The New Continent
9 Capitulo 8 – Novos Horizontes.
Notas iniciais
Will
05 Fevereiro, 2200, 08:35.
Em meio a um turbilhão de sensações, marcado por devaneios de meus pensamentos inóspito, acordara mais uma vez de um sonho conturbado que se materializava tão real como peças de um quebra-cabeça a ser montado. Um forte aperto no peito seguido de lágrimas grossas que cobria por completo as bochechas avermelhadas, tomado por um sentimento de angustia e saudade, algo consumia o meu interior com se o destino já houvesse marcado todo o seu cronograma para uma viagem de desalento.
Comprimia-se contra o meu corpo numa tentativa de falha de amenizar a dor, era algo mais forte do que no dia anterior, onde houvera levado vários murros na face. Levantei cambaleando até o mar, em forma de cúpula, levava as mãos até o rosto. Olhava-me no reflexo das aguas cristalinas e me perdia no meu próprio eu, esta foi à primeira vez em que tive vontade de me suicidar.
Depois da cena melancólica retornei a olhar para a faixa de areia e lá estava Loren, com um sorriso tímido nos lábios, um olhar esperançoso com seus cabelos loiros esvoaçantes, foi nítida a sua mudança de expressão após me ver, deveria estar com olhos inchados e com um semblante abatido, ela correu em minha direção e me abraçou fortemente, me perdi em seus braços, estava em uma zona de conforto e não queria mais sair dela para sempre.
Bastaram segundos para que estivéssemos novamente nos afogando em lagrimas, escutava murmúrios contido em soluços de sua voz meiga me dizendo que tudo ficaria bem. Com dificuldade distanciamo-nos um do outro gerando uma carência incondicional. Fitava ao redor e via Cory nos observando com seriedade, peguei pela mão esquerda de Loren e nos direcionamos até ele, lá pedi mais uma vez com um gesto para um abraço em grupo que foi aceito e nos fortaleceu para o resto do dia.
— Então... – Loren introduziu a conversa pondo as tarefas do dia em ordem – Esta tudo pronto é hora de partir Will.
— Mas, Mas... como assim, vocês já organizaram tudo? – Indaguei pondo-me em sintonia com os outros dois.
— Sim, eu e Cory acordamos cedo esta manha e começamos a organizar tudo. Foi bom, porque conversamos sobre o lugar, aonde vamos e parece ser algo bem interessante – Disse Loren de maneira apressada sem pausa para respiração. — Desculpe não queríamos te acordar, depois de tudo que aconteceu ontem, sobre o tigre, não queríamos incomodá-lo, Cory me contou, teria algum problema?
— Não, Não tudo bem, sem problemas – Estava com o raciocínio ainda lento, querendo deixar de lado a conversa e partir para a ação. Mesmo assim estranhei o fato dele não ter mencionado o terceiro rapaz do lago. – Já que vocês estão prontos, eu também estou, o que estamos esperando, vamos?
— Vamos – Disse a menina em entonação de entusiasmada.
Cory já havia se distanciado um pouco antes de Loren começar a falar pondo a mochila nas costas e algumas trouxas de pano nas mãos, que não faço a menor ideia de como o obtivera. A loira e eu repetimos as mesmas ações dele nos aprontando para a jornada.
Antes de partir nos reunimos, e Cory nos mostrou todo o mapa a ser percorrido pelo seu relógio propulsor comitantemente nos ensinou todas as funções programadas, sincronizamos nossos relógios e assim não nos perderíamos um dos outros. O que me chamou atenção e que meu relógio havia uma mensagem, cautelosamente a abri sem que eles percebessem e nela continha unicamente à palavra “cuidado” em letras maiúsculas, fiquei um pouco transtornado e apreensivo e comecei a criar desconfiança dos meus companheiros e uma serie de duvidas começou a invadir o cérebro , afinal como Cory soubera de tantas informações? Será que toda a sensação ao acordar seria no caso um pressentimento de algo ruim prestes a acontecer? No momento não tinha certeza de nada, mesmo assim ficaria atento.
Toda a viagem foi novamente posta em pratica e assim seguimos caminho. Adentramos a selva indo em sequencia de fila, começando por Cory na frente tomando o caminho, seguido de Loren e eu atrás observava cada passo dado pelos dois. O cenário na maioria era de típicas árvores tropicais com suas folhas verde escuro e galhos retorcidos mesclado a outras vegetações que não se assemelhavam da principal mais que juntas criara um visual exótico, o solo era firme repleto de pedregulhos, porem as plantas rasteiras como um tapete, dificultava a visão para o andar.
Demos uma pausa de uns dez minutos para descansarmos, não podíamos fazer grande esforço por causa da escassez de alimentos. Peguei minha garrafa d’agua a racionamos o único liquido entre os três em pequenos goles. Antes de seguir, o moreno disse que nos levaria antes a mais um lugar próximo dali para um bônus, entretanto isso cada vez mais borbulhara minha mente.
Não demorou quinze minutos para que chegássemos ao local de três rochas imensas sendo duas delas fixas e uma móvel, Cory pediu para que eu o ajudasse a empurrar a enorme pedra, com um pouco de esforço ela saiu do estado de repouso rolando para o lado oposto, dando lugar a um buraco secreto entre as outras rochas. O que mais me surpreendeu era o que havia lá, o grande caixote de suprimentos, um exorbitante sentimento de raiva se construiu dentro de mim até explodir.
— Então, foi você seu ladrãozinho, que me roubou, desgraçado. – Parti inconscientemente com punho fechado em direção ao seu rosto, porem Loren entrou na frente levando um murro em seu rosto inocentemente, caindo no chão.
— Viu o que você fez idiota. – Disse o moreno auxiliando Loren a levantar. – Eu não roubei nada, a caixa estava largada e não fazia a menor ideia de que pertencesse a você.
— Não acredito em você, afinal foi você que andou me seguindo ontem e sempre banca uma de herói misterioso nas horas exatas. – Disse alterado e ríspido. – Conta a verdade logo, quem é você?
— Não confia em mim, então porque aceitou vir? Hein- Disse o gritando – Você não passa de um ingrato, mimado.
— Por favor, parem vocês dois –Gritou Loren exaltada – O que houve entre vocês, ontem vocês estavam felizes juntos e uma caixa besta vai mudar tudo e estragar o dia, tentem se acalmar.
Alguns poucos minutos se passaram e ambos permaneciam em silencio, mas depois de um longo período de reflexão, Loren estava certa não valia a pena discutir, estou com as emoções muito sensíveis que me deixaram fora de si, Cory examinava ferimentos em Loren enquanto eu me acalmava, tratei logo de me desculpar com os dois, antes que as coisas ficassem piores.
— Até que enfim você tomou uma atitude sensata – Desdenhou o Cory.
— Por Favor, não começa. – Disse Loren apaziguando a situação.
— Tudo bem, então vamos.
Antes de irmos, reunimos roupas, mantimentos e utensílios da caixa entre as mochilas e as trouxas e continuamos a andar, passamos o resto do dia mudo e paramos poucos minutos durante o percurso para renovar as energias. Era quase perto do anoitecer quando Cory quebrou o silêncio nos avisando que faltava pouco para que chegássemos. Andamos por mais cinco minutos e chegamos a beira de outra praia a leste do continente. O que mais chamara atenção era uma enorme cabana, muito bem construída de dois andares, iluminada por tochas de fogo ao redor, feitas de bambo, era notável tal precisão para a construção daquela obra. Tão perfeita para amadores, meus pensamentos foram interrompidos por um grito agudo.
— Gente, gente eles chegaram — Os berros vinham de uma voz feminina que logo se apresentou correndo em direção a nós. Era uma garota de pele intensamente clara, olhos acinzentados e cabelos pretos curto, era estranhos, porque de alguma forma ela me parecia familiar.
— Gente, conheçam minha irmã Berry, e sejam bem vindo ao meu lar, fiquem a vontade – Disse o moreno direcionando-nos a grande tenda.
Tudo aquilo era novidade demais, e minha ansiedade questionava o meu futuro.
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