Eu caminhava no pátio imundo da escola. Uma multidão passava a minha volta, gesticulando e resmungando consigo mesmos, como se sentissem solitários em razão a própria multidão que os rodeava. Percebi que me sentia mais sozinho do que nunca, mesmo com Frank ao meu lado falando sem parar. Rowena era a única com quem eu queria estar...

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Finalmente a noite chegou. Tinha chovido de tarde, e as lapides do cemitério estavam molhadas e escorregadias, mas mesmo assim eu me deitei ao lado dela como no primeiro dia.

Rowena estava com a cabeça encostada em meu peito, parecia que estava chorando. Quando a perguntei sobre isso ela me respondeu:

- Se a vida foi cruel o bastante para te negar um sonho. Seja forte o bastante e lhe negue uma lagrima.

Eu apenas acenti com a cabeça. Eu estava com medo de começar uma conversa. Uma conversa triste. Mas ela começou:

-Gee.- ela levantou os olhos para mim – Eu sei que você sabe que eu só tenho dois dias...

-Eu sei...Sinto muito

Era assim? Eu iria dizer sinto muito, virar as costas e ir embora?

Sinto muito. Era o que eu sempre dizia quando sabia que não havia mais esperanças, quando eu havia perdido.

-As vezes sentir muito não resolve nada. –ela deu um beijo na minha testa –Você sabe que eu não vou te pedir para fazer aquilo. Eu te amo, mas não posso te pedir para se desfazer da sua vida.

-Eu não sei o que dizer...

Sim, eu sabia! Mas não tinha coragem. Eu queria dizer que a amava mais do que a minha vida. Mais isso não era o suficiente, eu lutava contra as palavras mais uma vez.

-Eu não sei se sou corajoso para não querer fazer isso, ou covarde por ter medo de ficar com a razão da minha vida.

Rowena se sentou, e sorriu como se tivesse acabado de ter um idéia.

-Me deixe ser a razão da sua morte então.