Notas iniciais
Não atingi a meta, mas eu quis postar. Último capítulo do dia, sendo de qualquer Fic. Espero que gostem e boa leitura!

Jack estava sozinho no Destemido. O porto não estava sequer muito iluminado e a maior parte da luz vinha do castelo, a qual estava acontecendo um baile em comemoração ao aniversário da Princesa Anna de Arendelle.

Não que agradasse ao albino ficar sozinho, mas o que mais ele poderia fazer? Ir ao baile estava fora de questão e seus amigos, sua mãe e sua irmã estavam lá. Ele não tinha outra opção, além do que, prometera a Andersen que tomaria conta do navio e Jack Frost não mentia. Não muito.

E não era realmente muito difícil. O Destemido estava em perfeitas condições e tudo o que ele precisava fazer era ficar no navio e não deixar que ninguém embarcasse. Todos estavam no castelo, então ele não tinha realmente com que se preocupar.

Jack estava sentado esparramado em uma cadeira no convés, quase adormecendo por causa da calma instalada no porto quando algo lhe chamou a atenção. Algo vermelho, que ele logo percebera serem as velas de um navio que estava atracado ao lado do seu. Como ele não tinha percebido isso antes?!

Não era marinheiro, mas as histórias sobre o navio de velas vermelhas percorriam todo lugar, ultrapassando os mares e aterrorizando qualquer pessoa, por mais que esta jamais tivesse estado em um navio em toda sua vida.

Vingança dos Sete Mares.

Imediatamente, o albino se levantou da cadeira, colocando a mão sobre o cabo da espada que estava embainhada em seu cinto. Olhando de onde ele estava, o navio de velas vermelhas parecia absolutamente vazio, de modo que ele arriscou ir até lá, fazendo o mínimo de barulho possível enquanto andava pelo cais na ponta dos pés.

Realmente o navio estava vazio e sem completamente impecável, tanto que ninguém poderia dizer que era um navio pirata. Jack foi andando, olhando atento para os todos os lados, pronto para duelar com quem quer que aparecesse.

– Olá. – Escutou uma voz feminina bastante agradável vindo de trás de si, o que o fez virar-se abruptamente, percebendo ser uma loira com o cabelo trançado caído por sobre o ombro.

Ela estava encostada ao mastro com os braços cruzados e tinha olhos azul-gelo e vestia calças pretas, botas de couro pretas, uma blusa de botões azul-clara de mangas longas e luvas azuis em um tom mais escuro que a blusa. Resumindo, as roupas femininas típicas de uma pirata. Porém, o sorrisinho de canto e o rosto de anjo tirariam de qualquer um a impressão de que ela poderia fazer mal a alguém.

– Quem é você? – Jack perguntou, mesmo vendo-a, apertou o cabo da espada com mais força, olhando atentamente para ela.

– Onde estão meus modos? – Ela abriu um sorriso de anjo divertido. – Não fomos formalmente apresentados. Capitã Elsa do Vingança dos Sete Mares. – Desencostou-se do mastro e descruzou os braços, também desfazendo o sorriso, deixando apenas uma expressão séria e vazia no rosto de anjo. – Agora... – Fez uma pausa antes de prosseguir. – O que você faz a bordo do meu navio?

Jack foi pego de surpresa pela pergunta. Conhecia o lema dos piratas, ou o que alguns costumavam usar. “Mate primeiro, pergunte depois.”. Lembrou-se que Andersen havia quase rolado no chão de tanto rir enquanto contava ao albino o que um velho capitão de navio pirata havia dito a ele em uma de suas viagens.

– Seu navio está no porto de Arendelle. – Jack respondeu, tentando manter o tom tão duro e impessoal quanto o dela, procurando intimidá-la, mas não obtendo tanto sucesso quanto a loira. – Piratas não são bem-vindos aqui. Saia.

Para sua surpresa, Elsa apenas soltou um riso baixo, que se assemelhava a um coro de anjos. A loira parecia estar achando extremamente engraçada sua tentativa de intimidá-la.

– Sabe, eu não gosto de obedecer. – Elsa finalmente falou assim que conseguiu parar de rir, deixando apenas um sorriso de canto divertido no rosto. – Mas eu gosto de pensar em mim mesma como uma pessoa de honra. – Andou alguns poucos passos pelo convés. – Uma pessoa com um código. – Parou de andar e colocou uma mão na cintura. – Então, se você realmente quer me ver longe daqui... – Abriu um sorriso ainda maior. – Tudo o que tem que fazer é me expulsar. – Desembainhou a própria espada, apontando-a para o albino. – Não sei se você já esteve em um duelo antes. – Deu de ombros, expressando desinteresse. – É bem simples, a espada deve entrar no adversário. – Soltou um riso baixo, divertido.

– Já estive em um duelo. – Jack desembainhou sua espada, apontando-a para a loira à sua frente, mas não parecendo realmente inclinado a lutar com ela.

– Excelente. – Elsa revirou os olhos e bufou, ainda parecendo se divertir. – O que está esperando? – Centrou o olhar na espada do albino.

– Você é uma garota. – Jack respondeu como se fosse óbvio. – Eu não luto com garotas.

Antes que o albino pudesse sequer assimilar a ideia, Elsa desferiu-lhe um golpe que deixou um corte fino em sua bochecha esquerda, manchando a pele branca como a neve com o sangue da cor das velas do navio.

– Parece que eu vou ter que repensar. – Jack se pôs em posição de batalha, bem como ela já estava.

– Será divertido. – Elsa sorriu de canto e os dois começaram a duelar.

O tinir das espadas quando se chocavam era o único som ali além dos passos deles pelo convés. Nenhum dos dois parecia que iria dar o braço a torcer e tampouco um deles tinha a vantagem para si. Enquanto Jack possuía uma força maior que a dela, podendo parar seus golpes sem muita dificuldade, ela era mais rápida, deixando o albino quase sem alcançá-la para bloquear suas investidas contra ele.

– Você é boa. – Jack elogiou, já estando bastante suado e com alguns arranhões nos braços causados por ela nos momentos em que ele não fora rápido o bastante para bloqueá-la.

– Você também não é ruim. – Ela, por outro lado, continuava do mesmo jeito de quando iniciaram a batalha, sem sequer um fio de cabelo fora do lugar.

– O que você quer aqui em Arendelle? – Se ele não conseguiria vencê-la, precisava ao menos conseguir algumas informações que ajudassem o reino.

– Nada em especial. – Elsa deu de ombros com desinteresse, logo desferindo mais um golpe no albino, que bloqueou com sua própria espada.

Reiniciaram o duelo com ainda mais determinação do que antes. Jack não mais era acertado por ela, mas a loira tampouco parecia fazer qualquer esforço em seus golpes. Em o que pode se chamar de golpe de sorte, Jack desarmou Elsa, ficando tanto com a espada da loira quanto com a sua própria, apontando-as para ela, que não pareceu se intimidar.

– Renda-se. – Jack ordenou, andando lentamente em círculos em torno dela, que sequer mudou de posição, estando com os braços cruzados e apoiando o peso em uma perna. Parou novamente em frente a ela.

– Qual é mesmo seu nome? – Ela arqueou uma sobrancelha, trazendo o mesmo sorriso de canto angelical de antes.

– Jack. – Ele respondeu sem hesitar, afinal que mal faria saber seu nome? – Jack Frost.

– Então, senhor Frost... – Elsa descruzou os braços, olhando para o chão com um sorriso divertido. – Não sei com quem o senhor aprender a duelar, mas acho que esta pessoa se esqueceu de lhe passar um detalhe muito importante. – Riu, ainda sem levantar o rosto para fitá-lo.

– Qual? – Jack arqueou uma sobrancelha, tenso, esperando que ela fizesse alguma coisa.

– Quando duelar com alguém, saiba onde está pisando. – Elsa finalmente levantou o rosto para olhá-lo ao mesmo tempo em que pisava com força na tábua em que Jack apoiava um dos pés.

Esta tábua era presa no meio, então quando ela pisou, a parte oposta, onde Jack pisava, subiu, derrubando-o e fazendo-o soltar ambas as espadas, que ela imediatamente pegou.

– Não subestime seu oponente só porque você está armado e ele não. – Elsa sorriu e se encostou ao mastro, abaixando as duas espadas. – Além do que, você deveria notar quando uma pessoa pega leve com você. – Riu baixo, divertindo-se com a expressão indignada que o albino fez.

– Pega leve?! – Jack exclamou indignado.

– Claro. – Elsa deu de ombros com desinteresse. – Além do que, se existisse mesmo que uma ínfima possibilidade de você me derrotar... – Não terminou. Apenas apontou para trás do albino, fazendo-o se virar.

De pé atrás dele e com uma pistola em mãos, estava uma morena com os cabelos soltos e o mesmo rosto de anjo de Elsa, vestindo quase as mesmas roupas que ela, mas a blusa de botões era vermelha e com mangas dobradas até os cotovelos, além de que ela não usava luvas.

– Elsa, você brinca com as palavras como brinca com as pessoas. – A morena riu de leve, transmitindo o mesmo som de couro de anjos que Elsa quando ria. – Poderia ao menos ter me poupado o trabalho de vir até aqui e acabado com este idiota de vez. – Revirou os olhos e bufou, aparentando estar irritada por ter tido que ir até ali.

– Quem é você? – Jack perguntou, embora não mais tivesse sua espada ou qualquer outra arma e por mais que se sentisse vulnerável, estando entre duas piratas.

– Capitã Elena do Vingança dos Sete Mares. – A morena se apresentou do mesmo modo que Elsa havia feito antes.

Os nomes remetiam a Jack as lembranças de Andersen falando mais cedo naquele dia sobre o desaparecimento, encarado como morte, das Princesas de Arendelle, mas ele se livrou da ideia do mesmo modo repentino que a teve. Aquelas duas eram piratas, além do que, as princesas estavam mortas. E não era como se os nomes delas fossem incomuns.

Além de tudo, ele tinha coisas mais importantes com que se preocupar, como estar cercado por duas piratas e sem possibilidade alguma de se defender.

E pensar que seu dia havia começado tão bem.

Notas finais
O que acharam? Deem-me suas opiniões! Depois eu respondo aos comentários deste e do capítulo anterior, tudo bem? É que agora eu estou com pressa.