Notas iniciais
Pessoal, voltei! Espero que gostem e boa leitura! PS.: HOJE TEM OUAT!

Anna agora andava de um lado para o outro no convés do navio. Já fazia alguns minutos que Elsa e Elena haviam saído e a ruiva havia assistido o pequeno bote chegar à praia antes que as duas o abandonassem e partissem em direção às árvores, fazendo com que os piratas tripulantes e a Princesa de Arendelle as perdessem de vista.

A ruiva não conseguia sossegar. Elsa lhe havia prometido que iria voltar, mas uma promessa era algo tão quebradiço quanto vidro. Milhares de possibilidades podiam fazer com que se estilhaçassem em bilhões de cacos que não significavam mais do que um objeto quebrado, uma promessa quebrada.

– Anna, acalme-se. – Kristoff pediu pelo décima vez desde que a mais nova começara sua caminhada frenética pelo convés.

Como aquele loiro esperava que ela ficasse calma se as duas únicas pessoas com as quais mais se importava estavam numa ilha desconhecida? Perguntou-se mentalmente quando foi que Elsa e Elena haviam assumido um posto tão grande em sua vida, mas, por mais que vasculhasse suas memórias, não conseguia encontrar o momento em que elas passaram a ser a irmãs que desde os cinco anos ela não tinha.

– Ruiva, você vai destruir o chão se continuar andando assim. – O loiro tentou animá-la com uma piada não tão boa assim, mas não conseguiu mais do que indiferença vinda dela, uma vez que a Princesa de Arendelle continuava a andar de um lado para o outro à sua frente.

– Há quanto tempo elas são piratas? – Anna de repente soltou a pergunta que poderia definir seu estado de espírito naquele momento.

Kristoff não entendeu de imediato o questionamento, mas assim que assimilou as palavras dela e perguntou-se o motivo do súbito interesse da ruiva sobre as origens das capitãs daquele navio, mas logo tratou de responder:

– Três anos, quatro talvez. – Ele disse meio confuso. – Não sei direito, não é como se tivéssemos uma boa noção de tempo por aqui. – Declarou com um olhar estranho ao ver que a ruiva à sua frente parecera se apavorar ainda mais.

– E você acha que apenas três anos foram suficientes para prepara-las para o que quer que haja lá? – Apontou para a ilha aparentemente deserta, mas, pelo tempo que Elsa e Elena haviam passado discutindo provavelmente sobre aquele pedaço de terra no meio do mar, não podia haver nada de bom ali.

– Três anos foram suficientes para que elas construíssem uma reputação que faz mesmo o mais corajoso capitão de navio da guarda real de qualquer reino tremer de medo. – Kristoff rebateu, orgulhoso que seu argumento parecera deixar Anna sem palavras, embora o medo de perder as duas mais velhas ainda estivesse presente naqueles olhos azul-água. – Anna, escute-me. – Ele pediu e então ela o olhou. – Vai ficar tudo bem. Elas prometeram voltar, não prometeram? – Tentou animá-la. – Faça o seguinte, vá para a cabine delas e as espere lá. Durma um pouco, se preferir. Quando elas chegarem, iremos te chamar. – Propôs com um sorriso.

Nem um pouco mais calma, Anna assentiu com a cabeça e, com um último olhar para a ilha, caminhou até a porta da cabine das capitãs e adentrou ali, fechando a entrada ao passar.

Lá dentro, não pôde deixar de observar os mínimos detalhes, afinal queria conhece-las melhor e se distrair um pouco para evitar enlouquecer de preocupação. As camas, posicionadas lado a lado, estavam impecavelmente arrumadas, deixando claro que eram cuidadosas e organizadas, como Anna avaliara desde que chegara ao navio. Não havia muito ali para se olhar, sem quadros nas paredes de madeira e sem qualquer objeto descuidadamente deixado no chão. Havia apenas um pequeno armário de madeira que a ruiva não se atreveu a abrir e uma mesa com um par de cadeiras, uma de frente para a outra, no lado oposto às camas. Era bastante simples. Elas não pareciam ser do tipo que dava muito valor a coisas materiais.

Porém, um brilho prateado chamou a atenção de Anna para a mesa que havia ali, fazendo com que a ruiva rapidamente fosse até ali, sua curiosidade explodindo para saber o que seria. Eram as duas metades que formavam uma moeda de prata tinha o símbolo em alto relevo de uma caveira com duas espadas também em alto relevo atrás. Também havia algumas palavras escritas em espanhol que Anna identificou como “Pirata desde el nacimiento hasta la muerte” ou “Pirata desde o nascimento até a morte” ao redor da imagem da caveira com as espadas.

“Isto é uma metade de uma das Nove Peças de Oito.”

Foram as palavras que Elsa lhe dissera para se referir à metade que carregava numa corrente em seu pescoço. Então fora daquele pequeno detalhe que sentira falta quando as viu sair da cabine. Aquele mísero detalhe. Mas por que elas iriam deixar algo tão importante, que está sempre com elas, para trás?

“Cada pirata, antes de morrer, deve passar sua peça para alguém e esta nos foi passada, como é a tradição.”

Anna engoliu em seco quando a compreensão brotou em sua mente, fazendo com que todo seu corpo tremesse de medo e seu coração se estilhaçasse em quantos pedaços fosse possível quebrar.

“Cada pirata, antes de morrer, deve passar sua peça para alguém”.

Elas haviam deixado sua peça para ela. Então fora por isso que Elena havia lhe pedido para que ela esperasse na cabine. Para que ela encontrasse a peça, para que ela não se perdesse e seguisse a tradição.

Anna agarrou as duas metades, que ainda estavam presas em correntes prateadas, e saiu correndo da cabine.

– Kristoff! – Gritou desesperada, chamando a atenção de todos os tripulantes, inclusive do próprio loiro, que não tardara em ir até ela, preocupado.

– Anna, o que aconteceu? – Kristoff questionou sem saber exatamente o que dizer, afinal seu nível social era um pouco rudimentar, de modo que ele não sabia exatamente o que fazer, sequer sabia qual era o problema da ruiva.

– Kristoff, temos que ir atrás delas. – A Princesa de Arendelle respondeu em estado de completo desespero e, ao ver que o loiro iria começar a falar um argumento para demovê-la da ideia, ela lhe mostrou as duas correntes com as duas metades da moeda de prata que era uma das Nove Peças de Oito dos Lordes Piratas. – Elas me contaram que os Lordes Piratas devem passar a peça para alguém antes de morrer e, Kristoff, se elas deixaram aqui... – Não conseguia terminar e as lágrimas iam caindo de seus olhos.

– Significa que estavam se preparando para o caso de não conseguirem voltar. – Ele completou quando, de repente, a compreensão se chocou contra ele. Virou-se para os demais tripulantes, que não estavam entendendo nada do que estava acontecendo. – Aladdin, Nod, Calhoun e Ralph, comigo agora! – Ele ordenou repentinamente sério, algo incomum para o sempre brincalhão e bem-humorado loiro. – Elsa e Elena estão em perigo. Os demais fiquem aqui e cuidem do navio. – Disse e, juntamente com aqueles que selecionara, dirigiu-se ao segundo bote que os levaria para a ilha quando Anna segurou seu braço.

– Eu também vou. – Ela disse com convicção.

– Anna, se elas julgam que é perigoso... – Kristoff começou a argumentar, mas foi cortado por ela.

– Será que você não entende que elas não são importantes apenas para vocês? – Ela questionou com uma carranca, apertando o braço do loiro com mais força. – Eu me importo com elas, quero que elas fiquem seguras tanto quanto qualquer um neste navio e se você não me levar com você, encontrarei um jeito de ir sozinha. – Falou decidida.

Kristoff soltou um suspiro cansado e olhou para os outros quatro que levaria consigo, sendo que eles apenas deram de ombros, sem saber o que dizer. Ele então se virou para a Princesa de Arendelle.

– Elas vão me matar. – Foi o que disse, mas o suficiente para a ruiva perceber que tinha a permissão de ir também.

Então, Kristoff, Anna, Ralph, Calhoun, Nod e Aladdin se dirigiram ao bote, indo em direção à ilha, afinal suas capitãs estavam em perigo e precisavam salvá-las antes que fosse muito tarde para algo poder ser feito.

Notas finais
E aí? O que acharam? Ficou bom? Próximo Capítulo: Pequenas Palavras.