The Music
21 Capítulo 20
Notas iniciais
Desço do carro e vou andando a passos curtos em direção ao festival. Ajeito meu vestido um pouco e adentro pelo grande arco de flores que tem na frente do colégio.
Vejo pessoas conhecidas e também pessoas que nunca se quer vi na minha vida, pessoas sem importância. Passo as mãos nos meus cabelos encaracolados e negros e continuo andando em direção a... A qualquer lugar em que eu possa me divertir.
Sinto uma mão segurar meu pulso, olho para trás e vejo a criatura que não queria ver tão cedo, Chuck!
– Algum problema? – pergunto séria arqueando uma sobrancelha.
– Te disse que não desistiria fácil. – arqueei mais ainda minha sobrancelha – Você vai ser minha!
– Me solta! – ele não obedeceu – Chuck você é surdo? – começo a aumentar o tom de voz – me solta! Eu não quero nada com você! Eu não gosto de você!
– Você gosta de quem? Do Gabe? – ele parecia com raiva e apertava cada vez mais meu pulso.
– Você tá me machucando!
– É, — ignora o que eu falo – bem que meu pai fala que mulher gosta mesmo é de sofrer! Mas sabe, eu não sou o tipo de cara que gosta de perder.
– Do quê que você está falando? – estou começando a ficar com medo, ele está com um olhar maníaco.
– Se você não quer me amar por bem, vou te fazer me amar de uma forma ou de outra! – diz sorrindo como um psicopata.
– Me solta Chuck! Me solta! – começo a gritar, mas parece que ninguém ao redor presta atenção em nós. Devem estar pensando que é só mais um casalzinho brigando, mas esta longe disso. Quando estava me preparando para chutar seu amiguinho entre as pernas vejo uma mão tocar seu ombro.
Ele lhe dá um sorriso estilo anime enquanto o Chuck o fuzila com o olhar.
– Não vê que está atrapalhando?
– Me desculpe cavalheiro – falou pegando a mão dele e soltou do meu pulso que já estava vermelho, logo depois entrou na minha frente me escondendo. – Mas a escutei perfeitamente dizer que queria ser solta.
– Quem é você pra vim me dizer o que fazer?
– Alguém que recebeu uma boa educação de família, e que sei muito bem como tratar uma mulher.
– Com quem você prefere ficar Barbie? Comigo ou com ele? – disse me olhando com um olhar maníaco como se me ameaçasse. Seguro a barra da camisa do meu protetor e me escondo atrás dele.
– Acho que a resposta é óbvia. Se quiser nos dar licença. – falou esticando a mão o mostrando o tal “caminho de saída”.
Chuck me encarou com uma cara estressada e maníaca me dando mais medo com suas palavras.
– Vai se arrepender dessa escolha Bárbara Smith! – cuspiu meu nome.
Jerry balançou o rosto de forma negativa.
– Tisc-tisc! Cansei de ser cavalheiro. – Antes que me desse conta, ele segurou Chuck pela camisa e o levantou no ar [nada difícil para uma pessoa forte como ele e uma pessoa esquelética como o Chuck]. Seu rosto que antes era de pura alegria agora estava sério. – Quem vai se arrepender vai ser você se continuar a perturbar ela entendeu? – Chuck só o encarava assustado. – Você entendeu? — Cuspiu as palavras na cara do maníaco. Ele assentiu fortemente com a cabeça e Jerry soltou-o. Ele levantou-se do chão e saiu rapidamente de perto de nós.
Ele bate suas mãos uma na outra como se as limpasse e falou ainda de costas para mim.
– Humpf! Pensei que ele fosse um nerd legal. – ele se virou pra mim com expressão de preocupação – Você esta bem? – disse segurando meu rosto entre suas mãos. Assenti um pouco. – Deixe-me ver seu pulso.
Ele o analisou com cuidado e depois deu um beijinho suave nele, o que estranhei pra caramba! Nenhum garoto havia me tratado com tanta gentileza na vida. Por causa do meu corpo, meio exagerado em minha opinião, os garotos sempre me viram como objeto sexual, ainda sou virgem, não me levem a mal, mas falo assim por que eles sempre se aproximam de mim para depois tentar me agarrar e tirar minha virgindade. Já cansei de ouvir sempre a mesma frase “Se você já tem esse corpão ainda virgem, imagine depois de perder comigo?”, e então eu via que não passava de um objeto sexual pra eles.
– Pra sarar! – escuto suas palavras depois de soltar meu pulso com cuidado. Dou um sorrisinho e viro meu rosto por vergonha.
Vejo que ele também está com vergonha, pois abaixa a cabeça e quando levanta está parecendo um tomate. O que me faz rir.
– E-Eu, eu tenho que ir ali ver se o Chris já chegou. Por-por causa do plano sabe.
– O-ok! – Merda! Porque gaguejei?
~*~
Assisto uma menina cantar “Perfect two” no palco enquanto como um algodão doce rosa. Amo rosa!
Começo a cantarolar baixinho junto com ela.
“You can be the prince and I can be your princess
You can be the sweet tooth I can be the dentist
You can be the shoes and I can be the laces
You can be the heart that I spill on the pages...”
Escuto dois longos e fortes braços cercarem minha cintura. Eu conheço aquelas mãos e aquele perfume. Ele cheira meu pescoço e eu me viro.
– Olá princesa! – diz ele cinicamente enquanto me puxa para ele. O empurro e me largou dele passando a mão no meu vestido para limpá-lo, tenho nojo desse moleque.
– O que você quer? – disse bruta, direta e com uma sobrancelha arqueada.
–Não é claro? – vinha se aproximando de novo só que eu logo o distanciei. – Qual o problema?
– Cansei de ser brinquedo.
– O que?
– É isso mesmo que você ouviu. Cansei de ser seu brinquedo! Achei alguém que me valoriza que cuide de mim. Ele pode não gostar de mim, mas estou aprendendo a gostar dele e ele é MUITO MAIS HOMEM do que você já foi sua vida toda. – cuspi essas palavras na cara dele e me virei para sair, mas ele puxou meu pulso. – O quê que é hein? Hoje meu pulso tá dando bolsa família pra todo mundo tá agarrando ele?
– O que? Quer saber esquece! O que você esta falando?
– Que eu nunca mais quero te ver na minha vida Gabriel Chanse.
– Você nunca vai conseguir amar outro cara que não seja eu!
– Quer apostar?- por obra magnífica do destino meu príncipe vinha em minha direção, talvez para me salvar novamente, não sei. Assim que ele se aproximou de mim o puxei pela gola da camisa e lhe tasquei um beijo.
Ele de inicio pareceu surpreso, mas logo depois fechei meus olhos e não demorou muito para sentir suas mãos irem para minha cintura, e ele aprofundar o beijo.
– Quer saber, fica aí com esse bostinha! – escutei suas palavras de longe, mas não dei muita importância.
Depois de algum tempo nos beijando nos separamos por falta de ar.
– Você tá podendo hoje hein? Primeiro o Chuck depois o Gabe. – diz depois de um tempo e de nos separarmos.
– Nem me fale nesses idiotas! – disse revirando os olhos.
Sinto suas mãos voltando a minha cintura e ele diz:
– Sei que foi só pra provocar o Gabe, mas quero outro. – antes que pudesse responder seus lábios já estavam de volta nos meus. Separamo-nos por falta de ar.
– E quem disse que foi só pra provocar o Gabe? – seu rosto estava confuso. – O que você diria se eu dissesse que acho que estou começando a gostar de você?
– Eu diria que o sentimento é recíproco! – sorrimos um pro outro e depois embarcamos em outro longo e perfeito beijo.
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