The Nanny.

1 Um serviço inesperado.


P.O.V. Malu.

A Candelária me mandou entregar as roupas mais uma vez na mansão dos São Romão.

Eu sempre venho aqui e sempre entro pela entrada de serviço, mas hoje estava trancada.

—Com licença.

De longe eu vejo ela vindo em minha direção como um foguete.

—Malu! Malu!

—Oi Tininha! Como vai?

—Bem.

—Querida quase que você me mata do...

Os meus olhos encontram com aqueles lindos olhos verdes e eu fico paralisada. Eu não conseguia falar.

—Quem é você?

—Malu.

—O que?

—O meu nome é Malu. Eu vim trazer as roupas para a Balbina.

—A minha filha parece gostar de você. Não estaria interessada em um emprego de babá?

—Claro. Eu acho que vale a tentativa né?

—Ótimo. Me dê seu endereço que vou mandar o motorista pegar suas coisas.

—Pegar minhas coisas?

—Preciso de uma babá em tempo integral.

—Tudo bem então. Eu posso conduzir o motorista.

—Que assim seja então.

—Obrigado senhor São Romão. Muito obrigada mesmo.

P.O.V. João Miguel.

Estávamos eu e a minha filha Maria Antonieta brincando na sala de brinquedos dela quando ela se levanta e diz:

—A Malu chegou!

Tininha saiu correndo. Fui atrás e quando cheguei ela estava brincando com uma mocinha de mais ou menos uns vinte anos.

—Quem é você?

Perguntei. Então, os meus olhos encontraram os dela aqueles olhos lindos castanhos escuros.

—Malu.

Disse ela.

—O que?

Eu perguntei.

—Eu sou a Malu.

Ofereci-lhe a vaga de babá já que a minha filha parecia se dar muito bem com ela. E felizmente ela aceitou fazer uma experiência.

Infelizmente, tenho que entrevistá-la.

—Malu, eu vou ter que te entrevistar. Sabe, só de praxe.

—Tudo bem. O que deseja saber?

—Nome completo?

—Maria de Jesus Santos Velarde.

—Nome dos pais?

—Patrício e Cecília Velarde.

—É filha do Juíz Velarde?

—Sou, mas a minha única família é a Candelária. Ela me criou desde que eu nasci.

—Tinha um emprego antes?

—Fixo não. Bom, eu posava para um pintor que mora lá no meu bairro.

—Ótimo.

—Puxei sua ficha da internet e felizmente você não tem passagem pela polícia, não está envolvida em nenhuma atividade ilegal, não é viciada em drogas ilícitas e nem nada assim.

—Deus me livre! Eu não sou desse tipo de pessoa senhor São Romão.

—Ótimo. Algo a mais que eu deva saber?

—Eu não trabalho de domingo. E vou a Igreja todos os dias ajudar o padre Anselmo.

—Ótimo. Mas, porque não trabalha de domingo?

—O domingo é um dia santo. Serve para ficar com a família. É sagrado pra mim.

—Entendo. Bom, você está oficialmente contratada.

—Onde eu vou ficar?

—Oh! Claro, me acompanhe por favor.

Ela mesma pegou a sua pequena mala e seguiu-me até a suíte onde ficaria.

—Caramba! Isso é mesmo incrível.

—Gostou?

—Sim. É lindo.

—Vou deixá-la a vontade. Se precisar de alguma coisa chame a Balbina ou a Carmem.

—Obrigado. Por tudo.

Ela sorriu pra mim. Um sorriso sincero do tipo que geralmente só se vê nos rostos das crianças e entrou no quarto fechando a porta.

P.O.V. Malu.

Essa casa é gigante! É tipo, uma mega mansão.

É bem capaz de eu me perder nesse lugar imenso. É tão grande que daria pra morar umas dez famílias aqui dentro e ainda sobrava espaço.

Isso não era um quarto, era uma suíte. Tinha banheiro com uma banheira imensa e uma ducha que tinha uma pressão maravilhosa, a cama era gigantesca e super fofa, os móveis do quarto eram todos entalhados á mão.

—Parecem ser bem antigos.

—É porque eles são.

Dei um pulo de susto.

—Sou Amador.

—Prazer.

—Sou mordomo.

—Sou a nova babá. Malu.

—Malu. Um nome diferente.

—É.

—Esses móveis são feitos com madeira de mogno e alguns com madeira de carvalho. Vários artesões perderam seus dedos, seu sangue, suas lágrimas, suas vidas para entalha-los. E o mesmo vale para as colunas de sustentação que tem em vários lugares da mansão São Romão.

—Caraca.

—Essa família tem as burras cheias de dinheiro.

—Que bom pra eles né? Com licença, foi um prazer conhecê-lo, mas eu gostaria de descansar um pouco. A viagem foi longa.

—Certo. Tenha um bom descanso.

—Obrigado. Bom dia.

Esse homem me deixa com calafrios. Ele me dá asco não sei porque. Parece ter inveja da felicidade do patrão.

Não fui com a cara dele. Nem um pouco.