The Misery Machine
3 Uma possibilidade louca ou uma loucura possível...
Agnes, limpava o mercadinho com calma ouvindo o rádio com as músicas do momento, após o acidente não mantiveram a Loja de Mistérios, não poderia. Ela cantarolava e tirava poeira, quando ouviu o sino da porta avisando sobre a entrada de clientes.
—Boa tarde, em que posso ser... – a pergunta morreu quando seus olhos contemplaram Velma parada na primeira fileira de mercadoria olhando como as coisas haviam mudado por ali.
Velma deu um passo na direção da mãe, com o texto pronto na sua mente, diria como sentia muito sobre a forma que partiu, que lamentava o tempo que demorou em voltar e a falta de notícias, mas Agnes não lhe deu tempo para isso.
—Mamãe, eu...
Ela finalmente pode abraçar a filha, ela o fez com toda a força do seu corpo, como se este ato impedisse que sua pequena partisse novamente.
—Está tudo bem. – as lágrimas foram mais fortes que ela e sua voz saia quebrada. – Eu compreendo... Está tudo bem...
Velma a abraçou de volta, o perfume da mãe nunca mudou durante toda sua vida. Com muito custo elas se separaram, Agnes observou Velma.
—Meu Deus! O que aconteceu com seu rosto? – Ela tocou de leve o olho roxo da garota. Então olhou para as pessoas atrás de Velma, viu Maddy encarar Deli com olhos bem nervosos e a outra bater de ombros e olhar para longe. – Maddy, pegue algumas ervilhas na seção de congelados, sim? – Disse ao conduzir Velma para um banquinho
— Está tudo bem, Mamãe. – Agnes pegou as ervilhas e fez uma leve pressão no olho de Velma.
— Estou vendo o quão bem você está... Senhorita Blake por um acaso sabe como Velma se machucou? – Deli corou e se preparou para desculpar-se, mas foi interrompida.
—Mamãe, você estava certa. – Velma falava com um sorriso no rosto. – Sempre esteve.
—Sobre o que, carinho?
— Sobre tudo! Sobre os mistérios. Sobre mágica. Existe mamãe, eu tenho encontrado provas, mas hoje eu tive a maior das evidências. – Disse sorrindo.
Agnes olhou de Maddy para Deli e depois voltou a atenção para Velma.
— E qual foi?
— Daph falou comigo.
{...}
A posição que Nan estava era irreal, ela olhava para Velma, o ser mais racional que já existiu, e depois para as outras pessoas na sala. O olho roxo de Velma não lhe passou despercebido, nem a distância que Deli se mantinha.
Ela se manteve em silêncio enquanto Velma explicava a sua última experiência com Daphine.
Agnes possuía o semblante fechado, desde o dia que Velma partiu sentia um desgosto inquietante para com Nan. Maddie tinha pra si que Velma havia perdido de vez o resto de lucidez que ainda possuía. Deli mantinha o rosto impassível, mas as expressões que deixava escapar deixava claro que ela possuía uma crença contrária a de Velma.
— Provas? — sentou-se inquieta. — Precisamos de provas.
— Posso fazer uma análise do local do acidente e…
— Em qual estado você estava suando Daph te contatou? — Raciocinou Nan.
Velma ficou em silêncio. Não queria falar sobre isso, afinal tinha uma razão para somente falar com estátuas.
—Eu cochilei.
— Como você estava se sentindo, imagino que tenha tirado cochilos nos últimos meses. Por que esse foi diferente?
— Eu havia decidido parar. Conseguir um emprego calmo em um lugar que não soubessem quem sou.
Respondeu cabisbaixa. Evitando os olhos de todos ali. E essa foi a escolha certa, a surpresa dominava todos os rostos, exceto de Lilah.
— O que ela disse a você exatamente? — Nan continuou com a voz baixa e delicada.
— Disse que era difícil, havia muito ruído na minha cabeça e que precisava me acalmar.
Nan assentiu.
— Se você estivesse aqui me ouvidos falar tudo que acabou de contar como seria?
— Eu diria que você ou está mentindo ou pirou de vez ou está doente, mas em nenhum dos casos acreditaria em você. — Velma bufou lembrando de como um pessoa séptica se comporta perante tudo aquilo.
— Como provaria pra si que eu não estou mentindo? — Nan ainda tentava encontrar uma solução
— Uma mediação. — Agnes entrou na conversa, conhecia a filha e não queria que ela tentasse algo por sua conta e risco, descidiu, então, encontrar uma forma de ajudar. — Reproduzimos o estado que Daphne te contatou, com perguntas que somente Nan e Deli tenham resposta e chegamos se é real.
— Todos vocês enlouqueceram? — Deli se conteve por tempo demais. — Ela está claramente alucinando e vocês estão dando pilha!
— Delilah Brake, contenha- se. — Nan freiou.
— Mãe, como você pode estar de acordo com isso? — Deli agitava os braços.
— Porque a alternativa e ter a certeza que Daphne nunca mais voltará e eu não estou pronta pra isso. Eu me recuso em enterrar minha filha sem antes ter tentado de tudo.
O silêncio reinou pela sala. Delilah ainda acreditava que essa busca era um caminho de uma pessoa enlouquecida pela perda, mas não sabia se essa definição era para Velma ou sua mãe.
— Eu conheço alguém que pode nos ajudar, ele sempre frequentava a loja de mistérios. Seu nome é Ítalo. — Agnes deu continuidade ao plano.
Maggie arfou.
— Sério mamãe? Ele? — Seu olhar de incredulidade afastou o comportamento de adulta que mantinha.
— Você tem alguma sugestão? — Agnes levantou a sobracelha e ela balançou a cabeça.
— Qual o problema? Ele é um charlatão? — Velma falou pela primeira vez em muito tempo naquela discussão.
— Não, longe disso… ele só insiste que nosso destino é ficar juntos e que teve uma previsão onde isso acontece, parece que eu me declaro pra ele pelo que pude compreender. — Maggie ainda detestava a ideia.
Agnes dá uma risadinha e Velma vira os olhos. Conhece a mãe casamenteira que tem.
{...}
Ítalo se levantou de uma poltrona com calma, alongou o corpo e foi organizar a sala, preparou um café forte, chá calmante e um chá especial. Morava a cerca de uns 4 km de Coolsville. Sua casa não possuía eletricidade, o único objeto eletrônico era um radio de ondas curtas desativado, mas pronto para o uso.
Assou alguns biscoitos afinal, teria visitantes.
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