The Misery Machine

2 Sem desculpa, nem perdões


Notas iniciais
Galera, estou amando escrever essa história, realmente espero que vocês estejam gostando tanto quanto eu. :)

Sete meses atrás...

No instante que Madelyn Dinkley viu Velma depois do acidente seu coração se aliviou, mas vê-la chegar sozinha, com o olhar perdido partiu o mesmo, assim como a ideia de nunca mais ver Salshicha, Fred ou Daphine novamente.

Aquela garota pálida era uma sombra do que sua irmã foi um dia, Maddy não sabia como reagir, o que fazer ou falar. Nada seria o suficiente, mas outros tinham o que fazer e falar, Velma foi examinada, cercada, questionada por todos os lados até que não havia mais nada. A garota tímida se transformou em um ser deprimido e completamente fechado em um universo cercado por culpa.

Dias se transformaram em semanas, em meses. E Velma se mantinha inalcançável, sua família tentava de tudo, nunca desistindo. Tal como Velma, Scooby se calou, vivia jogado na cama de Salsicha, Maddy comprou uma caixa de biscoitos Scooby e caramelos, assim como havia feito em tantas outras tardes foi visitar a família Rogers. Encontrou Maggie, irmã mais nova de Salsicha e lhe deu o mesmo abraço apertado de sempre, seguiu até Scooby, acariciou seu pelo com carinho e se rendeu a tristeza, deixou seu coração falar.

— Não sei o que fazer, Scoobert, não sabemos. Velma precisa de ajuda, mas eu não consigo fazer nada. Ela sempre esteve aqui por mim... – As lágrimas desciam sem controle. Com o passar da tarde ela se acalmou e voltou para casa.

Ao chegar em casa passou por Nan Blake, ela possuía os olhos marejados e passos apressados, deixando as guloseimas que Scooby sequer deu atenção na cozinha e seguiu para seu quarto. Naquela noite Velma se recusou a comer, o que não era novidade. A novidade chegaria no dia seguinte. Bom, chegar não era bem o termo correto a ser aplicado.

Maddy despertou com um telefone, ouviu parte da conversa e levantou-se.

— Não o vimos, um instante, vou ver com Mad. – Agnes Dinkley viu a filha no fim do corredor e acenou para que ela se aproximasse. – Scooby sumiu, não o encontram em lugar nenhum, sabe de alguma coisa?

— Não, ontem ele estava como sempre, vou ver com Vel. – Ela bateu de leve na porta da irmã e não obteve resposta, chamou mais algumas vezes. Tocou a maçaneta e se lembrou das vezes que invadiu o quarto de Vel e recebia um grito seguido de um travesseiro, em dias complicados até mesmo um livro voaria em sua direção. Se sentiria muito feliz se algo do tipo acontecesse. – Vel, desculpa a invasão, mas você... viu... Scoo...

Ela esperava abrir a porta e encontrar os dois ali, abraçados, dormindo profundamente, esperava que o cachorro houvesse entrado pela madrugada de fininho e tirado Velma da inércia na qual ela se encontrava.

Uma coisa era fato, não poderia chamar classificar a situação de Velma como parada...

— Mãe? – Afinal, você tem que estar em movimento quando vai embora. – Velma não está aqui.

Havia somente uma nota:

“Perdão, tive que ir.

— Velma”

Sua mãe chorou, seu pai ficou sério como nunca, chamaram a polícia, mas ela era responsável por si e não precisava da autorização de seus pais. Maddy repensou o dia anterior, uma coisa fora do comum havia acontecido, alguém para ser mais exata, Nan.

Em minutos uma jovem, com óculos de grau para a miopia, cabelos partidos ao meio com gomas os mantendo assim, invadiu a sala da presidência das Indústrias Blake.

— O QUE VOCÊ DISSE PARA ELA? – Maddy praticamente atropelava a secretária sem nem se preocupar.

Nan levantou os olhos da tela vagarosamente, e a virou para Maddy. Na primeira filmagem Velma entrava na garagem dos Blake e saia com a Máquina de Mistérios, na seguinte o furgão passava com Velma e Scooby indo em direção a um dos acessos de Coolsville.

— Acredito que disse o suficiente. – Nan pronunciou com calma, Maddy sentiu ódio, odiou a si por não conseguir salvar Velma, odiou Nan por ter conseguido, odiou Velma por nem se dar ao trabalho de se despedir.

Messes depois, quando soube que Velma estava na cidade só havia um local onde poderia estar.

Agora...

— Velma Dace Dinkley! Se dê ao trabalho de me ouvir quando eu estiver gritando com você!

Velma repensou todas as vezes que tirou Maddy do sério, acreditava que todas às vezes somadas não chegariam perto do quão furiosa ela estava. Ela ficou muda, sem saber o que fazer decidiu ficar parada.

— Sete messes. SETE MESSES! – a moça a pegou pelo colarinho e a empurrou contra a estátua. – Você tem noção, tem a mínima idéia do que passou pelas nossas cabeças! O que tem de errado com você?

Velma tentou responder a qualquer uma dessas perguntas. Ela olhou para Madelyn com extrema atenção, ela não usava mais as presilhas, seus óculos deram lugar a lentes de contato e o jeito despojado agora era sóbrio e neutro.

—Você não foi a única, entendeu? – o aperto foi diminuindo. – Não é a única que sente a falta deles. – a raiva se tornou tristeza e a jovem apoiou a testa no ombro de Velma e deu vazão a dor que sentiu.

Com carinho Velma devolveu o abraço, ainda em silêncio. As lágrimas da irmã lhe trouxeram um sentimento de culpa, mas era difícil para ela estar em Coolsville. Ser conhecida como a que escapou, ser questionada a todo o tempo como conseguiu sobreviver, ou como seus amigos não conseguiram a mesma proeza.

{...}

10 meses atrás...

No começo tudo foi um borrão, sua mente entrou em parafuso e ela se deixou enlouquecer, não queria ou conseguia colocar as idéias no lugar, noites e dias passavam por ela sem que registrasse.

Ela não foi a inauguração da estátua, não conseguia, era pedir em demasia e seus pais não insistiram. Evitava sair de casa, temia encontrar os familiares dos amigos, nem mesmo Maddy ela conseguia encarar. Ela passou messes assim, reclusa, seu comportamento tímido foi intensificado, dava respostas monossilábicas, isso quando respondia.

Em uma tarde Nan invadiu seu quarto, jogou recortes de um jornal de uma cidade de interior na sua cama.

— Daph recebeu uma ligação hoje. – Nan disparou. – Eles não conseguiram falar com ela e tentaram na empresa. Tem uma comunidade no Wisconsin que está sendo assombrada por um Hodag.

Velma não conseguiu olhar para Nan.

— O que você fará sobre isso, Dinkley? – Velma remexia as mãos nervosamente. – Daph ficaria desapontada com seu comportamento, acredito que Fred e Norville sentiriam o mesmo.

Norville, ela esboçou a sombra de um sorriso, ele detestava ser chamado assim, “Me chame de Salsicha”.

— Desculpa. – Velma sussurrou com os olhos marejados.

— Depende, pelo que está se desculpando? – Nan se sentou na cama, mas não perdeu a pose. – Esta se desculpando por não ter morrido, ou por não estar vivendo?

Velma deu de ombros olhando pela a janela.

— Pois eu não desculpo.

A ênfase que a senhora Blake deu na negativa surpreendeu Velma que a encarava pálida.

— Você pretendia que minha filha...

—Não. – Ela cortou antes que Nan concluísse a pergunta. – absolutamente, não era para ter acontecido assim, estava tudo dando certo...

— Então não há o que ser perdoado. Mas o que não posso aceitar de forma alguma é assistir você definhar neste quarto enquanto há pessoas que precisam de você.

Ela olhou os documentos, mas não os móvel de onde Nan os deixou. O dia correu lentamente como se arrastasse. No início da madrugada ela o ouviu. Suas patas arranharam o vidro da janela, ao levantar a pasta de Nan se espalhou no chão e um chaveiro bem característico escorregou até o meio do quarto. Ela o pegou e deixou dançar pelos seus dedos por um instante. Abriu a janela para Scooby entrar, mas ele não o fez. Sentou-se esperando que ela saísse.

Trocaram um longo olhar. Olhos opacos se encaravam na noite fria iluminada por uma lua cheia. Ela cedeu, jogou algumas coisas na mochila, foi a cozinha, sabia onde a irmã deixava as caixas de biscoito. No caminho parou a porta de Maddy, ergueu a mão para bater, mas congelou. Ela não permitiria que Velma se fosse, se permitisse teimaria em ir junto. Ela não estava preparada para isso, correr mais riscos assim. Então tocou a porta de forma suave por mais uma vez considerando a escolha que acabara de fazer. Virou-se, entrou em seu quarto, fechou a porta com delicadeza e pulou pela janela.

Conseguir a Maquina do Mistério não foi assim tão difícil, uma das chaves do conjunto era da garagem dos Blake. Assim que entrou tocou toda a superfície do automóvel com carinho enquanto procurava, de forma calma e delicada, lembrava de onde estava cada amassado, cada arranhão. Aquela não era a Maquina de Mistérios, seus amassados se foram juntos com os arranhões, como se cada uma de suas cicatrizes tivessem desaparecido e achou injusto, eram seus espólios de cada batalha, mistério e desafio que sobreviveu. Entrou no carro e viu o painel riscado, com uma mancha de esmalte, viu o rádio com o botão quebrado e se sentiu em casa depois de muito tempo, achou um pacote no porta luvas, havia dinheiro, um telefone celular via satélite e um cartão: “Me avise quando terminar”. Acelerou e partiu para Wisconsin se perguntando se ligaria ou não para Nan.

{...}

Agora...

— Eu acredito que possa trazê-los de volta. – Foi a primeira coisa que Maddy a ouviu dizer depois de meses que recebeu um e-mail de uma linha avisando que ela e Scooby estava bem. – Posso trazê-los de volta, Maddy!

A mais nova parou para ver melhor como a irmã estava, parecia mais magra, seu cabelo precisava de um corte, o braço tinha um ferimento recente e varias cicatrizes apareciam na pele exposta, mas nada a assustou mais que o sorriso, um sorriso puro e feliz de quem acreditava fielmente no que estava falando, um sorriso quase insano.

— Claro que pode Vel, claro que pode. – Ela tomou a mão da irmã. – Vamos para casa, sim, mamãe está com saudades, papai também. E você precisa comer alguma coisa.

Velma pretendia discutir, argumentar e provar que estava certa, que havia como trazê-los de volta, mas não deu tempo, havia muitas pessoas naquela cidade que não a tinham em bom lugar no coração.

Quando seu corpo foi arremessado no chão foi surpresa, quando viu Delilah Blake prestes a acertá-la não se deu ao trabalho de levantar as mãos. Só repetiu a possibilidade que a cada instante crescia como uma certeza.

— Posso trazê-los de volta. – E continuou sorrindo.

Deli congelou, viu com atenção os olhos de Velma que brilhavam pela primeira vez depois de muito tempo.

— Você não tem o direito de levar Scooby, deixar que ele se machuque e pirar antes de ser punida por isso.

Velma segurou Deli pela camisa e a trouxe para perto de si.

— Eu não estou louca, nem delirando. – Deixou seu olhar passar de Delilah para Maddy. – Eu posso trazê-los de volta, e vou fazer isso. — Voltou a encarar os olhos furiosos da Blake mais nova — A questão é se vai me ajudar ou não. Dê esse bendito soco se vai te fazer melhor, mas faça de uma vez e saia do meu caminho.

Notas finais
Como sempre, obrigada por ler! Deixe sua ideia/pergunta/reclamação é sempre legal saber como a história está correndo para vocês.