The New Continent.

1 A recente mudança no sistema.


Notas iniciais
Explicações mais detalhadas virão conforme cada capítulo for postado.

"A tela estava azul, nada ocorria por longos segundos desde o tremor que derrubara todos os livros das estantes, cadeiras pelas janelas e móveis por todos os lados. Apenas, intacto e sem nenhum arranhão, jazia o monitor mais bem cuidado do ambientalista e reconhecido pelo seu trabalho em estudos da vida dos Pokémons, Steven Stone. O corpo do cientista estava imóvel por alguns instantes, quem quer que o visse, acharia que estava morto. Atrás de si, encontrava-se tudo destruído com poucas labaredas tomando conta do laboratório. Pokéballs rolavam de um lado para o outro, vez ou outra prateleiras caíam e destruíam as esferas como se fossem vidros frágeis e sem utilidade. Um onda de Rattatas corriam sem rumo, assim como os Pidgeys buscavam uma abertura entre as janelas bloqueadas pelos escombros do teto, cujo pela gravidade do terremoto, acabou se rompendo e caindo por várias áreas.

Tiveram duas baixas, dois excelentes homens, esmagados e sem nenhuma chance de sobrevivência, ficavam espalhados enquanto o sangue escorria pela sala. O medo nos olhos de um pequeno e inofensivo Caterpie, faria qualquer um ter uma lágrima escapar nos olhos. O elo que mantivera com um dos cientistas era grande, e vê-lo com os membros arrancados e o corpo demonstrando órgãos em algumas partes, notoriamente traumatizariam o pequeno Pokémon Bug.

Movimentos fracos, quase imperecíveis aos olhos humanos, se iniciaram próximo a mesa, juntamente ao lado da cadeira do professor Steven. Um pequeno Machop correu ao notar que os dedos do seu treinador e acolhedor se remexiam em busca de algo para segurar.—— Machop! Chop! Chop!—— Gritava aos prantos, atraindo os olhares de todos os presentes. O pequeno Bulbasaur, com uma marca redonda ao centro de sua testa, usou seus longos chicotes para afastar um enorme pedaço de concreto que bloqueava as pernas do homem. Ele tossiu forte e respirou profundamente, como se o ar não entrasse em seus pulmões por vários segundos. O alívio, mesmo que a dor sobre uma perna quebrada fosse latejante, ecoou pela sua mente. Mais uma vez tossia e um pouco de sangue escapou pela garganta. —— Bulba, ative os comandos para a mensagem global... —— Pode-se dizer, calmamente e pausadamente cada uma das palavras. A dor estava impregnada em seus olhos semicerrados e o óculo completamente destruído em seu rosto.

Rapidamente, o Pokémon Grass saltou para mesa do telão, a única luminosidade artificial do recinto. Com os chicotes apertou uma série de botões que nenhum dos pequenos Pokémons conhecia. Repentinamente, o computador registrou a imagem que se passava a sua frente. A Webcam tinha sido ligada e a gravação já estava acontecendo. O Machop ajudou o cientista a se levantar, junto com todos os restantes, eram no total seis Rattatas, quatro Pidgeys, um Bulbasaur e um Caterpie. Agradecia mentalmente por ter esvaziado todas as PokéBalls quando as anotações se mostraram visíveis. Era um homem calculista, todos deveriam assumir, e presunçosamente inteligente. Nunca errou nas fórmulas ou sobre como um Pokémon reagia, sem arrependimentos na sua vida profissional, sentia apenas um pesar por estar ciente de que perderia a vida de seu filho, com apenas quatro anos, e jamais sentiria o conforto do abraço e o doce beijo da amada mulher. Deixou que uma lágrima escapasse de seu olho esquerdo, o único aberto de maneira plausível para observar as coisas caóticas ao redor.

—— Boa dia, tarde ou noite... Me desculpe a confusão. —— Tomava fôlego enquanto se sentava na cadeira, que por mais desgastada pelas quedas alheias, ainda se considerava bastante confortável. Respirou e tossiu mais um pouco. As palavras saiam como facadas na garganta, mas ele tinha que usufruir de suas ultimas forças e mandar o alerta para o globo. —— Recentemente, nas minhas ultimas pesquisas, descobrimos que as atividades naturais, como terremotos, furacões e até erupções, como muitas outras, não tem sido de fato criadas pelo nosso próprio planeta ou consequências da nossa irresponsabilidade em prol ao meio ambiente. Não... —— Um pouco de água foi servida pelo Bulbasaur, ele agarrou o copo de plástico e engoliu devagar o líquido, emitindo ruídos de incomodo. Talvez a ardência tenha provocado a dor jacente. —— Enfim... Não vou detalhar muito, serei breve e direto pela primeira vez em toda a minha vida... —— Outra pausa, e aos fanáticos pelo trabalho de Steven, sabiam que ele era um cara detalhista até demais, mesmo que um mínimo detalhes lhe escapasse, ele retomava toda a ideia para que pudesse encaixá-lo da melhor forma possível. —— As atividades tem ocorrido pelo incrível poder dos Pokémons lendários, como muitos, inclusive eu, os chamam. Isso vem recorrente as atividades das Equipes contrabandistas, o sangue dos Pokémons são uma fonte de energia incrível, jamais estudada antes, até porque sempre consideramos estes seres incríveis, uma dádiva vinda para nós. Mesmo quando morriam, tocar em seus corpos era... Era considerado uma falta de respeito enorme. Descobrimos tudo sobre a sua fisionomia com estes vivos, sem nenhuma dissecação. E me orgulho disso, mas... Com a recente descoberta, muitos Pokémons, inclusive os pequenos e antigos numeroso Charmanders, tem sido assassinados para que máquinas ganhassem vida, e não máquinas simples, para trabalho... Máquinas de guerra. Por sorte, a ultima erupção varreu todos os vestígios desses malditos homens impuros, junto com suas pesquisas e máquinas, mas... A vontade de Arceus não se submeteu apenas a isso. Sabemos que tudo vai mudar, e já está mudando. Os continentes, com exceção dos árticos, nunca, em hipótese alguma, da humanidade presente, estiveram tão próximos um dos outros. O sistema deverá mudar. A vida, as pessoas, inclusive, os treinadores. Depois que os Pokémons começaram a ser assassinados, todos que tinham sua carta de liberação para ser um treinador, foi apreendida e a maioria de seus Pokémons, arrancados de suas mãos e levados pelos ambientalista, deixando-nos em áreas apropriadas e seguras. Não digo que foi incorreto, nem correto. A atitude teve pontos positivos e negativos. Mas... Conforme os anos se passaram, notamos que sem a adrenalina que as batalhas forneciam aos Pokémons, sua vida aos poucos iam perdendo a essência, e um espécime que normalmente vive cerca de duzentos anos, morria em aproximadamente vinte e cinco. E isso gerou muita discussão. Creio que daqui há alguns anos, terão ideias renováveis, e eu imploro para que liberem as cartas novamente, pois sem os treinadores, a extinção dos Pokémon será cem por cento. E eu não estou, como todos sabem, falando isso da boca pra fora. É um alerta. Alerta máximo, pesquisem formas e achem maneiras de conseguir liberá-los. É um pedido de um homem desesperado a beira da morte para a humanidade e a favor do bem para a vida dos Pokémons. Eles precisam ser capturados, precisam de batalhas, precisam ser trocados, e viver com pelo menos um parceiro a vida toda. Isso faz a natureza deles serem impecáveis e tão magníficos como são.—— Seu corpo tremia e sua cabeça por alguns instantes baixou, ele respirava com dificuldade e usava a mão para apertar o peito fortemente. Estava sem motivação para continuar, até que o toque d bico de um dos Pidgeys chamou sua atenção e ele viu o que o Pokémon ave segurava no bico. Uma pasta com uma etiqueta vermelha.

Seus olhos se encheram de energia, tinha esquecido. Como podia? Se perguntava e alarmava os pensamentos. Releu o primordial e passou o olho nos dados, depositou a pasta num compartimento e instantaneamente o computador fez uma leitura em scanner, levando sequencialmente a pasta como um arquivo na tela do computador.—— O vídeo levará os dados da minha nova pesquisa. São cápsulas que a humanidade tem de criar e com o máximo de vigor possível. Esqueci que com as atividades e o recolhimento dos Pokémons, os que ficaram a solta, que são muitos, tem adotados medidas violentas e muitos atacaram pessoas inocentes por motivos incompreensíveis. Essas cápsulas medicinais adotaram uma resistência maior ao nosso organismo, tais como uma imunidade maior ao fogo, eletricidade e derivados. Assim, dará tempo para que nós se acostumemos ou os Pokémons voltem a ter um comportamento natural como antigamente. —— Seu semblante estava triste, nenhuma palavra a não ser tristeza deixaria uma explicação mais compreensível sobre os olhos daquele homem honesto. Acima da tela do computador, apenas um quadro restara bem preso na parede. A imagem de um antigo e falecido professor. Professor Carvalho, eis o homem mais brilhante que já existiu antes de Steven. —— Eu me despeço de vocês e espero que o mundo volte a ser o que sempre foi. Obrigado. —— Pressionando a tecla, a luz apagou-se e uma nova acendeu, porém, de menor intensidade. Piscava em vermelho a cada dois segundos. O vídeo estava sendo arquivado e enviado para todos, traduzido e criptografado, para que não houvesse dúvidas de que o assunto tinha uma seriedade enorme.

Seu corpo cedeu ao fardo e ele caiu da cadeira, sendo segurando pelo Machop e as vinhas de Bulbasaur. Tossiu, mas desta vez, uma enorme quantidade de sangue manchou seu jaleco branco. —— Bulba, por favor, leve todos daqui. —— O pequeno Bulbasaur não compreendia muito bem as palavras do seu treinador. —— Bulba? —— Indagou, como um "o que?", virando a cabeça, perplexo demais para aceitar a verdade. —— Razor Leaf, na janela, agora... —— Sem delongas, o espécime grass atirou folhas cortantes na janela, fatiando madeira, tijolo ou vidro com uma facilidade incrível. Nenhuma katana tinha um poder de corte tão forte. Se perguntava como a pele dos Pokémons aguentavam golpes como estes. Algumas perguntas nunca seriam respondidas. A luz do sol invadiu o âmbito, os Pidgeys alvoraçados voavam em direção a abertura, fazendo um pequeno gesto com a cabeça para o cientista, que retribuiu erguendo um pouco seu rosto. O Caterpie, choramingando um pouco, foi até a porta, esperado as ordens. —— Vão logo... —— Ele, receioso, usou o String Shot, criando uma corda até o chão forte o suficiente para que o Machop pudesse descer por ela, junto com o pequeno insetinho e o Bulbasaur. —— Não tem muito tempo, vão... —— Um pequeno sino soou pela sala e o homem sorrio.

O arquivo tinha sido enviado.

Bulbasaur se aproximou do homem, acariciou-o com sua cabeça pela ultima vez e de seu bulbo, uma incrível e doce fragrância exalou, junto de uma coloração rosada. Bulbasaur mais do que ninguém, sabia que aquele doce cheiro tinha memórias da primeira vez que se conheceram e isso alegrou ainda mais a vítima. —— Obrigado, Bulba. Agora vá... —— E assim, todos saltaram para um adeus doloroso.

Não delongou para que a noite cobrisse o céu e o fogo cada vez mais o cenário. A sorte era que a fumaça sempre ia se expelindo pelo buraco feito anteriormente pelas folhas afiadas. Asfixiado não morreria. Agradeceu por isso, por mais que de dor não fosse uma bela opção. As estruturas do prédio iam cedendo cada vez mais, escombros caiam e faziam volume mais a frente, mas por ironia do destino, o teto acima de sua cabeça sequer rangia. Também não morreria esmagado, assim pensara Steven.

Na sua mente, apenas queria manter os bons momentos que tivera com seu filho. Nunca foi tão atarefado no serviço para não lhe dar a devida atenção. Era um bom pai, não poderia ser mais, pensava ele. O deleite por um ultimo beijo de sua esposa agora pesava em sua consciência, as únicas coisas que amava mais que os Pokémons, era sua família. Desta vez não se conteve, pois quando agarrou a carteira do bolso traseiro da calça e pegou o retrato que guardara de ambos, a tristeza o assolou de tal forma que foi incapaz de segurar os gritos.

Com o rosto úmido e o nariz escorrendo pelas lágrimas salgadas que transbordavam pelos lábios, uma enorme colisão na parede, poucos centímetros ao seu lado, o despertou. Uma enorme cabeça, branca com fios duplos negros abaixo de sua longa extensão, vasculhou o lugar. Os olhos estavam calmos e frios, como de um assassino bruto, mas ao mesmo tempo, perfeccionista. Ele, pela primeira vez, presenciou a grandiosidade ao vivo, o devorando com o olhar maldoso.—— A-Arceus...—— Balbuciou antes de ser levado sem mais explicações por uma aura branca. Quando seu corpo ganhou altitude, adormeceu, e finalmente, o prédio cedeu e desmoronou."

[...]

"BEEEEP! BEEEP! BEEEEEEEP!"

O barulho insuportável do despertador digital cobriu todo o quarto. A janela estava escancarada, mas o brilho do sol ainda não privilegiava a manhã no setor Leste. Se bem que agora o nascer era igual para todos. Me levantei apressado, jogando as cobertas para o lado e corri para o banheiro.

O quarto, como sempre, estava uma zona, morava em um pequeno apartamento igual a todos os estudantes da ITEP. Tinha adotado um novo hábito de só dormir de cueca, e era bom, visando que o clima estava sempre caloroso ultimamente e eu adorava o calor.

Liguei apressado o chuveiro, deixando a água gelada tocar o mármore, enquanto a temperatura morna fosse sendo ajustável. Do banheiro, uma pequena tv plana desceu com automaticamente, não podia negar que a tecnologia tinha sido maravilhosa nos últimos anos e sempre de uma maneira aceitável aos termos do meio ambiente. A civilização conseguiu entrar numa espécie de acordo com a mãe natureza. Sempre evoluía sem prejudicar os recursos naturais. Só buscávamos o básico. Sempre soube que era possível isso, talvez pelo fato de viver desde sempre numa rede social e mundial como esta. Nem precisei clicar nada e a TV já ligara, canal 1, noticiário obrigatório de todos os estudantes. Hoje completava 25 anos do desaparecimento de Steven Stone, depois de uma catástrofe natural em sua cidade. Isso era o que sempre diziam, mas conspirações alegavam que o poderoso Arceus o tivera levado e aplicado seu julgamento divino por ele espalhar um arquivo que, pela vontade do Deus Pokémon, não deveria ter chego aos cientistas mais aptos da época.

Desviando o foco, a minha ducha foi rápida, o horário matutino nunca me deixava célere como hoje, mas tinha um motivo. Hoje me formaria, finalmente, depois de doze anos nessa espelunca, eu me formaria e receberia minha carta liberal de PokéTrainer. E obviamente, visitaria meu pai, como minha mãe. Esse maldito instituto vetara as visitas para melhor concentração nas aulas, atividades e principalmente para que nossas mentes ficassem relaxadas para ingerirmos as cápsulas fortificantes. —— Ah, não vejo a hora de engolir esse remédio maldito e ir visitar meus pais, depois... Amanhã! Amanhã eu irei escolher meu primeiro Pokémon. Será que conseguiram suprir a demanda de Charmanders? Droga, ele é o mais requisitado... —— As palavras saiam como se tivesse um ouvinte ao meu lado.

Finalizando a parte completa da minha higiene pessoal, fui em direção ao guarda-roupa, apenas uma veste estava pendurada no cabide e totalmente lacrada com um velcro protetor. —— Finalmente. —— Se me olhasse no espelho, possivelmente estaria rindo que nem um retardado pelo êxtase do entusiasmo aflorando por cada canto do meu corpo.

Com pressa, vesti uma cueca, a primeira que via, e um par de meias, a primeira também, não ia ligar pra isso agora, teria roupas novas daqui a algumas horas e partiria mundo a fora. Respirando com força, controlando as emoções, desci o zíper do velcro e consegui ver o traje com uma faixa e o ITEP bordado em branco nas costas. Jaqueta de couro, calça com o tecido mais resistente, um par de coturnos e luvas com os dedos abertos. O uniforme dos formandos.

Nem precisei dizer que trajei tudo em menos de um minuto, prendendo da maneira mais confortável. Era tradição que os formando usassem essa roupa até sua primeira captura e eu não quebraria a tradição. Eu gostava daquilo e sempre almejei vesti-la o mais breve possível, uma pena que no sistema, por mais que você se saísse bem nas provas, exames e derivados, era impossível pular um ano. Mas, como um exímio treinador, as minhas notas foram uma das melhores, o engraçado é que... Ninguém nunca pecava nos estudos. Por isso a competitividade sempre se tornava imensa e burlar as regras? Impossível.

Mas hoje, hoje era o dia que daria adeus aquele lugar nojento que chamei de casa por alguns anos. Não que estivesse cuspindo na prato que comi, adorei cada momento, cada amizade, cada briga e cada luta com Pokémons bases que nos emprestavam para as aulas de batalha pokémon.

Era, com toda certeza... A melhor aula de todas! Me fez até lembrar um dia quando recebi um Charmander pelo sistema aleatório. Todos me ofereceram meses das sobremesas, dispensas de aulas que recebíamos quase nunca, e uma porrada de benefícios raros que nos era dado reguladamente. Mas eu não aceitei nada. Só o gosto de vencer a luta contra um Haryama usufruindo das habilidades do réptil de fogo, me fez ardentemente desejar ter um ao meu lado, como primeiro Pokémon.

Pelos corredores dos dormitórios na ala masculina, os passos fortes que o coturno emitia fazia muitos já se levantarem da cama apressados. Eu tinha sido o primeiro, por isso, corria desesperadamente sem ligar para o barulho. Precisava chegar o quanto antes na secretaria geral da ITEP, garantir minha reserva. Ali era por ordem de pedidos e eu, tinha sido um dos primeiros, com toda convicção, que implorava pela vaga de um Charmander disponível.

Alcancei o Campo, a área onde a maioria dos jovens se encontrava as noites, depois dos estudos, tinha vários estabelecimentos, como lanchonetes, fliperamas, cinemas, tudo que um adolescente comum gostasse, exceto loja de roupas. Ganhávamos sempre uniformes. Até era útil, pois evitava que um se vestisse melhor que o outro. Eles só eram variados de preto, branco e vermelho. E minha coleção, obviamente, se tratava de inúmeras camisas vermelhas. Adorava aquela cor.

O chafariz central com estátuas esculpidas de Dragonairs envolta e um belíssimo Gyarados no centro, como de costume, lançava aos montes a água retornável, que saia da boca do pokémon water, como uma espécie de Hydro Pump.

Não a contemplei por muitos segundos, como sempre fazia, minha pressa exigia chegar logo no centro, mas aquele lugar era enorme, não entendia como construiram algo tão bem estruturado e ao mesmo tempo, trancado como este. Sim, ao mesmo tempo que parece sermos totalmente livres devido aos benefícios, não podemos sair dos altos pilares que rodeiam aos quatro cantos, cada um responsável por um setor. Norte, Sul, Leste e Oeste. Esta era a ITEP do Leste. Difícil acreditar que mais três dessas existissem. Os muros pareciam tocar o céu de tão altos.

Desvinculando as curiosidades alheias, o prédio da secretária aos poucos tomava forma conforme eu virava as esquinas. Como desejava a minha bicicleta consertada nesse momento. Infelizmente alguns dias atrás, sofri um acidente e perdi o controlo, culpa do maldito Yokota. Aquele cara, por mais chato que fosse, tinha a mesma ambição que eu para ter um Charmander, e como os poucos felizardos, também teve a honra de um dia, receber um Chamander na aula de Batalhas. Nutria pensamentos de que ele tinha feito isso só para conseguir vantagem sobre mim, mas minhas pernas não me deixariam na mão.

O portão de vidro estava a uns quinze metros, e eu acelerei mais o passo, por sorte não transpirava, ainda. Contudo, uma derrapada mais atrás despertou minha atenção e me virei rapidamente pra avistar do que se tratava. —— PORRA! —— Gritei, me virando e correndo o mais rápido que meu corpo permitia.

—— EU SEREI O PRIMEIRO! —— Berrou o asiático, pedalando como se sua vida dependesse daquilo, e eu tinha certeza que dependeria. Mas a minha também estava em jogo, e eu forcei meus músculos ao extremo, e nem poupei-me de respondê-lo.

Não demorou muito para que ele me alcançasse e saltasse da bicicleta. Como eu torci para que perdesse o equilíbrio, mas o maldito deveria ter treinado isso o ultimo mês inteiro, pois o seu antigo meio de locomoção capotou no asfalto liso enquanto suas pernas corriam num ritmo sincronizado as minhas. —— Sai fora seu vendedor de pastel! —— Corria tentando barrá-lo com os ombros. —— Nunca, seu pivete desprovido de crescimento! —— Até seria uma cena engraçada a ser presenciada, mas o ódio fumegava dos nossos corpos até que, trombamos juntos na parede de vidro reforçado. Acho que agradecemos mentalmente pelo material ser denso, ou então estaríamos completamente cortados agora, mas por sorte, apenas um enorme vergão vermelho em nossas testas pairou.

Uma atendente digitou o código e nos levantamos, ficando eretos e com os peitos estufados para cima. Parecia uma junta militar, todavia, tratava-se do modo cotidiano de saudarmos nossos professores e instrutores. —— Que alvoroço é esse? —— Questionou a mulher com longos cabelos loiros. Ela tinha cerca de vinte e dois anos, bastante bela, mas nunca cairia na laia de um dos alunos. E sim, muitos tentaram, eu já quis, embora quando não acreditasse que tivesse chance, nunca botava o pé na frente.

Ela arrumou os cabelos, colocando alguns fios soltos para trás. —— Me desculpe, instrutora. —— Nosso pedido saiu uníssono, por mais que irritasse, a educação nos dada sobressaía. —— Certo, certo. Estão aqui para? —— Olhei para Yokota e ele olhou para mim, parecia que um mar de fogo tivesse caído sobre nós, e raios se chocavam numa intensidade igualitária, nunca conseguindo deter o outro. —— Viemos ver o registro de pedidos, instrutora. Sobre a reserva dos iniciais. —— As palavras surtiam uma sincronia insuportável, parecia que um copiava o outro, e eu tinha certeza que ele estava fazendo isso para me irritar. —— Ok! Me acompanhem. —— Entramos esbarrando um no outro, mas não dando liberdade para instrutora perceber que a rixa estava quase incontrolável.

Ela adentrou num balcão, várias telas de computadores de ultima geração rodeavam sua cadeira. —— Nossa, eu ficaria louco nisso aqui... —— Murmurei, pensando alto demais. —— Eu gosto. —— Olhei para a instrutora que me recebia com um sorriso largo nos lábios e eu fiquei um tanto envergonhado. —— Ah, é... É que eu sou meio impaciente com isso. Adoro aventuras. —— Sorri sem jeito e ela deu apenas um riso, como se eu contasse uma piada. —— Sua única aventura foi cair de bike com a cara no chão... —— Retrucava o asiático com os braços cruzados e um semblante emburrado. —— Pelo menos eu não transo de costas. —— Ele arqueou a sobrancelha esquerda e fechou o punho, estalando alguns dedos, eu não me intimidei e apenas mexi o pescoço, o estalando também. —— Bom. —— A voz doce da mulher quebrou a tensão no ar. —— Quais foram seus pedidos? Horário e dia solicitado? —— Ela indagou, vendo as assinaturas dos arquivos. —— Charmander. Treze horas. Dia 21, quando foram liberadas as solicitações. —— Mais uma vez falamos as mesmas coisas, juntos. E eu quis socá-lo.

Ela nos encarou, um pouco séria. —— Vocês são parentes? —— Nos entreolhamos. —— É claro que não. Ele é asiático. Tá na cara que não temos ligação. —— Ela pensou um pouco. —— Exato, nunca que eu faria parte de uma família podre como a dele. He. —— Agora foi a vez dela arquear as sobrancelhas. —— Se a minha é podre, a sua não sabe o que é viver longe de um Muk, né? —— A rixa deixou ela um tanto desconfortável, por isso, bateu a mão no balcão, nos alertando. —— Enfim, já entendi. Só achei estranho falarem tudo igual e sincronizado. Parece que ensaiaram. Que seja. E sinto em lhes informar, mas a demanda de Charmanders não foi suprida, como nos últimos anos. O caminhão que os levavam mais uma vez desapareceu. Assim como muitos outros. Infelizmente terão de escolher outro Pokémon. Estamos com sobre de Eevees. Eles são bons iniciais. —— Algo dentro de mim corroeu o estômago. E senti que em Yokota a sensação foi a mesma.

Cabisbaixos, saímos do recinto, assinando a papelada de autorização em recebermos um Eevee. E aquilo foi péssimo.

[...]

12:00. Minha mala com os pertences significativos estava nas costas, e meu trem partiria neste exato momento. Me levaria para dentro do setor Leste, fora da ITEP. Sentado, só conseguia ver o imenso portão com as palavras: Instituto de Tecnologia e Estudo Pokémon. Aquele lugar, me prendendo a vida inteira e só me deixando sair com 18 anos de idade. Perdi quase metade da vida parado, mas agora... Eu seria livre para capturar os Pokémons e conseguir todas as 32 insígnias e finalmente concorrer ao maior evento anual de todos... O Campeonato dos Polos. Onde todos os treinadores de todos os quatro cantos se juntavam no meio do nosso continente, num espaço de diversas arenas e inúmeras batalhas incríveis acontecendo o dia inteiro. E o melhor... Os classificados para o torneio chave, mesmo que não forem campeões, terão a honra de se aventurar para o continente da elite. Uma das poucas ilhas afastada dos quatro Polos, onde os mais destemidos e poderosos treinadores organizam a Elite. Nos últimos vinte anos, ninguém conseguiu vencer o Campeão, mas isso não duraria mais duas décadas, porque hoje, eu iniciaria a minha jornada. Dia 01/01/155. Estranho, pode-se dizer, mas a data havia sido cronometrada do inicio, desde que os continentes se juntaram em um só.

Finalmente, o trem deu partida e com uma velocidade alarmante, os grandes muros do instituto sumiam com o cenário de árvores dos mais variados tipos. Alguns Swellows sobrevoavam os céus, admirava muito aquele tipo Flying e se acaso fosse escolher um do tipo, ficaria em dúvida entre este ou o Staraptor. Agora os pensamentos sobre qual equipe fazer me corroíam e eu desejava cada vez mais o dia de amanhã.

[...]

Levou cerca de uma hora para que chegasse na estação de minha cidade natal. A alça da mala já incomodava por eu estar esperando uns vinte minutos em pé na área de estacionamento. Meu pai, lesado como sempre, deve ter se esquecido. Ultimamente ele tem andado muito estranho, mas não me importei da devida maneira. Minhas ultimas lembranças com ele foram com seis anos de idade. Agora, ele era um total estranho pra mim. —— Acho melhor ir andando. Nada mudou mesmo. —— Agradeci ter uma memória razoavelmente boa. Brinquei muito pelos arredores daqueles bosques, antes de tudo acontecer.

Levei cerca de quinze minutos caminhando para encontrar uma área repleta de casas medianas, todas bem enfileiradas, com carros estacionados, caixas de correios enfeitadas pelos familiares e vez ou outra, alguma criança de quatro ou cinco anos brincando no gramado com sua mãe supervisionando.

Parei de frente para a casa de número 77. Cercada por um muro de madeira de um metro, portão de metal com algumas barras de ferro, uma fechadura simples, nada que alguém não pudesse saltar e invadir o cômodo, mas as ruas eram tão tranquilas que durante setenta anos, nunca mais houve um registro de roubo ou furto. A humanidade tinha se tornado boa, por assim dizer. Um pouco afastado, onde o carro se encontrava estacionado, um jipe encapado com janelas de vidro presa ao pano, encontrava-se um homem com cabelos grisalhos, reclamando com o capô da frente aberto, ajustando algumas coisas. Percebi isso pela caixa de ferramenta do seu lado. —— Porcaria, tô mais de meia hora atrasado. Esse merda sempre me deixa na mão. —— Fui até sua direção lentamente e dei dois leves toques na cobertura de alumínio do veículo. —— Não se preocupe, eu ainda sei o caminho de casa. —— Disse, um pouco convicto do meu desempenho.

Do auge da parte elevada do carro, seis patas amareladas surgiam, e não demorou para que um pequeno chifre fixado no centro da cabeça sobressaísse e os imensos olhos do Pokémon Bug me encarassem, felizes e contentes com a minha presença. Spinarak saltou em meu peito e começou a se esfregar, tinha vagas lembranças de quando brincava com ele, era praticamente um xodó do meu pai.—— Spina! Spina!—— Gritava o aracnídeo.—— Ah, você conseguiu chegar!—— Quando percebi, fui envolto por dois enormes braços, e se Spinarak não fosse tão ágil, teria sido esmagado pela barriga levemente sobressalta do meu pai. Ele bebia bastante chope. Hábitos que muitos humanos não abdicavam. Consumo de bebidas alcoólicas. —— Que saudade do meu campeão! Cresceu, tá até com barba! —— Ele me encarava com uma mistura de perplexidade e curiosidade. Assim como eu via seus traços mais velhos, como me recordava da ultima vez que o vi pessoalmente. Poucas rugas envolta dos olhos, pele um pouco mais áspera, mas ainda sim, tinha a mesma personalidade cativante.—— Acontece quando se tem 18 anos, pai. E o Spina não mudou nadinha. Por que não treina com ele? —— Spinarak subiu na minha cabeça e ficou encarando meu pai com o rosto um pouco inclinado. Talvez esperasse saber o porque também. —— Ah, seu velho não tem mais disposição! Agora apenas cuido das vitrines das lojas e o Spina é um ótimo ajudante. Nunca se cansa. —— Por mais que o Pokémon parecesse antigo na família, ele ainda estava no auge da sua infância. Sabia disso pelos inúmeros estudos. —— Entendi. —— Acariciei o pequeno. —— Vamos, venha, preparei um jantar. Sua mãe logo, logo estará aqui. —— Adentrei no gramado da frente de casa, acompanhando os passos dele. —— Aonde ela foi? —— Ele ergueu os braços. —— Sabe como ela é... Adora aventura. Não é a toa que tem organizado festas ultimamente. Eu que ando muito velho pro pique dela. —— Evitei fazer muitas perguntas, não estava acostumado com os hábitos rotineiros deles.

A casa por si, mudara bastante. Não reconhecia móvel algum, sequer posição deles. —— Caramba, o que doze anos não fazem? —— Spinarak saltou da minha cabeça e com suas teias preenchendo a casa, foi pulando de uma em uma até seu suposto ninho. De lá, algumas rações Pokémon estavam grudadas, as favoritas dele, e o mesmo começou a devorá-las sem que o amanhã existisse. —— Guloso, igualzinho antes. —— Na mesa de jantar, um belo peru assado com batatas fritas rodeando o prato se destacava. Outra panela com arroz fresco, farofa, molho, alguns bifes, um jantar enorme para apenas três convidados. —— Mais alguém vai vir? —— Ele sorriu. —— Seus avós, tios e suas tias, e viria sua prima, se ela não estivesse na ITEP. Nunca a encontrou por lá? —— Me sentei numa das cadeiras, deixando a bolsa no canto, debaixo duma área onde um espaço oco existia, devido ser debaixo da posição que a escada subia para o segundo andar. —— Não... Somos divididos em setores. São doze. Cada um com sua respectiva idade e ano cursado. —— Às vezes me esquecia que meu pai não frequentara as escolas. Elas eram recentes naquele mundo. Implantadas à apenas vinte e cinco anos na nossa nova estrutura social.

[...]

Os parentes chegaram, e como sempre, era submetido as perguntas de como: Foi bem? Se graduou com notas boas? Qual Pokémon escolheu? Quando pegaria a carta? Comia bem? Se alimentava direito? Tomava banho todos os dias? E por ai vai. Eu agradeci que o tempo passou voando e logo eles se retiravam, satisfeitos com o meu progresso e bastante orgulhosos comigo, mas isso me entristeceu um pouco, relembrando do fardo que não conseguir um Charmander. —— O que foi, filho? —— Perguntou minha mãe. Era incrível, mesmo doze anos afastada de mim, ela sabia quando algo me incomodava. —— Ah... Nada demais, é que eu não queria começar a minha jornada com um Eevee... Sempre quis um Charmander... Mas eles são tão raros hoje em dia. —— Ela sorriu e acariciou minhas madeixas. —— Relaxa, coisas boas podem acontecer. —— Fitou meu pai de relance e ele sorriu da mesma maneira que ela. Eu não entendia direito o que significava, entretanto, se algo que foi me ensinado no Instituto é: nunca seja esperançoso. Mas a maioria das vezes eu quebrava esse ensinamento. Aliás, eu quebrava sempre.

[...]

A amanhecer chegou ainda mais rápido do que o término do jantar de outrora. Acordei com um belo café da manhã, recheado de pães de queijo, bolo, suco de uva e pão com geleia. —— Esse café da manhã com certeza é bem melhor do que os da ITEP, ah! —— Agradecia enquanto comia, e ao finalizar, percebi que minha mala estava na porta, entreaberta e ainda não tinha nenhum sinal dos meus pais. Corri para o meu quarto e fiz minha higiene bucal, antes de sair de casa. Trajado com as mesmas vestes de ontem, com exceção da roupa debaixo, rumei até o quintal, onde o jipe estava estacionado e ligado, com ambos sentados na frente, Spinarak nos cabos metálicos rodeando impacientemente cada canto. Eles haviam baixado o pano que cobria o veículo. —— Vamos logo, ou você quer perder a entrega das cápsulas e o seu Pokémon? —— As palavras e revigoraram e eu por um momento, esqueci dos pesares. Se não iniciasse com um Charmander, que eu achasse um na minha jornada! Agarrei minha mala e saltei no banco detrás, com o Pokémon bug se jogando no meu colo.

[...]

Demorou três horas e meia a viajem. Por sorte a iniciação começaria apenas as 14hrs. Chegamos lá com uma hora de adiantamento. Entramos pelos majestosos portões e nos dirigimos para a décima segunda área, onde os formandos deixariam o prédio e receberiam suas cartas de autorização na Pokedéx, algumas Pokéballs e kits especializados para uma jornada segura, como cordas, panelas ajustáveis, dentre muitas coisas. Me despedi dos meus pais, por ora e fui ao encontro dos Instrutores, eles não faziam perguntas, apenas nos organizavam e nos botavam em fileiras. O sol escaldante derretia nossas peles por vestirmos roupas tão pesadas e negras, mas como toda tradição, aguentaríamos o calor e nos manteríamos trajados até a primeira captura.

[...]

As mesas estavam repletas de familiares. Todos animados e eufóricos. Nós apenas ficávamos com o peitoral estufado e as mãos repousadas nas costas, juntas e bem firmes. O diretor do décimo segundo setor caminhou pesadamente com um roupa semelhante a nossa, embora com uma farda destacasse em seu peitoral, indicando sua superioridade a nós. —— Formandos! —— Pisamos com o pé fortemente no chão. Do meu lado esquerdo estava Dudu, ele era um pouco mais alto do que eu e tinha uma barba mais volumosa, seu corte de cabelo era descuidado, não ligava muito para vaidade, mas seu sorriso contagiava qualquer um. Ele não via a hora de conseguir sair de lá, assim como eu. Atrás, haviam algumas das garotas que mantive a amizade durante o ano letivo. Franquini, alta e loira, gentil e ao mesmo tempo amedrontadora, embora nunca tivesse tido problemas com ela, Giulia Pezarim, também alta, mas morena, uma das garotas mais legais que conhecia, nos chamávamos de mozão por um conto escrito pela Fran, em que éramos casais. Julia Guglielmo, um pouco menor que eu, mas um doce de pessoa. Mari Neves, uma das mais bonitas que já tinha visto por lá, e o restante, apenas conhecidas. Já do lado oposto, encontrava-se Leonardo Veronezi, um cara bastante divertido também. O engraçado é que nossa amizade surgiu com um pequeno desentendimento, havíamos colidido um com o outro sem querer num jogo de basquete e como estávamos com a cabeça quente, acabamos discutindo. Logo depois da partida, que empatou, nos encontramos e nos desculpamos um com o outro, e desde então a amizade crescera. Mais pro lado, estava o insuportável do Yokota junto de Lucas Lyu, um garoto alto e com um loiro tingido forte. Nunca conversei muito com ele, mas ele tinha a típica expressão do esnobe sabe de tudo, por isso nunca tentei manter uma amizade sadia, mas nas aulas de Batalhas, já nos encontramos várias vezes, e eu gostava de exibir meu placar de 4x2.

—— Estou muito orgulhoso pela incrível determinação que tiveram no ano passado. Creio que muitos já sabem, mas alguns iniciais não poderão ser entregues para vocês, tanto aqui como para as outras três sedes ITEP. É lamentável estarmos em crise com os Pokémons iniciais, mas felizmente alguns ainda supriram a demanda de todos. Bom, vou poupá-los de uma cerimônia longa e cansativa, sei que estão ansioso para saírem em uma jornada. Todos estão até com suas bolsas prontas e já preenchidas com os kits essenciais para treinadores. Eu, como diretor deste setor, parabenizo cada formando e que vocês consigam ser excelentes treinadores e um dia, torço para que um de vocês consiga conquistar a Ilha Elite! Há vinte anos invencível! —— Uma onda de aplausos e frases positivas pairou no recinto e nós pegamos nossas malas. A minha parecia estar muito pesada, todos não demonstravam dificuldade em segurar elas, eu me atrapalhei um pouco, chamando à atenção do diretor, mas ele fez vista grossa. —— Um a um, serão chamados para receber suas Pokédex e Pokéballs, assim como o iniciante. —— Caminhei, fazendo a fila indiana e quando me posicionei, decidi averiguar o que jazia de tão infortúnio dentro da mala. Quando o zíper revelou uma espécie de objeto arredondado, o agarrei e fiz Dudu olhar para trás, surpreso com o que via. —— Caraca! É um ovo Pokémon? —— Isso fez todos da fila me encararem. —— Como você ganhou um? —— Perguntou algum dos estudantes. —— Lucas Yokota! —— Gritou o diretor, fazendo o asiático iniciar e dar as honras. —— Eu não sei, simplesmente estava na minha mochila. —— O ovo começou a arder minhas mãos pelo calor emitido, e então, um brilho forte despertou toda atenção do público enquanto o garoto mascava a cápsula de resistência, e em meus braços, um pequeno Charmander surgia, erguendo o rosto e me avaliando de cima a baixo, ergui o rosto levemente, com todos me encarando boquiabertos, com exceção de Yokota. Pude vê-lo quase gorfar. —— Senhor Martinato! O que aconteceu? —— As caixas de som emitiam a indagação do diretor, mas eu não prestei atenção em nada, apenas no mediano Charmander que se espreguiçava no meu colo, me encarando com os olhos avermelhados, coçando sua cabeça com as garras finas esbranquiçadas. —— Wow! Ele ganhou um ovo de Charmander! Cara, isso é o mesmo que ganhar na loteria dez vezes! —— Berrou Veronezi. —— Não acredito. —— Murmurei. O Charmander bocejou e todos abriram caminho, com um movimento simples de mão do diretor. —— Aproxime-se, Vinicius. —— Eu me reergui e caminhei até o homem de quase dois metros de altura. Não larguei meu Pokémon momento algum. —— Aqui está, sua Pokedéx, Pokéballs e sua cápsula, masque-a. —— Mordi o pequeno comprimido e um enjoo tomou conta de mim. Aquilo tinha um gosto horrível, inexplicável, mas no exato momento em que engoli, senti que estava mais forte, mais resistente, mais tudo. Nem o tamanho daquele ogro me assustava mais. —— Nossa. —— Sussurrei. —— Char? —— Respondeu curioso o pequeno réptil alaranjado. —— Bom, creio que não precisará do seu Pokémon inicial, já tendo um. —— Lucas me encarou, sem saber o que dizer, apenas boquiaberto. —— Como ele pode ter um Charmander?! —— Berrou. —— Silêncio, senhor Yokota. A carta de autorização dele está nos padrões. Vá, comece sua jornada! —— E assim, assentiu, mas não pra mim, seus olhos fitavam um outro alguém. Me virei e na ultima e completamente vazia das fileiras, meu pai estava em pé, erguido nas costas de um belo Charizard. Talvez esse fosse o segredo que a vida inteira ele escondeu de mim. E puta merda, eu estava feliz. —— É PRA JÁ! —— Corri com o pequenino me acompanhando e indiquei com o dedo para Dudu e Lélo que me encontrasse lá fora, tínhamos combinado de fazer a primeira captura juntos antes de nos separarmos. E honraria o acordo.

Finalmente, depois de anos... Meu sonho se realizara, ao menos, uma excelente e boa parte dele! Palavras não explicavam, mas o meu apego pelo Charmander tinha sido correspondido no mesmo grau de intensidade para o Pokémon, e isso, foi melhor do que qualquer coisa já presenciada, desde a minha primeira batalha com um Charmander.

Notas finais
Aos que não apareceram ainda, relaxa. Ainda tem muito mais por vir. o