The Mission
5 Capítulo 4 - Nobody Sees A Ghost
Notas iniciais
Oldale era tão pequena quanto Littleroot, talvez até menor. Não possuía muitas casas, e as poucas que haviam sido construídas eram pequenas e afastadas umas das outras. Havia também algumas árvores, em sua maioria de pequeno porte e muitas delas frutíferas, salpicadas pelos campos verdes e vazios que constituiam a cidade. Não parecia haver qualquer tipo de atrativo nas redondezas, nem ao menos pessoas, o que foi um certo alívio para a garota de cabelos negros. Ela detestava tumultos.
–Por que estamos aqui mesmo? -indagou, em um tom desmotivado e monótono, olhando ao seu redor. A vista era realmente bonita, e a calmaria a contagiava. Calmaria demais. Ela se perguntava quando as coisas começariam a ficar, de fato, agitadas.
–Para levarmos nossos pokémons ao centro. -explicou a mais nova. Ao perceber o silêncio e expressões confusas dos outros dois que a acompanhavam, continuou. -Centros Pokémon são locais onde podemos restaurar nossos pokémons feridos. Após as batalhas que tivemos, eles devem estar cansados.
Maddison já ouvira falar em locais como aqueles, mas nunca estivera nem ao menos perto de um. Na organização, os agentes feridos, tanto pokémons quanto humanos eram tratados pelos cientistas e médicos que lá trabalhavam e, após cada missão, todos passavam por alguns exames que compunham um "check-up" para assegurar-se de que todos estavam em condições de retornar ao campo.
Uma vez que a cidade assemelhava-se mais a uma enorme fazenda abandonada, por seu reduzido território e poucos habitantes, não precisaram andar muito para encontrar uma construção simples de paredes brancas com um enorme "P" em vermelho ao topo, que aparentava ser o único ponto significante do local. As portas automáticas de vidro do prédio de três andares foram abertas quando o trio se aproximou, mostrando um interior um pouco mais movimentado. Alguns treinadores cuidavam de seus pokémons, enquanto outros trocavam palavras com uma mulher de cabelos rosa e vestido branco atrás do balcão. No plano de fundo, havia uma enorme máquina, com seis pequenas cavidades e uma tela grande.
–Então é aqui que estava todo mundo. -Maddison revirou os olhos, segurando Isaac em seu colo.
–Esses treinadores devem estar indo para Petalburg também. -supôs a menina de cabelos de fogo, aproximando da Enfermeira na bancada. -Olá. Será que vocês poderiam dar uma olhada em nossos pokémons? -ela sorriu inocentemente.
–Claro, querida. -a mulher retribuiu o sorriso. -Os seus também? -ela se virou para os dois mais velhos.
Ambos estavam um pouco hesitantes. Nunca haviam se separado de seus parceiros, muito menos os entregado a completos estranhos. Desconhecer os métodos que seriam usados para tratar seu Fennekin era o que a preocupava mais, embora soubesse que ele conseguiria se virar sozinho caso algo desse errado; afinal, havia sido treinado para tais situações. Sabia também que, após a batalha com seu Girafarig, ele estava extremamente cansado e com alguns ferimentos leves; nada preocupante, mas precisariam ser tratados para não se tornarem um problema. Além disso, assumira responsabilidade — mesmo que "sem querer" — por um segundo pokémon, e teria de assegurar que este estivesse saudável também. Então, com uma última piscadela para a raposa amarela, que significava "é só me chamar", ela o entregou à Enfermeira, assim como a pokébola de Alexios, assentindo. Christopher fez o mesmo, logo depois, colocando o Totodile sobre o balcão. Este parecia menos inseguro do que o Fennekin.
–Voltem em uma hora e seus pokémons estaram novos em folha. -a mulher sorriu; um sorriso quente e reconfortante. O tipo de sorriso que havia sido instruída a desconfiar desde o início. Mas Maddison não deu muita importância para isso.
–Uh, Joy. -chamou a mais nova. -Nós gostaríamos de quartos também.
–Oh, claro. -a enfermeira mexeu em algumas gavetas atrás do balcão e retirou duas chaves, entregando-as à jovem.
Então aqueles pequenos centros onde tratavam de pokémons feridos também servia de local de descanso para viajantes? De certa forma, era interessante; no mínimo bem pensado. E fora também um grande alívio para a agente saber que poderia dormir em uma cama; não que se incomodasse muito em dormir no meio da floresta, mas certamente não era muito confortável. Embora acreditasse que ainda poderiam seguir até Petalburg no mesmo dia, pois eram ainda seis horas da tarde, desconfiava que Candice — ou qualquer outro treinador normal — gostasse de viajar durante a noite. Como estava cansada, resolveu apenas aceitar e começou a planejar o que fariam no dia seguinte.
–Vocês... vão dividir o quarto? -a menininha de cabelos flamejantes indagou, fitando os mais velhos.
–Não! -exclamou a outra em resposta imediatamente. Estava, de certa forma, constrangida, e podia sentir seu rosto corando e o riso leve do outro agente. -...Ele pode ficar sozinho. Eu divido com você.
–Não gosto de ficar sozinho. -o loirio mostrou o beiço, fingindo estar triste, mas acabou rindo novamente com o olhar sério de reprovação da colega.
–Tudo bem! -e, como sempre, saiu sorridente, mostrando o caminho.
****
O quarto não era muito grande, mas possuía espaço suficiente para as duas jovens e seus pokémons. Era composto por duas simples camas de solteiro, dispostas uma ao lado da outra e separadas por uma mesinha de cabiceira, sobre a qual havia um abajur. Em uma das paredes, oposto a janela, havia um armário com alguns cabides, mas que não seriam utilizados; afinal, apenas passariam a noite no local, e partiriam de manhã — não seria necessário desfazer as malas. Não havia televisão, o que não chateou muito a mais velha, uma vez que não tinha o costume de passar seu tempo assistindo programas fúteis.
Após deixarem os quartos, o trio seguiu para o pequeno mercado pokémon ao lado do centro para abastecerem-se com poções e pokébolas. Os agentes não precisavam de fato comprar nada, uma vez que a Alpha lhes forneceria o necessário — e até mais -, mas o fizeram para não levantar suspeitas; afinal, que treinador viajava sem medicamentos?
O tempo passou rápido e logo os três retornaram ao balcão da Enfermeira Joy para receber seus pokémons. Maddison surpreendeu-se ao ver o quão saudável e disposto Isaac aparentava; era difícil de acreditar que havia sido revigorado em apenas uma hora. Esse era o tempo que levaria para tratar um agente ferido na Alpha, e lá eles dispunham da mais avançada tecnologia de enfermagem, dos remédios mais eficazes lá mesmo desenvolvidos à soros de rápido tratamento. Apanhou também a pokébola de seu novo Girafarig e, acompanhada de Candice e Torchic, retornou ao quarto. Já eram quase oito horas da noite, e deveriam ir dormir caso quisessem partir o mais cedo possível no dia seguinte. E ela queria. Em seu primeiro dia, não havia descoberto nada à respeito dos Ghosts em seu primeiro dia desde que recebera a missão, o que não a agradava. Gostava de terminar seus casos com rapidez e eficácia.
Deitou-se na cama para tentar descansar um pouco, após um dia de longa caminhada. Isaac colocou-se a seu lado, balançando sua cauda peluda. Embora revigorado, ainda parecia precisar de um pouco de sono.
–Kate. -chamou a mais nova, deitando-se na cama. Ao seu lado estava seu pintinho laranja e, ao chão, sobre o tapete, o Numel adormecido. -Por que você resolveu sair em uma viagem?
–Eu? Bem, por que... -a de cabelos negros vasculhou sua mente em busca de uma resposta plausível para aquilo. Não esperava ser pega de surpresa daquele jeito. -Quero vencer a liga. -disse, sem pensar muito. Nem ao menos sabia direito o que ocorria na Liga Pokémon; rezou para não ser mais questionada sobre o assunto.
–Hm, legal. -respondeu a outra, sorrindo. -Boa noite. -ela parecia estar cansada, uma vez que, provavelmente, teria continuado a conversa.
Maddison sentiu-se aliviada. Não queria mais ter que pensar em mentiras sobre sua vida falsa; aquilo a desgastava. Ao invés disso, aproveitou que Numel estava fora de sua pokébola para tentar novamente descobrir o por quê de ele estar tão afastado de seu habitat. Assim que a menina adormeceu — e soube que o fizera por seus roncos -, a menina de cabelos negros pediu a seu Fennekin para repetir a pergunta ao pokémon dromedário.
Cautelosamente, a raposa amarela moveu-se em direção ao Numel adormecido; este parecia já estar em seu terceiro sono. Teve certa dificuldade em acordá-lo mas, para sua surpresa, este não ficou irritado quando finalmente o fez. Pelo contrário; esboçou um leve sorriso ao deparar-se com o Fennekin. E, agora um pouco mais familiarizado com seu idioma esquecido, Isaac formulou novamente a pergunta, que foi facilmente compreendida pelo outro.
–Numel, nu numel nu. -este respondeu, em um tom de voz baixo para não acordar sua treinadora.
Com um sorriso, Isaac virou-se e subiu na cama da treinadora, para contar-lhe o que lhe havia sido dito.
–Descobriu? -indagou a menina, curiosa.
–Sim. -ele assentiu, sussurrando. -Ele disse qu...
De repente, um barulho terrível foi ouvido. Um grito aterrorizado, que cortava o silêncio da noite tranquila. E este seguiu-se por um pedido de socorro.
O escândalo fez com que a menina de cabelos ruivos, que dormia serenamente, acordasse em um susto, assim como o resto dos treinadores que estavam no centro. Sua primeira visão foi a de Maddison assustada e, quando se entreolharam, não precisavam trocar palavras para saber o que fazer. Correram para fora do quarto, deparando-se com Christopher, que estava no quarto ao lado, tão espantado quanto elas.
–Vocês ouviram? -perguntou o óbvio.
–Sim. -E, sem mais nada dizer, desceu as escadas com rapidez, sendo acompanhada por alguns outros hóspedes que procuravam saber o que havia ocorrido.
As luzes de todo o centro estavam apagadas, inclusive as de emergência. Mas ainda podia-se ver a silhueta da mulher de vestido branco ajoelhada no chão, gritando por socorro.
–Os pokémons! Roubaram os pokémons! -chorava.
Maddison olhava em volta, assim como todos os outros presentes; alguns tentavam também consolar a enfermeira. Mas não era possível encontrar nada na escuridão. Era como se sombras houvessem entrado e furtado o que era de seu interesse, desaparecendo sem que fossem vistos. Como se estivessem camuflados ao breu, tornando-se invisíveis. Eram como...
Fantasmas.
–O que aconteceu? -a jovem de cabelos negros aproximou-se da mulher, enquanto o rapaz loiro procurava o gerador do centro para acender as luzes novamente.
–Eu estava cuidando dos pokémons feridos... -ela fazia pausas, soluçando. -Quando todas as luzes se apagaram. Estava procurando um fósforo ou uma vela, mas antes que pudesse sair da sala, fui derrubada por alguém... ou algo. E quando eu coloquei as mãos no balcão novamente... -sua respiração começava a se tornar mais calma, embora seu coração ainda batesse acelerado. -Não estavam mais lá. Nenhuma delas.
Candice permanecia em silêncio, apenas ouvindo a história. A julgar por sua expressão, ela sentia pena daqueles cujo os pokémons haviam desaparecido. Podia não ter passado muito tempo com Torchic ainda, mas não gostaria de perdê-lo. Assim, ela abraçava o companheiro firmemente em seus braços, como se para não deixá-lo "escapar".
As luzes se acenderam novamente. Alguns treinadores preocupados se desesperavam, saindo do centro para buscar seus pokémons desaparecidos. Mas era em vão; à noite, Oldale era como um grande campo vazio — não que fosse muito diferente durante o dia -, não era possível encontrar nada. Maddison sentiu o terrível desejo de sair correndo para investigar o que havia ocorrido, buscar explicações. Tentar encontrar algum dos assaltantes que possivelmente se perdera no caminho. Mas não o fez. Tentava manter a calma.
–Você sabe o que isso significa, não é? -sussurrou a menina de cabelos negros assim que o rapaz loiro se aproximou. Este assentiu.
–Nós temos que fazer algo. -respondeu, sério.
–Não podemos. Não agora. -ela afirmou. -Se formos vistos por um desses criminosos, comprometeremos o caso. Eles irão saber que a Alpha está atrás deles.
–Ou podem pensar que são apenas treinadores comuns. -o loiro procurava buscar alternativas; como sempre, seu senso por fazer o que era certo falava mais alto. Imaginava como se sentiria caso estivesse no lugar de qualquer outro treinador preocupado. Olhou para o jacaré azulado que permanecia ao seu lado e, através de seu olhar, este parecia dizer que queria encontrar o culpado pela confusão.
–Talvez, mas ainda é muito arriscado. Mesmo que... -Maddison iria continuar, mas fez uma pausa ao ouvir o latido fino da raposa amarela aos seus pés. Ele possuía, em sua boca, uma pokébola. Esta era, porém, ligeiramente diferente de pokébolas comuns; era um pouco maior, e de cores mais mortas. -O que é isso, Isaac?
Embora houvesse feito a pergunta, não demorou muito para perceber o que era; não era uma simples pokébola que havia sido esquecida durante o tumulto. Ela emitia um som de "beep" agudo a cada exatos três segundos. Percebeu que estava certa quando o agente ao seu lado arregalou os olhos e gritou: "Bomba!".
Com isso, todos no local se abaixaram. A menina já havia lhe dado com granadas e bombas caseiras antes, por isso, sabia bem o que fazer. E, como não teria tempo para desarmá-la, teria que procurar uma alternativa. Segurando a esfera, correu em direção à saída o mais rápido que pôde, distanciando-se alguns metros do centro, lançando o objeto o mais longe que conseguiu. Ainda no ar, este emitiu um "beep" final e desfez-se em uma pequena nuvem de fogo e fumaça. Não causara uma grande explosão, para seu alívio, mas, dentro do Centro Pokémon, onde todos estavam concentrados em um mesmo local, teria sido o suficiente para causar um grande desastre. Ao abrir seus olhos novamente, notou Isaac correndo em direção à fumaça. Por um momento, pensou em gritar seu nome, preocupada, mas lembrou-se de que ele sabia o que fazia. Ele também fora treinado para situações como aquela. Alguns segundos após, ele resurgiu da nuvem de poeira e fagulhos, segurando uma espécie de CD em sua boca.
–"Ninguém nunca vê um fantasma. Mas eles extistem." -ela apanhou o objeto, lendo o que estava escrito em seu verso, sobre um símbolo peculiar; um tríscele com um "G" ao centro. Estremeceu.
****
Após a confusão, a maioria retornou aos seus quartos. A chegada da polícia ao Centro trouxera esperança aos treinadores que haviam perdido seus pokémons, investigando o local e rondando os arredores do prédio. Mas Maddison sabia que nada encontrariam. Tudo o que havia de ser encontrado, por intenção dos Ghosts, já havia sido.
A menina de cabelos negros deitava-se na cama, analisando o CD. Sua curiosidade de ouví-lo era enorme, mas precisaria esperar para fazê-lo. Teria de enviá-lo à Atticus primeiro, esse era o protocolo; qualquer pista encontrada deveria ser entregue primeiramente ao Diretor. Mas não podia fazer aquilo enquanto Candice ou qualquer outro que não pudesse saber de seu segredo estivesse por perto. Seu Fennekin, ao seu lado, dormia serenamente, assim como Candice, Torchic e Numel na outra cama.
Christopher havia permanecido no saguão para auxiliar os policiais durante sua busca, mesmo sabendo que não encontrariam nada. Talvez já estivesse novamente no quarto, dormindo. Quanto tempo havia passado desde que chegara ao quarto? Ela não se lembrava. Perdera noção do tempo, e nem ao menos sabia o por quê. Por que estava tão inquieta? Ela resolveria o caso; sempre resolvia. Nunca deixara de completar uma missão. Mas algo sobre os Ghosts a fazia pensar que alguma coisa estava errada.
O que eles estariam fazendo em uma cidade semi-desértica, onde não poderiam causar grande estrago? E para quê roubar pokémons fracos de treinadores iniciantes, se eles já haviam sequestrado líderes de ginásio, julgados os mais fortes de suas respectivas cidades? Não saber o que aquela organização mafiosa tinha em mente a incomodava. Todas as suas tentativas de traçar um perfil falhavam. Porém, lembrou-se de um mistério que poderia resolver no momento.
Aproveitando que Candice e ambos os seus pokémons já haviam adormecido novamente, a garota chamou seu Fennekin, que deitava-se ao seu lado, acordando-o.
–Isaac, você descobriu o que o Numel estava fazendo na rota, certo? -indagou.
–Não exatamente. -o outro sussurrou. -Ele disse que lembrava-se de estar correndo, procurando por alguma coisa. Mas ele acabou tropeçando e batenda a cabeça em uma pedra, então ele se esqueceu completamente do que estava fazendo.
E, assim, mais uma pergunta continuava sem resposta. Aquele realmente parecia não ser o seu dia.
Sabendo que teria de acordar cedo no dia seguinte, a agente esforçou-se para reprimir as milhares de perguntas em sua cabeça. E dormiu.
****
–Candice, você pode ir na frente. Eu e Nathan vamos ficar um pouco mais para... -uma rápida investigação de alto sigilo–Uma batalha de treino.
Maddison, ainda um pouco sonolenta, resolvera ao acordar que poderia descobrir algo sobre os "Fantasmas" entrevistando pessoas que trabalhavam no local, ou que simplesmente estavam lá durante a confusão da noite passada. Mas, obviamente, não podia revelar isso para a garota.
–Tudo bem. Eu e Torchic vamos treinar um pouco no caminho, para enfrentarmos o primeiro ginásio. -a mais nova respondia, sem esforçar-se para controlar a alegria e agitação em seu tom de voz. -Encontramos vocês em Petalburg! Lembrem-se: é só pegar a Rota 102.
–Tudo bem, obrigado. -o loiro sorriu para a menina. -Tome cuidado.
E não demorou muito para Candice e seu pintinho desaparecerem por entre as árvores de Oldale, correndo pelos campos.
–Não quero passar muito tempo aqui. -afirmou a jovem de cabelos negros. -Afinal, as informações realmente importantes estão, provavelmente, no ginásio. Vamos fazer isso rápido. -concluiu.
–Concordo plenamente. -o outro riu. Ele também gostaria de chegar logo ao ginásio, mas por outro motivo.
Aproximaram-se da Enfermeira que estava logo atrás do balcão, ao lado de uma Chansey, mas esta não sabia muito. Descobriram que a Joy presente durante o ocorrido havia sido levada à delegacia, para um interrogatório. Primeiramente, Maddison achou estranho o fato de ambas serem tão parecidas, mas resolveu concentrar-se no que era realmente importante. Seguiram então até uma espécie de faxineiro, que limpava um dos banheiros públicos do centro, fazendo-lhe perguntas simples e não muito suspeitas; típicas de treinadores ingênuos e curiosos. Mas também não descobriram muito.
A informação mais reveladora que adquiriram fora a de um rapaz baixinho de cabelos negros espetados, de aproximadamente quinze anos, acompanhado por um Grovyle, que havia passado a noite no Centro e dizia ter visto um dos "seres invisíveis"; e aquela não havia sido a primeira vez.
–Eu e Grovyle estávamos dormindo ontem, quando ouvimos um barulho. -ele contava, o mais detalhadamente possível. -Olhamos pela janela e vimos um vulto vestindo um manto preto. E, de repente, ele desapareceu, envolto por uma fumaça roxa. Lembrei logo de quando estávamos em uma das rotas e um outro cara desses passou bem perto de nós, mas sem nos ver. Sabíamos que tinha alguma coisa errada. -seu tom era, de certa forma, orgulhoso e heróico, como se ficasse feliz por reconhecer um criminoso. Mas nada de heróico havia em não ter tentado pará-los.
–Grov, Grovyle! -o pokémon lagarto assentiu, como se concordasse com tudo o que o dono dissera.
–Ah, sim... -respondeu Christopher. -Estávamos apenas buscando respostas para o que houve ontem, sabe? Foi uma sorte ninguém ter se ferido.
"Sorte", pensava a menina "Eu e Isaac salvamos vocês".
–É. Vamos indo, Nathan. -chamou, virando-se de costas para o outro. -Espero que encontremos mais do que isso no ginásio. -exclamou, enquanto saíam do centro.
–Eu também. -suspirou o loiro.
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