The New Caribbean - New Pirates on Seven Seas
13 Capítulo 12: Perfeitos Estranhos
Notas iniciais
Elsa despertou no dia seguinte completamente descansada. Tinha dormido relativamente pouco, mas parecia ter sido o suficiente.
A primeira coisa que notou foi que a cama ao lado da sua, a cama de Elena, estava vazia e já arrumada. Provavelmente a morena já havia acordado há um bom tempo e devia estar coordenando as coisas no convés. Com isso em mente, não tardou em também se levantar e deixar tudo arrumado antes de seguir para fora da cabine.
A cena que encontrou ao abrir a porta era, no mínimo, cômica.
Os tripulantes do navio estavam todos sentados espalhados pelo convés em volta de Anna e Kristoff. Ao que parecia, o loiro estava tentando ensinar a ruiva a duelar com espadas. Elena também estava lá, encostada ao mastro. Seus braços estavam cruzados e ela parecia fazer esforço para não rir das tentativas falhas de Anna em atacar Kristoff.
Elsa fez seu máximo e conseguiu passar despercebida até onde a irmã estava, então seguindo o olhar dela até a pequena luta entre a Princesa sequestrada e o pirata.
– Pode me explicar? – Elsa arqueou uma sobrancelha, também parecendo se segurar para não rir da cena à sua frente, uma vez que Anna havia acabado de escorregar e cair sentada no chão ao tentar dar uma rasteira em Kristoff.
– Quando acordei, já estavam assim. – Elena deu de ombros e seu lábio tremia com o esforço que ela fazia para não soltar a gargalhada ruidosa que se formava em sua garganta. – Margo me disse que Kristoff tinha se oferecido para ajudar a Anna nessa vida de pirata. – Revirou os olhos. – Parece que a primeira coisa que ela pediu para ele ensinar foi isso. – Gesticulou para os dois.
Kristoff agora estava em tempo de cair no chão e rolar de tanto rir enquanto Anna tropeçava no próprio vestido nas tentativas de atacar o loiro.
– Sou apenas eu que acho que isso não vai dar certo? – Elsa questionou, abafando uma risada mínima que ela não conseguiu conter com a mão.
– Não. – Elena balançou a cabeça em negação, tentando ao máximo não rir do que via. Agora Anna estava agarrada à perna de Kristoff, tentando derrubá-lo. – Ralph e Vanellope apostaram comigo que isso não ia dar em coisa boa. – Deu de ombros. – Só sei que vou ganhar dez barras de ouro quando isso acabar. – Riu tanto de sua própria aposta quanto de Anna, que mordera o braço de Kristoff.
– Para onde você traçou o curso? – Elsa perguntou, mudando completamente de assunto com uma naturalidade invejável.
– Tortuga. – Elena deu de ombros mais uma vez, mantendo os olhos no treinamento hilário de Anna. – Precisamos de informações novas e sempre há um tripulante do navio daquele idiota naquele lugar. – Suspirou. – De qualquer forma, chegaremos ainda esta noite. – Declarou.
Elsa assentiu e as duas Capitãs prosseguiram assistindo o treinamento desastroso de Anna. A ruiva parecia bem empenhada embora não tivesse o menor jeito para aquele tipo de coisa. Nenhuma das duas podia culpa-la. Também não eram tão boas nisso quando começaram, é claro que já tinham uma certa base, mas nada comparado ao modo como eram atualmente.
Já era quase noite e Anna estava completamente encharcada de suor quando a ruiva caiu no chão, sem aguentar mais ficar de pé, completamente exausta. Kristoff a ajudou a levantar e colocou-a sentada num dos caixotes espalhados pelo convés. Todos os outros tripulantes voltaram às atividades que deveriam estar realizando. Apenas Elsa e Elena permaneceram em seus lugares, observando tudo com atenção.
Mal perceberam quando o navio atracou no porto da Cidade dos Piratas e os tripulantes começaram a desembarcar. Assim que se deram conta do que acontecia, Elena foi até Kristoff rapidamente e sussurrou alguma coisa no ouvido dele que Anna ficou mentalmente se perguntando o que seria.
O loiro assentiu e saiu do navio com o restante da tripulação, sobrando ali apenas Elsa, Elena e Anna.
A loira a e a morena permaneceram encostadas ao mastro, de braços cruzados, observando a cidade dos piratas sem qualquer agrado, pelo menos não aparente. Desconfortável com o silêncio instalado entre elas, Anna se pôs a falar:
– Vocês não vão? – A ruiva perguntou, só então atraindo a atenção das outras duas para si. – Desembarcar, quero dizer. – Especificou ao perceber que elas não haviam entendido do que estava falando.
– Não. – Elsa negou com um gesto curto da cabeça, indiferente. – Não gostamos muito daqui. Só viemos porque precisamos. – Deu de ombros. – Esse lugar não é exatamente o meu preferido no Caribe, então, se eu não tiver que vir aqui, prefiro não vir. – Finalizou.
Anna olhou para Elena, pedindo uma resposta dela também, mas a morena apenas deu de ombros e gesticulou para Elsa, indicando que daria a mesma resposta que a loira. A ruiva então percebeu que elas não falariam mais nada e decidiu que teria de puxar conversa se não quisesse que o silêncio se instalasse novamente.
– Então, como viraram piratas? – Perguntou inocentemente, querendo apenas ouvir a voz delas mais uma vez e descobrir porque soavam tão familiares.
As Capitãs do Navio Vingança dos Sete Mares se entreolharam, desconfortáveis. Aparentemente Anna havia entrado em um assunto que elas não queriam falar e a ruiva percebera isso.
– Tudo bem se não quiserem falar. – Levantou os braços em rendição, indicando que não iria insistir. Suspirou uma vez e mudou de assunto. – Ah e, me desculpem. – Disse o que estivera lhe incomodando o dia inteiro.
– Pelo que? – Elena arqueou uma sobrancelha, sem entender a que ela se referia. A mudança de assunto foi repentina demais para que se situasse e tampouco tinha a naturalidade que ela e Elsa apresentavam ao fazê-lo.
– Por ontem. – Anna se encolheu em seu lugar, sentindo-se mais uma vez culpada. – Eu meio que acusei vocês quando tudo o que fizeram foi salvar minha vida. – Desabafou e respirou fundo antes de prosseguir. – Sinto muito. – Disse por fim.
– Tudo bem. – Elsa disse, surpreendendo Anna com a naturalidade com a qual a perdoou pelo que havia feito. – Não faz mal. Fomos nós quem a trouxemos a este navio, de qualquer forma. – Deu de ombros e voltou a fitar a Cidade dos Piratas sem realmente muito interesse. – Não se preocupe com isso. – Disse por fim.
Anna observou as duas por mais alguns segundos. Elas eram diferentes do que pensara a princípio. Claro, sabiam ser duras quando a situação exigia, isso ela própria testemunhara, mas eram excelente pessoas. Pareciam-lhe familiares, de certa forma, mas a ruiva não conseguia associá-las a nenhuma lembrança em sua mente, nada que pudesse torna-las mas próximas de si, mais reais. Mas elas continuavam com aquela aura fantástica que parecia querer torna-las apenas ilusões da cabeça da ruiva, que não sabia mais o que pensar a respeito. Porque, para ela, elas apenas lhe pareciam isso.
Eram apenas Perfeitas Estranhas.
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