei e a ovelha elétrica tomou partido, parecendo emitir um rosnado para mim. —— Ah, isso é um desafio? —— Indaguei, assumindo posição de batalha. —— Maaarep! —— Ela gritou, eletrocutando o solo ao nosso redor, mas suas descargas não geraram nada além de simples fagulhas que se apagaram conforme o vento soprara. —— Acho que suas amigas não vão se importar se você for capturada! —— Dizia até ver Charmander se posicionando e com seu gesto rotineiro, soltou fumaça pelas narinas e aguardou as ordens. —— Ei, Char. Deixa essa com o Gastly, pode ser? —— O Pokémon emitiu um ruído de decepção e recuou alguns passos, enquanto o Pokémon fantasma tomava a dianteira. Charmander cruzou seus braços e ficou olhando, aguardando resultados do seu amigo.
Mareep cavava o chão como um Tauros, realmente sua personalidade era forte. O que a deixava indefesa, vinha de sua incrível capacidade de não desviar o olhar do seu oponente, e olhar para um Gastly sem hesitar, significava cair no truque mais antigo de todos. —— Gastly, use seus olhos para acalmá-la. —— Ela não havia entendido o comentário e pisoteou forte o gramado, esperando o primeiro golpe do meu Pokémon, mas Gastly somente se moveu alguns centímetros próximo ao chão e encarou-a profundamente, vis-à-vis, a aura rosa rapidamente foi ganhando intensidade e preenchendo os orbes de Mareep. Hipnotizada, olheiras foram se formando e aos poucos a ovelha caia em sono profundo, dormindo com um semblante extremamente raivoso. —— Caraca, essa é brava até dormindo. —— Disse, observando ao redor.
O grupo de Mareeps cutucaram a ovelha adormecida e uma comunicou as outras, que logo correram para mata, abandonando a pequenina. A ultima a sair de perto, a que tinha tomado uma carga intensa, se aproximou e despejou uma corrente na mesma intensidade contra o corpo da que estava dormindo e logo em seguida, investiu seu corpo contra ela, lançando-a alguns metros para a esquerda. Ao receber o choque com o impacto, Mareep se contorceu, mas ainda continuava dormindo. —— Ei, isso também não foi legal! —— Adverti a outra da mesma espécie, que saltitou e correu para dentro do mato, atrás de seu rebanho. —— Gastly? —— Murmurou o fantasma, esperando as ordens. —— Hm... Acho que não seria justo torturá-la mais... —— Vasculhei meu bolso e saquei uma PokéBall. A lancei contra o corpo caído de Mareep e a esfera a puxou para dentro, rodopiando e apitando algumas vezes, indicando que Mareep ainda lutava para sair dela.
[...]
Os pés doíam, caminhava já tinha uma hora sozinho, desde que recolhera meus Pokémons as PokéBalls para um descanso revigorante. O sol já quase ia se pondo a oeste, deixando um belo alaranjado no céu. —— Mas que merda... Parece que essa mata nunca acaba... —— Falava sozinho, irritado e com algumas folhas presas pela jaqueta de couro. A coloquei pois o clima misteriosamente ficou mais gélido. Não me pergunte o porque. Esse mundo tinha ficado de cabeça para baixo nos últimos anos, e essas variações costumavam ser constantes.
Dentre equívocos e superações mentais, me aproximei de uma pequena trilha que achara por pura sorte, depois de me desgrudar de um arbusto com várias trepadeiras grudadas num formato de X entre as árvores. Ouvi alguns ruídos altos enquanto retirava os longos caules que se fixaram no meu corpo. Parecia que uma batalha estava acontecendo à alguns metros. Curioso, decidi averiguar.
Segui a trilha e me dei conta de uma larga e grande abertura para uma entrada sombria. A caverna se erguia majestosamente e um quarteto de treinadores estavam travando uma batalha, cada um se ocupando contra outro.
Dois deles eu conhecia. Um tratava-se de Yokota com seu Eevee, duelando com um ser tatuado que usava um Golbat. Ele era alto e tinha um corte de cabelo numa franja comprida. Suas madeixas eram negras e suas vestes iguais as nossas, com exceção das listras vermelhas. Setor Norte. Ao lado dele, jazia um rapaz um pouco mais alto, com cabelos curtos estilo militar. Ele usava um Cacnea, pelejando contra a loira, ao lado de Yokota, me aproximei mais um pouco e percebi que a menina era Jujubs. Seu Cyndaquil estava parado entre seus braços e ela comandava com apenas a voz um Hoothoot, no qual levava a batalha bem facilmente. O que mais teve esforços foi Eevee, mas era leviano, já que o Golbat era muito bem treinado.
A partida durou uns quinze minutos, a equipe do setor Norte havia lutado bem, mas os estudantes do meu instituto levaram a batalha, e logo eles se juntavam e cumprimentavam-se, parabenizando os esforços de cada um. Já eu, desastrado como sempre, acabei tropeçando num galho e revelando a minha posição. Eu definitivamente não nasci para espionar as pessoas. —— Tá me seguindo, porra? —— Berrou Yokota. —— Marti! —— Pelo menos uma pessoa me recebeu de forma positiva, alegre pela minha presença. A loira me abraçou enquanto seu Cyndaquil subia em seus ombros e o Hoothoot aguardava no solo, avaliando. —— Não, eu não tenho costume de seguir vendedores de pasteis. Normalmente, se eu quero um eu vou pra uma feira. —— Respondi ironicamente, me focando no abraço logo em seguida.
Olhei os dois outros treinadores, que estavam quietos, mas quando o tatuado se aproximou, forcei os olhos, e ele fez o mesmo. —— Cara, eu te conheço? —— Indagou ele. —— Não que eu me lembre, mas você me é familiar também... —— Murmurei, vasculhando cada vestígio das minhas antigas memórias da infância curte que tive. Dei de ombros e ele também. —— Bom, prazer, Alex. —— Se apresentou. —— Marti. E você? —— Olhei o outro, calado e com os braços cruzados. Ele cuidava de seu Cacnea que tinha leves arranhões no braço esquerdo. —— Ah, me desculpe. Guilherme. Mas todos me chamam de Gui. —— Ele sorriu, recolhendo seu Pokémon. Todos fizeram o mesmo com todos, com exceção de Jujubs, deixando seu Cyndaquil solto.
Trocamos conversas sobre o dia e demonstrávamos as insígnias que já havíamos conquistado. Yokota só tinha a Besouro, como eu e Jujubs. Gui e Alex possuíam duas em suas jaquetas, bem presas para que não se soltassem. —— Conseguimos a Besouro ontem. Estávamos voltando para a cidade 2, já que não tem nenhuma outra rota. Descemos na estação errada e por isso nosso trajeto ficou meio... Ah, confuso. Depois que chegarmos de volta na 2, partiremos direto para a 3 e desafiaremos o próximo Gym líder. —— Explicava Gui. A confusão de ambos era aceitável, ainda mais descendo num continente que nunca tinha visitado.
—— E a segunda insígnia, posso vê-la? —— Perguntou Yokota, tentando ver com nitidez as que estavam presas. Alex a agarrou e deixou com que o asiático a estudasse em seus dedos. —— Só não roube. —— Riu ele. —— Relaxa, quero conquistar as minhas por conta própria. —— Rebateu e eu assenti, éramos bastante parecidos, talvez por isso tínhamos uma rixa enorme. A insígnia se chamava Pedregulho. Era uma mistura de rochas amarronzadas esculpidas em bronze, como se três estivessem posicionadas, duas embaixo e uma ao centro. —— O Gym é de pedra, então não foi difícil para mim e pro Alex. Ele também tem um Piplup. E com o meu Cacnea foi fácil derrotá-lo. —— Alex rolava os olhos como se aquilo não tivesse significado muito coisa. Ele me lembrava um pouco Lyu, pela personalidade forte e sempre confiante até demais. Mas ainda tinha certeza de que já tinha me encontrado com ele alguma vez.
—— Essa é a minha primeira derrota... E a ultima. —— Bufou ele, girando uma PokéBall entre os dedos, definitivamente o treinador tinha algo que não me agradava muito, mas todos possuíamos um fardo. O dele era aquele. —— Isso porque você não batalhou contra os meus Pokémons. —— Se fosse para jogar daquele jeito, eu também mostraria que era um ótimo jogador. —— Isso é um desafio? —— Indagou Alex. —— Claro que não... —— Murmurei, deixando que ele achasse que estava por cima. —— Ótimo. —— Comentou o tatuado. —— Seria muito fácil depois de te ver perder pro Yokota. E seus Pokémons não devem estar no cem por cento. —— O mancebo se levantou as pressas, agarrando com força a PokéBall que girava. —— Cai dentro então! —— Berrou. Pelo visto o seu Pokémon não deveria ter participado de uma batalha recentemente, a ponto dele reagir daquela maneira. Me ergui lentamente, tomando uma distância considerável. —— Tem certeza? —— Provoquei o rapaz com um sorriso malicioso nos lábios, como se o resultado já fosse esperado. Nunca agia desta maneira, mas algo me dizia que o rapaz merecia uma lição daquelas.
—— Absoluta! —— Com seu grito, ele lançou o objeto redondo e bicolor no ar, liberando o feixe branco que tocou o solo em exato um segundo. Um Piplup surgiu, pulando e bicando forte o ar, era destemido e possuía uma personalidade forte igual a dele. —— Imaginei que fosse usar este. —— Minha mão canhota rumou até a terceira esfera, mas me lembrei de como Mareep era instável e poderia variar o seu humor diante da batalha. Recuei alguns centímetros, pegando a segunda. Seria idiotice usar Charmander também contra um tipo water, e se tinha algo que valorizava... Era a invencibilidade do meu Pokémon. Saberia que isso não iria durar muito, mas torcia para mantê-lo sempre invicto.
Lancei a PokéBall e Gastly surgiu flutuando, olhando os presentes e estudando seu adversário. O fantasma mostrou a língua, provocando Piplup, que não achou muito legal da parte dele. Irritado, o Pokémon se virou para seu treinador e aguardou as ordens. —— Eu começo então! Bubblebea... —— Antes que ele terminasse de dizer, um tremor partiu de dentro da caverna e fez todos, com exceção de Gastly, se desequilibrarem. O ronco foi tão alto que os Pokémons recuaram, confusos e um pouco amedrontados. Gastly, por mais que demonstrasse insegurança em seu olhar, se aproximou da abertura e avaliou o lugar. Ele deveria conseguir enxergar bem no escuro.
Houve outro ronco, que atordoou Gastly e o fez recuar de imediato para perto de mim. —— Cara, que merda é essa?! —— Berrei entre o ronco que se cessou depois de um minuto. Todos se aproximaram, hesitantes e olhando para dentro daquela enorme entrada. —— Precisamos de luz. —— Disse, liberando Charmander que assim que foi solto, com suas chamas, deixou o lugar mais claro. —— Você é louco? —— Perguntou Julia. —— Talvez um pouco, mas eu não posso deixar de ver que tipo de Pokémon é esse. —— Charmander e Gastly se motivaram e ambos ficaram próximos de mim enquanto me aventurava caverna adentro.
Poucos instantes depois, o grupo de treinadores me seguiu.
[...]
O barulho ficava cada vez mais forte, possuía intervalos de cinco minutos, depois dez, depois três. E assim sucessivamente. Caminhamos por cerca de quarenta minutos. Ignoramos muitos Zubats no meio do caminho e alguns sustos devido confundirmos Geodudes com pedras inanimadas do terreno. Fora isso, o trajeto foi silencioso. A penumbra ficava cava vez maior e por isso, Julia soltou seu Cyndaquil que ateou fogo em suas costas, deixando a luminosidade bem maior e mais ampla.
Chegamos num momento em que a caverna se dividia em dois caminhos, mas criarmos dois grupos seria arriscado e eu não queria ter a chance de pegar o caminho errado. Esperamos um tempo para que o barulho enorme soasse pela caverna, fazendo tudo tremer de novo, mas passou-se doze minutos e nada mais aconteceu. —— E agora? —— Perguntou Yokota, avaliando as duas possibilidades. —— Não sei. Acho melhor esperar mais um pouco. —— Dizia Gui. —— Shh! —— Os advertir, e com as mãos pedi para que falassem mais baixo, e eles não disseram nada, o que foi ótimo.
No corredor direito, alguns cochichos podiam ser ouvidos, embora o que eles falassem não ficava muito nítido. Pegávamos apenas algumas palavras, como: "não", "faça", "anda", dentre outras. Tudo vinha fragmentado. —— Vamos... —— Apontei com o dedo e peguei Charmander no colo, para que os passos fossem diminuídos e menos barulho fosse proliferado.
Caminhamos em linha reta até uma espessura enorme como a entrada da caverna. Visamos inúmeros aparelhos e uma fonte de energia elétrica instalada naquela imensidão oca. Deveria ser o centro da caverna, pelo enorme espaço que se estendia. Alguns Pikachus, Pachirisus e Elekids corriam em esteiras, irradiando cargas elétricas incansavelmente. O desgaste em seus semblantes era nítido. Alguns cientistas avaliavam a performance deles. Anotavam coisas em pranchetas e aos poucos levavam informações para um pequeno grupo trajado com jaquetas de couro negras, mas um preto opaco. Nas costas um imenso bordado estava esculpido, com duas palavras, formando uma sigla: EU. A mesma imagem, em escala bem menor se formava no peitoral esquerdo.
Não entendi o significado, mas com toda certeza eles não tinha autorização do governo para tratar tão mau os Pokémons elétricos, como faziam. Nosso grupo ficou em silencio, apenas Alex se esforçava para ficar calado. Ele tinha um péssimo hábito hiperativo, e se não o controlasse, iria nos entregar em poucos segundos.
Algo a detalhar? Bom, vimos um imenso carro motorizado. Suas rodas eram como a de tanques de guerras antigos. Ele possuía cerca de quinze metros de altura e uns trinta de largura. Realmente era uma coisa monstruosa. —— Vamos, mais uma vez! —— Berrou um dos homens com a jaqueta de couro e um dos cientistas usufruiu das escadas para adentrar numa espécie de portar mecanizada. Ela se abriu dando abertura a uma porta de dois metros e logo se fechou, se trancando e sequer dando a impressão de que uma porta jazia ali.
Depois de alguns segundos, o ronco estrondoso tremeu todo o lugar, mas o carro engasgou e se desligou novamente. —— Mas que merda! —— Gritou insatisfeito o homem. Rapidamente um grupo de cientistas foi até ele, trêmulos e cabisbaixos. —— Por que essa porcaria não liga? —— Indagava aos gritos, socando a parede de rocha que ficou um tanto marcada com a força do impacto. —— Me desculpe, senhor... Mas... É insuficiente com apenas o uso de um Charmander. —— Explicava o homem de jaleco branco e um pouco sujo.
Olhei de relance para Yokota e ele me encarou da mesma maneira, quando se tratava de Charmanders, não havia raiva mais intensa sobre aqueles que os usavam em métodos de torturas. Por impulso, nos aproximamos de alguns aparelhos que pareciam fornecer energia para todos os utensílios daquele lugar. —— Devagar... —— Sussurrou Gui, tentando espionar por cima da máquina. Ele ficou agachado por uns instantes e se sentou de modo inesperado, com os olhos arregalados e uma expressão nem um pouco positiva. —— O que você viu? —— Perguntou Alex, tentando espionar, mas um grupo de homens se posicionaram na frente de uma espécie de vidro arredondado, que tinha aproximadamente três metros de altura, e no topo, ao invés de ter uma tampa, vários fios se interligavam num sólido objeto de metal, que tinha um papel de rosca, impedindo que algo entrasse ou saísse de lá.
Ele precisou de alguns instantes para falar. A imagem parecia ter o atordoado bastante. —— Responde, porra. —— Alex aplicou um leve tapa no seu rosto, e isso o acordou. —— Caralho, se me der um tapa no rosto de novo, eu te viro do avesso. —— Por sorte ele não disse aquilo alterado, como imaginei que seria se os papeis tivessem sido invertidos. Ele se recompôs e respirou fundo. —— E então? —— Julia olhou fundo nos olhos dele e ele a encarou. —— Acho que os dois não deveriam saber. —— Ele apontou para mim e Yokota. —— Vamos, me conte... —— Ela aproximou seu ouvido da boca de Gui, que sussurrou algumas coisas mais baixo do que dialogávamos. —— Isso é ridículo, por que não podemos ouvir? —— Yokota se alterou um pouco. —— Sim, é ridículo. Temos que saber também. —— Ela arqueou as sobrancelhas e fez uma expressão de espanto.
A raiva começou a me consumir e Yokota também emitia uma sensação recíproca devido o mistério. —— Chega, desembuchem de uma vez. —— O tom na minha voz saiu um pouco alto, como Alex estava de vigia, deu um cutucão no meu ombro, pois havia despertado atenção dos cientistas, cujo vasculhavam ao redor na busca de onde o possível ruído tivesse vindo. Eu me aproximei entre uma das aberturas das máquinas para ver se tínhamos chances de ainda ficarmos despercebidos. Mas foi o meu erro.
Os homens saiam de sua formação e davam de ombros, voltando a mexer em computadores e algumas maquinas que nunca vi na minha vida inteira. Canos enormes feitos de aço ligavam dois lados naquele tanque enorme, pareciam fornecer energia vinda dos Pokémons elétricos, que cansados, aos poucos emitiam menos carga, e isso irritava o homem grande do casaco de couro.
Mas o pior não foi isso. Do enorme compartimento de vidro, vários fios estavam dentro dele, colados ao teto. Ao centro, um pequeno Charmander estava com incontáveis agulhas fincadas em seu corpo, e um líquido semelhante a lava escorria pelos fios e era direcionado ao pedaço de ferro que parecia uma rosca. Ao centro dele, outro cabo enorme se prendia numa única e pequena abertura. Ele tinha um tamanho bem menor que os outros que alimentavam o carro com energia elétrica, mas mesmo assim era grande. —— C-como podem...? —— Gaguejei, perplexo demais com uma crueldade tão absurda vinda de seres humanos.
Yokota viu que meus braços fraquejaram e tomou partida, me derrubando no chão, eu o teria xingado, mas estava abalado demais vendo aquele pequenino sofrer tanto nas mãos daqueles putos. —— Mas... —— Yokota não conseguiu formular a resposta, como eu. —— Isso... Isso... Isso não vai ficar assim! —— Uma raiva descontrolada partiu de mim e ao mesmo tempo energizou o corpo do asiático. Pulamos as máquinas e ao mesmo tempo pisoteamos os aparelhos, criando faíscas com o impacto. Deveríamos ter causado um curto-circuito naqueles mecanismos.
Com o estrondo que criamos, os cientistas se aglomeraram em um pequeno grupo e nos encararam, raivosos com o estrago que causamos e o infortúnio que teriam para arrumar aquele troço, seja lá o que fosse. —— Ah, seus fedelhos! Como ousam? —— Nos advertiu o que parecia ser o chefe de pesquisa. —— Como ousa o que, seu velho do caralho? Como eu ouso não queimar você até que seu corpo vire pasta, é isso que deveria se perguntar! —— Certo, eu definitivamente tinha perdido um pouco do controle. —— Seus bostas, eu juro que vou chutar o saco de cada um de vocês! —— Pelo menos não fui o único.
Charmander pulou do meu ombro e caiu, expelindo o triplo de fumaça pelo nariz que normalmente soltava. Seu olhar estava completamente focado no espécime igual a ele e suas garras pareciam ter uma euforia descontrolada a ponto de arranhar e desfigurar a cara de qualquer um que tentasse impedi-lo de salvar os Pokémons dali, com ênfase no réptil.
—— Mas que algazarra é essa aqui, caralho? —— O homem da jaqueta abriu caminho dentre os cientistas e quando nos viu em cima das máquinas que pifavam a cada segundo, seus punhos foram pressionados e uma ira o assolou. —— Ah, moleques desgraçados! O que acham que estão fazendo? —— Ele berrou e o grupo atrás dele se afastou, assustado. Pelo visto não possuíam nenhum Pokémon, pois não os utilizaram contra nós desde que aparecemos. —— Estamos fazendo uma limpeza, e a sua cara é o alvo, cusão! —— Bradei e Charmander cuspiu bastante fogo para o alto, o que fez ele encarar por alguns segundos meu Pokémon. —— Hm... Pelo menos não são uns completos lixos. Esse Charmander vai ser ótimo para alimentar o meu tanque de guerra! —— Ele agarrou uma PokéBall roxa, com as mesmas siglas de sua roupa acima do centro. —— Seu idiota, não vê que está em desvantagem? —— Alertou Yokota e com isso, Julia, Alex e Gui saíram de seus esconderijos, com PokéBalls em mãos, somente Julia ficava com seu Cyndaquil já posicionado para batalha. —— Seus bostas! Acham mesmo que vão me derrotar com esses Pokémons fracotes? —— Ele gargalhou alto e lançou a esfera para o ar.
O projétil esbranquiçado tocou o chão, dando abertura para um enorme corpo e com massa extremamente avantajada. —— Porra... —— Disse Gui, intimidado com o oponente. Machamp pisou forte no chão e o solo rangeu, e com a pressão exercida, se rompeu alguns centímetros abaixo, demonstrando a força do Pokémon fight.
Saltei da máquina e assumi o papel do adversário daquele musculoso esnobe. Estava com receio, não ia negar, mas o ódio consumia meu âmago tão fortemente que deixei de lado o tamanho do Pokémon. Iria destruir aqueles malditos, com toda certeza.
—— Karate Chop! Quero esse Charmander vivo! —— Ordenou o antagonista, e seu Pokémon correu, criando fissuras largas conforme seus pés adquiriam contato e impulso no solo. Eliminei mais rápido do que as ultimas vezes os pensamentos inapropriados e rapidamente interagi com a batalha. O ataque não era de classificação tão alta, mas mesmo assim o STAB faria efeito e o poder de ataque de Machamp contaria muito, logo, qualquer movimento inútil seria um tremendo problema. —— Flamethrower, venha para trás e finalize com o Fire Spin! —— Charmander abriu a boca e uma enorme quantia de fogo saiu de sua boca, indo diretamente contra Machamp, que com suas mãos, bloqueava o ataque que o empurrava para trás um pouco, deixando o chão cada vez mais gasto.
Ele, com ajuda dos quatro braços, rebateu as chamas que se cessaram e suas palmas esquerdas brilharam intensamente de novo. Machamp voltou a correr, sorrindo maleficamente. —— Nocauteie ele! —— Berrava completamente enfurecido o homem de cabelos arrepiados e barba rala pelo queixo e bochechas toda. Charmander já estava saltando para trás e o segundo movimento foi em direção de Machamp. As chamas rodearam suas mãos e queimaram um pouco seu corpo, mas isso não o fez parar, mesmo que a cada passo o fogo voltasse e queimasse mais ele.
—— Droga, use... —— Nem terminei a frase e o golpe acertou a barriga de Charmander, o lançando em direção das máquinas, fazendo ele amassar o metal e receber um forte impacto dos dois lados. Ele caiu com as patas apoiadas ao chão, respirando com dificuldades. —— Char, você está bem? —— Meu Pokémon se reergueu e balançou a cabeça. Ele se demonstrava mais forte do que imaginei. —— Char! —— Exclamou o pequenino.
Sorri e olhei para trás. —— Deem um jeito de danificar as coisas e destruam o máximo de aparelhos que conseguirem. —— Não precisei explicar como, eles se afastaram, cada um com seu Pokémon mais forte. Piplup com seu forte bico, destruía fios de cobre e quebrava vários computadores. Cyndaquil utilizava suas chamas para derreter o aço que alimentava o enorme carro com energia elétrica. Cacnea quebrou o vidro onde os Pokémons elétricos estavam e os libertou, todos cansados iam lentamente para a saída, mas antes, tiveram uma pequena vingança, eletrocutando cada cientista que aparecesse em seus caminhos. Muitos homens desmaiaram mas eu não tive um pingo de compaixão, assim como todos. Yokota, como previsto, foi até o Charmander com seu Eevee. O vidro era bastante firme e os golpes físicos de Eevee não faziam tanto efeito, então com a ajuda de Shinx (seu segundo Pokémon capturado), ambos tentaram quebrar a tela que prendia o réptil de fogo. Ele acordou, cansado, e visualizou os Pokémons tentando salvá-lo e encarou por longos minutos o asiático, sem entender o porque de ajudarem-no.
—— Eu ainda estou aqui, moleque! Machamp, Focus Energy! —— O grandão tinha uma confiança enorme, por deixar seu Pokémon o tempo todo com a guarda baixa. Ele ergueu seus braços, forçando os muques e deixando uma força subir ao seu controle. Ele focalizava o máximo de energia possível. O próximo movimento teria de ser desviado com toda certeza. —— Scary Face e Smokescreen! Se oculte e faça a tática que surpreendemos Scyther, mas mantenha-se escondido! —— O legal de quando lutava ao lado de Charmander vinha-se do fato dele toda vez entender o que queria dizer com as minhas ações. O pequeno encarou Machamp e ele recuou dois passos pela face sombria que Charmander emitiu. Sua velocidade reduziu, e isso viria a calhar bastante, logo, da boca do Pokémon fire, muita fumaça negra cobriu o recinto, subindo cerca de um metro e meio, suficiente para ocultar meu Pokémon.
—— Ah! Cross Chop! —— Ordenou o ser imprestável. Machamp foi em direção de onde Charmander tinha aparecido pela ultima vez e aplicou um fortíssimo golpe no solo. Rochas subiram e pedregulhos foram lançados para todos os lados. Tive que erguer os braços para que me protegesse do impacto de alguns fragmentos, mas eles sequer foram um incomodo. Minha pele tinha ficado muito mais forte desde que tomei a cápsula, portanto, apenas senti leves toques, quase como cócegas ilesas.
Vendo que não acertavam nada, a fumaça ainda cobria o chão. Eu sorri e o homem me viu com a expressão de graça estampada em meu rosto. —— Tá rindo do que o seu merdinha? —— Eu ergui meu rosto, e as madeixas de meu cabelo balançaram um pouco. —— Disso. —— Apontei para o Pokémon dele, que sem entender, me encarou nervoso. Seu dono fez a mesma coisa, até que das costas de Machamp, Charmander apareceu, lançando uma esfera azul repleta de faíscas amareladas. O Dragon Rage o atingiu na nuca com bastante força, e o Pokémon fight cambaleou um pouco. —— Sem fraquejar, porra! —— Machamp recobrou a consciência, mas já era tarde demais, Charmander tinha sumido de novo na imensa névoa negra.
Olhei ao redor, enquanto tinha tempo. Os cacos de vidro sendo quebrados despertou meu interesse e vi que Yokota segurava o Charmander em seus braços. Ele removeu agulha por agulha lentamente, evitando machucar o pequenino. De sua bolsa, ele sacou um spray vermelho com uma PokéBall desenhada. O Super Potion, medicamento feito exclusivamente para feridas graves nos Pokémons enquanto estivesse longe de um Centro Pokémon. As aberturas na pele de Charmander se fechavam e seu sangue parou de escorrer, sendo absorvido de imediato pelo corpo. Ele abriu os olhos, assustado e Yokota conseguiu o tranquilizar com ajuda de Eevee e Shinx. Pegou novamente dentro sua bolsa alguns líquidos de soro Pokémon e despejou na boca de Charmander. O medicamento deveria ser ingerido daquela maneira, antes que alguém se assustasse pelo método que o treinador cuidava do pequeno fire type.
Os fios de aço foram rompidos e todos os mecanismos estavam em curto pelos ataques surtidos por todos. Piplup caminhou até Alex que se juntou com Julia e Gui, e ambos foram até Yokota para socorrer Charmander e observar a minha batalha contra o poderoso Machamp que nem de longe estava perto de ser derrotado. —— Cansei dessa fumaça de merda! Livre-se disso! —— Machamp bateu suas palmas e uma forte onda de vento soprou o lugar, fazendo a fumaça ser lançada ao alto e se dissipar aos poucos. Com isso, foi revelado dois buracos no chão, mas parecia que o oponente não os tinha percebido, pelo menos torcia para que não.
Ele riu. —— Acha mesmo que seu Charmander está seguro? —— Conforme ele riu decidi me precaver. —— Suba! —— Ele pisou no chão e gritou. —— Tarde demais! Earthquake! —— "Merda!" Pensei e vi Machamp socar o solo, criando ondas sísmicas que eram espalhadas pelo campo num ângulo de trezentos e sessenta graus. Charmander precisava subir e ficar volátil por pelo menos alguns segundos, até que aquilo terminasse. Alguns metros, próximo de mim, surgiu ele, lançando outro Dragon Rage, que foi em direção do rosto de Machamp. Aquilo o atingiu forte, mas não foi capaz de fazê-lo parar.
Eu subi na máquina de novo e Charmander fez o mesmo, a tempo de não ser atingido pelo ataque. A máquina abaixo de mim sofreu o impacto e foi sendo comprimida, como se algo a apertasse. Me desequilibrei um pouco, mas consegui me agarrar a um pedaço de ferro solto, infelizmente Charmander não teve a mesma sorte e acabou escorregando, sendo atingido pelo final das ondas sísmicas, o que acarretou bastante dor em seu corpo. —— Merda, Charmander! —— Aquele movimento era bastante eficaz e Charmander não ia conseguir aguentar muito tempo aquilo. Se eu pulasse, as ondas poderiam me esmagar, não que minha vida fosse mais importante, mas eu tentava achar um meio do próximo impacto não acertar nem eu, como muito menos ele.
Não tinha algo que no seu arsenal de movimentos impedisse um movimento daqueles. O Protect seria muito arriscado, pois fraquejando como Charmander estava agora, ele poderia falhar. Não vi outra maneira, a não ser saltar e envolvê-lo em meus braços, absorvendo todo o ataque, e assim o fiz. —— Seu tolo, não terei piedade! Vai morrer e eu tomarei o seu Charmander! —— Gritou aquele patife, nem tive tempo de responder, apenas virei de costas e a onda sísmica pressionou as minhas costas, me empurrando em direção a parede. No começo não senti muita dor, mas depois que alcancei os objetos metálicos, a pressão foi me consumindo e a dor ficando significativamente mais alta. Não pude conter os berros. Meus amigos não tinham forças suficientes pra dizimar o movimento, e por isso se sentiram um tanto inúteis por me ver recebendo o golpe, mas claro que não deixaram de tentar. Lançaram um forte Ember, seguido de um Pin Missele, Bubblebeam e Thundershock. Todos atingiam Machamp, mas ele sequer fraquejou em emanar o ataque.
Uma onda rumou para direção dos Pokémons deles, nocauteando todos por terem sido atingidos cem por cento do ataque. Isso mostrava a força estupenda de Machamp. Aos poucos minha visão embaçava e Charmander apenas gritava, talvez implorando para que assumisse a dor. Eu não deixei.
Sua calda ardeu em chamas fortes, expelindo o que me parecia vários Flamethrowers em quatro ângulos diferentes. Ele se debateu e ficou irritado com tamanha injustiça. Seu corpo aos poucos foi criando uma aura branca, e as chamas o consumindo, mas por incrível que parecesse, elas não me queimavam, como se tivesse uma habilidade idêntica aos das Ponytas. A luz ficou mais forte, e eu apenas arregalava os olhos, apesar da visão estar bem turva. Três garras brancas enormes me agarraram e me lançaram para cima de alguns computadores destruídos. Eu pisquei algumas vezes e me contorci pelas fortes pulsações que faziam com o choque. Com certeza teria uma bela marca avermelhada nas minhas costas mais tarde, mas isso era o de menos. Charmander tinha me salvo, e eu apenas ergui o rosto, em busca de onde estava o pequenino, mas ele não estava próximo. Vasculhei em direção de meus amigos que recolhiam seus Pokémons, e nada dele por lá também. Olhei para trás, de onde tínhamos vindo, e nada também. Foi então, quando consegui juntar forças, me virei e na direção de Machamp, um ser maior e avermelhado com um chifre arranhava com poderosos Slashs o corpo de Machamp, que se protegia com os braços e o rosto bem cansado. Minha Pokédex apitou e eu a saquei rapidamente. —— Charmeleon, a forma evoluída de Charmander. Normalmente são mais agressivos após passarem pela evolução. São dotados de uma personalidade temperamental. Retalham suas vítimas com o uso de suas poderosas garras e normalmente sentem necessidade de demonstrar sua coragem na frente de grupos ou quando um inimigo poderoso os desafia. —— O aparelho avermelhado me deu mais algumas notificações, como golpes novos que ele aprendia no processo de evolução e isso definitivamente me ajudaria naquela batalha. —— Larga de ser fraco seu inútil! Manda ele pra longe! Dynamicpunch! —— Machamp se virou um pouco e com o uso de sua segunda canhota, tentou desferir um golpe no rosto de Charmeleon, mas ele desviou porque o movimento foi mais lento que o normal. O Scary Face fazia o efeito desejado.
Chamas rodearam o corpo de Machamp e ele, pela primeira vez, demonstrou sinais de fraqueza. —— Vamos deixar as coisas mais complicadas então! Charmeleon, Dragon Dance! —— Depois de esquivar do ataque e ver Machamp apoiado no solo com os seus dois braços extras na defensiva, Charmeleon deu um salto para o ar, criando uma aura azul cristalina envolta de seu corpo. —— Ah, filho da puta! Bulk Up! —— Machamp tentou se levantar rápido, para que usufruísse do movimento, mas isso não ficaria assim. —— Nem fodendo, Charmeleon, Dragon Claw! —— Com passadas fortes e extremamente rápidas, semelhantes ao Scyther da Gym Bia, Charmeleon apareceu um pouco abaixo do enorme corpo de Machamp e desferiu um golpe com suas garras brilhando esbranquiçada. O arranhão atingiu o queixo do oponente, lançando ele para cima alguns centímetros e depois o feito cair no solo com um impacto poderoso.
O chão não suportou o movimento e acabou cedendo, criando uma elevação de pedras pela forte colisão. —— Mas que merda! Acabe com ele de uma vez, se vira! —— O adversário apertava com muita força sua própria mão e seus braços ficavam tensionados. O tecido rasgou um pouco, pela enorme pressão que ele criou em si mesmo. —— Ahh! —— Gritou e rascou com força as mangas de sua blusa, deixando um novo modelo. Jaqueta de couro regata. —— Isso acaba aqui, seu merda! Inferno! —— Charmeleon em cima do peitoral de Machamp, usou suas mãos para segurar duas pela enorme força que tinha agora e vis-à-vis com o Pokémon intimidado, ele lançou uma quantia absurda de fogo diretamente no rosto do oponente. A quantidade foi duas vezes maior que o Flamethrower comum. As pernas do Pokémon fight se remexeram alguns instantes, mas logo caíram imóveis no solo, assim como seus quatro braços.
—— Meeeeerda! —— Enfurecido seria um apelido para tamanha ira que pairava dentro de um único homem. Ele ergueu a esfera de seu Pokémon e o recolheu. —— Vai ter o troco, malditos! —— Ele sacara outra. —— Ah, mas isso não vai ficar assim! Charmeleon, Mega Punch nesse bastado! —— Antes que ele pudesse reagir, Charmeleon correu rapidamente até ele, socando a boca de seu estômago e o lançando contra a roda daquele imenso carro. Ele respirou com dificuldade, cuspindo um pouco de sangue que escorreu em seus lábios.
Me aproximei dele, colocando a mão no ombro do meu Pokémon. Agora ele tinha a altura da minha barriga. —— Bom trabalho, amigo. E parabéns pela evolução. —— Charmeleon sorriu e como de costume, soltou uma fumaça curta e cinzenta de suas narinas, ergueu seu braço esquerdo e fez um sinal de positivo com suas garras. Eu apenas sorri, ficando encarando o homem que se remexia pela dor. Talvez ele não tivesse tido contato com as cápsulas de resistência, como nós, por isso o golpe surtiu um efeito bem maior que o normal, ainda mais com a força de Charmeleon ter sido aumentada drasticamente. —— Agora, desembucha! O que estavam fazendo? —— Apoiei o meu pé no peito dele, e depois fiz com que a sola atingisse o queixo, obrigando-o a ficar com a cabeça erguida e me olhando. —— Vai a merda, seu bosta... —— Ele murmurava com dificuldade. —— Escuta aqui, seu pedaço de lixo, se você quiser, pode receber outro ataque desse bem no meio do cu, o que você acha? —— Ele sorriu, com um pouco de sangue escorrendo dos lábios. —— Deixa eu chutar a cara dele? —— Implorou Alex. —— Fique à vontade. —— Ele riu maldosamente e aplicou dois chutes, quase nocauteando o gigante. —— Vai responder agora as perguntas? —— O tatuado agarrava ele pela gola da jaqueta. —— Vou, vou dizer o quanto a sua mãe é gostosa! —— Emputecido, Alex aplicou uma sequencia de cinco socos bem no meio da cara dele. Julia segurou o braço, indicando que bastava. Ele não conseguia nem sorrir mais, mesmo que tentasse.
Nos afastamos, tendo certeza de que aquele carro não se moveria mais. —— Charmeleon, use o Inferno nessas rodas e destrua tudo por dentro de lá com Slash! —— Eu não tinha ideia do que eles usariam aquele troço enorme, mas sair de lá sem destruir aquela máquina monstruosa seria um grande, com certeza um grande erro. Charmeleon não demorou e logo ateava fogo no metal que resistia, mas conforme ele insistia no calor, o aço derretia, abrindo espaço para dentro do compartimento de controle. Várias faíscas surgiram de lá e pude ver vultos do meu Pokémon destruindo tudo que fosse possível. As rodas tinham sido derretidas também, o que significava que eles não conseguiriam tirar aquilo de lá.
Cientistas corriam aos prantos sumindo no breu da caverna, nenhum deles aparentava ser uma ameaça quando passavam por nós em desespero. —— Vocês se meteram com as pessoas erradas, seus bostinhas... —— O homem se remexia, trêmulo pela dor em seu corpo. —— Você ainda insiste em falar asneiras? —— Yokota se aproximou dele, com o Charmander machucado em seu colo, adormecido e com uma aparência bem melhor do que antes. —— Asneiras? He... A Equipe Universe vai acabar com a raça de vocês... —— Algo me deixou intrigado e me aproximei, apoiando de novo meu pé no rosto dele. —— E que merda é essa de Equipe Universe? Palhaços de circo? —— Ele me olhou e de seus orbes pude sentir o ódio saindo de cada canto de seu corpo. —— Nós somos muitos, quando antes éramos todos, mas separados como as estrelas. Mas o universo, por maior que seja, abriga todas elas, e com a nossa junção, temos todas as estrelas ao alcance. Estranho, não? Também acho, esse lema sempre foi uma merda pra mim, mas... —— Ele tossia, desconfortavelmente. —— Quando unidos, nossa meta é como o universo, conquista tudo e o tudo se abriga em nós. Você não consegue viver fora do universo, e conosco unidos, jamais deterão os objetivos de controlarmos tudo... —— Rolei os olhos para cima, completamente desinteressado pelas palavras sem nexo que ele tentava fazer penetrar na minha mente. Uma ideologia absurda, por sinal. —— Mas que merda você tá falando? Cala a boca, vê se não enche o saco. Você vai ir preso, então relaxa a bunda nesse chão de pedra ai. —— Meus olhos vasculharam mais o recinto e vi dois jipes com as siglas da minha universidade, estacionado com maletas destruídas em seu porta-malas. —— Caralho, olhem isso! —— Apontei para os veículos e o todos o acharam com os olhos. —— Porra, eles roubaram os carros de entrega de iniciais? —— Perguntou Gui e desta vez foi ele quem rumou até o bastardo e desferiu seis socos em seu rosto e dois em seu estômago.
Mais sangue foi cuspido e ele ria, mesmo não tendo forças. —— Tá achando graça, seu merda? —— Foi preciso que Alex e Yokota o segurassem, para que ele não desse mais socos no homem. —— Só estou me lembrando dos gritos daqueles inúteis que serviram apenas para combustível. Já viram um Pokémon morto? Eu creio que não... —— Jujubs se aproximou dele e lhe deu um tapa. —— Seu cretino, você deveria morrer. —— Uma explosão aconteceu de dentro do veículo e Charmeleon apareceu, saltando e caindo ao meu lado. Ele olhava o homem com uma fúria sem igual. —— Calma, amigo. Ele já apanhou bastante. —— Charmeleon bufou. Sabíamos o que eles faziam e sabíamos que não eram uma organização pequena e que com certeza teriam mais furtos desses no decorrer do ano, como roubos e derivados. —— Precisamos constatar a policia local. —— Afirmou Alex. —— Sei disso. Mas devemos achar um jeito de retirar ele daqui. Se sairmos, com certeza ele vai achar um jeito de fugir. —— Disse sabiamente Julia.
Caminhei até a entrada que viemos. —— Acho que seria melhor algum de nós ir até a cidade local enquanto o resto toma conta desse otário. —— Todos se entreolharam. —— E quem vai? —— Perguntou Yokota. —— Acho que deveria ser você, assim pode levar o pequenino ai a um centro Pokémon, enquanto isso chama a polícia e os guia até aqui. —— O asiático assentiu, assim como os demais. —— Acham mesmo que vão me deixar aqui? —— A voz horrível do homem pairou no lugar, criando eco. —— E como você acha que vai escapar, queridão? —— Alex cruzou os braços cinco metros dele. —— Assim... —— Sussurrou ele até que uma cortina de poeira subiu através de um imenso vórtex, que era criado através de vendavais.
No alto da montanha, um enorme Fearow ganhou altitude com o cretino agarrado na pelugem de suas costas. —— Até mais, otários... —— Mesmo que sua voz saísse fraca, o aceno e o sorriso de escárnio foi muito bem visto, assim, ele desaparecia na escuridão com uma velocidade estupenda. —— Merda... —— Foi a única coisa que consegui dizer.
[...]
Ao chegarmos na cidade, alertamos a polícia e deixamos o Charmander, que em estado crítico foi sendo tratado por uma enfermeira Pokémon. Enquanto ele era tratado, levamos os policiais até a caverna e mostramos tudo que havia sido deixado, mesmo que os computadores tivessem intactos, o sistema tecnológico seria inoperante, devidos os arquivos terem uma decodificação nunca vista antes.
Deixamos os peritos responsáveis por aquela bagunça toda e voltamos para cidade, para termos notícias de Charmander. Ele tinha tido uma melhora incrível, entretanto, deveria passar uma noite tomando soros e repousando bastante. Nem precisava dizer que o pequenino tinha criando um vínculo enorme com Yokota. —— É... Pelo visto você conseguiu o seu Charmander, vendedor de pasteis. —— Ele rolou os olhos para a esquerda, tentando se controlar para não iniciarmos uma nova discussão, a rivalidade nos consumia muito rápido. —— É. Eu tenho. E futuramente ele vai ser mais forte que esse seu Charmeleon fraquinho. —— Eu ri, bem alto para provocá-lo. —— Fraquinho? Ok, quando o seu derrotar um Machamp a gente conversa. —— Ele sorriu e apertou minha mão, não ia ficar muito tempo e já havia chegado na segunda cidade, portanto, teria de treinar para desafiar o segundo líder de ginásio.
—— Ei, vou te acompanhar por uns dias, pode ser? —— Perguntou Julia, se aproximando com o Cyndaquil preso como sempre entre seus braços. —— Ah, claro, seria legal companhia. —— Sorri e logo os outros dois rapazes se aproximaram. —— Bom, então você vai ter companhia em dobro. —— Avisou Alex. —— Triplo, meu caro. —— Completou Gui. Dei de ombros e sai do Centro Pokémon, rumando próximo do riacho mais próximo para acampar. Mas antes, passaria em algum restaurante para degustar de belos pratos e um belo mousse de maracujá de sobremesa. E claro, meus Pokémons comeriam juntos, afinal, desde que capturei Mareep, ela não saiu da sua PokéBall uma única vez sequer.
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