The New Continent
31 Capítulo 30 – Mãos a obra.
Tina
26 Fevereiro, 2200, 19:45.
O sol já estava quase desaparecendo no horizonte no momento em que avistei Ralf e os outros caminhando pela faixa de areia. – Depois de três dias eles finalmente haviam retornado. – Corri até os fundos e acendi a fogueira supondo que eles deveriam estar famintos. Quando retornei a estufa eles já haviam chego a cabana e se recolhiam na alcova, com isso, me aproximei do cômodo onde era possível escutar os intenso falatório cada vez mais alto.
— Por que não esperou? Eles poderiam ter voltado. Só precisávamos esperar mais um pouco. – Nofre se posicionava no centro do quarto olhando para Ralf.
— Não tínhamos como esperar. Dois de nós estão feridos. Não se preocupe, logo ela estará de volta. – Respondeu o mais velho.
— Não Ralf, chega de contar histórias, você inventa desculpas para abandonar as pessoas e fazer o que você quer. Você sabe que a selva é instável. Não devíamos ter vindo, devíamos esperar.
— Ah é, então, por que você não esperou lá?... Ah eu acho que eu já sei, talvez porque você seja fraco demais para ficar lá sozinho sem saber se proteger. Porque não fui eu quem subiu numa árvore e deixei as coisas acontecerem. Então, agora não vem com sermão e sem essa de me por como o vilão da história, porque todos aqui concordamos em voltar sem eles. – Retrucou Ralf em um tom alto.
— Infelizmente somos limitados, então, desculpa se eu não sou como você e toda a sua bravura. – Finalizou Nofre passando por mim e partindo para fora do cômodo apressado.
— Nofre! – Berrou Jihan deitado em uma das redes.
— Não se preocupe, eu vou atrás dele. – Mencionou Frank trocando um breve olhar sério com Ralf e saindo em seguida, sendo assim, no cômodo prevaleceu um breve silêncio.
— Mas o que vamos fazer? Esperar que eles possam chegar vivos?
— Vamos acabar logo com essa angústia. Eu vou tentar comunicar o Kim. – Interrompeu Sarah.
— Você tem um comunicador? – Indagou Ralf.
— Pode-se dizer que sim. – Disse Sarah enquanto retirava a mochila das costas e pressionava alguns botões de seu relógio. – CP3 para CP4. Kim você está aí? Consegue me ouvir? Por favor, responda. Pronto agora é só esperar ele fazer contato.
— Como faz isso? Quer dizer como consegue fazer isso? – Perguntou Ralf surpreso.
— Isso não importa agora. Eu só espero que eles estejam vivos. – Responde a morena séria.
— O que aconteceu com vocês? – Perguntei confusa.
— Fomos atacados no meio do caminho. – Respondeu Ralf. – Aliás, onde está a Berry, temos dois feridos aqui.
— Infelizmente ela não está.
— E para onde ela foi? – Pergunto-o curioso.
— Eu não sei, mas acho melhor não contar com ela por aqui. Além disso, onde está a Zenaya? Ela também conhece de recursos médicos.
— Não sabemos também. Infelizmente perdemos ela e o Kim no meio do caminho e estamos esperando que eles voltem logo.
— E o que vão fazer agora? Esperar? – Perguntei.
— E você tem outra opção melhor? – Retrucou Sarah.
— Por que não vão atrás deles?
— Da última vez que entramos naquela selva ao anoitecer, fomos pegos pelas plantas soníferas.
— E você acha que esse comunicador vai funcionar? – perguntei descrente.
— Assim, eu espero. – Logo, em seguida, Loren, Mike e Cory entram no cômodo. O rosto de espanto era notório nos rostos de cada um e principalmente de Ralf. – Parece que a cavalaria chegou.
— Surpreso em me ver Ralf? Pode ter certeza que eu não vou morrer tão fácil assim. E pelo seu olhar espantado eu afirmo que não sou uma assombração. – Comentou Cory.
— Eu só estou um pouco desnorteado, mas é um prazer revê-lo novamente. – Os dois se cumprimentaram, Mike fazia o mesmo com Sarah, enquanto Loren se aproximava de Anne e Jihan.
As duplas começaram a conversar até que eu me encaminhei até Loren e os outros. Anne estava completamente ferida com cortes laterais e até algumas fraturas, enquanto Jihan continha uma variedade enorme de cortes evasivos.
— Como eles estão? – Perguntei mesmo sabendo a resposta.
— Eu não sei, mas pelo que vejo nada bem. Eles precisam lavar esse corte logo e rápido. – Respondeu Loren. – O que vamos fazer?
— Eu também não sei muita coisa, mas você tem razão. Pegue uma compressa de água e traga a mochila do Will rápido. – A menina sem ao menos relutar, seguiu rapidamente para fora do cômodo. – Não se preocupem, vocês irão ficar bem.
Coloquei minhas mãos sobre a cabeça de Anne e a menina suava incessantemente com a têmpora em chamas. – Nesse momento eu só pensava em como as coisas aconteceram para que eu estivesse em uma posição como aquela. – Depois de alguns segundos, Loren voltara com dois panos molhados e a mochila de Will. Peguei um dos panos e comecei a limpar os ferimentos de Anne, enquanto isso pedi para que Loren procurasse as sementes vermelhas na mochila.
— Temos um problema. – Mencionou Loren depois de revirar toda a mochila.
— Por favor, não me diga que não tem mais sementes. – O desespero me tomara instantaneamente.
— Não, não é isso. Na verdade é que só temos uma única semente. – Explicou a loira cabisbaixa.
— Não pode ser, olhou em todos os bolsos? – A loira assentiu. – Tome esse pano e lave-o para mim. – Novamente ela seguiu sem questionamentos. Revirei a mochila mais uma vez, e infelizmente ela tinha razão. – O que eu faço?! – Sussurrei para mim mesma.
— De a semente a ela, eu vou ficar bem. – Murmurou Jihan. – Ela está pior do que eu.
— Jihan não, eu não posso deixar que você faça isso. – Antes mesmo de Anne terminar de falar a menina começou a tossir sangue.
— Anda logo, dê isso a ela. Eu vou ficar bem. – Finalizou Jihan.
Fui até ela e lhe dei as sementes. Ela a engoliu, enquanto Loren voltava com o pano limpo. Coloquei-o sobre sua cabeça na esperança da febre baixar. Em seguida, peguei o outro pano e dessa vez limpava os ferimentos de Jihan. Eram ferimentos mais leves, com isso, esperávamos que logo ele já estaria bom.
— Vocês estão bem? – Perguntou Cory se aproximando de nós. – Ralf me contou o que aconteceu com vocês. São verdadeiros sobreviventes. – Ironizou o moreno. – Acho melhor eles passarem a noite lá em cima, é mais seguro.
— Isso é uma ótima ideia, mas não é você que manda mais aqui e eu faço questão de sempre te lembrar isso. – Retruquei friamente. – Então, se quiser faça isso você mesmo. – Saí em direção a abertura do cômodo.
— Vai deixar que essa raivinha patética afete seus próprios companheiros. – Retrucou em alto tom o moreno enquanto eu ainda não houvera me retirado.
— E o surto de alguns dias atrás foi motivado pelo o quê? Não era raiva? – Dessa vez não olhei para trás, saí deixando o cômodo em completo silêncio.
Olhei pela abertura da entrada e Nofre e Frank estavam sentados a beira da praia olhando as marés. Do outro lado, Ralf, Mike e Sarah conversavam a sós. Peguei um espeto de peixe na estufa e fui para os fundos na área da fogueira. O fogo ainda estava aceso. Coloquei o espeto a beira da fogueira e de alguma forma eu tentava tranquilizar-me de tudo a minha volta.
Alguns minutos sequentes foram seguidos por um completo silêncio, com apenas o som das labaredas de fogo desaparecendo no ar. O peixe logo ficou pronto e estava intensamente saboroso e suculento. Talvez aquela refeição me fizera quase esquecer de todos os problemas, até que Loren aparece na porta dos fundos com um olhar sério.
— Tina, eles estão te chamando para entrar. Vamos fazer uma reunião. – De alguma forma eu tinha maus pressentimentos, mesmo assim, respirei fundo antes de entrar e fui até a alcova onde todos estavam reunidos.
— Ótimo, nossa última companheira chegou. Venha Tina, junte-se a nós. – Mencionou Mike, enquanto eu me juntava ao resto do grupo. – Perfeito, agora que todos estão reunidos, temos algumas considerações a estabelecer.
— Que tipo de considerações? – Perguntei indo direto ao ponto.
— Não tenha pressa, vamos discutir uma a uma e eu espero que tudo possa ficar bem claro a partir de agora. – De algum modo aquele sentimento pessimista só fazia crescer dentro de mim. – Primeiramente, eu gostaria de agradecer a presença de todos e honrar a hospitalidade de vocês de acordo com o evento catastrófico que gerou a morte de Uriel. Dessa vez, fomos pegos de surpresa, por isso, precisamos que todos estejam preparados para tudo o que vier a acontecer. E se algum proveito podemos tirar de toda aquela situação é o aviso de que não estamos preparados e ,com isso, precisamos nos fortalecer, pois a guerra começou. Para isso, teremos que treinar os mais fracos e...
— Espere só um segundo. – Interrompeu Nofre. – Por um acaso isso foi ideia do Ralf? Eu só quero que me responda isso, por favor, antes de continuar. — Antes que qualquer dúvida pendesse no ar Ralf deu um passo à frente e olhava em direção ao mais novo.
— Sim, fui eu Nofre. – Disse o altivo.
— Eu não acredito, vocês querem nos ensinar a sermos outras pessoas. Sermos iguais a vocês que matam sem o menor apreço a vida. – Manifestou o mais novo. – Vocês não vão me doutrinar a ser como vocês e matar a sangue frio. Eu morava em um local repleto de pessoas como vocês e uma coisa que eu aprendi foi que a guerra é um principio multiplicativo. Me desculpe, mas eu me recuso a participar disso. Vocês não querem fortalecer a equipe, mas a si mesmos pelo domínio.
— Você não está entendendo. Não vamos te ensinar a matar ninguém, mas é preciso que estejamos preparados. Isso serve tanto para sobrevivência como para auto defesa Nofre. – Argumentou Mike.
— E na hora de um conflito. Vocês não irão me pedir para matar? – Retrucou.
— Somente se for preciso. Isso é uma questão de sobrevivência. – Prosseguiu Mike.
— Essa é a questão, eu não quero sobreviver, eu quero viver. Parece que esse lugar mexeu com a cabeça de todos nós e não conseguimos enxergar isso. Pensem bem no que cada um de vocês está falando.
— Eu sinto muito Nofre, mas com essa atitude você vai morrer. – Respondeu Ralf friamente.
— Mais uma vez você vem confirmar a minha inutilidade perante ao grupo, mas tudo bem, eu entendo e aceito. Contudo, saibam que eu estou fazendo isso por vocês e não por mim. – Do rosto de Nofre algumas lágrimas suprimidas começavam a escorrer. – Assunto encerrado, podem passar para a próxima pauta. Podem ter certeza de que não precisar mais se preocupar em proteger o gordinho.
— De acordo com a primeira pauta todos concordam? – Conforme o esperado mais ninguém hesitou. – Ótimo, em segundo lugar temos uma pauta sobre o mesmo assunto. Talvez esse assunto alguns de vocês já esperavam e estão ansiosos para o mesmo. Eu estou falando dos comunicadores. Muitos estão surpresos em como conseguimos fazer contato um com os outros com os nossos relógios e a resposta é fácil. Frank, venha contar o seu magnífico experimento. – O menino saiu do canto da roda e sem ao menos dizer uma palavra apertou alguns botões do relógio que resultaram numa pequena chamada no relógio de Mike.
— Antes de começarmos isso era apenas um teste para comprovar a veracidade dos nossos comunicadores. Vocês devem estar pensando em como nós conseguimos fazer isso. É a resposta é tão simples, eu. – A maioria de nós entreolhávamos confusos. – Sim, a minha mente brilhante conseguiu hackear o sistema do CAIG e criar uma nova plataforma para os nossos relógios baseada na antiga. Podemos nos comunicar entre nós, mapear áreas conhecidas, trilhar rotas e até mesmo conseguir especificações de algumas plantas e espécies.
— Isso é incrível, e por um acaso isso demora muito tempo para ser feito. – Perguntou Cory.
— Não mesmo, eu consigo terminar o de todos vocês em menos de um dia. – Responde Frank exibindo-se.
— Então, comece isso logo, o que estão esperando?
—Porém, isso só gera um problema.
— Mas que tipo de problema?
— Nunca mais poderão entrar em contato com seus respectivos tutores. A comunicação entre nós e o mundo lá fora é restrita. E quebrando a conexão entre eles que consegui desenvolver a plataforma. Por isso, pensem bem antes de aceitarem.
— Eu sei que é uma decisão difícil, mas só assim poderemos nos comunicar aqui dentro. Sendo assim, eu aviso que não seremos responsáveis por qualquer um de vocês que queiram se aventurar sem os comunicadores. É uma decisão difícil, mas ela pode ser uma aliança eterna. – A sala ficou em silêncio e todos pareciam pensativos. – Antes de tudo se acalmem essa decisão não precisa ser agora, terão tempo para pensar.
— Quanto tempo? – Perguntou Cory.
— O tempo que acharem necessário. Porém quanto mais cedo isso for feito menor os riscos. — Parecia que cada vez mais estávamos sendo colocados em cheque. — Finalizando, vamos ao terceiro fato, eu soube de um projeto de construção da barreira d’água que vocês estavam planejando construir. Por isso, então, eu declaro que o projeto começa amanhã. Todos que estiverem dispostos deverão ajudar. Começaremos ao amanhecer e terminaremos ao por do sol, com apenas alguns intervalos para comer e beber. Quanto mais tempo trabalharmos, estaremos poupando dias de caça. Todos de acordo? – Novamente ninguém se recusou. – Então, finalizamos e agora estão livres. Eu sugiro que comam logo e vão dormir.
As pessoas saíam do cômodo em direção a estufa. Como eu já houvera me alimentado eu subi direto ao segundo piso. Entrei na alcova e lá estava Will. Já haviam se passado três dias e o menino não acordara. – Eu espero que ele possa acordar logo. – Deitei-me em uma rede ao seu lado e ali repousei por toda a noite.
Ao amanhecer, o dia estava completamente ensolarado com uma brisa fresca subsequente. Acordei antes de todos levantassem. Desci até a alcova do primeiro piso e verifiquei os dois acidentados. Os cortes de Anne haviam desaparecido assim como mágica. Era incrível a capacidade daquelas sementes. Por outro lado, Jihan estava pálido e com uma aparência pior do que a do dia anterior. Coloquei a mão em seu coração e ele ainda estava batendo. Isso fez com que o menino acordasse de repente assustado.
— Está se sentindo bem? – Perguntei em sussurros para não acordar os outros.
— Só um pouco dolorido, mas eu vou ficar bem. – Respondeu o menino em uma voz fraca e baixa.
Precisamos daquelas sementes vermelhas o mais rápido possível, entretanto somente Will sabia aonde encontrá-las. Depois disso, deixei a alcova e fui até a estufa, peguei uma fruta e, em seguida, saí para fora da cabana e fiquei perambulando pela praia. Depois de andar tantas vezes o mesmo percurso, decidi sentar na areia e apreciar o mar e o sol majestoso.
Passei alguns minutos ali sozinha. Até avistar Ralf caminhando em minha direção com algumas redes e lanças nas mãos. Ele foi se aproximando cada vez mais e a cada passo minha curiosidade aumentava. Até que ele chegou perto o suficiente, largou as coisas que carregava ao meu lado e começou a amarrar as pontas das lanças.
— Então, o que faz acordada tão cedo? – Perguntou o moreno desenrolando a rede de pesca.
— Eu pergunto o mesmo a você. – Respondi com o sol batendo em meu rosto ao olhar para ele que estava de pé.
— Bom, como você pode ver meus instrumentos, eu vou pescar e você?
— Eu gosto de levantar junto com o sol. Onde eu vivia isso era muito comum e isso faz com que eu me sinta um pouco menos distante de casa... Aliás, eu também queria ver como Anne e Jihan estavam.
— Eu entendo, costumes... E eles estão bem?
— Anne está se recuperando bem, agora eu não sei se eu posso dizer o mesmo de Jihan. Ele acordou hoje um pouco pálido, mas diz que está bem.
— Então, vamos confiar na palavra dele. – Ralf deu algumas entrelaçadas e, por fim, terminou com um nó. – Pronto já estou preparado para pescar.
— E confia nele tanto assim?
— É o mínimo que eu posso exigir das pessoas.
— Uma pergunta, por que pescar tão cedo?
— Isso será nosso almoço e não podemos perder tempo mais tarde. Agora eu tenho que ir. – O menino foi andando até o mar caminhando sobre as águas a procura de peixes. – Vamos lá peixinhos me ajudem a pegar vocês, vamos não tenham medo. – Ele repetia para si mesmo. Quando avistou o primeiro peixe cravou sua lança sobre a água sem sucesso. – Droga! – Exclamou o mais velho.
— Você está fazendo muito barulho. A pesca é uma arte silenciosa. – Chamei a sua atenção em um tom alto.
— Eu sei o que eu estou fazendo. Já fiz isso antes e eu vou conseguir. – Ele armou a rede de pesca, enquanto ainda tentava pegá-los com a lança.
— Quer ajuda? Tente se movimentar o menos possível. – Aconselhava-o
— Eu acho que é a sua voz que está espantando eles. Então, por favor, dá para ficar quieta. – Desdenhou. Com isso, levantei-me e caminhei até o mar quando eu iria pegar a lança de sua mão ele me empurrou fazendo com que eu caísse na água. – Droga! Me desculpe, foi um reflexo. Eu disse para você me deixar fazer isso.
— Eu já entendi. Você acha que consegue fazer tudo sozinho. Vá em frente, isso só demonstra o quão idiota você é. E Quanto os outros estão certos a seu respeito. – Levantei enquanto secava a blusa molhada e andava de volta à cabana.
— Não, me desculpe eu não fiz por querer. Venha,nós podemos aprender juntos. – Disse o moreno tentando apaziguar a situação. Voltei andando em sua direção, peguei a lança de sua mão e a finquei sobre a água sem ao menos olhar para a mesma. Retirei a lança e na ponta dela estava um peixe pequeno peixe dourado. – Como fez isso?
— Um bom líder é aquele que escuta. Não aquele que faz as coisas em prol de um ideal que ele acha correto.
— O que você quer dizer com isso? – Sua expressão transformou-se de repente.
— Eu vi como você olhou para o Cory e o Mike quando descobriu que eles ainda estavam vivos. Eu vi o fracasso no seu olhar em tomar o lugar deles, porque eu sinto que até hoje você não se conforma em ser um subordinado. – De alguma forma eu previa que minhas palavras as acertavam como facadas. – E eu ainda posso lhe dizer que por mais contraditório, você seria um bom líder se soubesse reconhecer as suas fraquezas.
—Como pode ter tanta certeza em me acusar dessa maneira? – Retrucou.
— Porque eu já estou vendo essa história acontecer pela segunda vez. E eu afirmo que a soberba tem as suas consequencias. – Era nítido em sua expressão o fato dele estar sem palavras. – Ralf ainda dá tempo de mudar e eu estou aqui para te ajudar se quiser.
— Você está me tratando como um louco que precisa de ajuda. Entenda você que na selva ou você é a caça ou o caçador.
— Não sejamos radicais, e eu em nenhum momento duvidei da sua sanidade. Eu apenas disse que eu estou aqui para você desabafar. Só pense no que eu te disse. – Eu esperei que ele falasse alguma coisa, no entanto um silêncio vagou no ar. – Ah, e sobre os peixes. Saiba que eu vim de uma família de pescadores. Eu consigo pescar peixes até vendada.
Saí dali e fui em direção a cabana. Todos já haviam acordado, alguns até mesmo já organizavam as madeiras para a construção.
— Todos aqui, eu quero que antes de começarmos, vocês possam reunir o maios número de cipós grossos possíveis. Procurem pela mata aqui próximo do litoral. Quero terminar isso quanto antes. – Gritou Mike para o grupo de pessoas que estavam ali em volta. Aproximei-me de Sarah a garota estava desempilhando as madeiras.
— Oi, eai você sabe alguma coisa sobre o Kim e a Zenaya? – Perguntei despretensiosa.
— Não até agora eles não responderam ao meu chamado. – Respondeu a menina.
— E vocês não acham que deveríamos ir atrás deles ao invés de ficarmos aqui construindo essa coisa.
— Eu não estou no comando, diga isso ao Mike. – Respondeu ríspida.
— Tudo bem. – Fui até Mike e o menino estava coordenando as devidas funções. – Mike desculpa interromper, mas você não acha melhor fazer uma busca atrás da Zenaya e do Kim.
— Eu não posso arriscar a vida de mais ninguém Tina, contudo não se preocupe eu já disse para aqueles que forem atrás dos cipós para que se acharem qualquer pista nos avisar. Eu sinto muito, mas eu não posso fazer muito, além disso.
— Eu também sinto muito... Eu posso ir também atrás dos cipós?
— Na verdade eu já tinha reservado outra função para você.
— E qual é? – Indaguei.
— Eu queria que ficasse encarregada da comida e dos doentes aqui da cabana.
— O quê? Eu acho que escolheu a pessoa errada. Loren pode fazer isso, e eu tenho certeza de que ela fará isso muito melhor do que eu.
— Infelizmente eu já a mandei para selva atrás dos cipós.
— Não tem problema, eu a busco de volta. Não se preocupe que tudo está sob controle. – Sai andando em direção a selva.
Caminhei por alguns minutos até avistar os cabelos dourados de Loren. Expliquei que ela houvera trocado de função comigo e que a comida e os doentes seriam seus novos encargos. Peguei os cipós que a loira já havia recolhido e fui andando atrás de novos. Passei entorno de algumas horas até recolher todos os cipós. Não encontrei nenhuma pista de Zenaya ou Kim. Quando retornei a cabana, as pessoas já estavam armando a barreira. Eles pegavam os cipós e entrelaçavam as madeiras numa espécie de cordão e uma parede móvel. Eles as separavam como bloco para construir um muro. Entreguei os cipós ao Mike e o trabalho parecia prosseguir.
Depois disso, fui até a estufa para ajudar Loren e quando eu cheguei lá. Tive uma tremenda surpresa ao ver Anne ao seu lado cortando alguns alimentos.
— Anne o que está fazendo de pé? – Perguntei descrente.
— Eu já estou bem Tina. Aquelas sementes funcionam bem rápido para casos não tão grave quanto o meu.
— Mesmo assim, você devia estar descansando.
— Descansando por que?! Se toda ajuda hoje é bem vinda... Aliás, Tina avise aos outros de que a comida saí entorno de uns dez a vinte minutos.
— E como Jihan está?
— Ele estava dormindo a última vez que eu saí do quarto.
— Você tem certeza disso. – Antes mesmo que eu esperasse ela responder. Eu corri até a alcova e fui até Jihan. O menino estava gelado, entretanto ainda respirava. – Jihan! Jihan! Acorde. – O menino cansado mal conseguia abrir os olhos. Tentei pegá-lo no colo e quando pus as mãos em suas costas havia uma enorme cicatriz exposta. – Por que não me contou dessa cicatriz? – Perguntei apreensiva.
— Eu achei que fosse sarar rápido. – Sua voz era quase inaudível. Virei-o de bruços e corri até Anne. – Anne eu preciso da sua ajuda agora. – A menina corre em minha direção e ao chegar na alcova ela se espanta. – Você tem alguma solução para isso?
— Eu não sei, você tem alguma daquelas sementes ainda? – Perguntou a loira.
— Tenho, mas não temos a vermelha.
— O pássaro ficou vivo?
— O quê? – Indaguei.
— O pássaro azul, ele ainda está vivo depois de ter tomado todas aquelas sementes?
— Sim, está. Mas você não está pensando em dar todas aquelas sementes para ele não é?
— E você tem uma ideia melhor? Se o pássaro não morreu é provável que nenhuma delas contenha veneno. – Corri até as sementes e dei-as para Anne. Ela fez com que ele as engoli-se e esperávamos que aquilo resolvesse, ou que ao menos nos desse mais tempo. – Você não me deixou morrer e eu vou fazer o mesmo por você, ouviu? – Disse a loira para o moreno antes de ele cair no sono. – Agora me dê algum pano limpo. Vou tentar limpar essa ferida. — Peguei um pano e entreguei a ela, dessa vez, voltei a cozinha e sentei para tentar diminuir a adrenalina.
— O que aconteceu com o Jihan? Ele vai ficar bem? – Perguntou Loren.
— Eu espero que sim, Anne está tentando fazer de tudo lá dentro. Avise ao Nofre, ele merece saber. – Loren saiu do cômodo atrás de Nofre. Não demorou muito para que ele entrasse desesperado atrás do amigo.
— Onde ele está? – Nofre estava ofegante.
—Lá na alcova. – O menino correu até lá sem olhar para trás. Após alguns minutos Anne retorna e senta em um dos bancos ao meu lado. – E então, ele está bem?
— Eu já fiz tudo que estava ao meu alcance. Agora só nos resta ter fé e esperar. – Éramos dominadas por um sentimento de tensão, como se a vida dele fosse nossa responsabilidade. Logo, em seguida, Loren entra no cômodo.
— A comida já está pronta. – Afirmou à loira. – Todos já estão comendo e esperando por vocês.
Após organizarmos os pensamentos, Anne e eu levantamos e fomos até a área da fogueira. Quando chegamos o resto do grupo já estava lá, alguns já até haviam acabado de comer. Colocamos o caldo de peixe nas cumbucas feitas com o coco e começamos a comer. No silêncio da refeição Mike decide novamente discursar.
— Estamos trabalhando muito bem e eu espero que possamos manter o mesmo ritmo. Diante mão eu gostaria de agradecer a todos que estão ajudando... – Era apenas mais um discurso motivacional. — Também gostaria de avisar que ainda não encontramos quaisquer pistas de Kim e Zenaya, mas não vamos perder a esperança de encontrá-los, por isso, eu gostaria de notificar que assim que terminarmos a construção iremos realizar buscas, caso eles não retornem.
— Agora uma pergunta. – Disse Anne levantando os braços.
— Diga.
— Por que ao invés de uma barreira, vocês não constroem uma jangada para sair daqui?
— Você não conhece os monstros marinhos?
— Monstros marinhos?! – Indagou a loira.
— Sim, são algumas criaturas que vivem no mar que se alimentam de pessoas. Nunca viu nenhum deles?
— Na verdade não. Eu vim da área gelada e lá não entrávamos na água.
— Bom, eu acho que boa parte de vocês já terminaram a refeição, por isso, mãos a obra. – Finalizou Mike.
A maioria das pessoas levantaram, restando apenas eu e Anne. Terminamos de comer e retornamos juntas ao grupo. Eles terminavam de finalizar com as cordas e cipós para por fim começarmos a encaixar as peças finais. Ao terminar com os laçados. Finalmente começamos a carregar as madeiras para a água. Separamo-nos em grupos e começamos a arrastar uma a uma. As madeiras eram mais pesadas do que esperávamos e transportá-las, com isso, inicialmente tivemos um verdadeiro desafio.
Em seguida, começamos a cavar alguns buracos na beira da água, para fincar as madeiras. E conforme o tempo passava a construção estava ficando cada vez mais cansativa, porém o apelo ao grupo nos motivava a prosseguir. Sendo assim, pouco a pouco a barreira já começava a ganhar vida. — Era inacreditável pensar naquilo antes de ser construído. — Precisávamos construir uma geometria côncava para o muro, porém gradativamente o tempo foi passando, o pôr do sol cada vez mais se aproximando e as forças esgotando fizeram com que decidimos deixar os restos para o dia seguinte.
Encharcados e exaustos, voltamos a cabana dessa vez para o jantar. Loren já havia preparado a refeição e nos esperava em frente a fogueira. Sentamos em volta do fogo e aquela refeição parecia à melhor que já havia comido desde que havia chego a Alfalumia. Saboreava cada mastigação como se fosse a última. Quando terminei a refeição eu caminhei até a beira da água para lavar o rosto coberto de suor e sujeira. Esfreguei minhas mãos molhadas sobre o rosto e quando terminei de lavar-lo e olhei para trás lá estava Ralf de prontidão atrás de mim me observando. Inicialmente levei um susto antes de reconhecê-lo.
— O que está fazendo aqui? Você costuma a ficar andando atrás das pessoas? – Perguntei ainda com o coração acelerado.
— Desculpa, mas eu preciso da sua ajuda. Você disse que estaria a disposição mais cedo. – A voz de Ralf soou num tom suave como nunca houvera escutado antes.
— Reconhecer que precisa de ajuda. Isso já é um bom começo. Mas afinal, o que você precisa? – Perguntei curiosa.
— Preciso que me ajude a terminar a construção.
— O quê?! Você ficou louco. Trabalhamos nessa construção o dia inteiro. Eu estou exausta.
— Não, eu não quero que você se esforce tanto assim. Eu juro que não vou exigir muito de você. Faltam apenas três blocos para finalizar tudo. Vamos, por favor, eu só te peço isso.
— Mas porque a pressa em terminar tudo isso? Aliás, essas últimas peças são as peças da concavidade. Você terá que mergulhar para cavar o buraco no fundo do mar. E caso você não saiba, você corre o risco de ser comido por um daqueles bichos.
— Eu não consigo parar de pensar nesse projeto pronto. Eu já estou angustiado. Esse projeto foi planejado enquanto eu ainda era o verdadeiro Ralf. Eu lhe imploro, eu não me importo com os riscos. Querendo ou não alguém vai ter que mergulhar uma hora... – Ele me olhava como um cão sem dono esperando a minha aprovação. – Por favor, vai. Trabalhar nisso vai me fazer sentir melhor.
— Resgatar o antigo Ralf?! Eu confesso que eu gostaria de conhecê-lo. – Esbocei um sorriso. – Tudo bem, eu lhe ajudo. O que eu tenho que fazer?
—Eu te digo quando todos forem dormir. Se formos fazer isso agora seremos impedidos pelos outros.
— Tudo bem, como quiser. – Eu terminei lavando as mãos e voltando para a cabana.
Subi até a alcova e deitei em uma das redes. Olhei para Will na rede ao lado e lembrava que aquele dia já seria o quarto. – Já se passaram mais de três dias e o Will não houvera acordado. O que havia acontecido com as sementes. Ninguém passou dos três dias e Will já estava completando o seu quarto. Será que as sementes não funcionaram? Ele não pode ter morrido. – Depois de tantos pensamentos negativos e intrigantes tentei focar meus pensamentos em outra coisa, mas só conseguia pensar no fato dessa loucura em ajudar o Ralf. – Por que ele mudaria assim de repente?
Meus pensamentos se transcorreram numa linha de pensamento tão longa que o tempo passou rapidamente. – Já estava na hora de descer. – Desci até o primeiro piso em completo silêncio e todos já haviam ido dormir. Fui até o lado de fora da cabana e lá estava Ralf me esperando.
— Achei que não fosse vir. – Sussurrou Ralf.
— E eu não pareço de confiança?
— Não é isso, mas achei que ao pensar melhor, você iria desistir de me ajudar.
— Na verdade, eu tenho de confessar que isso passou pela minha cabeça também. – Trocamos alguns risos. – Mas, então, o que devo fazer?
— Bom, eu estou terminando de amarrar as cordas aqui para ser mais fácil puxar o muro. Então, eu quero que primeiro de tudo, vá buscar uma tocha e leve-a até a ponta da última construção, por favor.
Quando ele terminou de falar, eu fui até onde ficavam as madeiras para acender a fogueira e peguei uma delas, acendi ao resto de fogo que restara da fogueira e criei uma tocha. Junto a isso, pegue um dos suportes que ficavam na entrada da cabana e os levei até a beira da construção e lá instalei uma tocha. Voltei correndo até onde Ralf estava para a próxima função.
— E agora, qual é a próxima loucura?
— Pronto eu já terminei de amarrar os muros. Agora eu quero que seja meus olhos. Eu irei levar este bloco por cima dos outros e para isso eu quero que você me oriente para carregar cada bloco, entendeu? – Eu assenti e juntos começamos o trabalho.
Impossibilitado de enxergar a margem total do carregamento, eu o guiava andando atrás do bloco. Enquanto, ele puxava o bloco eu configurava a sua direção para que ele não caísse dentro da água. Era um trabalho em equipe que exigia a atenção e precisão total de ambos. Quando ele chegou perto o suficiente da borda. Ele pulou no mar.
— O que está fazendo? Ficou louco? –Perguntei desesperada.
— Cale a boca, faça silêncio ou você irá acordar os outros. – Disse o moreno colocando o dedo próximo à boca. — Não se preocupe comigo agora é só você empurrar o resto da madeira na água que eu me viro.
— Você disse que eu não precisaria me esforçar.
— Eu posso ter me enganado um pouquinho. Anda logo! – Antes de fazer qualquer coisa, respirei fundo e impulsionei o máximo de força que eu conseguia. Aquilo era realmente pesado. Contudo, a peça de madeira aos poucos foi se deslocando da borda e caindo dentro da água. – Agora fique tranquila, eu vou mergulhar para cavar o buraco enquanto você tenta colocar a tocha o mais perto da água para que eu possa enxergar, combinado?
— Está bem.
Assim que ele terminou de explicar eu peguei a tocha e me agachei próximo a água. Ralf mergulhou e em alguns intervalos de quinze a vinte segundos ele voltava para tomar fôlego. Ele repetiu esse movimento várias vezes até conseguir enterrar totalmente a madeira. Contente por conseguir fazer tal feito ele saiu da água e fomos deslocar mais uma peça de madeira. Fizemos os mesmos procedimentos e mais uma vez havíamos conseguido. A emoção de estar simplesmente ali auxiliando já me trouxera uma espécie de ansiedade contagiante.
Entretanto, antes de pegarmos a ultima peça para finalizar a construção. Fomos até a estufa e bebemos alguns goles de água. Paramos por alguns minutos para descansar, sentamos na areia, e parecia que a noite só estava começando. Por algumas horas, era como se Alfalumia e todos os seus problemas não existiam.
— Obrigado. – Disse o moreno depois de um período de silêncio.
— Não foi nada, Confesso que eu até estou gostando de fazer tudo isso aqui.
— Não é isso. Na verdade eu estou agradecendo por me lembrar quem eu sou e como eu vim parar aqui. – Revelou o moreno em um tom sério sem tirar os olhos do mar. – Você apareceu em uma hora onde até mesmo meus antigos companheiros estavam contra mim e mesmo assim você me ajudou, mas alguma coisa ainda não encaixa, eu ainda não entendo o por quê?
— Todo mundo tem chance de errar e concertar os seus erros. Aprender a perdoar é uma dádiva de poucos. Eu ainda acredito que as pessoas possam mudar e para você ainda dá tempo. Esse lugar mexeu muito com todos nós e merecemos recomeçar. — Depois disso, a conversa permaneceu em completo silêncio reflexivo. Logo, levantei e apontei a minha mão para Ralf. – Vamos levante, vamos terminar isso logo de uma vez. O moreno segurou a minha mão e levantou, por fim, juntos fomos carregando o último pedaço de bloco da barreira.
Quando chegamos a beira da barreira Ralf novamente pulou na água e mais uma vez eu tive de empurrar o bloco. Porém dessa vez, o bloco caiu na água e levou junto a ele a tocha que iluminava o local.
— Droga! – Exclamei em voz alta.
— Não se preocupe, não tem problema. Vou cavar os últimos espaços e estaremos livres. – Ele mergulhou e após quinze segundos retornou. – Está difícil de enxergar, mas eu consigo. – Afirmou Ralf.
Sendo assim, novamente ele se preparou para mais um mergulho. Gradativamente suas retomadas de fôlego estavam diminuindo de tempo. Ele subia cada vez mais rápido por não enxergar. Eu insisti para que eu pegasse mais uma tocha, mas ele ainda sim se recusou. O ciclo de subir e descer já estavam ficando quase que angustiante, quando de repente Ralf ficou um bom tempo sem voltar à superfície.
Esperei alguns segundos padrões na esperança de que ele voltasse, porém ele já estava demorando mais tempo do que o normal. Lentamente eu era tomada pelo pânico de não estar fazendo nada para resolver. Foi, então, que eu decidi mergulhar para encontrá-lo. Conforme, meu corpo ia afundando dentro da água eu conseguira ver Ralf subindo desesperadamente para tomar fôlego. Com isso, fui tomada por uma gigantesca sensação de alívio. Por fim, subi nadando junto com ele para a superfície e lá ele começou a respirar ofegante.
— O que foi que aconteceu lá em baixo? Por que demorou tanto a subir? – Gritei completamente irritada pelo susto levado.
— Conseguimos! Conseguimos! – No meio de tanta felicidade e sorriso ele puxou-me para perto dele e me beijou. Nossos lábios em contato um com o outro provocavam um sentimento intenso e desconhecido e, por alguns segundos, ainda surpresa eu fiquei estática sem reação, até que ele me afastou. – Meu Deus, o que eu fiz?! Me desculpe, eu não queria... – Por um momento nossas bochechas coraram e éramos como dois estranhos atrapalhados.
— Er... Eu... Entendo que você não fez por mal, foi na hora da emoção.
— Por favor, me perdoa. Eu não queria que se sentisse constrangida. – Ele tentava apaziguar as coisas. Porém antes mesmo que eu pudesse responder qualquer coisa. Um grito da faixa de areia nos interrompeu.
— Eu acho que chegamos na hora errada. Podemos voltar mais tarde se quiserem. – Era Zenaya que gritava e ao lado dela estava Kim.
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