The New Continent

13 Capítulo 12 – Aprendendo com a dor.


Notas iniciais
Eai pessoa como vão ustedes? Bien? Esta aí mais um capítulo fresquinho dos deuses. Perdoem-me qualquer atraso e a partir de agora fiquem ligados nos feriados. Onde terão mais possibilidades de haver capítulos novos. Enfim, boa leitura.

Will

07 Fevereiro, 2200, 18:12.

Atrelado a problemas internos do eu, o clima de tensão de certa forma canalizava a dor estatelada pela contração do desespero. As lanças afiadas apontadas para nós permitiam reinar um cenário de guerra a espera de seu ápice, no entanto o soldado ferido apenas almejava a bandeira branca.

Os dois garotos que pareciam guardiões. Ambos possuíam a pele morena com os cabelos crespos e escuros; olhos da mesma; narizes chatos e estaturas altas, mas com silhuetas diferentes. Ficaram ali parados por um instante sérios, eles sussurravam entre si algo incompreensível em outro tipo de linguagem, seus semblantes eram indecifráveis e por fim pressuponho ser alguma espécie de nativos. Transtornado pelo pânico Cory os interrompeu:

— Podem resolver isso logo, por favor, não temos a vida toda. — desdenhou.

— Cale-se intruso, acho melhor ficar de boca fechada. Vejo que não tem poder algum aqui. – Disse um dos garotos mais delgado.

— Já tomamos uma decisão – Retrucou o segundo mais rechonchudo e invocado. – Se quiserem nossa ajuda. Fiquem com as mãos para cima. Teremos de levá-los como prisioneiros.

— Tudo bem, nós aceitamos – Cory levantou as mãos sem questionar e colocou as minhas sobre a ferida para estancá-la. Ele foi amarrado por cipós grossos e vendado. – Ei você não falou nada sobre uma venda.

— Fique quieto e pare de reclamar, continue a seguir as nossas ordens e vocês vão ficar bem. – Me vendaram assim como Cory e recostaram-me perto a uma árvore. – Então. Acha que Ralf vai aceitá-los?

—Não sei, mas logo vamos descobrir. – Disse um dos garotos, puxando-me para perto dele e me ajudando a caminhar.

Afinal quem é Ralf? Fiquei matutando sobre este nome por todo o caminho. Será que eles eram um grupo de canibais? Assassinos? Ou somos parte de algum ritual? As piores possibilidades furtivas passavam pela minha mente mexendo com o meu consciente, contudo, isto fez com que me desconcentrasse da dor estonteante.

Andamos alguns metros até pararmos, em algum local infestado por um mau odor de carniça. O meu acompanhante me largou recostado agora em uma rocha e só podia-se ouvir um baixo som de folhas sendo remexidas de um lado para o outro. Isso levou alguns minutos até voltarmos a seguir caminho.

Entrava-me em algum lugar fechado. A luz do sol não mais penetrava minha pele; um som ecoava no local com as reclamações de Cory. Houvera poças d’água espalhadas por todo o chão. Uma Gruta. Tinha quase certeza de que estávamos passando por uma. Não demorou muito para que voltasse a sentir o sol que batia com maior frequência, provavelmente em uma área em que havia poucas árvores; a sonoridade mudou com a presença até mesmo de algumas vozes ao fundo.

Cambaleamos apenas alguns passos até que eu e Cory fossemos colocados lado a lado. As faixas em nossos rostos foram retiradas dando lugar a uma pequena aldeia, formada de três cabanas rudimentares; algumas engenhocas espalhadas e uma série de peculiaridades que remetia os cenários da idade média. Um pequeno grupo de pessoas se reunião ao redor com olhares curiosos. Era uma mistura de emoções.

Uma dor muito forte fisgou minha perna. Já houvera perdido muito sangue. As pálpebras começaram a cair deixando a visão turva seguida de uma leve pressão na cabeça. O resto do corpo começou a fraquejar e caí no chão. Escutava distante Cory chamar pelo meu nome e me sacolejar. Será que a morte é assim mesmo? Vejo um homem forte caminhar em nossa direção se destacando no meio do reboliço, mas tudo parecia muito confuso até eu não estar mais ali.

...

Estonteante buraco sem fim era sugado pelos seus vertentes infinitos. Engolido por um breu de angustia e melancolia. Fiquei contido naquele ciclo vicioso até perfurar o mar e me afundar em sua imensidão profunda. Dominado pela insensatez do mal que me sufocava. Estou me afogando e não tenho controle de mim, será que estou morrendo pela segunda vez, quanto mais eu tento reagir sou pressionado a ir ao fundo que começa a iluminar-se num flash tão claro que me cegou.

Abro os olhos e começo a tossir toda a água que insistia em engolir. Uma mulher que me afogava com um copo d’água, deu um pulo para traz num susto, mas logo seu semblante foi tomado por alivio.

— Graças a Deus ele acordou – Suspirou uma garota de longos cabelos negros; pele clara e olhos puxados, remetendo as feições orientais. – Querido, você está bem?

Levei um pouco de tempo para recobrar completamente os sentidos. Estou em uma pequena maloca feita de palha e madeira com uma pequena abertura de onde pendia cortinas; deitado sobre uma cama improvisada de feno coberta por remendo de tecidos; uma mesa bagunçada repleta de pequenos utensílios e logo acima há uma placa de metal envelhecida e enferrujada escrito Alfalumia. Seja lá onde estou ainda não houvera saído daquele inferno.

— Onde estou? — perguntei inquieto.

— Fique calmo, não estou aqui para te matar. Você ainda está aqui em nossa comunidade. Onde você desmaiou lembra? – Explicava-se com clareza – Perdoe-me com o incidente com o copo, pediram para que eu desse uma olhada em seu ferimento, você estava perdendo muito sangue e então começou a ter febre e perder muita água. Enfim você está bem?

— Sim, eu lembro. – Disse tomando ciência do assunto. – Espera... Onde está o Cory?

— Ah, o seu amigo está bem não se preocupe, ele deve está lá fora, quer que o chame?

— Sim, por favor, aliás, muito obrigado. – Falei meio sem jeito.

— Não foi nada, qualquer coisa é só chamar, Will. Meu nome é Zenaya. – Sorriu.

— Ei, como sabe meu nome? – Indaguei.

— No primeiro dia seu amigo não parava de gritar por ele. – Ela disse sorrindo e se despedindo do cômodo.

Assim que Zenaya saiu, voltei-me para observar o teto e pensar sobre tudo aquilo. Acomodei-me na cama e percebi que estou com outra roupa nova, limpa e cheirosa. Não sei como, mas de alguma forma pela primeira vez eu estava me acostumando a viver neste lugar com uma rotina maluca. Cory entrou silenciosamente com um sorriso estampado no rosto:

Eai. Como vai o grande valentão Will Hendson? – disse sarcasticamente. – Tenho de agradecer a vossa excelência por me salvar lá no lago. – Ele se curvou como um servo real.

Estou bem querido bobo da corte, agora pare com essas bobagens que hoje eu não estou com muita paciência. – Retruquei a uma voz engraçada. Começamos a gargalhar até o fim do momento de descontração. – Bom... alguma novidade?

Pela primeira vez eu tenho esperança de sair daqui. Com a quantidade de pessoas que temos. Podemos ser forte o bastante para criar alguma espécie de rebelião para fugirmos desse lugar. As pessoas são ótimas e todas elas parecem dispostas a ajudar. Quer novidade melhor do que esta. –Disse Cory animado sem pausas para respirar. – Esses dias eu estive conversando com o Ralf e ele parece ser um cara de confiança...

— Espera aí, esses dias? Por quanto tempo eu estou aqui? – Perguntei confuso.

— Ah, já faz uns dois a três dias desde que chegamos.

— Nossa! Eu perdi muita coisa mesmo. E afinal quem é este Ralf?

— Ele é uma espécie de líder deles. Ele toma a decisão por todos do grupo. Esse dias eu estive pensando o este local aqui e bem legal, mas o que você acha de levarmos eles conosco para morarmos todos juntos. Temos espaço para todos e seriamos um grupo mais forte. O que você acha?

— Você não está sendo um pouco precipitado? Você me ensinou a não confiar nas pessoas tão facilmente assim. Esse seu fervor por sair daqui pode está subindo a sua cabeça.

— Eles são diferentes, fizeram muito por nós e eu já os estudei, não sou tão bobo assim. – São um povo de bem, confie em mim. Eu sei bem diferenciar as coisas antes de tomar uma decisão. Esse plano vai dar certo.

— Tudo bem, faça o que for necessário saiba que eu estou do seu lado. – sorri transmitindo lhe seriedade.

— Muito obrigado Will, eu acho que eu já vou indo e vou te deixar descansar. Vou com o Ralf caçar alguma coisa para o jantar devemos isto a eles.

— Antes de ir me responda uma coisa. Essas roupas de onde vieram e quem...

— Sim, fui eu quem te vesti. Ninguém te viu pelado não precisar ficar com vergonha essa coisa não é nem tão grande assim, vai por mim. – O moreno saiu do cômodo rindo me deixando com uma cara de tomate.

Sentia-me um inútil naquele momento, além de não poder fazer nada eu ainda era um peso para aquele lugar. Comecei a pensar em Loren, minha avós, meus pais. O que todos estariam fazendo naquele instante, será que sentiam minha falta assim como estou sentindo as deles. O barulho no ambiente exterior me deixava irritado por não conseguir dormir ou simplesmente relaxar.

Passei algumas horas rodando sobre a cama até uma mulher loira com cabelos cacheados e olhos esverdeados entrar no que podíamos dizer de ala médica e me cumprimentar.

— Oi, você deve ser o Will. Bom, eu sou Quaila. Fui eu quem fez a sua operação improvisada, vim ver como o meu paciente está.

— Eu estou bem, mas eu achei que a Zenaya...

— Ah sim, Zenaya é minha auxiliar e ela me ajudou de certa forma a cuidar de você. Foi um corte bem feio, mas você parece bem.

— Sim eu estou. Só estou com uma dor nas costas, mas acho que é por causa do tempo deitado.

— Porque não disse isto antes. Eu vou aplicar um relaxante muscular em você tudo bem? Ele pode te dar um pouco de sono, mas garanto acordar melhor. – Ela sorriu e eu assenti com a cabeça.

Quaila pegou uma seringa, contendo um líquido transparente e levemente aplicou as minhas veias, mas afinal onde ela conseguiu aquela seringa, queria perguntar, entretanto não queria dar uma de enxerido.

— Pronto, agora é só descansar. Vou te deixar sozinho, qualquer coisa não se incomode de gritar. Só evite levantar ainda. – Ela se despediu e saiu do meu campo de visão.

Passou mais algumas horas e então o medicamento começou a fazer efeito, o sono vinha acariciar meu corpo e acalmar minha mente. O som do lugar lá fora não se escutava mais barulho algum, nem mesmo a natureza quis se pronunciar. Tudo está um silêncio que me proporcionou um sono imediato.

De repente a temperatura começou a subir, e o ar deu lugar a uma fumaça negra e consistente. Debatia meu corpo e ao abrir os olhos vi toda aquela cabana médica pegar fogo. As chamas já haviam se alastrado e devorado quase todos os móveis. Não conseguia levantar, me belisquei na esperança de novamente um sonho. Infelizmente tudo aquilo era real. Gritava por socorro, mas ninguém me escutava. O telhado estava prestes a desmoronar e tudo ali entrar em estado de ruínas e só restarem cinzas. Acho que desta vez a morte não veio para brincar.

Notas finais
Então Gostaram? Sim? Não? Críticas? Reclamações? Expectativas? Enfim comentem e pfv recomendem ao maior número de amigos que você poder e faça uma pessoa feliz. Bjs, um abraço e até o próximo.