The New Continent
6 Capítulo 5 – Avante à floresta.
Notas iniciais
Will
03 Fevereiro, 2200, 22:50.
O vento gélido da noite envolvia-nos num só sentido. Sendo transpassado não somente pelo fogo que iluminava o local. A sonoridade da escuridão oca fazia parte das leves marolas do mar agora mais calmo. A instância era causada de pânico à espera de uma resposta que necessitava apenas de mim, momentos intermináveis de silencio foram aqueles em que seus olhos encontravam-se junto aos meus. Parei por um momento de suspense e com a cabeça baixa, olhei de relance novamente ao seu rosto e a decisão foi tomada de forma indiferente.
— Tudo bem, pode ficar – As palavras saiam em um tom baixo e abafado – Não precisa se preocupar mais com nada.
— Muito obrigada – Um sorriso finalmente surgiu entre seus lábios finos e delicados, como um impulso ela envolveu seus braços em meu pescoço e me abraçou. Uma reação inesperada que culminou num estranhamento. Que logo fez com que nos afastasse um do outro. – Pode deixar não vou atrapalhar em nada, eu posso ajudar em alguma coisa?
— Não, não agora precisamos descansar, afinal hoje o dia não foi nada fácil – Disse tomando cada vez mais liberdade perante ao assunto – Você pode dormir dentro da cabana, eu fico aqui fora hoje.
— Claro que não, eu não posso de forma alguma fazer algo como isto – Pronunciara inexpressível.
— Deixe de bobeira e aceite logo, você é uma visita – Disse apontando para a entrada da cabana – Não ouse recusar, você deve estar exausta e creio que deseja somente uma boa noite de sono.
— Mas, Mas...
— Sem, mas, por favor, aceite logo de uma vez. Isso pode durar a noite inteira, se ainda continuar insistido nesta bobagem.
Sua cabeça declinava-se cada vez mais olhando para baixo, como uma criança sendo repreendida. Ainda com o rosto apontado para o chão:
— Me desculpe, eu não quero atrapalhar – Disse a cabisbaixa – Fui muito rude em ainda não me apresentar meu nome é Loren Bened. – finalmente levantou o rosto e apanhou suas mãos em direção a mim, fiz os mesmos gestos resultando em um aperto de mão amigável.
— Prazer Will Hendson. Sinta-se a vontade para descansar e fazer o que quiser. Não é hora de ficarmos conversando, já está tarde. – Ela simplesmente sorriu em um olhar singelo e direcionou-se a tenda, olhou para trás mais uma vez e sorriu.
— Muito obrigado de verdade.
Segui aquele ultimo olhar até que ela pudesse entra, voltei a sentar-me no chão próximo ao fogo e logo em seguida, corri os olhos em direção ao céu observando o crepúsculo que se formara. Passei alguns minutos a observar aquele cenário banal, quando uma estrela cadente sobrevoou rapidamente sobre aquele território. Fechei os olhos, como um comportamento habitual e fui à procura na mente de um pedido que se transgrediu rapidamente, deslocado da memória – “Sair daqui e voltar para casa” – Este era meu maior desejo no momento. Deitei-me sobre a areia para tentar dormi e apagar as lembranças do dia.
O ar da madrugada ficara cada vez mais sólido e frio, esvoaçando com rigor as folhagens e os fiapos da franja capilar. Não conseguira dormi, o corpo debatia-se pela temperatura, fazendo de certa forma o sono se esvair. Quando o incomodo houvera chego ao seu auge, levantei-me e fui até a entrada da tenda, dei uma pequena espionada e lá estava ela dormindo, como um bebê em um sono pesado e tranquilo. Retornei novamente ao meu lugar, porém desta vez fiquei sentado olhando para a fuligem que era formada do fogo que ainda se mantinha fraco. A mente vagava por vários sentidos juntando passado a futuro e analisando todos ao mesmo tempo, onde resultou em uma enorme pressão na cabeça que ficara latejando por um bom tempo. Durante este período a sensação de tédio passou a acompanhar-me, contar grãos de areia e estrelas no céu parecia uma boa solução para ocupar o tempo.
Pus as mãos sobre a têmpora tentando focar em algo a praticar, levemente passei os dedos pelo cabelo levando-os até a nuca, entretanto meu relógio de pulso fez atrito com as orelhas, donde causou-me incomodo. Agi por impulso e retirei rapidamente as mãos envoltas da cabeça e olhei para o relógio que marcavam duas e quarenta e cinco da manhã, isso me causou uma surpresa repentina, afinal normalmente não dormia muito tarde, mas a insônia não me dera outra escolha.
Fiquei alguns segundos olhando para aquele aparelho preso ao meu pulso e tive a idéia de aprender a manuseá-lo. Apertei logo ao primeiro botão verde, onde costumavam a ocorrerem às chamadas com Steve, logo um holograma apareceu e Steve estivera com um olhar assustado. Levei um susto e pus as mãos sobre a boca e após alguns segundos tranquilizantes eu retornei a olhar para ele dizendo:
— Steve? É você? O que está fazendo acordado? – Perguntei apressado.
— Vá dormir Will! Tenho mais o que fazer do que ficar batendo papo. – disse o irritado, pondo a mão sobre o rosto coberto de olheiras.
— Eu não vou dormir tenho muita coisa que você precisa me explicar Steve – disse agora sério me recusando a aceitar as escolhas do mais velho. — Além do mais não estou com sono e por mais que sua presença seja desagradável eu não tenho nada mais para fazer nessa droga.
— Eu não lhe devo satisfação nenhuma, menino insolente – Disse ele com os olhos arregalados, aumentando o tom de voz. – Acho bom você se manter na sua, porque quem dita às regras aqui sou eu, nunca se esqueça disso. – Disse em um sorriso de escárnio.
Um choque de memórias começou a interligar-se dentro do cérebro. Encaixando uma sequência de uma linha do tempo. Depois disto tudo ficou claro e as coisas pareciam fazer o mínimo de sentido.
— Eu acho que você esta enganado, já disse mais de uma vez para não me subestimar – Disse desdenhoso – Afinal eu to começando a tomar controle da situação. Acabei de perceber que você é uma marionete em minhas mãos.
— O que? Você enlouqueceu garoto, como pode tirar essas conclusões assim do nada. – falou inconformado.
— Simples, eu descobri que eu também posso fazer uma chamada para você a hora que eu quiser e isso só me leva a crer que você é apenas um subordinado que está aqui para me vigiar. – Steve começou a apresentar sintomas estranhos perante o assunto. – Afinal, porque você iria me atender a esta hora da noite com essa cara exaustiva! Sua expressão não engana ninguém, parece que já está acordado á horas.
— Cale a boca seu fedelho, você não tem a mínima noção do que está falando. – Disse arfando entre as palavras.
— Quer testar minha teoria? Está pronto para perder este jogo? – disse determinado e tremulo, tentando recompor a postura firme – o que vai acontecer é o seguinte eu desligo essa chamada e vou retorná-la novamente, se você atender eu comprovo minha analise, e se você não atender, vou assimilar isto como uma derrota. — Alguns segundos passaram-se e nenhum de nós pronunciara uma se quer palavra. – Tudo bem irei começar – Quando os dedos chegaram próximos ao botão para desligar.
— Pare – disse ele interrompendo minha ação – Você venceu pirralho. – disse cabisbaixo. Bingo, pensei.
— Então só posso supor que você só poderá dormir, quando eu for dormir certo? – Pronunciei aliviado e ainda mais confiante. — Então desembucha tudo o que você sabe sobre está garota e tudo que está acontecendo, ou esta noite você terá de passar em minha companhia.
— Eu não sei de nada, acho até mesmo que deve tomar cuidado com ela.
— Você ainda tem a coragem de continuar a jogar este jogo de lorotas, você não me engana Steve, aceite que você perdeu.
— Como você pode ter certeza de que estou mentindo garoto? Você não sabe nem um terço de quem eu sou. – falou bravo.
— Sei o suficiente para prever seus pensamentos e ações. Afinal desde que eu lhe disse sobre o cadáver, você não esboçou nenhum interesse pelo o tal, porque você já sabia sobre a existência de mais pessoas aqui. Você não irá dormir até que eu saiba de tudo. – falei com firmeza na voz e com um olhar determinante. Um riso histérico aterrorizante começou a fazer com que Steve se descontrolasse e começasse a agir de maneira inconstante.
— Ah garoto, sabe de uma coisa, eu gosto de você e pelo que eu pude presenciar hoje essas informações que lhe darei estarão em boas mãos. – Fiquei espantado com sua reação, mas não podia ceder ao luxo dessa idéia ser novamente falsa. – Então tudo que está ocorrendo ai com você, como eu já lhe disse, faz parte de um experimento. Este território foi feito de um enorme choque de placas tectônicas que criaram uma espécie de um novo continente inabitável. Por isso levamos três jovens como cobaias para o nosso experimento...
— Pare, isto é mentira. Está tentando me fazer entrar em mais um dos seus jogos psíquicos e me tirar do foco. Você disse que haviam enviado três jovens, mas e o cadáver humano que eu encontrei mais cedo, como você explica isto? – disse furioso.
— Me pegou mais uma vez. Já percebi que mentir para você é uma idéia falha – disse o sorrindo – Tudo bem desta vez sem mentiras. A partir de agora, você deve confiar em mim, somente em mim!
— Você só pode estar brincando, esta me pedindo para confiar em um mentiroso?
— Estou falando sério Will. O que eu vou acabar de falar, compromete a mim e a você também. Tenho confiança de que você já está apto, a saber, sobre essas informações. Entenda uma coisa o seu sucesso está diretamente ligado ao meu, então está preparado para o que vai acabar de ouvir?
— Claro, mas como é que o seu sucesso está relacionado ao meu? – Indaguei.
— Vou ser o mais claro e objetivo possível! Sobre a criação do continente, isto realmente é verdade, porém não fomos os únicos a descobri-lo. O CAIG foi criado através de uma reunião dos países que fizeram tal descoberta, e através disso eles queriam estudar e reorganizar uma forma de quais deles iriam habitar esta região. Baseado em acordos eles concluíram que jovens de todos os locais do mundo redistribuídos entre os países fossem a este lugar lutar pelas suas nações...
— Pare, quer dizer então, que eu estou aqui em nome da Austrália, certo?
— Correto, Porém esta luta não seria armada. Na verdade, o objetivo é somente sobreviver de situações, como clima, vegetação, resistência psicológica e a forma com que cada um de vocês age diante das situações. Eu sou apenas um conselheiro, que toma conta do seu rendimento, tenho que lhe dar suporte da melhor maneira possível para que você possa sobreviver, então precisamos de um bom convívio no mínimo, ou você não vai durar nem mais uma semana. A chave deste lugar é você fazer dele seu território, criando uma espécie de sociedade, para isso você precisa arranjar aliados e se ajudarem. O problema disto é que deve tomar cuidado com quem são realmente as pessoas, muitas delas irão querer ajudar, portanto cada um deles possui um conselheiro diferente e estes podem influenciá-los a fazerem coisas ruins. Uma pesquisa é que 40% dos jovens já morreram entre os diversos aspectos e isto explica o cadáver que você encontrou hoje cedo. Uma observação, em hipótese alguma pode deixar com que outros vejam a sua conferencia comigo, ou você estará em desvantagem. Omiti essas informações pelo seguinte fato de um psicológico fraco, mas pude perceber que você cumpriu bem a sua promessa de lutar até o fim então não me decepcione.
— Como posso confirmar que não está mentindo de novo? E todos sabem que o choque entre culturas diferentes podem gerar em guerras!
— Você está plenamente certo, foi por isso que eu estou lhe dizendo que não vai ser nada fácil sobreviver. E em relação ao que acabei de falar, pergunte a garota de onde ela veio. Tente conhecer seu concorrente. – Por mais que eu quisesse negar, eu não sabia nada sobre ela, e tudo que Steve falará parecia ser verdade.
— O que mais tem a me contar? Eu sei que não é só isto!
— Uma dica, quanto menos você souber melhor, agora, por favor, vá dormir eu não aguento mais ficar acordado. – Disse resmungando.
— Tudo bem eu vou, mas eu quero conhecer ainda mais tudo que está acontecendo.
— Ainda acho tola a sua idéia, tenho que lhe aconselhar. Mais tarde nós conversamos, tenho que ir, boa noite, Will.
— Boa noite, Steve.
O holograma desapareceu e eu voltei a deitar-me na areia. Ajustei todas as informações em pastas na cabeça fixando-as antes de me forçar a dormir e pegar no sono.
Seis ou sete da manhã, não sei ao certo, estava com os olhos fundos, mergulhado em olheiras e o corpo dolorido de uma noite ruim, tão pouco agradável. Olhei ao céu e algo houvera me surpreendido. Desde o momento em que houvera chego, as manhas eram marcadas por uma enorme faixa de sol ardente, entretanto desta vez o dia amanhecera nublado e acinzentado, coberto de nuvens negras. O vento frio da noite houvera se estendido juntamente para o resto do dia, era notável que logo a chuva viria a nos acompanhar. Minhas vestimentas encontravam-se em extrema precariedade e largas sobre mim, a calça já houvera rasgado quase na altura dos joelhos e a blusa de mangas brancas comprida já estava surrada e prontas para ir direto ao lixo.
O estomago latejava de fome e sede, porém não restara alimento. Meu objetivo do dia era ir atrás de suprimentos que durassem ao menos três dias. Levantei-me devagar e já de pé rodopiei sobre o mesmo lugar fitando todos os cantos, em busca de uma mudança repentina. Levei um dos braços acima da cabeça e outra a boca, bocejando e espreguiçando-me ao mesmo instante. O tempo era precioso, visto que o dia não permanecia ao meu favor.
Fui cambaleando até a cabana e ao entrar, deparei-me com Loren ainda dormindo sobre o chão, abraçada à minha mochila. Por um momento esqueci-me da sua presença junto a mim. Olhava seu rosto com calma e recusava-me a acreditar que ela podia fazer mal a alguém, tinha tantas perguntas a fazer, mas o tempo não me permitia esperar. Fiquei parado alguns segundos e então decide agachar-me e pegar sua mochila rosada em outro canto amassado pelos galhos. Uma missão difícil para um lugar que mal coubera uma pessoa. Finalmente a peguei e coloquei-a sobre meus ombros, estava pronto para partir, respirei fundo antes de adentrar aquela selva e em seguida comecei a desbravar aquele local entrando no meio daquela vegetação silvestre.
Caminhei alguns quilômetros exaustivos para dentro daquela paisagem verdejante, percorrendo diferentes espécies de árvores que nunca havia presenciado, com flores e folhas exuberantes e enigmáticas. Meu primeiro foco era procurar alimentos, contudo não achei nada mais do que pequenas frutas vermelhas em arbustos baixos, que se assemelham as jabuticabas. Durante todo o percurso parecera ser inútil continuar a andar, a praia já não era mais visível e o solo não mais recoberto de areia e sim uma terra firme e escura. Pensei na possibilidade de voltar e conformar-me com o que continha guardado na mochila, mas aquilo não bastava e por impulso continuei a caminhar.
Fiz algumas paradas para descansar e retomar o fôlego, e então em uma delas comecei a escutar barulhos de algo se esguichando entre as folhagens. Fitei em direção ao local e notei algo aproximando-se de mim. A respiração começou a acelerar e o coração comprimir-se dentro de mim. Posicionei-me em posição defesa, prendi a respiração e fiquei em silencio, quando a coisa chegara perto o bastante às folhas tornaram-se inerte e nada alem da natureza era audível. Fiquei a espera de algo acontecer, mas tudo manteve-se na naturalidade. Fui recuando e postando-me normalmente diante da situação. Devo estar tendo alucinações pensei. Logo que o ar começou a passar sobre as narinas, uma enorme criatura em extrema velocidade, subitamente avançou sobre mim empurrando-me para o chão. Mal abri os olhos e pude ver um animal grandioso com semelhanças a um tigre de orelhas pontiagudas, todavia era púrpura e brilhava a luz do sol, dentes enormes e afiados, correndo uma série de saliva entre eles, as garras grossas cravadas no chão e o corpo malhado e rodeado de manchas pretas. Aquela criatura sobre mim não parecia ter pena em me engolir vivo. Não tive reação, somente uma lagrima de desespero caiu dos meus olhos e assim como um trem eu estava no fim da linha.
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