The Mission
4 Capítulo 3 - Numel
Notas iniciais
–Vamos lá, Torchic. -a menina de cabelos de fogo chamou o pintinho que acabara de ser liberado, observando-o posicionar-se à frente do pokémon dromedário. Este parecia encarar o Tochic com certa falta de interesse.
Intrigada pela curiosa criatura, Maddison rapidamente retirou o aparelho vermelho de sua mochila, apontando-o para o pokémon, e viu Christopher fazer o mesmo. Não demorou muito para que todas as informações sobre este fossem listadas na tela.
–Numel, o Pokémon Dormente. Numel armazena magma quente em suas costas. Quando chove, o magma esfria, deixando seus movimentos mais lentos. -recitou a voz metálica oriunda do dispositivo.
Aquilo não fazia sentido. O aparelho dizia que pokémons daquela espécie costumavam habitar regiões próximas a vulcões e, de fato, não havia nenhum nos arredores da rota. O que aquele Numel poderia estar fazendo ali?
–Eles não são muito comuns por aqui... Parece que é meu dia de sorte! Você será meu! -Candice rugiu, com um sorriso brilhante estampado em seu rosto. -Torchic, comece com o Focus Energy e siga com Scratch!
O pintinho concentrou-se, fitando seu inimigo, enquanto seu corpo todo era envolto por uma aura avermelhada. Em seguida, com um rugido, avançou em direção ao Numel que, despreparado, foi atingido em seu rosto com extrema força, irritando-se.
–O que foi isso? -perguntou a menina de cabelos negros, arqueando uma das sobrancelhas. Ela assistia à batalha com seu Fennekin no colo, ao lado de Christopher e seu Totodile.
–Focus Energy é um movimento que aumenta as chances de um ataque ser crítico. E parece que funcionou. -explicou o loiro.
–E desde quando você virou mestre em batalhas pokémon? -a garota resmungou, observando o rapaz rir em resposta e logo depois voltar a concentrar-se nos dois pokémons de fogo.
Numel parecia enfuricedo. Ele bufava, e uma fumaça quente saia de suas narinas. Finalmente, pisoteou a terra com suas patas dianteiras, com a maior força que conseguiu. Não demorou muito para que o chão ao seu redor começasse a tremer, derrubando todos os três treinadores ali presentes e, obviamente, Torchic. Este parecia colocar-se de pé, mas fora novamente derrubado por uma das rochas que saíra do chão. Quando o pequeno terremoto terminou, o pintinho arfava, aparentando estar cansado.
–Nossa, ele é poderoso. -exclamou a menina, levantando-se boquiaberta. -Gostei. -e ali estava seu sorriso novamente. -Vamos Torchic, sei que você consegue! Use o Reversal!
E uma nova aura vermelha rodeou o pintinho com o comando, mais vívida e intensa. Começou a correr o mais rápido que conseguia em direção ao Numel que, não muito ágil, foi atingindo em cheio, preparando-se para contra-atacar com uma investida.
–Rápido, desvie! -gritou a treinadora, mas foi em vão; seu pokémon fora atingido devido à curta distância entre ambos, e cambaleou. -Não desista, Torchic! -incentivou-o.
Torchic permaneceu caído por alguns instates, mas recolheu suas últimas forças para orgulhar a treinadora.
–Toooooor... Chic! -a fúria em seus olhos era visível, enquanto todo o seu corpo era envolto por uma camada de fogo que, após alguns segundos, desapareceu. Ele arrastou uma de suas patinhas no chão, como um touro pronto para a luta, mostrando-se disposto a vencer.
–Você tem uma resposta para isso também, sabe-tudo? -Maddison tornou a encarar o agente, surpresa e confusa com o que havia acontecido, mas o rapaz encolheu os ombros.
–Essa é a habilidade do Torchic, Blaze. -respondeu a menina de vestido branco. -Quando o HP de Torchic está muito baixo, o poder de seus golpes tipo fogo aumentam. O que significa que ainda temos uma chance! -seus olhos brilharam, esperançosos. -Torchic, Flame Burst!
Em um movimento rápido, o pintinho lançou sua cabeça para trás, concentrando sua energia, e logo uma grande e poderosa esfera de fogo foi formada. Torchic não hesitou em lançá-la contra o Numel que, cansado demais para desviar, foi atingido em cheio, caindo extremamente fraco.
–Ótimo! Pokébola, vai! -a garota retirou uma segunda esfera de seu bolso, lançando-a em direção ao pokémon caído. Um feixe vermelho emanou desta, envolvendo o corpo do dromedário e sugando-o para dentre. Após balançar três vezes, o dispositivo emitiu um som agúdo, indicando que a captura havia sido feita. -Isso aí! -comemorou, antes de voltar sua atenção para o pintinho ofegante. -Você foi ótimo, Torchic! Não teria conseguido sem você. -elogiou, e aquele sorriso no rosto da treinadora foi mais do que satisfatório para o pequenino.
–Parabéns, Candice. -o loiro a incentivou, sorrindo. -Você e Torchic formam uma boa dupla.
–Sim, é verdade... -murmurou a menina de cabelos negros, logo mudando de assunto. -Mas como Torchic conhece movimentos como Flame Burst e Reversal? -arqueou uma das sobrancelhas. Podia não entender muito sobre ataques de pokémon, mas conhecia o básico sobre os iniciais da região em que crescera, e jamais vira um Torchic usar tais movimentos.
–Obrigada. -a garota sorriu, guardando suas duas pokébolas em seu bolso, logo em seguida voltando-se para a mais velha. -Ah sim, esses são os Breed Moves do Torchic. -ao perceber a expressão confusa da outra, resolveu continuar. -Breed Moves são movimentos que os pokémons podem herdar de seus pais. Por isso Torchic os conhece.
–Hm. -ela ainda tinha muito a aprender antes do primeiro ginásio, em Petalburg. Ou, talvez, não; ela apenas precisaria descobrir sobre o sumiço dos líderes. Sua missão era desmascarar os tais "Fantasmas", não tornar-se a melhor treinadora pokémon. Embora ela fosse capaz de fazê-lo.
–Acho que devemos ir andando. -sugeriu o loiro, olhando para a frente. -Parece que temos um longo caminho a seguir. Podíamos parar em algum lugar mais adequado para comer antes.
–Ótima ideia, Nathan! -a mais nova concordou. Mal sabia ela que aquele não era nem seu nome verdadeiro.
O sol incomodava a menina de cabelos negros; provavelmente por estar mais acostumada a sair durante a noite ou de manhã cedo, quando os raios solares e, principalmente, o calor, eram menos intensos. Fitava seu Fennekin caminhando; ele parecia feliz, como se o ambiente mais quente o fizesse bem — ela jamais o vira assim antes. Trocou olhares com o garoto alto, como se dissesse que tinha muito a lhe perguntar. Este apenas piscou, fazendo com que a menina se irritasse ainda mais.
Não precisaram andar por mais muito tempo até encontrarem uma área onde as árvores eram mais escassas; seria o suficiente para sentar-se e comer alguma coisa. Os três, acompanhados do Totodile e o Fennekin, acomodaram-se no lugar, formando uma pequena roda.
–Vocês dois devem estar com fome. -deduziu Christopher, retirando de sua mochila bem-equipada duas tijelas brancas e um saco de ração pokémon, entregando-os à Isaac e Barron. Ambos estavam mais acostumados a comer em uma mesa, mas não deram muita importância para aquilo.
–Bem lembrado! Torchic, Numel, podem sair! -a menina de cabelos de fogo apertou os botões centrais de ambas as suas pokébolas ao mesmo tempo, libertando os companheiros e oferecendo-lhes um pouco de comida.
Maddison observava-a acariciar as criaturinhas e elogiá-los, enquanto degustava um de seus sanduíches. Todos os treinadores eram tão afetivos com relação a seus pokémons? Não demorou muito para que a menina sentisse o olhar da outra sobre si.
–Por que não faz carinho em seus pokémons também? -indagou a jovem, um pouco confusa. -Não me digam que nunca tiveram contato com outros pokémons. -ela revirou os olhos. -Vejam, eles adoram. -sorriu ao pentear o topete de Torchic com seus dedos, e este emitia um som feliz, similar a um ronrono.
A menina de cabelos negros e a raposa amarela se entreolharam por alguns segundos. Virando-se para Chris, Maddison pôde vê-lo brincar com seu Totodile, afagando-lhe a barriga. Então, um pouco hesitante, estendeu a mão ao Fennekin, que permaneceu parado. Com certo cuidado, tocou-lhe os pelos macios no topo de sua cabeça, e observou-o sorrir com a carícia, o que a deixou, de certa forma, feliz. Além de seu parceiro, a menina via Isaac como um amigo, e culpava-se por nunca ter tentado aquilo. Talvez pudesse aprender algumas coisas boas com a menina, afinal. Mas, agora, teria de se concentrar no que realmente era importante: demascarar os Ghosts. Talvez, depois de cumprir sua missão, pudesse dar um pouco mais de atenção à Isaac.
–Bem, o que acham de treinar um pouco, garotos? -perguntou Candice com entusiasmo, e seus pokémons pareciam compartilhar da mesma animação.
–Barron, podíamos fazer o mesmo. -sugeriu o rapaz para o Totodile, que assentiu um pouco hesitante. Mesmo que o garoto estivesse ansioso para enfrentar o primeiro líder de ginásio em sua missão como "treinador", o real motivo para não querer ficar sentado com a outra agente era que sabia que teria de responder ao seu interrogatório. E não queria fazê-lo naquele momento.
–Nós... Vamos só observar. -Maddison afirmou, permanecendo sentada enquanto os outros dois treinadores seguiam para partes mais afastadas. No momento, ela tinha outra coisa em mente.
–Vamos começar, Torchic. Numel, logo será sua vez. -a menina afirmou, acariciando o topete do pokémon dromedário, que se distanciou um pouco.
Assim, Maddison percebeu que aquela era sua chance de descobrir o motivo pelo qual o Numel estava em um lugar tão diferente de seu habitat. Aquela não era sua missão, mas poderia ter algum envolvimento com os tais Ghosts. Além disso, sua curiosidade e sede por informações jamais deixariam aquela peculiaridade passar despercebida.
–Isaac. -a garota sussurrou, fitando seu Fennekin com seus olhos púrpura. -Aproxime-se de Numel e descubra o que ele estava fazendo aqui na rota.
Com um aceno de cabeça, a raposinha seguiu em direção ao pokémon citado. Este parecia bastante amigável, diferente de Isaac, que forçou um sorriso para tentar mostrar-se confiável. Tentava seu melhor para comunicar-se com o Numel, mas havia anos que falava apenas a linguagem dos humanos. Por isso, inicialmente, foi difícil para o dromedário entender o que o Fennekin queria dizer. Assim que conseguira, finalmente, elaborar uma frase em seu idioma que fizesse sentido, Isaac percebeu algo mover-se nos arbustos atrás de onde Numel estava e, assim, voltou toda a sua atenção para isso, não dando ao pokémon a oportunidade para responder.
–Droga. O que houve? -a treinadora pensou alto, observando Isaac distanciar-se do pokémon recém-capturado de Candice. Então, levantou-se para ver o que ocorrera.
Algo parecido com uma bolinha marrom sorridente surgiu de trás do arbusto que o Fennekin farejava e, assim, ele se aproximou para averiguar. Mas percebeu que chegara perto de mais quando o sorriso se desfez, transformando-se em uma boca cheia de dentes afiados que abocanhou o focinho da raposa. Com um grunhido, este recuou, e assim Numel assustou-se. O barulho provocado pela pequena confusão chamou a atenção dos dois outros jovens, que treinavam.
–O que diabos é isso? -exclamou a menina de cabelos negros, observando o estranho ser que atacara seu pokémon. Logo depois, pôde ouvir um barulho similar a um relincho, e ele não viera da criaturinha marrom. Este então sumiu repentinamente e, por cima do arbusto, saltou algo maior do que uma bolinha. Bem maior.
O pokémon fitava os três jovens e seus pokémons, especialmente a raposa amarela que o encarava, rosnando. O quadrúpede possuía um longo pescoço e metade de seu corpo amarelo com manchas marrons e, o resto, com as cores invertidas. Em suas costas, havia uma espécie de crina sólida formada por vários triângulos de cor azul. A criatura assemelhava-se muito à uma girafa, mas apresentava algo extremamente peculiar e surpreendente; uma segunda cabeça, marrom, na ponta de sua cauda. Ela parecia rir.
–Girafarig, o pokémon Pescoço Longo. Girafarig tem uma segunda cabeça em sua cauda que morde aqueles que se aproximam. -a voz metálica da pokédex da menina recitou, enquanto disponibilizava as informações básicas da espécie em sua tela.
–Obrigada pela informação. Ela teria sido útil alguns segundos atrás. -a garota revirou os olhos, mas antes mesmo de poder continuar a reclamar, foi surpreendida por um detalhe. -Esse Girafarig é diferente do que é mostrado na Pokédex... -arqueou uma das sobrancelhas.
–Isso, por que ele é shiny! -explicou Candice, observando o pokémon com olhos brilhantes. -Eu o capturaria, mas como disse, só estou interessada em tipos Fogo. Então, ele é todo seu.
Maddison encarou a criatura por alguns segundos. Não estava interessada em capturar pokémons; nem sequer queria formar um time, embora possuíse todos os equipamentos necessários para fazê-lo. Mas não podia negar que encontrar um shiny era interessante; jamais vira um antes. Admirava a girafa azul, pensativa mas, diferente da garota, o pokémon não parecia ter todo o tempo do mundo.
–Faaaaarig! -ele empinou, pisoteando o chão com força e causando um leve tremor. Em seguida, virou-se para o Fennekin aos seus pés e investiu contra ele, lançando-o para trás.
–Ei! -a menina reclamou, preocupada com o parceiro. Este assentiu, afirmando que tudo estava bem.
–O que está esperando? Lute contra ele! -incentivou o loiro, assim como o Totodile agitado ao seu lado, que dava saltos.
–Não vou lutar contra ele! -recusou a menina, encarando o agente com um olhar de reprovação.
E, novamente, o shiny jogou seu corpo contra a raposa, derrubando-a novamente.
–Você tem que ajudar seu pokémon, Kate! -gritou a menina de cabelos flamejantes, perplexa diante de falta de ação da outra enquanto o Fennekin era atacado.
Maddison observou o amigo caído. Queria ajudá-lo, mas detestaria começar uma briga por nada. Por outro lado, a luta já parecia ter começado, e o atacante não parecia disposto a parar até que um dos dois estivesse caído. A girafa estava prestes a avançar novamente contra a raposa, quando a garota interviu.
–Use Ember contra o chão! -comandou, rapidamente. -Depois, suba em suas costas e use Scratch!
Sem hesitar, Isaac seguiu as ordens da parceira, finalmente começando a revidar. Estufou o peito e lançou uma pequena esfera de fogo que colidiu contra o chão, próximo às patas do Girafarig que, assustado, foi obrigado a parar. Ainda distraído pelo fogo, não percebeu o Fennekin se aproximar e saltar em suas costas e, assim que o fez, cravou suas longas garras em seu pescoço. Com um grunhido de dor, o pokémon começou a remexer-se, tentando livrar-se do inimigo. Finalmente o derrubou, rolando no chão. Em seguida, rodopiou, e várias lâminas de ar foram criadas e disparadas em direção à raposa.
–Isaac, acerte as lâminas com Heat Wave! -a menina proferiu rapidamente, pensando em uma estratégia.
Abrindo sua boca e concentrando seu poder, o Fennekin disparou ondas de calor que, ao chocarem-se com o ataque do shiny, anularam-o. E, por serem mais poderosas, avançaram e atingiram o adversário, que caiu. Em apenas alguns segundos, porém, estava de pé novamente. Agora um pouco mais irritado, este encarou o inimigo por algum tempo, enquanto seus olhos brilhavam em um tom azul vívido, e logo uma aura de mesma cor rodeou o corpo da raposa e ele foi levado para trás pelo poder da mente de Girafarig.
–Wow. -a treinadora surpreendeu-se com tamanho poder; jamais vira um golpe psíquico ao vivo, e era ainda mais incrível do que imaginava. Seu interesse por aquele pokémon tornava-se maior. Mas sua prioridade ainda era ajudar seu Fennekin a se defender. -Isaac, ataque com Ember!
Colocando-se de pé mais uma vez, a raposa fixou seu olhar no oponente ofegante. Começou então a disparar diversas brasas em sua direção e, embora este fosse ágil e conseguisse saltar para esquivar-se de algumas, acabava sendo atingido por grande parte delas. Ele, porém, parecia ter algo maior em mente; enquanto desviava, tentava se aproximar do inimigo.
–Rápido Isaac, não deixe ele te atacar! -instruiu Maddison. -Use Scratch!
E, em um único pulo, o inicial de fogo acertou uma sequência de arranhões no shiny que, após alguns golpes, foi derrubado, e ali permaneceu. Por impulso, a jovem retirou uma das esferas vermelha e branca da mochila, lançando-a no pokémon caído. O dispositivo balançou algumas vezes, antes de finalmente parar e a luz central se apagar, indicando que a captura havia sido feita.
Por um momento, os três treinadores permaneceram em silêncio, assim como seus pokémons, apenas encarando a pokébola. O único som que podia ser ouvido era o da respiração ofegante de Isaac, que mantinha-se sobre as quatro patas com certo esforço.
–Parabéns! -Candice resolveu cortar a calmaria, estendendo a mão para a de cabelos negros. -Foi uma boa captura. Pokémons shiny são bem raros, e esse parece ser bem forte.
–Eu... capturei um pokémon. -a menina se pronunciou, ainda fitando a esfera no chão, sem mover um músculo sequer, ou ao menos virar-se para a jovem que a parabenizava. -...Não sei por que.
–Ora, por que você é uma treinadora, e treinadores capturam pokémons. -o loiro revirou os olhos. -Qualquer um em seu lugar deveria estar muito feliz agora.
–...Feliz? -ela se virou para o Fennekin, como que sentindo-se culpada por usá-lo como uma marionete, comandando-o em uma luta. Mas este parecia enxergar a situação com outros olhos; sorria. Sentia-se poderoso, a adrenalina ainda corria por seu corpo, assim como ocorria sempre que estavam em uma missão. E, então, a menina permitiu-se ser invadida por uma certa alegria. -Eu capturei um pokémon. -repetiu, agora com mais animação, seguindo em direção à pokébola e apanhando-a.
–Esse é o espírito! -riu a menina de quatorze anos. -E como vai chamá-lo? Quer dizer, se é que você irá lhe dar um nome.
–...Um nome? -Maddison olhou para a esfera em suas mãos, pensativa por um momento. -Alexios. -viu o Girafarig azul dentro da pokébola assentir e sorrir.
–...Alexios? -o mais velho segurou o riso, levantando uma das sobrancelhas em direção à menina, como se questionasse seu estranho gosto.
–Sim. É o primeiro pokémon que capturo –e, porvavelmente, o último, pensou -, portanto, faz sentido dar-lhe um nome com a primeira letra do alfabeto.
"ALPHAbeto, isso sim." Pensou o loiro, lembrando-se do costume da organização de entregar nomes falsos aos agentes de acordo com sua ordem de chegada, variando de A (os primeiros) a Z (os últimos). Então, voltou a treinar com seu Totodile.
****
Após o descanso, o grupo voltou a caminhar por entre as altas árvores da Rota 101. Diversas vezes deparavam-se com pokémons selvagens, mas estes não pareciam, de qualquer modo, incomodados com a presença dos jovens ali. Talvez já estivessem acostumados, uma vez que era muito comum a travessia de novos treinadores pelo local.
Candice andava à frente, apostando corrida com seu Torchic. Numel preferira retornar à sua pokébola, por estar cansado demais para andar. Christopher e Maddison estavam mais atrás, sendo seguidos por seus dois parceiros, o Fennekin e o Totodile. Uma vez que não poderia descobrir agora o motivo pelo qual Numel rondava pela floresta, a menina de cabelos negros conformou-se em apenas retirar algumas informações do mais velho ao seu lado.
–Pode começar. -ela disse, sussurrando, para que não fosse ouvida pela garotinha, embora ela estivesse à uma distância considerável.
–Começar? -o loiro arqueou uma das sobrancelhas.
–Não se finja de desentendido. -a agente revirou os olhos. -Por que está aqui?
–O Diretor entregou a missão para mim também, como já deve ter percebido. E como sempre quis sair em uma jornada, obviamente não recusei. -ele sorriu, animado. Embora gostasse e se orgulhasse muito de trabalhar como Agente em uma das mais bem sucedidas organizações secretas do mundo, seu sonho real sempre fora aventurar-se pela região. Este seu sonho, porém, se fora por água abaixo com a morte de seus pais.
–Não estamos saindo em uma jornada, Christopher! -a menina o repreendeu, mas mantinha seu tom de voz baixo. -Precisamos encontrar os Ghosts e acabar com o desaparecimento dos Líderes de Ginásio.
–Eu sei. -o rapaz suspirou, colocando suas mãos nos bolsos da calça. -Mas para nos aproximarmos dos ginásios para recolher informações, precisamos ter um time. Precisamos, ao menos, parecer treinadores. Não podemos levantar suspeitas.
–Você tem razão sobre isso. -a garota concordou, após uma breve pausa. Ainda tinha mais perguntas a lhe fazer, porém, sua atenção fora chamada pela menina de olhos escarlate, que os chamava.
–Venham! -ela gritava, animada. Torchic pulava aos seus pés. -Chegamos à Oldale.
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