Notas iniciais
Olá, queridíssimos leitores! Cá estou eu, mais uma vez, atrasadérrima. Desculpem-me por isso. Realmente estou me esforçando, mas... O negócio tá hardcore. Obrigada a todos os que leem, comentam, favoritam e visualizam... Espero que gostem e boa leitura!

O conde bocejou como se estivesse cansado, o que não era surpresa, já que passara três horas fazendo amor com a ardente lady Meiko.

De repente decidiu que já era hora de se vestir e voltar para casa.

Ele jamais gostara de fazer amor com uma mulher na casa de seu esposo. Porém, como lorde Sakine raramente vinha para Londres, o conde resolveu quebrar a regra.

A casa de lady Meiko era um tanto afastada de Park Lane e, portanto, bastante conveniente para encontros furtivos.

Kaito tornou a bocejar e a voz sedutora de lady Meiko chegou-lhe aos ouvidos:

— Oh, meu querido Kaito, preciso contar-lhe que Meito só tem mais alguns dias de vida.

O duque retesou o corpo.

— Bem, já que Meito está à beira da morte, como você mesma diz — o conde argumentou —, não seria melhor que lhe fizesse companhia?

— O que quer insinuar com isso, Kaito? — lady Meiko indagou um tanto irritada. — Meito já não me reconhece e as enfermeiras e médicos que cuidam dele são muito eficientes.

A sedutora lady Meiko aconchegou-se mais junto ao corpo do conde e, tocando-lhe o peito nu, exclamou:

— Sabe o que tudo isso significa, querido? Que serei uma mulher livre!

A forma como ela falava advertiu-o do perigo que o rondava. Era como se luzes vermelhas lhe dançassem diante dos olhos e sinos repiscassem junto a seus ouvidos.

Apos uma longa pausa, ele decidiu:

— O dia está amanhecendo e preciso ir para casa.

— Dentro em breve, quando eu for livre — lady Meiko respondeu —, vou prendê-lo a meu lado e nada nesse mundo vai nos separar.

Com certo esforço, o conde deixou a cama. Lady Meiko ainda tentou impedi-lo, mas, ao notar que o conde se afastava, ela indagou:

— Para que tanta pressa? Preciso conversar com você.

— A essa hora — ele replicou com frieza na voz — há muito pouco para se conversar.

— Não no que diz respeito a nós — lady Meiko contrapôs. — Sabe o que realmente desejo de você e posso garantir que seremos muito felizes.

O conde acabava de vestir a camisa. Ao abotoá-la, ele lançou um olhar para o espelho acima da lareira, dizendo em seguida:

— Se está pensando que vamos nos casar, Meiko, quero deixar bem claro que jamais me casarei com uma mulher que meu pai desaprova.

Lady Meiko sentou-se na cama.

— Não seja ridículo! — ela vociferou. — Todos nós sabemos que os pais sentem ciúmes dos filhos quando estes se apaixonam.

O conde se vestia depressa e após abotoar as calças, declarou:

— Sou muito devotado a meu pai e, como já disse, jamais farei algo que possa magoá-lo.

— E acha que nosso casamento iria magoá-lo?

— Para ser honesto, Meiko, acho que ele ficaria muito irritado conosco. Afinal, não é nenhuma novidade o fato de papai desaprovar seu comportamento.

— Não seja grosseiro! — ela protestou com voz chorosa. — Eu o amo, Kaito, e prometo fazê-lo muito feliz depois de me tornar sua esposa.

O conde vestiu depressa o fraque elegante que usara na noite anterior. Ao mirar-se no espelho, a fim de ajeitar a cabeleira azul-escura e farta, ele comunicou:

— Acho melhor falarmos sobre isso depois, pois não há nada a ser discutido no momento. Por que não volta para o campo a fim de dar assistência a seu esposo moribundo? Ou prefere continuar escandalizando a sociedade de Londres?

Quando terminou de falar, ele se aproximou da cama. No mesmo instante, lady Meiko estendeu-lhe os braços.

— Dê-me um beijo de boa-noite, meu querido Kaito — ela implorou. — Não pode me deixar aqui, infeliz e desamparada.

Diante do protesto, o conde não fez nenhum comentário. Limitou-se a tomar a mão da amante entre as suas e beijá-la de leve.

— Obrigado, Meiko, e boa noite — ele despediu-se, sem dar importância ao apelo dela.

Antes que novos protestos se fizessem ouvir, o conde correu para a porta.

— Quando nos veremos novamente? Preciso vê-lo amanhã! Por favor, jante comigo... ou prefere que eu jante com você?

Antes que Lady Meiko proferisse as últimas palavras, o conde já havia fechado a porta atrás de si. Seus passos ressoaram pela escada e ela sentiu uma grande angústia.

Por um momento, se perguntou se deveria correr atrás dele. Porém, sabia que o conde se desvencilharia facilmente dela e ganharia a rua, ignorando seus protestos. Irada, esmurrou o travesseiro com ambas as mãos.

Apesar de não ter percebido antes, agora ela tinha certeza de que jamais se casariam. O conde deixara bem claro inúmeras vezes que não pretendia se casar tão cedo.

Nos clubes era conhecido como o "solteirão inveterado".

— Como pode fazer isso comigo? — lady Meiko perguntava-se furiosa.

Ela tornou a esmurrar o travesseiro, descarregando toda sua raiva.

Lady Meiko sabia que não passava de mais uma aventura sem importância na vida do conde.

E ele era tudo o que desejava num marido. Não só pelo fato de ser rico e de um dia herdar o título de marquês de Greystone, mas também porque a excitava mais do que qualquer homem que conhecera.

Lady Meiko chegara a acreditar que o conde jamais a abandonaria. Ela própria mandara muitos homens embora de sua vida, depois de ter se cansado deles. Alguns ficaram tristes, outros furiosos, e alguns chegaram a jurar que um dia ela também sofreria por amor.

— E é isso que está me acontecendo agora — comentou em voz alta na solidão do quarto.

Ela se deitou de costas e fixou os olhos no teto.

Planejava o que faria depois da morte daquele homem cansativo e doente.

Quando fosse uma mulher livre, talvez conseguisse convencer o conde a desposá-la. Recusava-se acreditar que ele pudesse rejeitá-la sem nenhum motivo aparente.

A paixão e ardor com que se amavam a haviam convencido de que, pelo menos fisicamente, o conde lhe pertencia. Contudo, ela sabia que uma parte dele jamais seria sua, apesar de não conseguir entender por que experimentava tal sensação.

Todos os outros homens com quem tivera contato seriam capazes de beijar-lhe os pés, simplesmente por uma noite de amor. Às vezes, quando desejava se livrar deles, lady Meiko se via obrigada e desprezá-los. Apesar da brutalidade com que os tratava, eles acabavam voltando para seus braços, porque ela era irresistível.

— Se eu perder Kaito, juro que me mato! — ela exclamou com voz dramática.

Em seguida, caiu na gargalhada.

Como conseguiu imaginar que o conde seria capaz de resistir a seus encantos? Afinal, ele a desejava na mesma medida em que ela o desejava.

"Fui precipitada demais", admoestou-se. "Devia ter esperado até Meito morrer, para dizer-lhe que desejava tornar-me sua esposa."

Jamais desejara ser esposa de nenhum outro homem que conhecera. Imaginara que o conde ficaria tão excitado quanto ela diante da ideia de pertencerem um ao outro para sempre. No entanto, lady Meiko não esperara por aquela reação.

"Ele voltará amanhã", ela pensou com um sorriso confiante.

Puxando os lençóis sobre o corpo nu, fechou os olhos.

...

Caminhando pelas ruas desertas que levavam a Park Lane, o conde achou o ar frio da madrugada bastante refrescante.

Ocorreu-lhe que o perfume exótico de Meiko o deixava enfastiado. O odor permanecia em seu corpo, mesmo após o banho.

Pensou também que se sentia cansado de ter de voltar para casa sempre antes que o dia amanhecesse.

Era-lhe sempre um grande alívio enfiar-se na cama vazia, na quietude de seu quarto.

Jamais lhe passara pela cabeça, até aquele momento, que lady Meiko pretendia ser sua esposa.

Perguntou-se como pudera ser tão tolo. Devia ter calculado que, depois que lady Meiko se tornasse uma mulher livre, ele seria o mais forte candidato a seu segundo esposo.

Até aquele momento nenhuma mulher com quem tivera um affair de coeur demonstrara desejo de ser sua esposa. A maior parte delas simplesmente dizia:

— Oh, se tivéssemos nos encontrado antes de eu me casar...

E tais palavras eram proferidas com melancolia, tristeza e às vezes até raiva.

O conde sempre reprimira a vontade de dizer-lhes que, se as tivesse conhecido em seu baile de debutantes, não lhes teria dado a mínima atenção.

As amantes costumavam chorar sempre que ele as abandonava, apesar de saberem que os casos de amor chegariam ao fim mais cedo ou mais tarde.

A maior parte dessas mulheres zelava por sua reputação. Cuidavam para que seus maridos não se sentissem afrontados ou insultados pelas atenções que o conde lhes devotava.

Quando conheceu Meiko, o marido já se encontrava muito doente. Por isso não se sentia culpado por enganar lorde Sakine.

— Casamento!

O conde encontrava-se na situação mais difícil que tivera de enfrentar em toda sua vida.

Enquanto caminhava, ele dizia a si mesmo que a união com lady Meiko seria, com certeza, um inferno.

Lady Meiko não era o tipo de mulher que um homem gostaria de ter como esposa.

Kaito não podia conceber a ideia de que ela viesse a se tornar a castelã de Grey, em lugar de sua mãe.

Lady Meiko era bonita, ninguém podia negar, tinha um corpo atraente e belo e era a mulher mais insaciável e ardente que ele conhecia.

Contudo, ele precisava admitir para si mesmo que sentia vergonha por se sentir atraído por aquele tipo de mulher. Seu interesse por ela nascera dos comentários que ouvira de outros homens. Lady Meiko era notável por seu comportamento e pela maneira como desafiava as convenções sociais, agindo com excentricidade.

Aparentemente, ela não parecia se importar com os comentários que faziam a seu respeito.

Ninguém podia negar que ela era uma pessoa notável e que o sangue azul corria em suas veias. E tinha um lugar de destaque na sociedade.

No entanto, o conde admitiu que fora bastante estúpido se envolvendo com ela, a ponto de dar-lhe esperanças.

Meiko atingira uma idade em que não relutaria em se casar outra vez, depois que seu marido morresse. E procuraria uma união com um homem que pudesse lhe oferecer uma boa posição social.

O conde conhecia várias anfitriãs cujas portas estavam fechadas para lady Meiko. Ouviam-se boatos de que a rainha riscara seu nome da lista de eventos e recepções realizados no palácio de Buckingham e no castelo de Windsor.

Apesar de não saber se os comentários eram verdadeiros, o conde tinha certeza de que onde havia fumaça, havia fogo.

Além disso, como podia ele desposar uma mulher que seria a desgraça para o nome de seu pai? O velho marquês nunca o perdoaria se ousasse tomá-la por esposa.

"Fui um tolo!", o conde se repreendeu ao entrar na Park Lane.

Foi então que, ao se aproximar da casa de seu pai, o conde se lembrou inesperadamente de lady Hatsune.

Durante os dois últimos anos, ele fora sempre protetor de seu pai, pois o marquês era um homem exageradamente generoso. Não recusava ajuda a ninguém.

Havia inúmeros jovens para quem o marquês estendera a mão e agira como um verdadeiro pai, no momento mais crítico de suas vidas. O marquês lhes pagava dívidas e os mandava para o exterior, quando se envolviam em escândalos. Uma vez, ele chegara a impedir que um homem se batesse em duelo por uma causa estúpida.

No início, o conde se divertia com a preocupação que seu pai demonstrava por outras pessoas, especialmente os mais jovens. Porém, à medida que o tempo passava, ele sentia que seu pai ia longe demais.

O conde resolvera consultar os administradores do marquês. A informação que obteve foi que seu pai gastava dinheiro demais com esbanjadores, que só o procuravam quando precisavam de ajuda.

O conde aceitara a generosidade do pai, por entender que se sentia muito solitário sem a companhia da esposa. Porém, apesar de o marquês não perceber, Kaito sabia que as pessoas para quem seu pai era generoso tiravam proveito de sua bondade.

Fora natural, portanto, que ele ficasse desconfiado assim que seu pai recebeu a carta de lady Hatsune.

— Por que diabos elas deveriam recorrer ao senhor, papai — ele perguntara intrigado. — Afinal de contas, já faz muito tempo que não vê sir Kotaro.

— Amizade não depende de tempo — o marquês replicara. — Sir Kotaro sempre foi um grande amigo e, apesar de muitos anos terem passado sem que nos víssemos, jamais me esqueci dele.

— Entendo o que sente, papai — o conde concordara —, porém, sir Kotaro é uma coisa, e sua viúva e filha, outra completamente diferente.

— É claro que devemos recebê-las aqui — insistira o marquês. — Como posso recusar-lhes hospedagem?

Como não desejava aborrecer o pai, o conde guardou para si todas as objeções. Porém, ele se via na obrigação de livrar-se das duas moças, caso se tornassem um incômodo para seu pai.

Imaginara que lady Hatsune era uma mulher de meia-idade, de cerca de quarenta anos. Como aparentemente ela não tinha amigos, o conde a imaginava como uma mulher enfadonha e simples demais.

A filha de sir Kotaro, por sua vez, devia ser tagarela e desajeitada, como todas as debutantes. Faltava-lhe com certeza refinamento, o que certamente adquiriria depois de casada.

Determinado a proteger o pai contra visitas inoportunas, Kaito fizera questão de ficar em casa, esperando pela chegada de Miku e Luka.

O mordomo as anunciara.

Quando as jovens entraram na sala, o conde julgou que deveria haver algum engano naquela história toda. Com certeza aquelas não eram as mulheres que haviam escrito a carta, na intenção de virem a Londres.

Luka era, inegavelmente, bonita.

Ele jamais esperara que sir Kotaro, apesar de sua boa aparência, pudesse ter uma filha tão bela.

Porém, lady Hatsune era um enigma.

O conde percebera um certo nervosismo nela ao chegar, o que era compreensível.

Alguns minutos depois, ele notara que lady Hatsune olhava-o com uma certa hostilidade. Não conseguia entender por que a moça não se mostrava satisfeita ao vê-lo, e nem o achava atraente como acontecia com todas as outras mulheres. Afinal, o conde era um homem inteligente e bastante astuto.

O primeiro-ministro, Benjamin Disraeli, comentara com ele na semana anterior:

— Você é exatamente o homem de que preciso para essa missão, Kaito. Por que não vai para Viena conforme lhe pedi?

— Porque sei muito bem o que esse tipo de missão implica — o conde respondeu. — Por outro lado, prefiro me divertir em Londres a ter de deixar meu país.

— Entendo seu ponto de vista — o sr. Disraeli replicara com voz seca. — Na sua idade, diversões vêm em primeiro lugar.

Então, com voz firme e denotando astúcia, o primeiro-ministro comentou:

— Conheço-o desde criança, Kaito, e sei que é muito mais inteligente e esperto do que parece. E é por isso que precisava de sua ajuda neste momento.

— Terá de esperar até o inverno, amigo. Mas é claro que me sinto bastante lisonjeado em saber que me escolheu para suas missões "perigosas".

O sr. Disraeli recostou-se na cadeira e caiu na risada.

— Você é mesmo incorrigível! — queixou-se. — Um dia sei que vou encontrar um argumento para convencê-lo. Não sei se ajudaria dizer que as mulheres de Viena são lindíssimas.

— Eu já as conheço. E prometo pensar seriamente na próxima proposta que me fizer. Por ora, acredito que precisará encontrar um outro homem para a missão.

O sr. Disraeli tornou a cair na risada, e então comunicou:

— Seu problema, Kaito, é que foi mimado desde bebê. As mulheres o acham irresistível, porém, eu não estou interessado em seu charme e boa aparência. É sua inteligência que eu quero.

— Sei que tenta me persuadir com essas palavras — o conde contrapôs —, mas infelizmente eu já conheço seus métodos muito bem. Apesar de Sua Majestade ter sucumbido às suas lisonjas, eu, ainda que com dificuldade, consigo resistir a elas.

O primeiro-ministro atirou as mãos para o alto.

— Muito bem — ele falou —, você venceu desta vez! Mas saiba que não vou desistir.

O conde estendeu-lhe a mão.

— Vossa Alteza sempre foi muito gentil para comigo — ele começou — e sei o quanto papai o admira. Quando tiver um minuto de folga, por favor, vá visitá-lo. Papai fica muito sozinho e não tenho a intenção de deixar Londres no momento.

O sr. Disraeli piscou os olhos.

— Vejo que está usando meus métodos contra mim — ele se queixou. — Muito bem, Kaito, mas não se esqueça de que voltarei a bater em sua porta e, quando isso acontecer, sei que me deixará entrar.

Enquanto caminhava, na direção da porta, o sr. Disraeli pousou a mão sobre o ombro do conde.

— Você é desobediente e rebelde, mas todos nós o amamos.

O conde sorria quando entraram no corredor e, ao retornar a sua mesa, o sr. Disraeli balançou a cabeça.

Ao se aproximar de sua casa com o sol surgindo detrás do horizonte, Kaito se lembrou de como o primeiro-ministro elogiara sua inteligência.

Sentia também que havia algo em torno de lady Hatsune que o perturbava. Não sabia precisar o que era, mas ao mesmo tempo aquilo o intrigava.

Intrigava-o também a beleza da moça. Como era possível que uma mulher tão bela pudesse ser mantida no ostracismo por tanto tempo?

Pelo comportamento e maneiras de lady Hatsune, supunha-se que ela tivesse vinte e cinco anos. Como era possível que alguém que a tivesse visto na companhia de sir Kotaro a esquecesse?

Enquanto caminhava tentava se convencer de que suas suspeitas a respeito de lady Hatsune eram infundadas.

É claro que logo constataria que as duas mulheres não eram assim tão belas e adoráveis quanto aparentavam.

Lembrou-se que, num impulso, havia convidado lady Meiko e alguns de seus amigos para o jantar. Sua ideia fora a de comparar a amante com lady Hatsune e sua enteada.

Estava convencido de que, quando estivessem ao lado da mulher sofisticada e adorável com quem passava a maior parte de seu tempo, as duas jovens pareceriam insignificantes e sem atrativos. Elas não passariam de "caipiras".

Sabia que aquela atitude contrariava seu pai, que detestava lady Meiko.

E a convidara porque desejava encontrá-la mais tarde, desafiando sua própria consciência.

Não ter atendido ao pedido do primeiro-ministro enchia-o de remorso.

Precisava provar a si mesmo que lady Meiko era um mulher irresistível demais, a ponto de justificar sua permanência em Londres.

Ela fizera uma entrada triunfal na sala de estar naquela noite, Kaito ainda se lembrava. Quando lady Meiko chegou, com um vestido adornado de plumas, lady Hatsune deixou escapar uma exclamação. O conde a viu observar a recém-chegada com olhos cheios de espanto.

Mas uma coisa não podia negar: lady Hatsune, com seu vestido modesto, chamava muito mais a atenção do que lady Meiko.

Também percebeu a manobra de seu pai ao colocar Luka sentada a seu lado, durante o jantar.

Será que o marquês julgava possível que o filho se apaixonasse por uma jovem de apenas dezoito anos e que jamais viera para Londres?

Não restavam dúvidas de que Luka era bonita. Seus cabelos róseos e os olhos muito azuis faziam dela o sonho de qualquer inglês que estivesse à procura de uma esposa.

O conde, porém, sempre se sentira atraído por mulheres de cabelos escuros ou azulados, apesar de ter tido alguns affaires de coeur com mulheres de madeixas claras no passado.

Ao transpor os portões de Grey House, o conde ria de seus próprios pensamentos.

Seu pai tivera o cuidado de dispor a mesa do jantar, de forma que o ladeassem um anjo e um demônio.

— O bem e o mal — murmurou para si mesmo.

Perguntou-se se alguém mais acharia aquela história divertida e incomum.

Notara, ao subir os degraus, que lady Hatsune o observava do outro lado da mesa. Tinha quase certeza de que ela também o imaginava sentando entre o bem e o mal.

Quando o conde chegou em casa, um lacaio sonolento abriu-lhe a porta. Dali a uma hora, as criadas já estariam arrumando a parte inferior da casa e limpando o chão.

O conde entregou ao lacaio a capa, o chapéu e a bengala.

— Boa noite, James — ele saudou, ao se virar para as escadas.

— Boa noite, milorde — James replicou.

O conde atravessou o corredor na direção de seu quarto. A maior parte das velas nos candelabros havia sido apagadas. Algumas, porém, achavam-se acesas para orientar-lhe o caminho.

O conde passou pela porta de lady Hatsune e perguntou-se o que ela pensaria se soubesse que estava chegando tão tarde.

Imaginava que, apesar de sua idade, lady Hatsune ignorava os modos de vida da sociedade londrina.

Balançou a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos. Todas as mulheres que conhecia, especialmente as bonitas como lady Hatsune, não conseguiam olhar para um homem sem imaginá-lo como seu futuro amante. E era justamente aquilo que o intrigava: ela não demonstrava o que sentia.

"Aquela expressão de inocência não me engana", o conde pensou, "e eu não sou nenhum tolo a ponto de me deixar levar". O conde pediu ao valete que o deixasse sozinho no quarto. Despiu-se e se enfiou na cama depressa.

Naquele instante, pensou que para esquecer a insaciável lady Meiko não havia nada melhor a fazer do que voltar sua atenção para lady Hatsune.

Afinal, ela se encontrava ali, a seu alcance.

Com certeza, ele não fora muito educado, recusando a atenção que a moça merecia, como hóspede na casa.

Luka era o único recurso que seu pai tinha em mãos, para afastá-lo de lady Meiko. Porém, o conde não se interessava por mulheres jovens como ela. Além disso, a garota sem dúvida só devia conversar sobre trivialidades e assuntos sem importância.

Se lady Hatsune fora esposa de sir Kotaro, devia ser pelo menos inteligente.

Sir Kotaro era conhecido como um homem charmoso, cordial e amado por todos. Portanto, ele jamais escolheria por esposa uma mulher que não tivesse boas qualidades.

Quanto mais pensava no assunto, mais se convencia de que valia a pena conhecer melhor lady Hatsune.

Ele só não conseguia entender a hostilidade que via em seu olhar.

Ao pensar nisso, lembrou-se de que lady Hatsune o evitara depois do jantar. E não houve nada que ele pudesse fazer para se aproximar dela. Ela sempre se esquivava, indo conversar com outras pessoas.

E, o que era mais estranho, não demonstrara nenhum interesse nele.

Luka, por sua vez, se divertia muito.

O conde deixara-a aos cuidados de seu jovem sobrinho, imaginando que ambos se dariam muito bem, por terem a mesma idade.

De qualquer forma, ele não podia ter tomado nenhuma outra decisão com relação à garota, tendo lady Meiko agarrada a seu pescoço. A amante tivera o cuidado de não deixá-lo dançar com nenhuma outra mulher.

Em vez de dormir, o conde outra vez se perguntou por que lady Hatsune preferira ficar na companhia de seu pai.

Durante o jantar, ele notara o olhar de desprezo que a moça lançara para lady Meiko. Era óbvio que lady Hatsune, como seu pai, também imaginava que Luka seria a esposa ideal para ele.

Sem dúvida, o marquês contara-lhe que se casara com uma mulher de dezessete anos.

O conde amara profundamente a mãe, tendo sofrido muito por ocasião de sua morte.

Na época ele se encontrava em Oxford.

Quando lhe disseram que sua mãe havia falecido, foi como se o mundo a seu redor tivesse se desmoronado.

Sabia que seu pai devia sentir muito a ausência da esposa. Fizera tudo a seu alcance para arrancá-lo da depressão em que mergulhara no início.

Depois disso, o marquês passou a ser generoso com todas as pessoas que o procuravam em busca de ajuda.

Apesar de ser grato a tudo que fazia seu pai feliz, o conde tinha algumas reservas em relação a sua generosidade.

Comentava-se em todos os lugares de Londres que quando o assunto era dinheiro, o marquês o resolvia. E todas as pessoas que procuravam o marquês jamais pediam em vão.

O conde sabia que sei pai tencionava oferecer uma festa a fim de apresentar Luka e lady Hatsune à sociedade. Tomava também todas as providências para que Luka fosse apresentada à corte, com toda a pompa e beleza.

O marquês, com certeza, preocupar-se-ia até com o vestido que a garota deveria usar.

— Contanto que não seja um vestido de casamento! — ele exclamou em voz alta.

O conde fechou os olhos e tentou dormir.

De súbito, perguntou-se outra vez como era possível que lady Hatsune se mostrasse tão inocente.

Ela mais parecia uma moça solteira que nada sabia sobre amor.

Notas finais
Desculpem-me por sempre atrasar a atualização dos capítulos em ambas as fanfics. E gostaria de avisá-los que irei começar a postar novos capítulos de duas em duas semanas, já que meus compromissos estão começando a sugar todo o tempo que eu disponibilizo para escrever as fanfics. Me perdoem caso tenha algum erro ortográfico no texto. Eu o escrevi com um pouco de pressa. Enfim, sou muito grata à todos vocês, leitores lindos, que comentam e favoritam a história! São incríveis, e sou muito grata por tê-los! Espero que tenham gostado e até a próxima!