The New Caribbean - New Pirates on Seven Seas
1 Prólogo: Os Mortos Não Contam Histórias
Notas iniciais
Espero que gostem e boa leitura!
Pelos mares, um majestoso navio negro de velas vermelhas como sangue navegava imponentemente em meio a uma densa névoa que se dissipava com o decorrer dos segundos.
Na Cabine destinada ao capitão, havia duas pessoas. Ambas de aparentemente vinte e um anos ou até mais novas. Uma tinha longos cabelos loiro-esbranquiçados trançados e caídos por cima do ombro, pele branca e olhos azul-gelo. Vestia botas pretas, calças de couro pretas, blusa de botões azul-clara e sobretudo preto por cima. A outra tinha o rosto exatamente igual ao da loira, mas tinha cabelos castanho-escuros que caiam lisos. Basicamente, a roupa era a mesma, mas a blusa era vermelha e tinha as mangas dobradas até os cotovelos, uma vez que o sobretudo preto estava estendido numa cadeira próxima à ela.
— Eu não vou. – A loira declarou, cruzando os braços e franzindo o cenho.
— É a nossa irmã. – A morena massageou as têmporas com a ponta dos dedos, como se estivesse repetindo algo pela milésima vez.
— Eu não a vejo desde os meus oito anos. – A loira rebateu, evitando olhar para a outra. – Nem me lembro do rosto dela. Por que eu iria?
— Porque é aniversário dela? – A morena arqueou uma sobrancelha, falando como se fosse completamente óbvio.
— Eu não me importo. – A loira se levantou da cadeira a qual estava sentada e começou a andar de um lado para o outro pela cabine. – Nós duas sumimos já faz anos e eles devem pensar que estamos mortas. Deixemos que continue assim.
— Se você acha melhor... – A morena ergueu as mãos em sinal de rendição, indicando que não iria mais discutir.
O silêncio se instalou ali e nenhuma das duas parecia realmente inclinada a quebrá-lo. O único barulho vinha das ondas que batiam no casco do navio do lado de fora.
De repente, a porta da cabine foi aberta e um loiro de olhos castanhos entrou, parecendo preocupado.
— O que você quer, Kristoff? – A loira arqueou uma sobrancelha, olhando surpresa para o rapaz.
— Imagino que tenham ouvido, mas o navio foi atacado. – O loiro, Kristoff, declarou, trazendo em sua voz um misto de surpresa e preocupação. – Obviamente já cuidamos de tudo e não quisemos incomodá-las.
As duas assentiram. Realmente haviam ouvido um barulho suspeito vindo do convés, mas não se preocuparam e subir para ver do que se tratava.
— Algum ferido? – A morena questionou, cruzando os braços.
— Aladdin e Vanellope se feriram, mas não é nada grave. – Kristoff respondeu prontamente. – Felix e Victor já estão cuidando deles, então não é preciso que se preocupem.
— Excelente. – As duas disseram juntas, ambas mantendo a expressão impassivelmente calma no rosto.
— Mais alguma coisa? – A loira perguntou, embora não mais olhasse diretamente para o loiro que estava parado à porta.
— Temos um prisioneiro. – Kristoff respondeu, trazendo em seu rosto um semi sorriso satisfeito. – A tripulação fugiu com o navio ao notar que este é o Vingança dos Sete Mares. Apenas o capitão ficou.
— Traga-o aqui. – A morena ordenou com um olhar vagamente interessado.
O loiro concordou com um gesto da cabeça e se retirou, deixando a porta aberta. Voltou apenas alguns minutos depois, acompanhado de uma garota de cabelos e olhos castanhos, ambos trazendo um homem já de certa idade, de cabelos cinzentos e barba de mesma cor. Suas roupas alegavam que ele pertencia à marinha real de algum país. Os dois amarraram o capitão do navio inimigo na cadeira que havia ali.
— Ótimo. – A loira deu um sorriso sádico. – Kristoff, Margo, podem se retirar.
Ambos concordaram com um gesto da cabeça e se retiraram rapidamente, fechando a porta ao sair. O velho capitão estava desperto, mas na escuridão do local, não conseguia ver o rosto de nenhuma das duas figuras que estavam ali com ele.
— Seu nome. – A morena ordenou, sorrindo ao ver o desespero do homem ao notar que estava de frente para as capitãs do navio mais temido dos sete mares.
— Sou o Capitão Jones do Intrépido. – O homem respondeu prontamente, não querendo provocar a fúria das duas que o observavam com atenção, ainda mais não sabendo do que elas eram capazes. – Marinha Real da Inglaterra.
— O que faz aqui tão longe do porto? – Foi a vez de a loira perguntar, parecendo se divertir com o medo irracional que o homem tinha dela.
— Fomos mandados à procura do Pérola Negra. – Ele respondeu, tremendo em seu lugar, movendo-se apenas o máximo que as cordas que o prendiam permitiam.
— Sabe que navio é este? – A morena arqueou uma sobrancelha, divertindo-se.
— Vingança dos Sete Mares. – O Capitão Jones respondeu, sua voz falhando ao dizer o nome do navio. – Não há um marinheiro que não o conheça desde seu surgimento três anos atrás.
— Exatamente. – A morena concordou, olhando de soslaio para a loira, que parecia estar se segurando para não rir abertamente. – E é o único navio de velas vermelhas que existe em todo o mar. Por que o atacou?
— Com a névoa que havia em torno dele, não consegui identificá-lo. – O homem confessou, temeroso que as duas não se convencessem com sua resposta.
A loira e a morena se entreolharam, ambas parecendo segurar o riso estrondoso que se formava em suas gargantas.
— Sabe quem somos? – A loira perguntou, realmente aparentando que queria verdadeiramente saber a resposta.
— Ninguém sabe. – O homem respondeu com visível nervosismo. – Ninguém nunca as viu.
A morena riu baixo e saiu da escuridão, sendo acompanhada pela loira. Os olhos do homem de esbugalharam ao olhar para os rostos das duas, que mais se assemelhavam a anjos.
— São crianças. – Ele sussurrou, ao ver que as duas realmente eram muito novas. Não daria mais do que vinte e dois anos para elas, visto que eram gêmeas.
— Crianças não. – A loira fingiu estar incomodada com a palavra, o que, apesar de conseguir vê-las e poder jurar que elas jamais machucariam qualquer pessoa, deixou o homem ainda mais nervoso.
— Ninguém irá acreditar quando eu contar. – Ele murmurou baixinho, ainda parecendo que ele mesmo não acreditava em quem estava vendo.
— Quanto a isso... – A morena se aproximou dele, ficando frente a frente com o capitão e abaixando-se um pouco de modo que pudesse fitá-lo na altura dos olhos, colocando a mão no encosto da cadeira em que o pobre homem estava preso. – Tenho algo a declarar e tenho certeza absoluta que o senhor irá concordar comigo.
— O que é? – O homem engoliu em seco, falando mais uma vez com a voz falha.
— Os mortos não contam histórias. – Ela abriu um sorriso de anjo, que era ao mesmo tempo belo e aterrorizador.
-
No convés do navio, Kristoff assumira o timão, olhando atentamente para o mar à sua frente. O barulho das ondas era o único ruído que havia por ali e aquilo era como um calmante, por mais que se encontrasse em um navio pirata.
Um guincho de dor alto e agudo irrompeu pelo silêncio calmo que havia ali e todos os tripulantes do navio olharam para as portas que levavam às escadas à cabine das capitãs. Porém, do mesmo modo repentino com que surgira, o barulho cessara.
As portas foram abertas e de lá saíram ambas as capitãs do navio, trazendo em seus rostos de anjo, expressões absolutamente calmas.
— Capitãs? – Margo foi a primeira a se dirigir ás duas, que pareceram se distrair olhando o mar à sua frente.
— Sim, Margo? – Foi a morena quem lhe respondeu, olhando-a com um sorriso de canto habitual a todos os que tripulavam aquele navio. As capitãs podiam ser pessoas frias e cruéis com qualquer um, mas a tripulação do Vingança dos Sete Mares as conhecia e sabia como elas realmente eram.
— Algum destino em mente? – Margo perguntou com visível entusiasmo. – Já faz tempo que não nos divertimos.
As duas se entreolharam e sorriram com entusiasmo uma para a outra, parecendo pensar por alguns segundos.
— Sim. – A loira finalmente respondeu, virando-se para Margo. – Mas antes, alguém se habilitaria a arrumar nossa cabine? – Pediu com um sorriso de canto digno de um verdadeiro anjo. – Está meio bagunçado lá.
— Sem problemas. – Um rapaz de cabelos castanhos e olhos verdes se aproximou de Margo e fez uma reverência às capitãs antes de passar por elas, dirigindo-se à cabine.
Desceu às escadas e abriu a segunda porta, que o permitira entrar em seu destino. Não esboçou a surpresa que qualquer outra pessoa certamente o faria ao ver cinzas e estilhaços de gelo espalhados pelo chão. Tampouco sentira pena do pobre homem a qual teve sua vida acabada. Todos sabiam que não se deveria atacar o navio de velas vermelhas. Era como procurar pela morte.
Depois de arrumar a cabine, finalmente subiu novamente ao convés, encontrando as capitãs conversando com alguns dos tripulantes do navio.
— Está feito. – O rapaz declarou assim que ambas olharam para ele.
— Obrigada, Nod. – A loira agradeceu e lançou um belo sorriso ao rapaz, que assentiu.
— E então? – A voz de Kristoff se fez ouvir pelo convés, fazendo com que todos o olhassem enquanto o loiro controlava o timão. – Qual o nosso porto de destino?
— Trace o curso para o reino mais próximo de nós. – A loira pediu, olhando para o timão, onde o loiro se encontrava. – Margo tem razão. Faz muito tempo que não nos divertimos.
— E qual seria o reino, a propósito? – A morena questionou, olhando para Margo, que tinha em suas mãos um mapa.
— Arendelle.
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