The Mystery Of The Bloodless
2 Espionando pela janela
Notas iniciais
Noah Collins
A cidade que iriamos morar era pequena e por isso, como já devem saber, quando alguém começa a morar ali a notícia se espalha e em menos de cinco segundos viramos o assunto da cidade. Isso aconteceu conosco. Quando chegamos com nosso caminhão de mudanças e nossa caminhonete barulhenta foi isso que aconteceu. Os vizinhos — lê-se vizinhas fofoqueiras — ficaram olhando a mudança pela janela, o que em minha opinião foi um tanto aterrorizador, até porque odeio que as pessoas fiquem me olhando por mais que um minuto e aquilo estava me constrangendo.
A casa era tradicional, dois andares, uma cozinha e uma sala de jantar, dois banheiros, um em cima e um embaixo, e uma sala muito aconchegante. Por fora a cor era amarela e desgastada, futuramente essa casa iria virar um arco-íris, minha mãe adora cores muito... Como posso falar? Talvez falando algumas cores que minha mãe adora, como por exemplo, rosa choque, azul claro, amarelo, vermelho forte e por aí vai. Chega até dar pena da casa, era tão bonita. Posso até dar uma pequena opinião sobre a cor da casa por fora, talvez eu convença ela de que repintar a casa de amarelo ficaria bom, talvez.
Começo a organizar meu quarto com as minhas coisas, que são até poucas. Meu quarto é todo branco e pensei em pintar uma parede de azul claro, para não ficar sem nenhuma cor, ficaria sem graça. Coloco uma cortina azul e laranja, que — era óbvio — minha mão comprou em um bazar. Minha cama é de solteiro e sobre ela — que já estava montada — havia algumas caixas de fotografias, jóias, filmes e livros — meus amados livros -, há também sobre ela meu preguiçoso gato preto.
Depois de organizar todo o quarto — que ficou melhor em comparação com o antigo, pois era maior — ajudo meus pais em organizar a casa, eles já tinham organizado quase tudo, faltava arrumar os pequenos detalhes, pois os móveis já haviam sido colocados em seus devidos lugares.
– Já estamos acabando aqui filha, se quiser dar uma volta pelo lugar para ver se gostou, você pode ir. — diz meu pai sorrindo e ajeitando os quadros, junto a ajuda de um martelo.
– Tudo bem. Até depois. — falo saindo de fechando a porta da frente.
– Volte antes do jantar — grita minha mãe.
Sorrio e pego meu celular colocando os fones de ouvido.
Começa a tocar "It's Time" de Imagine Dragons, uma das minhas favoritas.
Cantarolo enquanto ando e as vezes fechava os olhos acompanhando a voz do vocalista. E é nessa fechada de olhos que trombo com uma pessoa e ''bum'' me celular cai no chão. Ah não, não, não, não. Meu celular se espatifou no chão. Minha mãe disse para mim comprar uma capa, mas não eu não comprei uma capa.
Que ódio! Ódio maior eu tenho pelo ser que trombou comigo e derrubou meu celular no chão.
Levanto o olhar — que era de raiva — e adivinhem? Exatamente encontro um príncipe. Olhos extremante azuis, porte físico de quem faz caminhadas, a pele era tão branca que eu não duvidava de que alguém pensaria que era feita de papel. Era mais alto que eu, provavelmente. E cabelos completamente negros. Contraste incrível não? Cabelos negros, olhos azuis e pele pálida. Ele também me analisa minunciosamente. Saiu do meu estado de transe quando ele resolve falar.
– Desculpe pelo celular, acho que vai ter que comprar um novo. — ele está brincando comigo não está? Meu celular se espatifou no chão e ele ainda faz graça?
– Mas que porcaria! — olho pra ele com raiva e volto meu olhar para o celular espatifado no chão. Adeus economias.
– Prazer Mathew Miller. — ele estende a mão.
– Noah Collins. — aperto sua mão.
– Você deve ser a minha nova vizinha então. — ele diz sorrindo. Arregalo os olhos. Essa é a hora de eu me xingar com todos os palavrões imagináveis e inimagináveis que eu já aprendi.
– O que você disse? Eu acho que não entendi. — faço uma cara desentendida e ele sorri sarcástico. Filho da mãe!
– Acho que sou seu vizinho sabe, moro do lado da sua casa. — ele alonga o sorrisinho sarcástico e incrivelmente lindo, foco Noah foco.
– Eu preciso ir, tchau. — saiu correndo em direção a minha casa.
Abro a porta e vejo meus pais deitados nos sofás beges assistindo televisão.
– Como foi o passeio filha, gostou do bairro? — pergunta minha mãe, olhando para a tv.
– Ótimo, o bairro é calmo... — "e adivinhem? nós temos um vizinho incrivelmente lindo e gostoso."
– Que bom que gostou, vá tomar um banho, aposto que deve estar cansada. — meu pai diz sorrindo.
Afirmo e subo as escadas. O banheiro fica no final do corredor e minha mãe sempre deixa uma toalha para mim lá, então entro rapidamente.
Enquanto tiro minhas roupas canto uma música em voz baixa.
Entro no box e relaxo. A água quente relaxa meus músculos, e é uma sensação tão boa. Mas eu sei e tenho certeza que se eu ficar lá por mais de quinze minutos minha mãe me xinga, e começa a dizer que não sou que pago a água. Então pensando nisso saio do box e me enxugo, vocês não acharam que eu fosse sair do banheiro até meu quarto molhando o caminho todo e pingando água acharam?
Já no meu quarto pego um pijama listrado e coloco e na mesma hora que já estou de pijama, noto que minha janela está aberta, minha mãe deve ter vindo aqui ver como o quarto tinha ficado e ela gosta de ar puro, então como vocês já sabem ela abriu a janela, junto com as cortinas e... Droga! Mathew estava me observando vestir meu pijama. Ele não tinha o bom senso de fechar a própria janela e não me olhar?!
Merda eu estava nua! E aquele tarado estava me olhando o tempo todo.
Quando ele percebe que eu tinha o pegado no flagra me espionado e dá um sorrisinho sarcástico e pisca, naquela hora eu devia estar vermelha da raiz do cabelo até os pés. Era uma mistura de vergonha e raiva. Fecho a cortina rapidamente e deito na cama.
– Filha vem jantar! — ouço minha mãe me chamando.
Respiro fundo e levanto. Abro a porta e vou até a cozinha.
Minha mãe fez miojo, inspirador.
Comemos clados e depois que termino vou até o banheiro escovo os dentes e me encaro no espelho. Estou muito cansada.
Volto ao quarto e espio na cortina a janela do meu vizinho tarado. As luzes estão acesas, mas não há nenhum indicio de Mathew lá.
Eu tenho logo que ir dormir, senão invés dele eu vou ser a tarada da vez.
Apago as luzes e antes espiono novamente na janela. Dessa vez arregalo os olhos, lá estava ele. Sem camisa olhando para a lua em um expressão serena.
Fico naquela posição por alguns minutos, mas depois canso de o olhar e vou para a cama. Deito e durmo.
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