The New Caribbean - New Pirates on Seven Seas
26 Capítulo 25: Diferentes Semelhanças
Notas iniciais
Já fazia algumas horas que havia se distanciado de Isla de Muerta, onde haviam encontrado o lendário capitão Jack Sparrow do Pérola Negra, e, desde então, qualquer das capitãs do navio de velas vermelhas não havia dito sequer uma palavra, mesmo com as tentativas insistentes, e cada vez mais desanimadas, de Anna de puxar conversa. Até mesmo os próprios tripulantes da embarcação, em especial Kristoff e Margo, não haviam conseguido ter uma conversa com elas, por mais que tentassem.
Desde a saída da Ilha dos Mortos, Elsa e Elena estavam trancadas dentro da cabine que dividiam e não havia um segundo sequer em que alguém não batesse à porta, chamando-as para sair, mas sem obter qualquer resposta. O que quer que estivesse nas entrelinhas do que Jack Sparrow dissera a elas, claramente as deixara bastante abaladas.
– Meninas. – Anna chamou mais uma vez, tendo ficado parada de frente àquela porta desde que as duas haviam se trancado lá dentro sem dar qualquer satisfação a ninguém, mas, novamente, não obteve resposta.
Parece-me familiar. A ruiva instantaneamente pensou, soltando um suspiro desanimado por puro impulso. Mesmos nomes, mesmos atos, mas deve ser apenas coincidência. Anna não sabia o porquê do fato de cogitar a ideia de que Elsa e Elena, aquelas duas que estavam do outro lado da porta na qual estava encostada, serem suas irmãs perdidas parecer tão errado e ao mesmo tempo tão correto, tão verdadeiro. Podia ser verdade, mas também podia não ser e tudo o que a ruiva não queria era arriscar a amizade que construíra, ainda mais pelo fato de que, mesmo que aquelas fossem suas irmãs, podia ser que sequer se lembrassem dela, de modo que não faria diferença.
– Elsa, Elena. – Tentou mais uma vez, mas apenas o silêncio se seguiu ao seu mais novo apelo. – Por favor, me escutem. – Pediu suplicante, realmente preocupada com como as duas poderiam estar trancadas naquela cabine. – Estão todos muito preocupados com vocês e eu, realmente, estou tentando entender o que aconteceu. – Soltou um suspiro cansado. – Me deixem entrar. – Pediu, fechando os olhos. – Se não, apenas me digam o que vamos fazer. Temos que decidir. – Encostou-se à porta. – Você quer brincar na neve? – Fez a mesma pergunta que costumava fazer às suas irmãs quando pequena, apesar de não ter certeza se as duas pessoas atrás daquela porta entenderiam a frase.
Esperou mais um pouco, mas o silêncio era cortado apenas pelos passos dos tripulantes do navio pelo convés, sendo que, vez ou outra, alguns deles olhavam na direção da porta da cabine das capitãs, na esperança de que elas abrissem a porta.
Com mais um suspiro, o mais desanimado até então, Anna se desencostou da porta e começou a se distanciar lentamente dali, mas parou, assim como todos os tripulantes que até então andavam pelo convés, ao escutar o barulho da porta sendo destrancada, seguido pelo girar da maçaneta. A Princesa de Arendelle girou o corpo em tempo de ver as Capitãs do Vingança dos Sete Mares saindo a passos lentos da cabine na qual estavam presas até aquele momento.
Nenhuma delas aparentava qualquer preocupação com o tempo que passaram na cabine ou com as pessoas que ficaram chamando-as durante esse tempo. Pareciam completamente calmas, impassíveis, até mesmo inflexíveis. Mas, Anna notou, algo estava faltando nelas, algum detalhe absurdamente pequeno para que ela não conseguisse identificar.
– Elsa, Elena. – Margo não tardou em se aproximar das duas, que então olharam para ela com uma calma que nenhum dos outros presentes tinha. – O que aconteceu? – Perguntou preocupada, examinando as duas com os olhos castanhos observadores.
– Absolutamente nada. – Elsa respondeu com suavidade, sem parecer dar muita importância à preocupação da garota ou de qualquer outro de seus tripulantes. – Apenas precisávamos pensar um pouco. – Abriu um sorriso angelical, que logo se desfez numa expressão mais séria. – Quanto tempo até a Ilha que combinamos? – Questionou.
– Está logo a frente. – Margo falou com um pouco de dificuldade, quase gaguejando, com a seriedade presentes naqueles sempre gentis olhos azul-gelo. – Não vamos demorar a desembarcar. – Concluiu.
– Na verdade, não vão desembarcar. – Elena se pronunciou, tendo ficado calada até então, chamando a atenção de todos para si. – Apenas eu e Elsa, e isso não está aberto a discussões. – Disse em tom duro ao perceber que seus companheiros de embarcação iriam começar a protestar, calando todos antes que sequer pudessem falar.
Ninguém contestou as palavras dela. Elsa e Elena eram bastante abertas às opiniões dos tripulantes de seu navio, mas quando eram tão inflexíveis daquele jeito, nenhum ser vivo seria idiota o bastante para contestá-las. Todos assentiram e voltaram às suas obrigações na embarcação, deixando apenas Elsa, Elena e Anna completamente imóveis, de pé no convés. A ruiva olhava para elas com os olhos azul-água arregalados, mas o olhar não era retribuído por nenhum das duas, que fitavam um ponto qualquer no local.
– Não sei o que tem nessa ilha, mas pode ser perigoso. – Anna se pronunciou, também desviando o olhar, incomodada. – Vocês podem morrer... – Sua voz falhou ao falar a última palavra.
– Não vamos. – Elsa respondeu sem dirigir o olhar à Princesa de Arendelle, inexpressiva. – Fique tranquila. – Aconselhou e então caminhou alguns passos na direção da ruiva, colocando a mão em seu ombro, então atraindo a atenção da mais nova para si. – Confie em mim, Anna, não iremos abandonar você. – Abriu um sorriso torto. Não pela segunda vez. Completou mentalmente.
– Por quê? – Foi a pergunta que escapou dos lábios da garota, que abaixou o olhar, fitando o chão.
Não obteve resposta, realmente não esperava conseguir uma. Apenas o som de passos ecoando pelo convés se fez ouvir, chamando a atenção dela para as capitãs do navio, que agora se dirigiam à borda da embarcação, onde se encontrava o bote que usariam para chegar à ilha, visto que o navio não podia se aproximar mais do que o que já estava próximo.
– Vá para nossa cabine, nos espere lá. – Elena sugeriu com um sorriso pequeno antes de ela e Elsa embarcarem no bote e desaparecerem em direção à ilha onde deveriam buscar algo a que nenhum dos outros tinha consciência do que seria.
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