The Music Is In Our Veins - Interativa
3 Capítulo 2
Notas iniciais
"Love me tender, love me sweet
Never let me go
You have made my life complete
And I love you so"
Os corredores estavam silêncios, até porque todos se encontravam no anfiteatro, mas a calmaria foi quebrada pelo moreno de cabelos encaracolados que corria e praguejava para o vazio.
– Como um ser-humano pode ser tão ruim? – Arthur Obonnel estava terrivelmente atrasado, e a loura da recepção não queria deixar com que fizesse sua audição. Alexandria tinha todas as características que ele abomina em uma pessoa. Metida, pretensiosa, ignorante e com nenhum senso de humor.
Ele se perguntava se todos na escola seriam do mesmo modo, e o fitariam através de sua alma.
Pelo número que recebera na recepção, da loura contrariada, ele seria o segundo a se apresentar e pelo o que ela falara já havia mais de trinta minutos que as audições tinham sido anunciadas.
Arthur sempre se atrasava para seus compromissos, mas naquela tarde queria muito ter sido pontual pela primeira vez na vida.
Ele ainda corria pelo corredor, descontroladamente, quando viu que uma porta logo a sua frente se abria. Graças a sua velocidade, ele não conseguiu desviar a tempo e acabou trombando com um homem que saía da sala.
– Meu café! – falou o homem, que fitava a caneva vazia, com incredulidade.
– Minha roupa, cara. – resmungou Arthur em resposta, já que sua camisa do Metallica estava arruinada. O homem do café tinha um crachá semelhante ao da loura na recepção, ele apertou os olhos para ler o que estava escrito. – Henry? Você trabalha aqui? Acho que pode me salvar. Estou atrasado, sujo e preciso fazer uma audição. – ele apontou com a cabeça para o violão que carregava consigo.
Henry arfou enquanto olhava para o rapaz, tendo uma expressão pensativa tomando conta de seu rosto. Ponderava entre ajudar o garoto e pegar um pouco mais de café.
– Tudo bem. Não temos muito tempo, abotoa a camiseta e me segue. – com suas passadas largas, ele preencheu o corredor para pegar um atalho até o anfiteatro.
Arthur o seguiu, enquanto abotoava a camiseta de flanela para esconder a mancha de café. Henry conhecia muito bem aqueles corredores, e o moreno agradecia silenciosamente por tê-lo encontrado.
– Você tem jeito de ser um carinha bem bacana. – comentou Henry, já arfando, por ter que andar rápido demais. – É melhor se sair bem naquela apresentação, garoto. Quero você nas minhas aulas.
Arthur inflou os pulmões com orgulho, Henry nem sabia de seu empenho musical e o queria nas aulas. Daria o melhor de si para que isso ocorresse.
Henry parou de súbito. Agora os dois estavam em frente a uma porta parisiense, qual Arthur julgou ter detalhes demais.
– Preparado garoto? – o homem o olhou com um sorriso brincalhão e empurrou a porta.
O púbere, tentando conter o nervosismo, respirou fundo e entrou no anfiteatro. Tirou o seu violão das costas e grudou-se a ele, como um escudo de proteção.
– PRÓXIMO! – gritava um moreno alto, no que ele distinguiu ser a bancada do júri, enquanto uma garota era tirada as pressas do palco, aos prantos.
Henry deu um assobio tão alto que todos puderam ouvir e voltaram sua atenção a eles. A ruiva que estava no palco, parecia exasperada ao vê-los e desceu rapidamente, indo de encontro à dupla.
Arthur queria se esconder, e se tivesse forças sairia correndo dali, mas suas pernas não o deixavam dar um passo sequer.
– Liz, deusa Nórdica. – brincou ele com a ruiva. – Esse rapazinho aqui tem que fazer uma audição. Quebra esse galho pra mim, vai?
Elizabeth olhou por cima do ombro de Henry, e viu um garoto moreno de cabelos encaracolados que sorria embasbacado para ela. Não tinha como negar tal pedido. – Sobe lá, garoto. Rápido antes que eu mude de ideia. Enquanto a você, Sr. Smith. Deveria estar sentado naquela bancada com os outros e eu espero que faça isso bem rápido. – a medida que falava seu rosto ia se avermelhando e fazia as sardas, que lhe cobriam a face, saltarem.
– Acalme-se, moranguinho. O tio Henry já vai pra lá. A boneca está de mau-humor? – referia-se a Anthony que ainda resmungava lá na frente. Eliza concordou em um gesto rápido com a cabeça, sacudindo os fios cor de fogo. – Traz café pra mim, Liz? – ele colocou a caneca na mão da ruiva e saiu andando de seu jeito engraçado até a bancada dos jurados.
Pasma, ela olhava para a caneca em sua mão e segurou-se para não estilhaçá-la em milhares de pedacinhos. Ouviu um pigarro atrás de si, e virou-se para dar de cara com o garoto que nem se movera. – Meu Deus, você ainda está ai? Vai lá, agora. – resmungou, sem paciência.
Arthur ria internamente com toda a implicação que Henry tinha com a professora ruiva. Não podia negar que ela era bonita, e ainda por cima usava uma camiseta de suas bandas favoritas. Porém, tinha um pavio curto e paciência mínima. Não iria ficar ali para ser uma vitima da “mulher TPM”. Ele saiu correndo para o palco e estremeceu assim que a luz do holofote foi jogada em sua direção.
– Finalmente, alguém nesse palco. Qual seu nome, rapaz? – Anthony estava alvoroçado e se sentou, desconfortavelmente, na cadeira.
– Arthur Obonnel, senhor. – respondeu o garoto, que desencapava o violão para começar sua apresentação.
– Voz e violão. – disse Henry, mostrando empolgação. – O que vai cantar pra gente, Arthur? – ele falava como se nada tivesse ocorrido, e como se fosse a primeira vez que o vira.
– Love Me Tender, Elvis Presley. – dedilhou algumas notas no violão.
Anthony ficou fascinado com a escolha da música e se aprumou em seu assento. – Pode começar, querido.
Arthur fechou os olhos e começo a dedilhar a introdução, seu timbre tão envolvente e macio começou a embalar a todos que ali estavam. Enquanto cantava ele ouvia o suspiro das garotas e o desdém dos rapazes. Algumas palmas foram distinguidas por ele, no meio do burburinho da multidão, e isso o fez abrir os olhos. Henry o fitava com um largo sorriso e os demais jurados estavam atônitos.
Anthony se levantou, subitamente, fazendo Arthur parar de cantar.
– Eu não sei o que lhe dizer, rapaz. – arfou o diretor – Você tem um virtuoso senso rítmico, força interpretativa e um timbre de voz marcante. Acho que é unanime quando digo: Bem-vindo a Europe Arts School.
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