The New Caribbean - New Pirates on Seven Seas
3 Capítulo 2: Preparativos para o Baile
Notas iniciais
Uma garota de cabelos ruivos emaranhados a qual entre eles estava uma única mecha branca, rosto levemente sardento e camisola bege dormia profundamente em sua cama.
– Princesa Anna. – Uma voz masculina se fez ouvir do lado de fora do quarto, seguida por batidas na porta. – Princesa?
A ruiva, Anna, sentou-se na cama, ainda com os olhos fechados e ainda aparentando estar sonolenta, esfregando os olhos com as costas da mão.
– Sim, Kai? – Respondeu ao homem que lhe chamava do outro lado da porta.
– Lamento lhe acordar, alteza. – O homem, Kai, desculpou-se em um tom nervoso.
– Não, você não me acordou. Já estou acordada há horas. – Anna declarou em meio a um bocejo, espreguiçando-se, mas logo em seguida apoiou sua cabeça na mão e um leve ronco escapou de sua garganta. Acordou novamente de forma abrupta. – Ah, quem está aí? – Perguntou ainda com os olhos fechados.
– Ainda sou eu, alteza. – Do outro lado da porta, Kai respondeu prontamente. – Só vim lhe avisar que já está na hora de começar a se arrumar.
– Sim, claro. – Anna concordou, ainda mantendo os olhos fechados e a postura cansada enquanto estava sentada na cama. – Me arrumar para quê? – Abriu um dos olhos levemente, fitando a porta com um dos belíssimos olhos azul-água.
– Para o Baile de seu Aniversário de Dezoito Anos, alteza. – Kai explicou em um tom levemente confuso, mas não questionou nada.
– Meu aniversário...? – Anna murmurou em meio a um bocejo e abriu levemente os dois olhos, fitando o vestido que estava à frente de sua cama. – Ah, meu aniversário! – Falou um pouco mais alto, finalmente livrando-se do sono.
Rapidamente, a ruiva se levantou da cama e pôs-se a tentar arrumar o emaranhado que seu cabelo havia se tornado. Alguns segundos depois, mais batidas na porta foram ouvidas.
– Anna? – Uma voz feminina e levemente infantil se faz ouvir pelo quarto.
A ruiva logo largou a escova na penteadeira e correu até a porta, abrindo-a com entusiasmo em seguida. Do lado de fora, havia duas garotas.
Uma tinha olhos verdes e um rosto infantil emoldurado por curtos e repicados cabelos castanhos. Usava um vestido roxo que ia até os tornozelos e estava descalça.
A outra tinha volumosos e cacheados cabelos cor de fogo e olhos azul-céu. Usava um vestido verde-água de mangas longas que lhe cobria até os pés.
– Chegaram cedo. – Anna declarou, sorrindo para as duas recém-chegadas, que aparentavam ter a sua idade.
– Rapunzel me arrastou até aqui. – A ruiva de cabelos cacheados declarou em um tom que transbordava tédio, apontando para a morena animada ao seu lado. – Disse que nós precisávamos arrumar você.
– Ora, vamos, Merida. – A morena, Rapunzel, respondeu com os lábios formando um biquinho que combinava perfeitamente com o rosto infantil que ela tinha. – Nós te ajudamos a se arrumar quando houve a competição do seu Reino para saber quem casaria com você.
– É, mas eu não queria. – A ruiva, Merida, respondeu em um tom levemente zangado, evitando olhar para a expressão petulante da morena ao seu lado.
– Onde estão Mirana e Alice? – Anna perguntou, querendo mudar de assunto, visto que as duas amigas poderiam passar o dia inteiro discutindo e elas não tinham esse tempo, uma vez que o Baile seria à noite e nenhuma das três sequer havia começado a se arrumar.
– Você sabe que Wonderland é o Reino mais longe daqui, comparado a Highland e a Corona. – Rapunzel respondeu com convicção. – New England também não é o que se chama de perto. – A morena adicionou, fazendo uma expressão de quem sabia de tudo. – Elas, provavelmente, ainda vão demorar um pouco para chegar.
– Ah, sim. Claro. – Anna concordou antes que Merida pudesse fazer algum comentário sarcástico sobre a pose de intelectual que Rapunzel exibiu enquanto falava. – Vamos entrando? – Gesticulou para dentro do quarto.
As duas recém-chegadas assentiram e entraram no quarto, fechando a porta logo em seguida. Rapunzel imediatamente sentou Anna em uma cadeira em frente ao espelho da penteadeira e pôs-se a arrumar o cabeço da ruiva enquanto Merida sentava-se na cama dela, observando tudo com um ar completamente desinteressado.
Rapunzel arrumou o cabeço de Anna, prendendo-o em um coque baixo com uma fita verde que combinaria com seu vestido.
Logo em seguida, era a vez de ajudar a ruiva a vestir o vestido. Mas, primeiramente, vinha a parte mais desagradável em se vestir para qualquer evento: O espartilho.
– O que você anda comendo? – Rapunzel questionou, falando com dificuldade por causa do esforço que fazia para colocar o espartilho em Anna.
– Acho que foi o chocolate. – Anna respondeu meio sufocada.
Foram precisos mais de trinta minutos com Merida ajudando para que Rapunzel conseguisse fechar o espartilho em torno do corpo de Anna, que parecia em tempo de desmaiar quando acabaram.
– Não... Consigo... Respirar. – Anna falou em tom baixo e com dificuldade, fazendo pausas, parecendo não ter fôlego suficiente para falar a frase completa de uma só vez.
– Você se acostuma. – Merida fez pouco caso da expressão desconfortável que Anna fazia. – Vocês também me fizeram usar um desses naquela competição em Highland e eu ainda estou viva. – Deu alguns tapinhas nas costas de Anna. – Você vai sobreviver. – Aproximou-se de Rapunzel e falou a frase seguinte em um tom que só a morena poderia ouvir. – Espero.
– Mas agora se vista logo. – Rapunzel empurrou o vestido de Anna para a mesma, esboçando pressa. – Você tem que estar pronta bem cedo e nós já gastamos tempo demais colocando isso em você. – Olhou para o espartilho que realmente parecia estar apertado demais na ruiva.
Anna assentiu com um gesto mínimo e dificulto da cabeça, logo começando a vestir o vestido com a ajuda das duas amigas. Depois de mais meia-hora, visto que Anna mal conseguia se mexer por causa do espartilho apertado, finalmente a ruiva estava pronta.
Depois de tudo, Anna ainda teve que esperar que Rapunzel e Merida se arrumassem.
Quando terminaram, a morena estava com um vestido roxo de mesmo tom de seu anterior, mas um pouco mais longo, cobrindo-lhe até os pés e sapatilhas de mesmo tom. O cabelo castanho repicado e curto não estava preso, visto que não havia muitas possibilidades de penteados para ele.
A ruiva estava com um vestido verde-água um pouco mais escuro que o anterior e que parecia levemente mais apertado, deixando-a rígida, e sapatilhas pretas finas. Os indomáveis cabelos ruivos não pareciam ter sofrido uma única tentativa de serem arrumados, estando completamente volumosos e desalinhados.
– Tem certeza de que não quer que eu faça algo com seu cabelo? – Rapunzel perguntou quando as três finalmente estavam prontas, olhando para Merida com uma reprovação estampada no rosto.
– Você também não! – Merida se queixou, cruzando os braços com insatisfação. – Já me basta a minha mãe.
Anna e Rapunzel riram da cara emburrada de Merida, que pareceu ficar ainda mais insatisfeita com o ato. Só foram interrompidas pelo barulho de passos mais elegantes e ritmados aproximando-se delas.
As três viraram-se em tempo de encontrar uma moça de vinte e um anos, de cabelos brancos, pele tão pálida quanto, olhos pretos e lábios estranhamente escuros trajando um vestido branco que lhe parecia bastante confortável, diferentemente dos vestidos de Anna e Merida, e sapatos também brancos, se aproximando delas com a elegância da Rainha que era.
– Oi. – A recém-chegada cumprimentou com educação assim que se aproximou das três.
– Oi, Mirana. – Anna, Rapunzel e Merida responderam seu cumprimento ao mesmo tempo.
– Onde está Alice? – Anna questionou com dificuldade e um olhar desconfiado, olhando por cima do ombro da recém-chegada como se esperasse ver mais alguém se aproximando.
– Está vindo. – Mirana respondeu com um sorriso que brincava em seus lábios escuros com leveza. – Foi com os pais dela para cumprimentar os duques e príncipes que vieram de outros lugares e disse que não vai demorar. – Centrou o olhar em Anna. – E por que está falando assim?
– Está usando um espartilho. – Rapunzel respondeu antes que Anna pudesse tentar e Mirana riu de leve, examinando Anna com os olhos e, assim como as outras, notando que o vestido parecia apertado demais na ruiva.
– Ah, entendo. – Mirana concordou com um gesto mínimo da cabeça e um sorriso divertido no rosto. – Reconheço que devo me preocupar com você esta noite. Procure não desmaiar por falta de ar, está bem? – Brincou e Merida e Rapunzel abafaram as risadas com as mãos enquanto que Anna engoliu em seco.
Alguns minutos se passaram em silêncio antes que o barulho de mais passos fosse ouvido pelo corredor, desta vez sendo uma loira de olhos azuis com os cabelos amarrados por uma fita preta, usando um vestido azul-celeste e sapatilhas pretas aproximando-se delas.
– Alice. – Mirana cumprimentou em um tom cordial e a loira respondeu com um gesto mínimo da cabeça e um sorriso.
– Oi, garotas. – A recém-chegada, Alice, cumprimentou a todas e então se virou para Anna. – Anna, Kai disse que já está na hora de ir ao salão.
– Vamos então? – Merida chamou com um tom nem um pouco entusiasmado e as cinco partiram pelos corredores na mesma direção por onde Alice e Mirana vieram.
O castelo estava silencioso e todo barulho que era ouvido vinha do lado de fora, uma vez que as pessoas estavam bastante animadas com o baile que haveria à noite.
Em um dos corredores, uma porta estava aberta dando vista a um escritório em que havia quatro enormes e consecutivos quadros que ocupavam toda a parede lateral esquerda, três deles estando cobertos com um grosso véu negro. Anna entrou no cômodo e parou em frente ao terceiro, onde, com dificuldade, era possível ver um homem e uma mulher.
– Anna? – Rapunzel chamou, estando parada do lado de fora da sala com um olhar preocupado centrado na ruiva.
– Vão. – Anna pediu sem dirigir o olhar a ela. – Eu encontro vocês depois.
A morena assentiu e seguiu com as outras três ao salão onde o baile seria. Anna continuou fitando os quadros à sua frente. Um deles, o único descoberto, trazia a imagem dela mesma, porém mais nova. O terceiro trazia a imagem de um casal, a qual ela não conseguia ver direito por causa do véu, mas tinha a imagem dos dois em sua memória. Eram seus pais. O segundo e o quarto traziam, cada um, duas garotas extremamente parecidas, provavelmente gêmeas, sendo uma loira e a outra, morena. Porém, a ruiva não conseguia ver seus rostos sob o véu e tampouco se lembrava delas, uma vez que a última vez que as vira foi quando tinha cinco anos.
– Às vezes parece que todos se lembram de vocês menos eu. – Anna murmurou em um tom quase inaudível, alternando olhares entre ambos os quadros.
Assim, com um suspiro pesado e cansado, a ruiva caminhou para fora do escritório, dando uma última olhada nos quadros na parede antes de fechar a porta.
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